domingo, novembro 05, 2006

"Want to tell you "I love you" cause I really do. Want to give you the answers if you ask me to. Want to leave your door for the last time, want to leave the floor for the first time. Leave the girls, leave it all behind... trust your dreams, your thoughts it's a matter of time.Run right, run left, just don't look back... Take this trip as your first step. Because the tears that we waste only make us blow...everything is perfect from here. and you know I need you there. "

"You said "- I want to die for you"... You cry and I'm repeating all the stories again. You're stading there for so long and it's so hard, that I finally found, it's heaven in your eyes. Innocence? Why? Why we survive? It's you, and your three million ways to make noise (to make me smile) You really don't know, you really don't see, you really have got a light, I'll found you..."

Letras 645 e Nice and sweet dos The Gift

terça-feira, outubro 31, 2006

Mais um dia.






"Quando te observo, ao longe, percebo (ainda) mais o quanto te amo. O que és para mim. Por dentro. Em tudo o que sou."
- 27-10-06






Nada em mim mudou desde que descobri que sei Amar. Que sei desejar. Uma só pessoa. Que sei foder e gostar ao mesmo tempo. Que sei estar num relacionamento sério. Que sei adormecer e acordar vários dias seguidos com a mesma Mulher. Que sei falar de tudo o que me enaltece e corrói por dentro. Que deixei de fingir. Que me entreguei toda deixando de lado as amarras que me castravam. Que comecei a pronunciar as palavras (sentido-as) que me causavam enjoos matinais e alergias constantes. Que compreendi que afinal o meu coração principal não é o meu sexo (não agora. Não contigo).
Que não consigo conceber já os meus dias sem ti.Que é insuportável a ausência que nos é imposta diariamente (embora também necessária e saudável).Que a minha boca ressente-se quando me afasto de ti todas as manhãs.Que todo o meu corpo assume-se teu.
Desde que me é impensável a ideia de te perder, de fraquejar, de provocar o fim.Desde que tudo o que me nasce por dentro tem o teu nome e apenas conhece os caminhos que me levam até ti.
Fora isso, continuo a ser uma cabra insensível, com rasgos de agressividade, egoísta com uma dose imensa de narcisismo, puta, carnal, intolerante, fria embora não gelada, impulsiva, com um ego (quase) sempre prestes a rebentar, snob e um mau génio pronto a ser contemplado.
Ou seja, continuo a ser a mesma miúda, a única diferença é que o que tenho de bom multiplica-se em tamanho e essência desde que estamos juntas. Desde que me soltaste e me fizeste nascer de novo. Em ti. Em nós.
Meu Amor.

terça-feira, outubro 24, 2006

“(...)
Take me, cure me,
kill me, bring me home
Every way, every day
I keep on watching us sleep
(…)
My fall will be for you
My love will be in you
If you're the one to cut me
I'll bleed forever “

Nightwish – Ghost love score


E reencontramo-nos hoje, pela madrugada, com os corpos expostos à loucura desmedida dos últimos dias. À mesma hora. Com as palavras, desta vez, mais silenciosas. Com o esganar dos corpos, menos compulsivo, mais calmo. O cansaço alastra-se, por ora, e não sabemos se irá ter sossego nos próximos tempos. É uma questão que foge à racionalidade, tu sabes, eu sei. É algo mais forte do que isso. Nasce-nos no corpo, fica-nos nos poros, a nossa mente também é culpada. A insaciedade é crónica em nós. E continuamos, sabendo já, que não temos cura. Que isto é doença. E a única forma de nos sentirmos melhor é, prosseguindo neste caminho. E vejo-te, como muitas vezes acontece, com esse teu ar de menina que quer doce. E esses teus olhos, verdes de férteis, que me procuram, quando a noite já se sentou e nos quer levar para outro sítio qualquer. Vejo-te, com as tuas mãos, que abraçam este corpo que é teu, no deslizar desses teus lábios embebidos de sensualidade, pelo meu pescoço, na segurança que as tuas palavras me oferecem e me alimentam dia após dia.

Não te consigo deixar de pensar, arrebatas-me por completo, nestes sentires que me entram pelo corpo e permanecem por cá. E a ausência que nos é imposta, maltrata-me e faz-me enlouquecer por dentro. Esta vida, precisa de ti. Este é o teu espaço, e nos meus olhos encontras o mundo. Vem, meu amor.

quinta-feira, outubro 19, 2006

Encontraram-se numa certa noite. De um ano qualquer. O espaço temporal tem a importância que lhe damos. De resto pouco importa. Porque acresce ao momento. Ás vezes apenas traça um limite. Ou dois na nossa maneira de ver as coisas, que geralmente é a errada. Mas que sei eu? O suficiente.

Encontraram-se num bar de uma ruela com traços cinzentos de tristeza e nuvens vermelhas do sangue espalhado pelos corações partidos. Sorriram, fingindo o conforto inexistente. Tocaram nas mãos, e as respirações aumentariam a cadência daquela noite. O brilho que era notado nos seus rostos ébrios. Entraram. Sentaram-se com os corpos encostados, timidamente, encostados. As palavras eram o gelo de um congelador qualquer. Podia ser o de uma delas ou das duas. E o fogo escondido nos sexos daqueles corpos pretendidos, não era suficiente para moldar aquele gelo entorpecido.
Pediram bebidas ao empregado de cabelo descomposto, cheiro intenso a um desinfectante qualquer, olhos suspensos numa droga comprada noutra ruela esquecida de Lisboa.
As bebidas chegaram, os corpos mexiam-se com uma delicadeza não justificada. As bocas falavam, agora sim, num transe de quem se quer calar e viver, mastigar o alimento que nos é oferecido no silêncio das vontades que se querem adormecidas (Pensamos nós, que a facilidade das coisas, adormece certas questões (i)morais).

Uma das mulheres, aproxima-se trémula, desvairada, na explosão que é eminente, no perigo que lhe persegue a pele, lhe rasga a sensatez, e acelera o batimento cardíaco do sexo, na humidade que arranha o tecido que lhe protege o desejo. Aproxima-se, escondendo os lábios tensos na pele que se prolonga por detrás da orelha, firmando palavras desconexas com a realidade mas embrenhadas em sentires avessos, prostitutos. Alonga as suas mãos na incoerência que se estende no corpo da outra mulher, os seus dedos revelam segredos na pressão dos dedos que dançam sobre a pele, sobre os poros que se abrem à medida que os arrepios se pernoitam.

O bar escurece. As pessoas não se apercebem do que está a acontecer. Ninguém se apercebe nem elas próprias. Daqui a poucos minutos, elas chegarão ao limite. Deixarão de se preocupar com o que as rodeia. Irromperão pelos seus corpos adentro, não resistindo ao apelo dos sentidos, ao que lhes está por debaixo da pele. Serão uma da outra pelo menos esta noite. E viverão. E os corpos pela primeira vez serão compreendidos. Serão tendencialmente satisfeitos. A noite pesará menos. Tudo pesará menos. E olharão a vida como há muito não a olhavam. Sorrirão e talvez no fim se abracem no entendimento revelado, no encontro das suas vontades. Talvez tudo mude, esta noite.

sexta-feira, outubro 13, 2006

Tu – minha Mulher.

Eu – tua Menina-Mulher.

Somos-nos
Reconhecemo-nos
Inteiramo-nos
Abrimo-nos
Assumimo-nos
Alimentamo-nos
Possuímo-nos
Invadimo-nos
Quebrámo-nos

Tu singular, na minha pluralidade.
Eu certeza, nos teus medos.

Duas. Sempre Duas.

Sexta-feira 13 – Um dos nossos dias. Por dentro de todos os outros que ainda não iniciámo-nos.

Os teus olhos abrem-se
No silêncio
Do que sentimos.

E as madrugadas são os beijos que nos fecham do que nos atinge.

Brindemos à indefinição, a que demos um nome, no último suspiro de um orgasmo.

(Lê-o nos meus lábios)

segunda-feira, outubro 09, 2006

(Re)nascer


Este dia. Esta tarde. Tudo se multiplicou em mim. O destino ficou-nos nas mãos. Deixámos de controlar e a palavra "fugir" começou a desaparecer das nossas visões. Encarámo-nos, vivemo-nos, respirámo-nos, confundimo-nos nisto que agora é nosso.
Deixei as teias no passado. Apaguei os medos e sinto agora em mim uma coragem que até então me era desconhecida. Que estes dias se prolonguem na esfera das nossas vidas. Que as nossas palavras nunca percam o seu sentido. Que os prazos se esqueçam no tempo. Que o sermos seja tatuagem nos nossos corpos.
Alimentamo-nos nesta viagem intemporal, com o reencontro sempre presente sejam quais forem as partidas. Os erros. Os desentendimentos. Saber-nos-emos, sempre, neste magnetismo que nos detém juntas.
O agora é mais do que hoje. É para além do amanhã. É tudo o que queremos e sabemos que vamos ter.

sexta-feira, outubro 06, 2006

As palavras cansam-me. Quando leres esta primeira frase, vais pensar para ti: “Quem diria...sendo tu uma miúda tão faladora”. E apetece-me sorrir ao imaginar-te. Não, não vou começar com os devaneios atordoantes. Não vou dar rasgos à loucura. Não me apetece escrever. A escrita é sobrevivência, mas é bom morrer nestes intervalos, preciso-os também. Como preciso de ti. Neste momento esperas-me, o teu corpo ressente-se da minha ausência, apenas de minutos. Poder-te-ia contar em silêncio a forma como rasgas toda a minha vivência até agora. Como me enalteces os momentos. E os sentidos. Hoje senti-nos a respirar.

E agora?

Daqui a horas despedimo-nos. E já me alucina a ausência. A perda. A premonição que isto só vai aumentar a intensidade. O desatino. A inquietação. E agora sim, vamos sentir-nos a enlouquecer. Querer e não querer. Sentir e não assumir. Ir e voltar. Perdermo-nos sabendo que temos na palma das mãos as direcções todas anotadas. Decoradas. Assimiladas.


Leva-me de volta aquele pôr-do-sol e demora a trazer-me de volta à realidade.


Fecha os olhos, pressente a cadência da minha voz ao teu ouvido e ouve-me:

“Não existe outro agora que não o nosso. Esqueci-me da palavra “temer” no ontem. Fiquemos. Aqui. Por ora. Ou mais, no nada que nos é tudo.”

sábado, setembro 30, 2006

História de Embalar

"A tua verdade é tão frágil...parece que é fantasma.
As omissões são mais imperiais.
Cadências.
Mentiras mutantes."
- P.F




Era uma não só vez, uma Puta. Dormia nas masmorras do meu coração. Dormia em véus de desejo. Fumava cigarrilhas francesas. Bebia vinho tinto. Lia pouco. Falava muito. Fodia outros corpos menos crentes que o seu. Gemia em silêncio. Gritava em loucura. Dormia abraçada ás presas expostas no seu talho pessoal. Sorria muito. Soltava gargalhadas infernais. Alimentava-se de banquetes com tons negros de orgasmos.
Nas suas folgas de caçadora infalível atirava-se às mamas de mulheres ingénuas que viviam com o terror de serem novamente magoadas. E morriam orando ao Deus Nosso Senhor que lhes salvassem o coração partido e lhes devolvessem a alegria de viver (que sem o amor se perde, tenho ouvido eu dizer(Posso-me rir?).
Nas madrugadas das suas ditas folgas, metia-se dentro da banheira e afundava cada vez mais os seus sonhos à medida que sentia a excitação no meio das suas pernas. Sonhos de outras vidas. De outras faces que pretendia encarnar. Sonhos que morriam na água que a lavava.
(Se, por um acaso, se perguntarem se isto faz algum sentido, posso desde já adiantar que não, não existe qualquer sentido nisto, apenas se trata de um acaso. Um acaso da escrita.)

quarta-feira, setembro 27, 2006

Regresso(te)

Entrego-me em raízes ao teu corpo, enquanto te rego com a língua as profundidades que escondemos de nós próprias. Solto-me quando me beijas a alma, devagarinho contrariando a intensidade do que vivemos. Sinto-te por dentro quando a tua respiração se prende ao meu ouvido e oiço-te em palavras que não dizemos.

Amanhã retomarei o nosso caminho e tudo fará sentido.

Tudo.

sábado, setembro 23, 2006

Deito-me nesta mesa dos pressentimentos, de nudez colada a uma madeira escura pernoitada de luz que antecipa o nascer de um dia. Mais um, na contagem decrescente da leitura da minha vida. Ou quase vida. Rastejo as minhas mãos pelos caracóis desconcertados que se ficam pelos meus ombros calejados de beijos raivosos, penetrantes.
Trago em mim os cheiros de Outubro, das folhas secas que me ferem o corpo em desatino de desejo, de quebras desalinhadas de lábios fundidos pela minha pele arranhada de perdição nos tragos de luxúria que encontraram aqui o seu leito.
Procuro-me com a ponta dos dedos como se seguisse um rastilho de pólvora pront0 a ser despertado, atormentado com o receio de explodir. Sigo-me pausadamente, como se a ponta dos meus dedos fossem os teus emprestados, cedidos à vontade nossa de me liberares, de me ouvires pronunciar as palavras que anunciassem o meu nascimento.
Encadeio-me em sons que são silêncio sequestrado na minha garganta, sufoco nesta ausência que me prende o calor ao corpo e faz-me revirar apoiando os meus seios estonteados ao vidro embaciado da mesa, enaltecendo a pressão nos joelhos aguardando que tomes posição neste espaço e me esventres a solidão do meu desejo. Depois de sentir-me presenteada desenfreadamente pelo cansaço de todo o meu corpo, dar-te-ei a beber o que ainda me resta nesta espera desinquietante que é me sentir descoberta pelos teus olhos.

terça-feira, setembro 19, 2006

Nasceste submersa nas verdades que tento esconder. Nas mentiras que invento para as conseguir acreditar. E no fundo eu já não sei quem sou. Sei que sou má pessoa. Sei que nada em mim me impede de magoar os outros. Sei que quero, quero muito mas a meio caminho já me fartei do que me espera, do que sei que vou ter. Não consigo deixar de querer, e isso tens de saber que é verdade, é esta a minha natureza. E tudo o que quero vou conseguir. Porque para além de o querer, sou forte o suficiente para o concretizar. Com muitos entraves, com muitas dúvidas. Nem sempre à minha maneira mas consigo. E isso é que me faz dormir descansada (ou não). Já to disse uma vez, visto todos os dias a pele de um camaleão e sou todas as pessoas que queres que seja. E poderei fugir dos outros à vontade. Ninguém me irá conseguir apanhar. Conhecer. Arrancar de mim o meu coração. O amor que duvido que exista em mim.

Preenches-me a carne dos desejos sem nunca me alimentares. Não me queres alimentar. Não me queres deixar provar o prazer da insaciedade. E eu gosto desta guerra. Deste destino que nos sai das mãos, que deixou de pertencer às nossas vontades racionais. Gosto como se abortasse um orgasmo. Ou dois. Ou todos os que fazes crescer por dentro. No interior do meu ventre.

Um dia. Apenas um só dia, eu permitirei que me tomes. Que te escrevas na minha pele. Que me alimentes sem me viciares. Que me sorrias sem te dares. Que me beijes sem me atormentares. Que comas o meu coração inteiro. Um só dia. Só assim conseguirei acordar no outro dia e sentir que posso estar sem ti. Sem amarras. Sem as memórias a invadirem-me o corpo com o teu cheiro. Com as tuas mãos a concretizarem-me.

Um dia, nada mais do que isso.

sábado, setembro 16, 2006

Entreabres-me o ventre com a fúria que antecipa a satisfação máxima que não existe sequer. Aguardo-te na impaciência que não sei fingir, e faço orações aos deuses dos desejos para que não te demores. Para que encerres já esse teu jogo que criaste para me tentares controlar. Neste momento em que te aguardo, estou-me a foder para os teus jogos e se não tens coragem para me possuíres como eu gosto, então nada estás aqui a fazer.

terça-feira, setembro 12, 2006

Encontrámo-nos em mais um dos meus desencontros. Retorno às tuas mãos quando a vida me pára. Quando a vida deixa de fazer sentido. Deixas-me entrar, sempre o deixaste, nesse pormenor de amor perfeito que não existe mas que não deixas de o fazer crer.
Acolhes-me quando o silêncio se impõe como destino último e lês-me palavras antigas que descobriste, por um acaso, na tua livraria favorita. Fazes listas do que ainda não fizemos juntas e no meu peito desfolhas beijos com sabores tardios de madrugadas neste verão já quase findo. Depois sorris quando me enfureço e me desenho bruscamente contra as paredes, sorris da minha insatisfação entorpecida. E quando me deixo cair no chão com o rosto de menina a brotar nos meus olhos, lanças gargalhadas que me sossegam a histeria.
Quando a noite está quase a desaparecer estendes uma manta cinzento velho pelo chão da tua sala e estendes-me a mão, abraças-me e dizes-me que daqui a horas eu estarei bem, de volta com as palavras presas à alma e no meu mais alto auge. E eu deixo-me ficar nos braços da tua serenidade, bebendo os sorrisos que me dás a conhecer.

A manhã chega e eu estarei bem. Deixarei a tua casa sem uma única palavra, sem um único sinal de agradecimento e sem demonstrar a ternura que sinto por ti. Tu não estranharás mas não me sorrirás e sei que o meu renascimento será resultado da mágoa que te irá acompanhar o resto do dia.

Embora me custe, não sei abandonar esta minha estranha forma de ser.

sexta-feira, setembro 08, 2006

Massagem sem ética

Entrámos em tua casa. Entrámos naquele espaço só teu. Percebi-te em todos os recantos. Existias em todos eles com rasgos de memórias de outras pessoas. Trocámos olhares. Trocámos sorrisos de peles quando propositadamente nos sentíamos. Levaste-me até ao teu quarto, até à tua cama que se dividia em duas. Despi-me das roupas que me prendiam o calor, pedi-te ao deitar-me para me tirares o soutien. Assim o fizeste, deixando-me a pele a palpitar de arrepios. Começaste a fazer a massagem que te pedi e que à muito estava prometida. Senti as tuas mãos a caminharem tensas pela minha pele e à medida que me queimavas os sentidos, sentia-te também com a respiração mais ofegante. Paraste por minutos, voltaste e sentas-te no outro lado da cama à minha frente. Levantei a cabeça, deixando-te anteveres os meus seios, sorriste atrapalhada. Também gosto de te ver atrapalhada e ligeiramente provocada. Pus-me novamente em posição para te sentir em mim, sabendo, que aquela massagem, tinha à porta um letreiro em que se lia “Massagem sem ética”. Continuaste a deixar-me desfrutar dos alongamentos das tuas mãos….deitaste-te em cima de mim…senti-te mais perto. Senti-te com as temperaturas elevadas. Sorri de olhos fechados, como se não estivesse a perceber nada. E sei que te perguntavas o porquê de não reagir mesmo que soubesses que o faria para te provocar. Para te começar a levar ao limite. Dizes-me ao ouvido: “esta parte não faz parte da massagem” e apetecia-me dizer-te que nada daquilo fazia parte da massagem, mas fiquei uma vez mais em silêncio. Virei-me para ti. Quis que me visses toda. Começamos na troca de provocações. Com os nossos corpos mais juntos…roubaste-me um beijo e com a minha colaboração nos confundimos. Não deixei que me beijasses mais. Sabes como gosto de controlar tudo. Sabes e gostas. Pediste-me um abraço. Disse-te que teria de ser a fingir. E demos um abraço a fingir. Sentimo-nos mais perto, sentimos os movimentos dos corpos uma da outra. Irrompeste pelos meus seios, pelos meus mamilos. E a tua respiração….tão descontrolada ao pé da minha.

- Queres sentir o meu coração? (perguntei-te com a inocência que perdi há muito)
- Sim quero.

(pego na tua mão e ponha-a no meu sexo)

- Puta!

E sou. E gosto de sê-lo contigo. Mas o meu coração principal é o meu sexo e tu que me apelidas da pessoa mais sexual que conheces, já o deverias saber.

Afastei-me de ti. Fui para o outro lado da cama. Com o sexo em fogo. Com o corpo a precisar de ser fodido. Mas não era o momento. Não seria naquele dia em que nos iríamos acontecer.

Levantei-me e comecei a vestir-me. Tiraste a t-shirt e vi os teus seios. Vestiste o soutien, e eu chamei-te para perto de mim. Tirei-to e bebi dos teus seios que me cegavam os olhos. E retomei a vestir-me. Saímos de tua casa e fomos almoçar.

Se fores à tua agenda, irás reparar que marquei outra massagem para a próxima semana.

quarta-feira, setembro 06, 2006

Vens falar comigo, vens-me falar do teu amor, do que esta tua nova relação te trouxe. Dizes estar feliz. Dizes que nunca antes tinhas conhecido tamanha felicidade. Dizes que nada poderá derrubar este amor. Porque o amor verdadeiro não se derruba. Falas-me que vivem juntos. Falas-me dos jantares que fazem a dois. Falas-me dos fins-de-semana de loucura. Falas-me que o sexo nunca foi melhor. Para ti tudo o antes não foi um nada de viver. Agora sim isto é viver.

Vens até mim, e eu oiço-te como a grande amiga que sou, e adoro saber que estás feliz, mas preciso de te avisar sobre o amor, sobre esse teu estado de felicidade que julgas inabalável:

Esse teu amor não é eterno, acabará, e quando acontecer tu vais cair, vais deixar de acreditar na vida. Vais deixar de acreditar nas pessoas. O amor para ti igualará a morte. Vais-te esquecer de ti. Vais fechar-te em casa. Sexo para ti será a mesma coisa que nada. Poderão entrar de ti que só um nada sentirás. Sim, para ti tudo será indolor. A partir de agora.

Porque o amor é assim. Preciso de te avisar, que o amor dá-te a provar o melhor que existe. E depois ele foge, acaba, morre – porque é assim que as coisas são…e depois viverás com o desespero de estares num fundo de um poço negro…e as pessoas chegarão até ti, e falarão contigo e a única coisa que tu vais dizer para ti será: Estas pessoas são tão diferentes de quando eu vivia o amor.

Porque tudo é diferente. Os dias. As horas. A forma do teu corpo na cama. A textura dos teus lábios. A humidade do teu sexo. A fragilidade de como se vê as coisas. As palavras caem no vazio. O coração fica eternamente fechado. Tudo é diferente, até nós somos diferentes, porque quem prova o melhor que há deixa de saber viver no depois.

E dizem que o amor é a melhor coisa do mundo. Preciso de te avisar que depois a vida não será a melhor coisa do mundo.

Nem tu.

domingo, setembro 03, 2006

A mulher chegou ao quarto já passavam das seis da manhã, nas últimas quatro horas tinha feito de tudo um pouco. Devolveu-se à serenidade que o álcool lhe parecia dar. Recolheu-se às palavras dos seus livros predilectos. Dançou as músicas que tiveram sucesso na sua adolescência. Embriagou-se de emoção ao tentar saber se a vida agora teria um sentido. Um só rumo. Masturbou-se tentando assim enganar a solidão dos seus dedos, do seu corpo magro, gasto. Nesta noite tentou enganar-se a ela própria. Mais uma vez.

A sua casa era branca. Num branco sujo rabiscado de memórias das coisas que nela estavam atulhadas. Coisas que na verdade não tinham a sua identidade. Não eram suas. Pertenciam às suas pessoas. Deixava-se aconselhar, deixava que os outros partilhassem consigo os seus gostos particulares e na angústia desmedida de sentir, fazia desses mesmos gostos os seus. E quando já os tinha adquirido gabava-se que se tinha apaixonado por tais coisas. E os outros sorriam, achando que tinham um grande sentido de persuasão ou muito bom gosto. Sorriam, as suas pessoas.

A sua vida era uma farsa, eram as únicas palavras que dizia a si própria nas suas muitas conversas para tentar matar as insónias. Sim era uma farsa, e dizia aos seus amigos, que agora seria outra pessoa. Porque ela era uma outra pessoa. Mas ninguém sabia, nem ela mesmo sabia. Os seus amigos, com gestos surpreendidos, diziam que só o tempo poderia fazer com que eles reconhecessem esta nova pessoa. E ela na tentativa desesperada que eles a ouvissem dizia para dentro que o tempo era a ilusão dos que precisavam de desculpas.

Daqui a dois dias, iria destruir tudo o que não era seu, achando que assim também iriam embora os últimos restos da outra mulher. Da outra assinatura que vivia na sua pele. As que os outros gostavam. A verdadeira – diziam eles. A falsa – sentia ela. O seu apartamento deixaria de ser branco. Deixaria de ser cheio. Deixaria de ser um espaço para convívio entre artistas. Pseudos. Porque os verdadeiros artistas não têm espaço próprio, tem vários espaços, aqueles que se escondem pela arte que criam.

Existiu uma partida. Definitiva. Ela sabia que sim. Mas vivia ainda na crença que a mudança ainda poderia acarretar regressos. Ela queria aquele regresso. Queria. Mas sabia, com mágoa, que ele não era mais do que um sonho. Daqueles com muitas cores. E sem um trilho de branco.

O quarto perdera a sua luz. Tudo perdera a luz. Com a partida.

E agora com os retalhos esquecidos de orgasmos sentidos nos lençóis, ela deitava-se tentando estabilizar a sua alma. Em vão. Nos próximos dias tudo seria em vão.

Até a morte.

sexta-feira, setembro 01, 2006

No depois-amor existe um período de negação
não do que nos morreu
mas sim do que nos restou.

terça-feira, agosto 29, 2006

Acordou nua com o corpo como prova dos movimentos, dos sons ensurdecedores de dois corpos unidos pelo prazer. Quis abrir os olhos e ver a pessoa que estava deitada a seu lado. Quis ver quem ali estava e respirar de alívio. Não queria que o prazer que o seu corpo latejava fosse resultado de apenas um sonho. Queria não estar sozinha naquele dia. Queria falar ou apenas sorrir. Queria ali alguém, mesmo que soubesse que a realidade levaria essa pessoa horas mais tarde porque para si aquele seria o resultado esperado das suas saídas de sábado à noite. Uma noite de sexo nada mais que isso.

Abriu os olhos e olhou para o lado esquerdo da cama, os seus olhos abriram-se mais ao verem um corpo nu, um corpo bonito enfeitado com marcas de outro corpo, de outras mãos, dentes ansiosos por carne humana. Reparou nos cabelos curtos castanhos-claros com traços leves de vermelho, reparou na forma como aquela pessoa dormia. Gostou estranhamente, gostou. E naquele momento assaltou-a um instinto de ternura e quis abraçar aquele corpo anónimo, que lhe ponha vontades nas mãos, que lhe acelerava a sua respiração. Quis mas controlou-se porque tudo na sua pessoa era controlado. Era algo nato. Controlou-se, virando-se para o outro lado, vestiu-se calmamente sem mais nunca olhar para aquele corpo. Aceitou que aquele era o fim e saiu daquela casa que não era a sua.

quinta-feira, agosto 24, 2006

"And then I looked up at the sun and I could see
Oh the way that gravity turns on you and me
And then I looked up at the sun and saw the sky
And the way that gravity pulls on you and I, on you and I"

Quisemos crescer dentro das palavras, daquelas que semeámos, tentando com isso cortar com as amarras quebradiças do passado. Do que nos corre pela respiração. Fizemos de nós, o elo de ligação, a virtude da sobrevivência. Unimos as mãos tentando com isso provar que agora será diferente. Que o medo poderia nos morrer. Que o amor poderia deixar de se arranhar nas paredes e renascer na nossa cumplicidade.

Quero que pares. Quero que me olhes e tenhas certeza do que sou. Em ti. Em nós. No que durante tanto tempo escondemos. Preciso dessa certeza, tens que entender…
Agora é o tempo de pararmos, de deixarmos de arranjar desculpas, outras pessoas, outros contratempos.

Nenhuma história vai esperar por nós. Nada espera por nós. E o nosso caminho há muito que está feito, precisámos sim de o agarrar.
Mais do que nos entranhar por dentro, mais do que nos sentirmos, mais do que tudo o que existe, é preciso decidir.

Deixei de saber esperar por nós. Não o suporto mais.

Já não me conheces o suficiente?
Já não sabes que me ferem os minutos?
Esta vida que se prolonga?

É agora
Este momento

Preciso que decidas
Que me abraces
Que me cheires
Que me deixes ficar em ti

Porque no amanhã
Já nos perdemos


De novo
Sempre
Até que deixe de haver espaço para nós

Para os nossos nomes
Para tudo o que poderia nascer.


Sei de ti
Nesta ausência
Que me vinca a alma.


Agora

terça-feira, agosto 22, 2006

Noite de Verão

A noite começou como uma normal noite de Verão. Precisava de libertar os demónios dos últimos dias, e a ideia de ir beber um copo com as minhas amigas, não me soou nada mal.
Entrei no bar já usual das noites de Agosto. Vi-te logo ali a socializar perto da entrada. Revisitaste-me os olhos. Já nós tínhamos cruzado algumas vezes, mas a tensão nunca permitiu qualquer aproximação. Até esta noite, em que as palavras precisavam de som e os corpos de alento. Continuamos observando os passos uma da outra, as nossas amigas eram o pretexto para não arriscarmos qualquer aproximação. Até que o teu olhar se permaneceu de mais no meu e dirigiste-te à casa de banho. O instinto levou-me a seguir-te. Sentia o pânico a engolir-me os pés mas tinha que ir ter contigo. Abri a porta e estavas encostada a uma parede negra com poesia escrita a tinta branca. Tu e as palavras. Gostei demasiado da combinação para contrariar as minhas vontades.
A minha boca assaltou a tua num ímpeto que não dava para ser controlado. As minhas mãos prenderam-se às tuas ancas e a força do corpo obrigou-nos a entrar dentro de um dos compartimentos. A rapidez do desejo que nos ameaçava nem nos deu oportunidade para perguntarmos os nossos nomes. Naquele momento isso era o que menos importava.
Sentia a tua língua a embriagar-me, sentia-te a criar em mim novos desejos. As minhas mãos agarraram-se ferozmente às tuas nádegas enquanto sentia o meu sexo a latejar cada vez mais em desejo. O teu corpo colou-se ao meu e cravei-te beijos inquietos nos teus ombros. Viraste-te e pregaste o meu corpo já quase nu à parede, abriste-me as pernas e rasgaste-me o sexo de prazer. Enquanto te movimentavas dentro de mim, perguntaste-me se queria ir para tua casa. Respondi-te que sim depois de me dares o orgasmo. O primeiro daquela noite.
Arranjaste-te e disseste que me esperavas à porta. Logo a seguir encontrámo-nos.
Dentro do carro, dei de beber à sede que se ancorou na minha língua, e já em tua casa algemei-te a alma ao sexo e dei-te prazer até amanhecer.

Presenteaste-me com a melhor noite deste Verão. E eu dei-te a conhecer o que o teu corpo pedia e tinhas receio de lho dar.

Ficamos ambas a ganhar.