Vens até mim, e eu oiço-te como a grande amiga que sou, e adoro saber que estás feliz, mas preciso de te avisar sobre o amor, sobre esse teu estado de felicidade que julgas inabalável:
Esse teu amor não é eterno, acabará, e quando acontecer tu vais cair, vais deixar de acreditar na vida. Vais deixar de acreditar nas pessoas. O amor para ti igualará a morte. Vais-te esquecer de ti. Vais fechar-te em casa. Sexo para ti será a mesma coisa que nada. Poderão entrar de ti que só um nada sentirás. Sim, para ti tudo será indolor. A partir de agora.
Porque o amor é assim. Preciso de te avisar, que o amor dá-te a provar o melhor que existe. E depois ele foge, acaba, morre – porque é assim que as coisas são…e depois viverás com o desespero de estares num fundo de um poço negro…e as pessoas chegarão até ti, e falarão contigo e a única coisa que tu vais dizer para ti será: Estas pessoas são tão diferentes de quando eu vivia o amor.
Porque tudo é diferente. Os dias. As horas. A forma do teu corpo na cama. A textura dos teus lábios. A humidade do teu sexo. A fragilidade de como se vê as coisas. As palavras caem no vazio. O coração fica eternamente fechado. Tudo é diferente, até nós somos diferentes, porque quem prova o melhor que há deixa de saber viver no depois.
E dizem que o amor é a melhor coisa do mundo. Preciso de te avisar que depois a vida não será a melhor coisa do mundo.
Nem tu.




