quinta-feira, julho 06, 2006

Energias. Desde que te conheci que deixei de conseguir renovar as minhas energias. As da minha sobrevivência. A que começaste a questionar. Virámo-nos uma para a outra. Tomamos a liberdade fazendo conta que nada tínhamos a perder. Sugaste-me o desejo pela pele. Como se se tratasse da tua bebida favorita. Olhas-me pelos recantos dos silêncios que inventei para te afastar de mim, relatas-me palavras que eu não consigo entender. E quando estás preparada para me dares a mão, reconduzes-te à ignorância de achares que é sempre tarde demais. Levo tempo demais até regressar a este livro que ando a escrever há tanto tempo. Rasgo-me das personagens quando as sinto perto. Muito perto. Perto daquele abismo que separa toda a minha racionalidade do fantasma que é a loucura. E se quando te olho apenas consegues ver uma imagem embaciada. Peço-te que não te assustes. Que não fujas. Que não penses o pior. As imagens são demasiado desfragmentadas da verdade. Dissimulo-me, como se quisesse que acreditasses que sou apenas uma mentira. O que não deixa de ter o seu nexo. Na maior parte das vezes a realidade que pensas haver entre nós, é ironia das palavras. É apenas um circuito cortado. Que nunca consegue chegar ao coração. Existem muitos porquês. O porquê de eu insistir nesta existência em que me anulo a mim própria. Ou o porquê de me fechar dentro de um cubículo que na verdade é mais aberto do que julgas. Quando nos convencemos de alguns factos, é tão mais fácil que os outros acreditem em nós. Torna tudo mais credível e ao mesmo tempo começas a perder as partículas que fazem o que tu és no pormenor de tudo. Por detrás de todos os jogos. Chego ao pé de ti farta de estar sempre a me sequestrar do que me corre por dentro. Por medo, de que seja tudo verdade.

segunda-feira, julho 03, 2006

Esqueces-te vezes demais das histórias que me contaste. Se as lembrasses, ver-me-ias tão melhor. Saber-me-ias criação tua, criação nascida das tuas histórias. Mas a cegueira ocupou-te todos os teus sentidos, perdeste a clareza de quem tinha o privilégio ou não de ver além do óbvio. Foi essa clareza a razão de me ter apaixonado por ti. Conseguires contemplar o que nunca ninguém antes tinha conseguido. Agradeci-te com a minha paixão alucinante por ti. Foi a pior coisa que podia ter feito. Os outros conseguirem-nos ver para além da vulgaridade de outros olhos, não devia ser agradecido, melhor, não era eu que tinha que te agradecer. Serias tu a felizarda. Ver alguma pela primeira vez, de forma tão clara, tão inesperada é algo que nem todos podemos alcançar. Tu conseguiste. Eras tu que me tinhas que agradecer. Não o fizeste. Nem eu o permiti. Colocámos o jogo ao contrário. E as regras eram poder teu. Adiantou-nos de alguma coisa? Se calhar tu com as tuas ideias sacrificadas de bom senso achas que melhor não poderia ter acontecido. Mas até tu erras. E sabe-me bem saber desse teu erro e de te ver a ti a dançar num ritual absurdo de quem nunca erra. De quem consegue tudo. Fazes-me rir. Um riso canibal. De quem tem uma fome voraz de te despedaçar o coração. Esse antro que é alimentado, que se impregna como mancha nos sentimentos a desflorar dos outros.
Esta noite, quererás ser alimentada de novo pelas minhas fragilidades. E serás alimentada, oferecer-te-ei a minha única fragilidade: Tu.

domingo, julho 02, 2006

Um post à parte...

Sexta à noite. Regressar às noitadas que tanto me marcaram nos primeiros anos de universidade.
Desta vez não começamos pelo bairro alto. Começamos com a ousadia de duas garrafas de vinho tinto, entre muitos risos, alguns cigarros, um charuto, alguma contestação pelo cheiro. Sobrevivemos a isso tudo. Arranjamo-nos. Perfume para cá, pasta de dentes numa mão. E os sorrisos agora eram risos. Contagiantes por sinal. Duas da manhã. Próxima paragem: Lux. Eu escolhi o sítio e graças à minha técnica persuasiva convenci-vos a virem conhecer a minha capela musical. Porteiros. Pagar e receber um ticket. Bengaleiro. Bebidas. E primeira pista, a minha favorita. Porquê? Porque nessa pista os corpos não têm medo de se tocarem. Os olhares não fogem. Continuam noite fora. Já vos tinha dito que saudades tinha eu de dançar, de me libertar enquanto a música me sobe pelo corpo. E dançamos os três. Era a tua noite de despedida, meu menino, agora quem me vai acompanhar à tasca do lado para beber sangria? Quem me vai levar à loja de conveniência à uma da manhã, quando os desejos de gelado me assaltam a mente? Com quem vou comentar as miúdas da Suécia? E os seus atributos? Mesmo que eu prefira as morenas. E as conversas que tínhamos? Firmámos uma amizade. Vou ter saudades de te ter a tocar nos meus caracóis. E eu vou ter saudades de te encaracolar mais o cabelo. Mas foste embora. Agora espero que consigas estágio em Lisboa para continuarmos nesta jornada. O trio maravilha: a endiabrada, a morena esbelta, e o menino dos caracóis. Continuaremos sempre a ser um trio. Mesmo que por agora seja difícil voltarmo-nos a encontrar.

Com isto digo que gosto muito de ti, és um dos meus meninos.

Até já

quinta-feira, junho 29, 2006

Temos as mãos desnudadas. O corpo lavado de sorrisos. De sentires. Quisémo-nos construir com gotas de saliva. Com o corpo assinado por várias pessoas. Quisémos o nosso sexo cheio de desejo. Quisemos chegar ao mais alto possível. Pensamos que assim conseguiríamos. Fodemos corações. Fodemos almas. Fodemos sorrisos. Fodemos esperanças. Fodemos palavras. Fodemos certezas. Fantasíamo-nos de verdade. De conquista. De amor. De paixão. De ternura. De compreensão. Despimo-nos como se assim pudéssemos sentir o que na verdade sempre quisermos. Errámos nos caminhos. Errámos nas pessoas. Errámos na fantasia. E continuamos a errar. Deixamos de procurar um equilíbrio. Decidimos que a saída seria sobreviver. Sobreviver. Mesmo que essa sobrevivência fosse escape. Fosse desabafo. Fosse procura. Fosse falhanço.

E quando me pegas nas mãos que vês tu? Um espelho com duas faces? Uma escultura inacabada? Um intermédio de qualquer coisa? Talvez vejas mais do que isso. Mas as respostas não estão em mim. Estão guardadas numa gaveta sem chave. Num olhar cego de movimentos.

As horas passam. As insónias amontoam-se. Os pés ferem-se nos passos que não damos. Os livros queimam a ponta dos dedos. A alma rasga-se em várias partículas podres. As portas batem-se com força. A memória perde-se em acontecimentos passados. A espontaneidade deixou-se adormecer. A emoção transformou-se em calculismo.
E quando as horas se terminam que vês tu?

segunda-feira, junho 26, 2006

Entre nós existe um tempo. Um tempo desfragmentado. Um talvez que cada vez mais se perde na ausência. Estilhaçamo-nos em sorrisos, em noites que nos comprometem a sobriedade do que dizemos sentir. Ou que já sentimos. No final da noite já nada sabemos, as palavras bebem-se umas atrás de outras. Roçam-se em demasia à medida que sabe-nos a pouco este tempo. Quisemos expandir-nos, sempre o conseguimos fazer. Mas existem pormenores que nos falham. Nunca deixam de existir quebras. E o medo…esse que nunca deixa de existir, amanhece connosco, amanhece mais cedo e agride-nos os sonhos…as lembranças que nos podiam fazer equilibrar as manhãs. No mais negro do abraço que te dou existe medo. Medo que o corpo responda mais forte do que a acção em si. Medo que o que nos palpita por dentro queira voar para além de todos os limites a que nos impomos. E quero recordar-te. Recordar-te o momento em que as manhãs terminam, esse ponto intermédio em que o medo é-nos retirado da pele, se recolhe nos nossos olhos e nos nasce em sorriso, em mãos que se despedem em saudade do que não se chegou a viver, do não dito. Esse momento supera-nos. Existe por si mesmo e marca-me a cadência dos passos seguintes ao terminar das nossas manhãs

quinta-feira, junho 22, 2006

Hoje enquanto dormes a meu lado vou contar-te um segredo, em silêncio vou fazer que ele chegue ao teu ouvido, em passos curtos à medida que o teu corpo se mostra sereno nos lençóis.
A culpa de saber cada detalhe teu de cor, são das insónias que me atentam o pensamento…mas me dão alento aos olhos quando te olho, dão sentido ás minhas mãos quando ao me deitar te puxo para mim. Sei quantos sinais tens no teu corpo inteiro, sei todas as expressões que fazes ao dormir, sei a matemática que fazes quando queres mudar de posição, sei os sons, sei os silêncios…sei cada pormenor enraizado na tua pele meu amor. Dizes que um dia canso-me de te olhar, que saberei tudo e perderei o interesse. Como posso eu perder o interesse pelo amor que me ofereces e eu te ofereço mesmo quando só estou cá eu, a observar-te pelas noites a dentro há já tanto tempo. A tua serenidade dá-me sede, sede de também conquistar essa calma, essa expressividade que se alonga em ti mas facilmente percebo que ela a ti te pertence. Talvez por isso nos entendemos tão bem enquanto os anos passam por nós.

E sei que daqui a horas, acordarás tu, e ficarás a me olhar também, a me sussurrar palavras aos ouvidos para que acorde e te dê um beijo de bom dia para que assim possas invadir a vida bem cedo e para que logo logo te oiça a chegar a casa com as saudades que dizes ter de mim mesmo sem que eu te pergunte nada. E no abraço que me dás a conhecer consigo ainda sentir o porquê de tudo isto, o porquê de tudo fazer sentido quando ao te olhar, reconheço-te toda, e saber que também tu me reconheces, e que ambas nos reconhecemos no amor.

sábado, junho 17, 2006

Guardamo-nos pela noite fora, pernoitando pela música que nos chove, ancorando num abraço as saudades dos dias em que nos libertamos.
Lembro-nos sempre assim, inter-ligadas pela pele, questionadas pelos porquês desgastantes das voltas que damos, dos beijos em que se prendem as nossas bocas. Regressamos sempre ao momento que antecedeu uma qualquer partida. E andamos neste ciclo até que o cansaço chegue e decida o que fazer de nós.

Sentamo-nos no café de sempre. Dentro ou fora. De noite ou de dia. Com a mesma marca de tabaco. Com a mesma marca de café. Com os mesmos copos entupidos de água. Conversamos pelas mãos, sorrimos pelos toques, chateamo-nos pelos porquês que são as tuas respostas às minhas perguntas. Chegamos bem, discutimos a meio, e saímos bem. Nunca pressupus qualquer coisa contigo sem estes três degraus. Se assim não fosse deixaríamos de sermos nós. Seríamos outras dentro de nós. Deixaria de ter piada. Gosto da rotina da turbulência na minha vida. Gosto de discussões. Só contigo. Porque só contigo consigo ser eu, consigo dizer o que realmente penso, sem pensar duas vezes se é apropriado ou não.

- Gosto de ti.
- Porquê?
- Por não saber é que te gosto.
- Dizes isso a todas!
- E?
- E gosto que o digas a mim...
- Então estamos bem!
- Não sei, não gosto de estar bem contigo.
- Vai à merda!
- Vês? É assim que gosto de ti!
- Assim como?
- Insuflada em incertezas.


Nunca dormimos no mesmo sítio duas noites seguidas. Não fazemos rituais. Não dormimos abraçadas. As peles colam-se e nós fazemos tudo para que isso não ultrapasse o sexo. Trocamos beijos em demasia. Sim, sempre achei que nós funcionávamos em excesso. Não nos sabemos conter com tão pouco. E por vezes pedimos um quase-nada. Adormecemos a olhar uma para a outra. Com a chama dos corpos escondida pela distância segura do que temos receio. Talvez seja nesse preciso momento em que nos vemos melhor. No silêncio que se fala em palavras nunca ditas antes. Umas vezes esquecidas. Outras vezes deixadas em nós sem rasto para não as podermos seguir. Mas é nesse silêncio que nos amamos.

- Queres ir passear amanhã? Fugir durante um dia?
- Não sei...
- Porquê?
- Não me enerves. Deixa-me dormir!
- Se calhar fugia era hoje. És impossível!
- Foge. Não voltes. Hoje não te quero mais.
- Desprezo-te

Voltamos. Fugimos. Regressámos intactas com um sorriso na boca. Tratamo-nos mal tantas vezes que já não nos incomodamos. E dizes tu que não te acomodas. Acomodamo-nos ambas aos dias assim. A nunca acabarem como começaram. E mesmo assim são tão iguais. O máximo de tempo que estivemos separadas foram dois dias. Foi a primeira vez que nos tratamos mesmo mal. Gritámos. Assustámo-nos. Fizemos avisos, ameaças. Gritámos mais ainda. Partimos coisas. Dissemos nunca mais. O nunca mais durou 48horas. E custou.

- Já não gosto disto...
- Porquê?
- Porque não podes estar desintegrada de mim.
- A culpa é nossa. Tu gostavas de despedidas.
- Deixou de ter piada. Agora fere!
- Desde quando é que tu sentes dor?
- Desde que te disse nunca mais.
- Estiveste bem agora.
- Eu sei!
- Queres foder?
- Descobre...

Encontramos um equilíbrio. Já por várias vezes to disse. O equilíbrio no desequilíbrio. O desequilíbrio que descobrimos na nossa loucura. A loucura que foi o que nos atraiu. Atracção que se tornou em dias longos. Entendemo-nos bem em quase tudo. Menos nos gostos literários e decoração. Aí discutimos. Cada qual num lado, desistimos da nossa vontade em pouco tempo. Atiramos os desentendimentos para um canto qualquer e voltamos a comunicar. E aí voltamos a ser diferentes. Voltamos à rotina de nunca repetirmos o feito na véspera. Sentimo-nos vencedoras. E brindamos. E sorrimos. E quando estamos perto de dar um abraço, vamos cada qual novamente para seu lado. Se a distância um dia se quebra, todo o vidro que nos envolve se parte. E aí como nos reconheceremos?

- Tenho frio! Vem para mais perto...
- Não me apetece, eu estou bem.
- Egoísta, nunca o irás deixar de ser!
- Paciência.
- Vem!
- Não me canses.
- Merda!
- Queres gelado?
- Depende...
- Diz lá!
- Se o aqueceres primeiro...

Voltamos ao início da noite. Voltamos ao início de tudo.
A madrugada vem-se adiantando nos minutos. Os corpos esquecem-se de se protegerem e aproximam-se. Identificam-se. Cheiram-se. Encontram um espaço em comum. Regridem com os movimentos. Mas voltam a aproximar-se. A manhã não se atrasou e ensaiou-se com a luz nos dois corpos. Os olhos abrem-se. As mãos prendem-se. Dois olhares que se cruzam ainda na ternura do sono. Acordam numa só. Com a pele a transbordar entrega. Com os corpos a quererem conduzir outras noites como esta. Aos poucos sentem que se querem mais. Que a distância nem sempre é tão exacta quando sem nos apercebemos ainda nos guardamos.

quinta-feira, junho 15, 2006

Massive Attack – Live with me

“It don't matter, when you turn
Gonna survive, live and learn.
I've been thinking about you baby
By the light of dawn,
and in my blues
Day and night,
I been missing you
I've been thinking about you baby,
Almost makes me crazy,
Come and live with me
Either way, win or lose,
When you're born into trouble you live the blues
I've been thinking about you baby
See it almost makes me crazy child
Nothing's right if you ain't here
I'd give all that I have just to, keep you near
I wrote you a letter and tried to make it clear
That you just don't believe that, I'm sincere.
I've been thinking about you baby...
Plans and schemes,
hopes and fears
Dreams i've denied for all these years(...)”



Chegas de madrugada. Entranhas-me os sonhos até ser hora de acordar. Vais-te embora. Voltas e sentas-te nos meus pensamentos. Acompanhas-me no café que não tomo e nos cigarros que me esqueço de parar de fumar. Deitas-te no gelado que não devia comer. Sabor: chocolate e chocolate. Acenas-me com os olhos que não conheço a cor. Voltas segundos depois, molhas-me os lábios com a água que devia ser o teu beijo. Aquele beijo que não sinto mas que me fica nos sentidos. Voltas a ir. Desta vez demoras-te o tempo suficiente para eu me arranhar de saudades. E demoras. Continuas a demorar. Ás vezes, conversas com os meus medos, fazes-lhes perguntas. Prevês as suas respostas. Ris. Sorris. Mas eu nunca te vejo. Ainda. Ao fim da tarde ficas-me no corpo. Enquanto as horas não passam, ficas por lá, como se me massajasses o coração. A alma. Os receios. Sinto-te. Não quero. Mas não consigo evitar. Fugir. Sair por uns tempos. Voltar a encontrar-te. Voltar a encontrar-te todos os dias. Não acontece. Por vezes chegas-me em ternura. E aí sinto os teus abraços. Sabe-me a pouco. Volto a querer mais. Sempre mais.
As noites chegam e tu não estás. Estamos na mesma cidade. Quando falamos não estamos na mesma cidade. Quando somos algo que não tem nome e vai continuar a não ter. É melhor assim. Não nos cansamos. Mas eu canso-me desta desfragmentação. Canso-me.

Tenho saudades de quando me irritas. De quando não cedes. De quando não te controlas. De quando te encobres nas palavras. De quando estás. Aqui. Mais perto. Mas distante o suficiente para me custar a sentir-te.

E continuas cá.
E penso em ti.
E preciso de me esconder na noite.
Nas ruas onde gostava de te encontrar.

terça-feira, junho 13, 2006

Partidas
É neste lugar que elas se encontram
Entre o certo e o errado
Entre a serenidade e o desejo
Entre o meu coração e o meu sexo
Entre o devaneio e a loucura

Derrames de ausências.
Afrontamento de palpitações

Faz-me as tuas questões
Enquanto os teus dedos
Me abraçam o sexo
Me puxam a língua
Que se renasce por entre os lábios
Bebendo-se em luxúria

Responderei às tuas questões
Por entre a intermitência
Que se abre em orgasmo
Que se esconde no escarlate
Que me resguarda os olhos
Que se ouve
Nos movimentos do corpo
Que se lambe em suor.

No final existe uma partida
Existe um desassossego
Existe uma peça já decorada
Existem ainda questões
Existem ainda respostas
Existo eu a sair da tua pele
Existes tu com a certeza desajustada
Que te guardei em memória.





Meus queridos,

venho convidar-vos a estarem presentes no lançamento do livro de um grande amigo meu e também bloguista Gonçalo Martins ( http://www.extranumerario.blogspot.com). O lançamento é já esta sexta-feira dia 16 de Junho, na Fnac do Cascais shopping, pelas 21h.

Será concerteza um grande dia para o poeta como para aqueles que têm vindo a acompanhar o seu crescimento em todos os poemas que escreve.

Parabens meu menino, é este o teu momento, mereces sabes que sim!

Beijos e estarei lá para ver o meu exemplar personalizado!!!!

Quanto a vocês apareçam também e desfrutem do talento :)

sábado, junho 10, 2006

Tu-Eu

Alentejo. És tu que o carregas nas mãos. Que o apresentas a mim quando em dias estamos mais presentes, menos carregadas com a ausência que nasce entre os nossos corpos.
Gostava de me lembrar do começo. Desse tempo em que nos encontramos. Desses momentos onde a conversa conduzia as sensações e nada parecia difícil de ser acreditado. Nessa altura ainda acreditávamos. Ainda existia a confiança que podíamos fazer diferença neste mundo tão cinzento e tão pobre de sentimentos. Sabíamo-nos diferença e compreendíamo-nos como tal. E talvez foi aí que tudo deixou de ter raízes próprias. E continuamos num caminho, na ilusão que bastaria nos percebermos, na ilusão de sermos iguais. De termos os segredos de como continuar a permanecer uma na outra.

Do Tejo ao Além-do-Tejo
Em quantas noites tentei eu encurtar a distância. De quantas noites quis também renascer nas tuas mãos. Ao lado do teu Alentejo. E da Cecília Meireles. Que me lembrasses, Amor mesmo que agora a vida te pese, a fé seja inexistente, que o Amor tenha perdido o seu próprio brilho nesse teu coração tão frágil e tão já amadurecido.
Quem serás tu senão eu?
Quem serei eu senão tu?
Que seremos nós se nem a nós pertencemos?

Disseste-me certa noite que eras como o ar, facilmente entravas, mas serias um ar diferente porque não mais sairias. Digo-te eu que és mais do que o ar, és como os meus livros predilectos, és como as coisas que mais gosto de fazer, és como as palavras que teimo em calar, és um círculo de singularidade em que me envolvo e me deixo ficar. Não precisas de ser como o ar, não precisas de ser mais daquilo que és. Bastas-te assim. És. Aconteces. Sobrevives-me.

Peço-te que invadas esta ausência mergulhada em distância e me sintas além da pele. Toca-me além da pele. Persegue-me para além de tudo o que seja palpável. Para além deste fumo negro em que tenho vindo a construir a minha vida. Este casulo inconstante a que chamo viver. Sabes tanto do que te digo. Do que te falo. Do que quero quando me solto em palavras para que assim me sintas mais dentro. Para que em mim encontres as respostas do que ainda não te cansaste de perguntar. Do que agora quase que desistes de acreditar. De ter. De chamar até ti. Como as andorinhas que em criança desejavas ser para poderes voar. Porque são os sonhos que te continuam a adormecer. São eles as amarras que te permitem ainda viver. Que permitem que te continues a ligar às pessoas, à espera do sinal. Do sinal que te mostre que estás preparada para o que irá chegar a seguir. Menina sonhadora que voas até mim. Até ao que escondo mas que perante ti parece tão transparente. Tão nosso.

Cresces-me à medida que os dias passam, à medida que o silêncio nos acompanha nos espaços em que nada pensamos ser. Em que as palavras deixam de ter alcance em nós. Porque nada são quando se comparam ao que ainda queremos atingir. Seremos eu e tu capazes de reconhecer o sinal? O fim das nossas perguntas? Seremos eu e tu capazes de aceitar o que de incrível pode acontecer? Quando a distância se abater e só sobrarmos nós, sem dúvidas e apenas vontades?

Deixa-me deitar o meu coração sobre o teu para que ele sinta já o que a razão entendeu…estou dentro de ti, faz já muito tempo em que sei de cor esse trajecto que nos une ao mesmo tempo que fazemos de tudo para que nos separe. E tu também estás em mim mesmo nos dias pormenorizados em que desapareces, em que te fechas nesses teus sonhos à espera que a realidade os toque.
Faz já tanto tempo em que merecias estas palavras que se escutam em silêncio à medida que os meus beijos te seguram.

Do Tejo ao Além-do-Tejo

Dá-me a mão e mostra-me onde te encontras.

quinta-feira, junho 08, 2006

Beijos. Beijos na nuca. Beijos de ausência. Beijos de permanência. Beijos de palavras. Beijos de poesia. Beijos de pele. Beijos de roupa. Beijos de insónias. Beijos de despedida. Beijos de sermos. Beijos de cada qual no seu caminho. Beijos de corpos encostados. Beijos ao pé da janela. Beijos de manhã. Beijos de vinho. Beijos de seios. Beijos de braços. Beijos. Beijos de serenidade. Beijos de incerteza. Beijos de interrogações. Beijos de ombros. Beijos de língua. Beijos escondidos. Beijos desnudados. Beijos dados. Beijos recebidos. Beijos esquecidos. Beijos inesquecíveis. Beijos oferecidos. Beijos aceites. Beijos não-entregues. Beijos intermitentes. Beijos de colo. Beijos apetecidos. Beijos viciantes. Beijos com quintas intenções. Beijos prolongados. Beijos sem nome. Beijos que nos queimam. Beijos tatuados. Beijos de orgasmos. Beijos de silêncios. Beijos com sabores. Beijos de mar. Beijos de miúda. Beijos sem sentido. Beijos de último dia. Beijos que se soltam na pele.

Beijos
Beijos
Beijos

Que se abrem
Que se colam
Que se destinam
Que tem nome
Que tem caminhos

Beijos

Desfeitos.

quarta-feira, junho 07, 2006

Meu menino,

Agradeço-te a ti:

Todas as palavras.
Todos os abraços.
Todos os sorrisos.
O teu acreditar em mim.
O teu incentivo.
A tua inspiração.

Em pouco tempo construímos muito. Falamos de tanta coisa. Confiamo-nos.
O teu sorriso, já te disse que gosto muito do teu sorriso?
E que gosto quando me pedes para fazer festas no teu cabelo?
E gosto da tua curiosidade.
Da tua timidez que já quase não se nota.
Gosto de te ouvir falar do que escreves.
De como te consigo inspirar.
Gosto quando dizes mal do café que fui buscar.
E da forma que me dizes que me esqueci de trazer um copo com água.
Gosto-te muito.

Gosto do facto de partilharmos os meus gostos.
De gostarmos de observar o que se passa à nossa volta.
Gosto e gosto.

Obrigada por me fazeres rir e brilhar.



P.s. continuo chateada por não teres querido ir beber um copo de vinho do porto e não teres jantado comigo. Menino mau!

segunda-feira, junho 05, 2006

Por dentro...

O amor. Saber abrir a porta quando o amor chega até nós. Saber reconhecê-lo. Denuncia-lo. Aceitá-lo. Mas na verdade quando o amor chega a porta já antes foi aberta. Não acredito no amor à primeira vista. Já acreditei. Já acreditei em muitas outras coisas. Tempos de ingenuidade. Acontece aos melhores. E eu faço parte desse círculo. Antes de abrirmos a porta ao amor, abrimos antes à paixão, ao contacto, às histórias que se partilham, às fotografias tiradas, aos sonhos, às discussões, às saudades. Tudo isto chega primeiro. E é a isto que temos que abrir a porta. Será fácil? Duvido. Eu gosto de viver todas estas particularidades mas mal oiço a palavra amor fecho a porta e vou-me embora. Já por muitas vezes me perguntaram o porquê. Penso que a minha resposta nunca foi a mesma. Talvez porque nem eu sei. Ou até sei muito bem. Uma das respostas é porque nunca o encontrei, o amor, o dito. Porque com o passar dos anos deixei de acreditar. São tantas as vezes que costumo dizer que quero acontecer, que quero que me aconteçam. Se o amor tiver que me escolher, escolherá e aí talvez eu consiga manter a porta aberta. Durante algum tempo. A extensão dos prazos faz-me alergia aos pensamentos.

Dizem que o amor é a melhor coisa do mundo. Concordo. Amar a minha família, os meus amigos mais próximos, amar-me a mim, amar a vida é das melhores sensações que se pode sentir. Chegar a casa e amar aquela que me recolhe ou se recolhe nos meus braços talvez complete este sentir. Um dia. Deixarei de querer mais do que o mundo. Um dia deixarei que leiam amor nos meus olhos. Um dia saberei que escolhi o caminho certo. Ou talvez não. Mas aqui estou eu. E continuarei sempre a ser eu.

sábado, junho 03, 2006

Feira do Livro - II

Feira do livro. 2003. Viste-me pela primeira vez. Sentiste-me pela primeira vez. Observaste-me. Quase que me seguiste. Quase. Quase. Naquele dia, naquele dia andava na loucura dos livros. Como se os meus olhos fossem palavras, que se redobram que se encolhem para ter lugar para todas. Comprei imensos livros, apesar do calor, das comichões a me assaltarem o corpo. E não te esqueceste do pormenor da mochila laranja. Ainda a tenho. Ainda a levo ás compras. Amores antigos não se esquecem. Ficam-nos na pele. Ficam-nos nas palavras que por mais que se repitam nunca soam ao mesmo sentido. Amores antigos.

Hoje voltei à feira. Três anos depois. Levei a mochila laranja na esperança que por lá aparecesses, já nos cruzamos tantas vezes depois do vazio, porque não encontrarmo-nos aqui. Sei muito bem o que te diria. Dir-te-ia que gostaria muito que me seguisses até casa. Dir-te-ia que os amores antigos podem renascer. Podem ainda ser respirados. Enternecidos. Alimentados. Pedir-te-ia desculpa por ter fugido e não ter voltado atrás. Dir-te-ia tanta coisa…será que me perceberias? Será que me sorririas como de início?

Chá de menta. Café no chiado. 17h. Filosofia de Hegel. A tua aproximação. Eu dentro da minha capa de protecção. Tu com o maior à vontade que é tão teu e manteve-se sempre em ti. O teu sorriso de beleza por contemplar. O teu sinal no lábio. Os teus olhos, esses que um dia quis escrever tantas palavras. Tu à minha frente e eu sem conseguir falar. O desconforto. O tentar que ninguém se apercebesse do que estava ali a acontecer. Um convite para jantar. Um nascer. Um regressar. Tantas palavras por acontecer e eu só te soube acenar. Esperarias muito mais de mim naquele dia. Mas…existe sempre um mas nas expectativas. O meu mas era a desilusão. Desiludir-me a mim é algo que temos sempre de estar à espera. Saberemos lidar com isso. Mas frustar as expectativas daqueles que nos querem. Daqueles que nos esperam. Daqueles que sabem que temos mais para dar. Acenei-te e permaneci no café a ver-te a partir. E agora que leio esses momentos, apetece-me dizer-te que demoraste tanto tempo a chegar e o tempo até à tua partida foi breve demais, foi um tempo inquestionável até o reconhecer. Reconhecer de que o tempo sem ti demora a ter brilho. O teu brilho próprio.

Dia seguinte. Jantar. Regressar até ti. Até uma desconhecida. O medo. A desconfiança. O desconforto ainda presente. Os passos em falso sempre presentes. E se te dissesse que também eu cheguei mais cedo e que te vi andar pelo largo, e que te vi a falares para ti, e que vi nos teus olhos que me esperarias, que me esperarias até que eu chegasse. E cheguei. E nada te disse. E tu nada me disseste. E mesmo assim em silêncio sosseguei. Recebi-te. Essa noite. O princípio de tudo. O inicio das incógnitas. Das perguntas. Das dúvidas. Da vontade de fugir. De me conseguir enquadrar em ti. Em mim naquela situação e nas que foram acontecendo. Deixar-te entrar. Deixar que permanecesses. Que respondesses ás minhas perguntas. Aquelas que demorei a responder. Aquelas que demorei a aceitar. Perdi-me demasiado ao tentar encontrar uma maneira de te fugir. De te convencer que não era eu o caminho a seguir. Demorei tempo demais a tentar esconder-me em vez de tentar descobrir-te em mim. De nos descobrir.

O tempo acabou por partir o espelho que nos despistava uma da outra. O tempo acabou por ser a solução mais viável. Convenci-me que te estava a proteger. Convenci-me que estar na tua vida era o pior que podia fazer. Quis te salvar de mim. Das minhas angústias. Das minhas prisões. De mim. Acabei por me esquecer que eras a melhor coisa que me tinha acontecido. Desmoronei-me de mim.

Sinto que é tarde demais. Sinto que ao querer escapar-me do que sentia, apaguei dos teus olhos todas as palavras que precisavas de ler em mim…

Mas amanhã, amanhã voltarei à feira…voltarei todos os dias até ver um pedaço de ti no verde enfeitado do mundo dos livros.

Voltarei.

quarta-feira, maio 31, 2006

Ofereço-me orgasmo que me consome vorazmente o ventre. Que me soa a mãos a rasgarem os lençóis. A se moverem em tesão. A se esfregarem de desejo não contido. Louco. Frenético. Repetido. Insatisfeito. Lambo-me rio que não seca. Que não se rende. Que se prende aos instintos que me queimam a pele. Quente. Desnorteada. Afogada em gritos que se vomitam pela garganta.

Toco-me em saudade. Saudade de me embriagar em mim como me embriago em ti. De me foder a mim como te fodo a ti. Porque na minha pele existe um poema. Existe um cheiro. Existe um trajecto. Existe uma intermitência. Uma voz que é mais do que palavras. Existes tu. Existo eu em ti.

Ofereço-te o orgasmo que se rompe em mim
e que a ti te pertence.

terça-feira, maio 30, 2006

Feira do Livro - I

A primeira vez que me cruzei contigo…faz hoje três anos desde que te vi pela primeira vez. Na feira do livro. Andavas atarefada com o calor, tinhas o rosto rosado e cara de poucos amigos. Tinhas uma mochila laranja e muita confusão dentro dela. Garrafa de água na mão. Sacos na outra. E andavas. Lutavas com a tua própria pele, com a comichão causada por aquele dia quente. Cruzamo-nos várias vezes naquele dia. Acharás agora estranho se eu te disser que me apeteceu seguir-te nesse dia para ver onde moravas? Fico embaraçada sempre que me lembro disso. Mas senti uma vontade absolutamente fascinante de não te perder o rasto mais. Passados meses quando já saímos juntas…contei-te que quis ficar perto de ti desde esse dia. Assustaste-te. Não parava quieta na cadeira. E bebias muito gelo com sumo. Já te disse que gosto quando ficas atrapalhada?

A segunda vez que te vi, ganhei coragem e meti-me contigo. Estavas a tomar chá (de menta, lembro-me tão bem…) e lias um livro sobre filosofia. Observei-te durante algum tempo. Reparei que sempre que mudavas de página bebias um trago de chá, levavas muitas vezes a mão direita ao cabelo e por tempos rasos os teus dedos por lá se mantinham. Os teus olhos abriam-se muito como se comessem lentamente as palavras que descobrias. Fui ter contigo convidei-te para um jantar. Coraste. Franziste a sobrancelha. Tossiste. Olhaste à volta inúmeras vezes. Não disseste nenhuma palavra. Depois acenaste com a cabeça. Escrevi num papel a hora e o sítio e deixei o meu número. Sorri e fui-me embora já convencida que não te veria tão cedo. Mas vi-te. E revi-te e continuo a ver-te. Mesmo que distanciada.

Dia seguinte. Largo do Carmo. 21h. Cheguei meia hora mais cedo. Andei feita louca pelo largo. Falei comigo em silêncio. Insultei-me outras vezes mais. 21h e ponto lá estavas tu. Com os passos tímidos. Com um sorriso contido. Não trocamos nenhuma palavra até ao jantar. Olhamo-nos apenas. Tremia eu toda por dentro (sentiste?). No jantar soltas-te ligeiramente, pouco falaste de ti. Falamos de tudo menos de nós. Trocamos os nomes já no segundo copo de vinho. Partilhamos histórias. E sorriste. Sorriste descontraidamente. E eu sorri contigo. Quis continuar a ficar ali contigo.

Continuamos a sair. Continuamos a conversar. Começamos a sair para todo o lado juntas. Passamos a partilhar mais do que histórias. Começamos a partilhar a nossa essência. A nossa estranheza. A nossa pele. A nossa face. Até à ruptura…partilhamos tanto. E hoje ainda me lembro dessas tempos. Não os perdi. Hoje ainda continuo a querer ficar contigo. Como da primeira vez que te vi. Mesmo com os estilhaços que passaram a existir entre nós.

Hoje voltei à feira. Sem a confusão do costume. E pareceu-me ver-te ao longe com a mesma mochila laranja e o calor a te atropelar os sentidos. Quis que fosses tu. Mas a alma engana-nos bem.

Até para o ano.

domingo, maio 28, 2006

Sete

Fecha-se mais uma porta. A sétima porta.

Quero-te contar um segredo. Tu que nunca foste uma porta. Foste apenas amarra. Apoio. Janela aberta. Abraço. Beijo. Palavras. Poesia. Tu que sempre por cá esperaste.

Quero contar-te um segredo. O meu segredo.

Menti a todas as minhas mulheres. Menti absurdamente. E menti-me a mim também.
Disse-lhes para me roubarem o coração. Que era a resposta. Que era a forma de conseguirem que as amasse. Menti. Uma. Duas. Três. Quatro. Cinco. Seis. Sete.

Não, eu não quero que me roubem o coração. Eu quero que me soltem o coração.
Quero que o façam respirar. Transpirar. Quero que o façam explodir. Com um beijo. Com um toque. Com um olhar. Quero-o vivo.

Fecha-se mais uma porta
E continuo desacreditada.

sexta-feira, maio 26, 2006

Toma-me. Fere-te. Desdobra-te em papel. Olha-me. Odeia-me. Gosta-me. Atira-te contra as paredes. Pára de fumar. Pára de dormir. Pára de foder. Ouve-me. Regenera-te (em mim). Bebe. Bebe até não poderes mais. Acorda-me vezes sem conta. Diz-me boa noite. Não me deixes dormir mais. Pensa em mim. Transpira-me. Sufoca-me. Liberta-me. Aceita-me. Esquece-me. Incendeia-me. Não me queiras. Pertence-me. Não fujas. Deseja-me como nunca desejaste ninguém. Não te apaixones. Contradiz-te. Faz o dito pelo não escrito. Puxa-me para ti. Expulsa-me da tua pele. Oferece-me os teus orgasmos.
Cola uma fotografia minha no teu frigorífico. Não me chames tua. Acompanha-me até a porta. Sê louca. Destemida. Tua. Perde-te nos mapas do meu corpo. Risca-me dos teus dedos. Tatua o meu cheiro no teu ventre. Não me puxes os cabelos. Chama-me pelo meu nome. Na cama não. Chama-me puta na cama. Mesmo que no fundo seja apenas uma menina. Chama-me o que quiseres. Faz o que quiseres. Sente como quiseres. Mas chama. Faz. Sente. Tua não tua.
Sou uma palavra que ainda não conseguiste soletrar.

quinta-feira, maio 25, 2006

Duas desconhecidas. Um quarto de hotel. Duas cores de pele.
Um propósito: acontecerem-se.

Duas estranhas revelam-se. Traduzem-se em sentidos. Tocam-se com as bocas. Entreabrem-se em línguas. Bebem-se em nudez. Ouvem-se em segredo.

Duas mulheres. Dois ponteiros de relógio fugidos pela noite fora. Prendem-se os lençóis aos corpos. Fogem-se gotas de salivas. Pedaços de sexo. As mãos argumentam em luta pelo território.

Dois corpos lançados pelo chão. Abraçados sem nomes. Sem perguntas. Duas vontades que se fazem em lume. Que se queimam em luxúria. Que se respeitam enquanto se rasgam num só corpo. Apenas um.

Duas almas presas.

domingo, maio 21, 2006

De mim para mim....

Momentos que me agrides. Momentos que agrides quem sou. Momentos que deixas pelo chão todos os sentimentos que se agitam por ti. Gostava que um dia tu que escreves tanto, escrevesses um texto sobre o porquê dessa tua raiva pelos sentimentos. Os sentimentos que são verdadeiros. Que fluem por ti. Que se constroem por ti. Raiva de morte. Raiva de morte porque não consegues deixar que o amor te toque a ti. Te invada. Te assalte todas as tuas seguranças. Um dia deixarei que me escrevas. Já to tinha prometido. Mas antes quero que escrevas um texto sobre ti. E quero que mo leias. Se tiveres que me morder o coração, morde. Se tiveres que mandar à merda o que sinto por ti fá-lo. Mas escreve. Deixa que as palavras falem por ti. Solta-te. Tu que jogas jogos de razão com as tuas palavras, deixa que a ternura jogue com o teu coração.

sábado, maio 20, 2006

Porque sim. Porque achei piada...porque me fez rir...e tudo o mais...

Msn ás 3:20 da manhã:

GNM: Achas mesmo que és única em quase tudo?
Cacau: Sim porque ao ser única sou-me igual a todos os outros. Porque somos todos únicos na forma como sentimos, nos damos, recebemos, vivemos e aí ao sermos únicos somos iguais e diferentes.
GNM: minha menina...
Cacau: sim...
GNM: acho que estás no curso certo...vais ser uma brilhante causídica!
Cacau: achas que o que digo não é verdade? é dissimulação?
GNM: é verdade sim, se estivesses a vender um carro comprava-to já!
Cacau: meu menino...

:) Gosto-te meu menino!

sexta-feira, maio 19, 2006

Desnudada

Guarda-me contigo. Guarda-me no teu lado esquerdo. Guarda-me no teu sinal. Naquele. Que eu gosto. Que eu beijei com a minha língua. Guarda-me mesmo que eu seja como o vento. Como as trovoadas de Novembro. Guarda-me como sou. Com tudo o que sou. Mesmo que por vezes saiba a pouco. Sou eu. Nunca deixo de ser eu. E sei-me especial, sei que me sabes especial.

Apenas isso. Guarda-me mesmo que um dia alguma de nós tenha que partir. Nunca deixaremos de ser nós. Por muito que nos pensemos perdidas uma da outra.

Aqui.

quinta-feira, maio 18, 2006

Não, não te consigo dizer as coisas. Porque as palavras deixaram de sair. Porque as conversas se perderam. Porque as conversas são controladas. Porque nos somos controladas. Porque quando as coisas estão prontas para ser ditas. Eu fujo. Tu foges. Todos andamos no mundo a fugir. Porque é a saída mais óbvia. Porque é a que deixa menos passos. Porque é a que nos faz adormecer mais cedo.

Porque fugimos de quem beijamos. Porque fugimos de quem fodemos. Porque fugimos de quem nos oferece o coração. Porque fugimos de quem não nos oferece nada. Porque fugimos de nós próprios. Porque deixamos de saber respirar. Porque deixamos de saber falar. Porque deixamos de saber sonhar. Porque nos deitamos nas nossas incertezas. Porque as certezas nunca são certas. Porque morremos. Porque chega a um ponto em que deixa de doer. Porque os sentimentos se constroem para serem comidos. Porque as vontades nos corrompem a alma. Porque nunca estamos satisfeitas. Porque as respostas passaram a ser previsíveis. Porque nos somos previsíveis. Porque o que era ficou no outro dia. Porque quero dormir. Porque as insónias fodem tudo. Porque eu fodo-me toda mesmo sem me aperceber. Porque todos fodemos todos. Porque no fim tudo arde em mentira. Porque a verdade mantém-se escondida. Porque é assim que está certo. Porque as cortinas existem. Porque as capas não se deixam corroer. Porque é assim. Porque escolhemos ser assim. Porque a vida não é fodida nós é que a vemos como tal.

E agora?
Agora nada. Continuamos a viver e a nos questionar.

terça-feira, maio 16, 2006

“You got to be so free away from me…”


Gosto de te ver a acordar. Entranhas-te toda nos lençóis. Sorris de olhos fechados. Sorris com o teu corpo arrepiado. Acolhes-te no meu colo pela manhã. Esboças palavras de menina ao meu ouvido. Abraças-me inteira para que eu te veja a nascer nos novos dias. Saio de manhã e tu ficas-te pela cama. Saio de casa. Da tua casa. Nesse espaço que queres que também seja meu. A caminho do metro lembro-me de ti, por vezes apetece-me voltar atrás e ficar. Mas o trabalho agarra-me a razão. De manhã és tão tu. Quer estejas enrolada na cama. Quer estejas nua em frente à janela. Quer me beijes a face. Quer me beijes os lábios. És tão tu. Gosto-te pela manhã…mais pela manhã.

Durante o dia estamos desencontradas. Nunca nos vemos. De tarde ligas-me a contar as ideias sórdidas que te passaram pela cabeça. Falas baixinho como se estivesses perto. E acredito que fales pelas mãos como se o meu corpo estivesse ao teu alcance. Ris. Sorris. Soltas-te. Provocas-me. Seduzes-me. Mas continuamos desencontradas. Na ausência que nos obriga o dia-a-dia respiro. Estou sem ti mas respiro. Sorrio. Rio-me. Canto palavras soltas. Bebo café. Demasiado café. Fumo também em demasia. Fujo em pensamento para outros recantos. Encontro-me com outras pessoas. Imaginativas. Também me solto. Também sou eu. Quando me desencontro de ti sou mais eu.

No final do dia encontramo-nos. Em tua casa. Sempre em tua casa. Chego mais tarde, carregada de papéis que precisam de ser lidos para o outro dia. Chego cansada. Chego desencontrada de mim própria. Mas chego. E beijo-te. E recolho-me nos teus braços. Porque sabe bem. Porque tu cheiras bem. Porque a tua pele chama-me. Porque talvez também sejamos. Por minutos. Obrigas-me a fumar na varanda. Obrigas-me a não beber vinho tinto antes do jantar. Obrigas-me a que dedique toda a minha atenção a ti. Obrigas-me a ouvir. Obrigas-me a falar. Obrigas-me a que me sinta bem a teu lado. Mesmo cansada. Farta. Surda. Muda. Imprópria para consumo. E tu continuas a ser tu. Continuas a encontrar liberdade neste teu espaço que insistes em partilhar comigo.

As horas passam. Vagarosamente. Mas passam. Ficas-te pelo sofá e eu pela mesa da sala a adiantar o trabalho. Por vezes vejo que me olhas. Vejo que me beijas de longe. Vejo que queres que vá ter contigo e fique mais perto. Vejo que ficas triste. Vejo que percebes o quanto eu não sou. O quanto eu não sei ser. E deixas-me estar. Não falas. Depois vou eu ter contigo. Vejo tão bem o que os teus olhos dizem. O que as tuas mãos aguardam. O que o teu coração se escreve. Se recria para estar comigo. Para aguentar a carga que é sentir mais. Dar mais. Querer mais. Do que o meu. E acredito que na maior parte das vezes consegues aguentar esse peso. Porque bastaria um sim. Um quero. Até um talvez para que esse peso fosse menor. Se regenerasse. Bastar-te-ia tão pouco minha menina. Eu sei. Mas não basta saber. E aí encontramo-nos de novo.

Deitamo-nos juntas. Lado a lado. Com a tua mão sobre a minha barriga. Com os teus olhos pousados nas minhas incertezas. E adormecemos porque temos que adormecer. Porque o tempo precisa de se fazer mover. Porque o amanhã quem sabe seja melhor. Quem sabe nos salve. O amanhã…

Esta noite. Unicamente esta noite. Venho aqui porque te quero. Porque te preciso. Porque a pele reclama chamamento. Porque a pele precisa de se sentir arranhada pelos teus beijos. Porque a pele clama-se desejo. Tesão. Euforia. Desespero. Instinto. Carne aberta, quente, fornicada. Hoje sou isto tudo. Preciso que me atires com a tua força de corpo contra uma porta. Preciso que me rasgues as roupas com os dentes. Preciso que em ti nasça a vontade de me foderes. Sim esta noite vim aqui porque quero que me comas. Quero que me leias poesia enquanto me chamas tua. Preciso que acabes com toda esta racionalidade, todo o calculismo. Todos os stops. Todos os nãos. Preciso que me entres pelo corpo. Com força. Com toda a falta de jeito. Mas que entres. Que sejas. Que me mates o desejo que vês no meu sorriso. Não, hoje não te quero comer. Não quero ficar por cima. Não te quero puxar os cabelos. Não te quero dizer como te quero comer. Quero tudo ao contrário. Quero sentir-me presa. Encurralada. Possuída. Puta. Putinha. Menina mal comportada que precisa de um castigo. Quero que me castigues a alma. O meu lado esquerdo. Quero-te em mim. Com a tua boca no meu orgasmo.

Apenas esta noite.

segunda-feira, maio 15, 2006

Tenho tanta coisa para te dizer. Existe dentro de mim tanto de negro como de luz. Existe acima de tudo contradições. Vontades que estão em constante guerra. Não te acontece a ti em momentos sentires que estás dentro de um campo de batalha? A luta entre apenas uma pessoa. Tu própria. Ganhas e perdes. Cais e levantas-te. Mas perdes sempre um pouco de ti, por muito pequeno que sejas…perdes!

Tenho tanta coisa para te dizer. Para te falar. Para te fazer ouvir. Para que te esqueças. Para que te lembres. Queria cravar-me na tua pele para me saber tua. Gosto de por vezes me saber tua. Mas a ideia em si é castradora. Como se sufocasse. Como se ao mesmo tempo me libertasse. Explica-me como é que ao sentir-me tua nasce em mim uma sensação de liberdade? Devia dar antes a ideia de perdição. De perder o controlo. De deixar de conseguir prever os meus passos. As palavras que preciso de dizer. O que posso ou não sentir.

Tenho tanta coisa para te dizer mas falta-me a certeza que estás aqui. Em mim.

sábado, maio 13, 2006

13/05/06 at 03:00 a.m.

“Sabes de mim e sabes-me bem…”

Errado menina. Sei tão pouco de ti. Sei o que dás. Sei o que gostas de beber. Sei como dormes. Sei como gesticulas as palavras. Sei como mexes no cabelo. Sei como é o teu sorriso. Sei como as tuas mãos andam enquanto falas. Sei quantas vezes tocas nos meus braços enquanto conversamos. Sei que gostas de puré de batata líquido. Sei que hibernas. Sei que foges quando estás a perder o controlo. Sei que não gostas de filmes de terror. Sei que gostas de surpresas. Sei que o que é teu não é de mais ninguém. Sei que a tua pele sabe a mar. Sei que te achas perdida no meio de tanta gente. Sei que não te vendes. Sei que não alugas sorrisos. Sei que queres uns ténis pretos e que enquanto os não encontrares não descansas. Sei que observas. Sei que não gostas de ser observada. Sei que já fumaste marlboro. Mas que enjoaste. Sei que enjoas a quase tudo. Sei que fumas muito. Um maço por dia. Sei que não procuras o amor porque temes nunca dar de caras com ele. Sei que sofres por dentro e que ninguém ouve os teus gritos. Sei que não conduzes. Sei que és pequenina. Sei que não, é não. Sei que adoras ananás. Sei que não gostas de ir ao supermercado. Sei que queres muito. Sei que detestas perder. Sei que de manhã não gostas de ouvir vozes. Sei que os teus despertadores às vezes não funcionam. Sei que gostas de ir para o trabalho a pé para sentires o ar fresco na tua cara. Sei que não gostas de conversa de treta. Sei o teu nome. Sei como gostas de ser chamada. Sei que quando usas fato no final do dia doem-te os pés. Sei que queres ir de férias, mas estás dividida. Sei que na maioria das vezes és forte, mas que no fundo és apenas uma menina. Sei que gostas de chicletes. Sei que gostas de manga. Sei que gostas de ser surpreendida. Sei que não é o ego que te move. Sei em que sítio do teu corpo ninguém te pode tocar. Sei de cor a tua voz. Sei que não gostas de te sentir perdida. Sei que não gostas de te sentir sufocada e com muita gente à volta. Sei que gostas de escolher e não ao contrário. Sei que gostas do diferente. Sei que te irrita quando o cabelo te cai pela testa. Sei que usas um gancho. Sei que dentro de ti tens uma força vulcânica. Sei que gostas de ver o Sem Rasto. O Dr House. O Lost. E de outra série que é “mentes bla bla bla”. Sei que gostas de música que te toque por dentro e faça com que o medo por momentos desapareça. Sei que escreves e escondes. Sei que me sabes. Sei que me ouves. Sei que me lês. Sei que bem dentro de ti queres ficar. Por tudo. Por nada. Por todos os significados. Por nenhum deles. Sei que queres acontecer.

De ti sei tão pouco.
Sei o que as palavras me dizem.
Sei o que tu permites que eu saiba.
Sei o que os meus olhos me mostram.
Sei que não quero que exista o “até um dia destes”.

E agora ainda me lês?
Ainda me sentes?
Ainda queres ir?

Fica.

(...)

Existem pontos de interrogação no meu eu.
Existem questões que nunca terão respostas.
Existimos nós. Ambivalentes. Loucas.
Tão não seguras de nós.
Tão cheias de segredos.
Tão cheias de nós mesmas.

Existem questões que nunca te poderei responder.
E deixamos de existir.
Como se constrói algo que não foi feito para nascer de nós?
Como se estraga algo que nunca foi certo? Desejado? Pensado?

Como se fode um coração que não tem chama?
Como se ama uma face por detrás de uma capa escondida?
Como se sente saudade de um dia?

Existem questões
Muitas delas nossas.

Demorei-me a encontrar a saída.
Demorei-me a ver-me a mim desligada de ti.
Demorei-me a ver-te a ti.

Que idade tens tu menina?
Tenho 22 anos de incoerência.

Que nome tens tu menina?

Existem corações
Que não se permitem.
Que não se questionam.
Que não foram feitos para serem pontos de interrogação.

Existe o medo.
Entre nós é isso que existe.

Que nome tenho eu menina?

sexta-feira, maio 12, 2006

Inconsciências I

Mais do que querer ser eu a te salvar,
desejei que fosses tu a que pudesse marcar a diferença
(pensando ser isso possível).

Mantêm-se as incertezas,
as dúvidas das certezas
Mantêm-se o teu sorriso
As tuas mãos
Os teus defeitos nos meus.

Tudo se mantém igual
Mas as noites soam menos minhas

Soam lentas
Soam de sorriso fechado

Soam-te a ti longe.


(No fim tudo o que tinha para se dar, não se deu)

quarta-feira, maio 10, 2006

Porque por vezes acontece acordar-se assim...

Torno-me desejo
Para por ti ser desfolhada

Queima-se a pele
Com a água do vinho
Que desce
Pelos rios
Entreabertos

Do desejo.

Entornam-se os beijos
Rasgam-se os abraços
Sufocam-se os gritos
Brindam-se os orgasmos

Toca-se a pele
Desmaia-se o cansaço
Perpetua-se a loucura
Entranham-se os dedos
Vestimo-nos de prazer

Demorado
Insaciável
Nu
Descoberto
Nosso.


(Este poema foi escrito e oferecido exclusivamente para o prazer de uma mulher que apenas sabe o nome dela. Uma mulher que não é de ninguém. Uma mulher que por vezes me tem sua. Desculpa pela publicação. Mas este é o teu poema. Todo teu.)

domingo, maio 07, 2006

Rasgo-me em pele. Rasgo-me para me esquecer de ti.
Porque a partir de um certo momento deixa de fazer sentido pensar em ti.
Tu queres-me tua vezes demais. Eu não sou de ninguém. Não sei sê-lo.
Lembras-te do que te disse? Disse para fugires. Disse para temeres. Disse que nunca mudaria por ti. Por ninguém. Por mim. A minha sanidade mental chama-se solidão. Solidão aceite. Solidão que escolhi. A minha vida sou eu. E tu e as outras pessoas são apenas meros intervenientes. São pedras que escolho para por minutos me sentir mulher. Me sentir louca. Imponente. Poderosa. O ego? Esse também cresce. Porquê? Porque é a única escolha que tem.

Quando te foste embora. Eu sorri. Mas doeu-me a perda mais uma vez. Dói-me mais dentro as perdas que escolhemos. Aquelas que podemos impedir mas não conseguimos. Porque as amarras são fortes demais. Não se quebram assim facilmente. Não te posso deixar entrar. Não te posso ceder mais espaço. Achas que não te dei muito. Mas dei. Dei até quanto pude. É pouco? É menos do que me deste. Mas cada qual escolhe aquilo que dá. É a razão a falar. É a razão a escolher os limites. É a razão a nos foder a emoção.
É a única saída. Fugir? Não, eu não estou a fugir. Eu estou a sair pela porta da frente da mesma forma como entrei na tua vida.

Quis rasgar-me vezes demais.
Quis de mim o que não se pode pedir.

E tu, tu…

quinta-feira, maio 04, 2006

(...)

Existem cartas
Cartas secretas que se escondem na minha pele
Cartas de lábios escritas em saliva
Cartas de tactos escritas em dedos
Serenatas embebidas em orgasmos.

O meu corpo é um livro
Escrito a várias mãos.

domingo, abril 30, 2006

Desarranjos I

Chamei-te. Naquele dia enquanto dormias a meu lado chamei-te minha. Não o ouviste. Não o quis. Se o ouvisses farias de tudo para não nos separarmos. E eu não podia. Tive que partir de novo para dentro de mim. Para a minha relação comigo própria. O meu corpo queria ficar preso ao teu. Como se ainda estivéssemos fundidas. Amarradas por lenços vermelhos de seda. E oiço-te a cantares as nossas músicas. Queimas-me a ausência, mesmo que não o saibas. Cantas o adeus pensando que não é o nosso. Mas é. Sempre foi. A presença do adeus esteve sempre presente. Desde o primeiro olhar. Desde o primeiro beijo. Desde o meu primeiro sinal de indiferença. Magoei-te assim tanto? Fui mimada, egoísta, arrogante, fria? A resposta é sim. Não te amei como querias, como precisavas? Eu sei que não. Mostrei-me tarde demais. Mostrei-me apenas quando já me amavas. Quando já te ocupava o corpo como se fosse meu. E era. Até ao adeus era tudo meu. Gosto deste sentido de pertença. Sempre gostei. Mas cansa-me. Distrai-me de mim própria. Nunca te quis magoar. Devia ter-te avisado. Nunca te devia ter tocado. Mas o calor. O fervor. O desejo que me esfola a pele. Que me faz esquecer o que o coração quer. Vício que mata. Vício que cura. Vício que pouco dura. Quis ser mais do que me estava permitido. Podia ter sido se estivesse ficado a teu lado. As asas puxam-me. Mesmo quando dormia a teu lado. Estava predestinada a fugir. De ti.

Naquele dia chamei-te e tu não me ouviste.

segunda-feira, abril 17, 2006

Devaneios II

Estradas. Estradas imensas. Viver. Saber viver. Saberei eu viver contigo? Conseguirei aprender o teu modo de vida? A tua alegria constante? Os risos hilariantes. A tua nudez colada à minha. A tua certeza do amor que por mim dizes sentir. A tua fé em mim. Acho que nunca ninguém teve tanta fé em mim. Nem eu própria. Mas tu tens. Tu acreditas. Tu acreditas que eu saberei sentir o amor da forma que tu sentes. Por mim. Unicamente por mim. Antigamente não era só por mim. Não gosto do antigamente. Não descansei enquanto não fui eu a única a ter o teu amor. E consegui. Sempre achei que não era falta de fé aquilo que eu tinha no jogo da sedução. O que me faltava na maior parte das vezes era falta de escrúpulos. Mas fé? Acreditar que conseguia conquistar quem quisesse? Nunca duvidei. Se duvidasse morreria. E agora que consegui o teu amor, sinto-me a baloiçar nas suas amarras. Saber viver a teu lado. Por vezes apetece-me fugir para bem longe. Sinto-me tão angustiada que quero fugir. Nem que fosse apenas sair do meu corpo. A minha presença por vezes satura-me. A minha voz. Os meus caracóis. Os meus seios. O sal do meu corpo. A nudez do ventre. Saturo-me que me apetece arranhar toda. Sim, gosto de sentir as unhas a cravarem-se na minha pele. Mas sem sangue. Detesto sangue. Detesto o seu cheiro. E o seu sabor. Os meus pensamentos de mim por vezes são terríveis. Mas não me assusto nem nunca tenho pesadelos.

A tua presença. Amo-te. Mas será mesmo O AMOR? Não sei. Juro-te que não sei. E faz-me confusão não saber. Não gosto das certezas dos outros. Mas gosto das minhas. Gosto de saber que passo vou dar a seguir. E calcular as suas consequências. Mais que tudo gosto de ter certezas. E porquê? Porque por vezes no meio do nada, faço tudo ao contrário. E arrependo-me sempre. E quero voltar atrás e não dá. Gosto também de escrever coisas absurdas. E gosto de misturar temas. É o que faço agora. É fácil de ver. Mas tu continuas na minha cabeça. É raro saíres. Nem que seja para eu me lembrar que o que vou fazer a seguir é um erro e pode por o que temos juntas em risco. Se me deixasses não sei como seria. Quer dizer até sei. Fodia quem me apetecesse. Fodia muito e quando me estivesse a vir dizia o teu nome. Como se te estivesse a foder a ti. Ou tu a me foderes. Não. Eu gosto mais de foder. Seria eu quem estava a foder(te).
Depois de mandá-las embora da minha cama. Bebia. Fumava. Dormia. Lamber-me-ia a pele. Tocava-me. E mandava-te para o caralho. Se me deixasses eu seria de outras mas continuaria a te foder. Nem que fosse a puta do teu juízo. Gosto-te. Fodasse. Gosto mesmo de ti.

Agora vou dormir. E vou tentar portar-me bem para que tu não me deixes. Vou ser uma menina muito bem comportada. Daquelas que adoram ser bem fodidas. Por ti.


Do you wanna fuck me tonight? All fucking night? Until I’ve come a few times?

My door is open.

quarta-feira, abril 05, 2006

Devaneios

Prejuízos. Prejuízos de alma. Sabes hoje que dia é? É dia de nos despedirmos. A vida estagnou. A nossa vida estagnou. O que existe agora são prejuízos. Os prejuízos de termos deixado de viver. De lutar. De acharmos que seríamos uma da outra para sempre. Mas o para sempre deixou de existir. Deixou de ter sabor. Deixou de nos querer. E porque nos quereria? Nós esquecemo-nos. Enterramo-nos no trabalho. A única coisa que fazíamos juntas era jantar, era ir às compras. Seria isto o que nos estava destinado? Deixamos de querer…deixamo-nos de desejar. De ouvir o que tínhamos para dizer.

Deitamo-nos na mesma cama há 10anos. O sexo não existe na nossa pele há 3anos. Como te disse: estagnamos. E a pergunta será: como voltar atrás? Ao que fomos. Ao amor que dizíamos sentir. Sim somos amigas. O amor precisa de mais. Precisa de mais madeira para pegar fogo. Precisa de pele. De suor. De se deixar falar. De se deixar ouvir. E sim, o sexo também é algo que se recomenda. Penso que deixamos o tesão ardente nas discotecas. Nas casas de banho dos restaurantes. Nos quartos dos hotéis que percorríamos nos primeiros anos. No banco de trás do carro. Nas tuas mãos. Nas minhas mãos. Nas nossas bocas. Deixei de saber como receber o teu corpo. Como amá-lo. Como desejá-lo. Como incendiá-lo. E tu continuas a saber como chegar ao meu corpo? Como o provocar? Como o possuir? Ou será que também te esqueceste?

Sabes que dia é hoje? É dia de escolhermos um rumo nas nossas vidas. É dia de abrirmos os olhos e reconhecer que algo mudou. Que algo se esqueceu. Que algo acabou. E vejo lágrimas nos teus olhos. Porquê? Será tão difícil dizer adeus à rotina? Será tão difícil dizer adeus a algo que já há tanto que deixou de fazer sentido. 10 anos minha querida! Há quanto tempo eu e tu não nos amamos? Perdemo-nos na certeza que estaríamos sempre juntas. Que seria tudo perfeito. Que não seria necessário lutar. Que tínhamos todas as respostas para os eventuais problemas que aparecessem. Pois estavámos erradas. E a vida parou-nos à porta. Como será recomeçar a viver? Como será sairmos da vida uma da outra. Como será reconhecer que estamos mortas há tanto tempo. Limpa essas lágrimas. São escusáveis. Porque a partir de agora poderemos recomeçar. Não ao lado uma da outra. Nem sequer na mesma estrada. Mas recomeçaremos. Será preciso mais? Penso que não.

Sabes que dia é hoje?

segunda-feira, março 27, 2006

É disto que se trata: Uma história de Amor

Traços de lápis. Traços de serenidade. Adormeço-me dentro da tua pele. Adormeço-me em sequências de minutos. E falo-te pela respiração que sai da minha boca por entre os teus poros. Uma história de amor. É disto que se trata: Amor. Mesmo que as palavras soem as mesmas. Mesmos que os beijos pareçam repetidos. Mesmo que o orgasmo tenha o mesmo sabor. Mesmo que outrora a palavra amor já tenha saído da minha boca. Mas não me consigo repetir em ti. Não se repetem os meus gestos. Eu não me repito. Porque fiquei. Porque não fugi. Porque pensar-te passou a ser viver. Porque saber aprender a amar-te passou a ser a magia dos dias. Porque nas noites em que não adormeço a teu lado toco-me para te sentir mais perto. Porque és. Porque quero que continues a ser. Por tantas razões que não têm explicação. Porque é disto que se trata. Do amor. Das borboletas. Do teu sabor colado ao meu. Da tua pele não se questionar quando está colada à minha. Porque sou tua. Porque adoro ser tua. Porque és minha. E adoras ser minha. Porque as coisas não poderiam acontecer de outra forma. Amor. Fé. Está tudo interligado. Antes de ti: havia fé no sexo, nas aventuras de uma só noite, de um só mês, fugia porque queria fugir, porque tinha que fugir, porque era assim que era. Livre sem me prender a nada. Depois de ti: a fé em nós, a fé no que faz o coração acelerar, o ficar, o querer que tudo renasça, que tudo nos saiba a nós, sempre a nós, porque é assim que os dias se constroem agora. Tu e eu.

Sabes-me a liberdade mesmo que existam amarras entre nós.
Sabes-me a ti,
e o teu nome só eu o sei dizer.

Amor.

domingo, março 19, 2006

De-Lovely

Raízes. Raízes que te passeiam pelo corpo. Raízes de um amor que a morte adormecerá. De quantas noites fizemos nós o mundo, em tragos de beijos nossos, de quantos dias fomos eu e tu para além da vida. Trago-te em mim mais do que poderia esperar. E irás partir. Irás partir mesmo que o amor não tenha acabado. Irás partir mesmo sendo teus os passos que oiço em casa ao acordar. Irás partir deixando o rasto do teu cheiro pendurado na minha pele. Foi-nos tanto o amor. É-nos tanta a dor. Pinto as palavras de ausência. E continuas cá. Mesmo que a ausência já tenha corpo. Mesmo que o adeus me arranhe a garganta. Meu amor. Amarras-me à vida. Amarras-me pelas mãos com a fé do que me tinha esquecido de sentir. Cansam-me já as lágrimas que irei chorar. Cansa-me já a dor que irei sentir. Quando tu partires e me esqueceres pelos passos. Meu amor. Poderia eu algum dia cansar-me de te dizer o quanto te amo? Poderia eu algum dia expulsar de meus seios a marca das tuas mãos que me pousam como pássaros? Poderia eu algum dia te beijar e te dizer a palavra adeus? Irás partir. E eu irei ficar. E o dia após isso acontecer não me saberá a dor. Será uma não-vida.

segunda-feira, março 13, 2006

Puseste grades no meu coração. Grades de saliva. Grades de seios. Grades de orgasmos.
Entraste-me como se entra por uma janela fechada. Colando a respiração à sua transparência suja. E viciaste-me com a tua incoerência em querer o que não nos é permitido. Arrastas-me pelo chão. Frialdade que me roça a pele. Demorada nas tuas mãos. Beijas-me no único lugar onde ninguém me beijou. E empenhas-te em que sejas a única. Já te disse que não tenho preferidas. Como se isso te bastasse. Menina sedenta de mim.

Quantas vezes te disse que o amor não se sente no sexo, no orgasmo que se rebenta em nós?
Quantas vezes te disse para não te apaixonares por mim?
Quantas vezes te roubei o corpo para me satisfazer a mim e disse que era para isso que te queria?
Quantas vezes te disse que o amor não era algo que te poderia oferecer?
Quantas vezes te pedi desculpa por nunca te ter dito nada disto?

Perdoa-me a crueldade do silêncio.

domingo, março 05, 2006

Ambivalências de nós. Entregues à loucura do que não possuímos. Criámos pontes entre os nossos olhos. Plantámos raízes nos nossos corações e esquecemo-nos de as regar com amor. As estradas meu amor, subtraem-se nas nossas palavras. E tudo nos morre nas mãos. Lês-me o que não te digo quando me escondo na noite para te esquecer. Escreves-me durante o dia para te esqueceres que nas noites ausentas-te de mim. Que não somos o que queríamos ser. Que não somos o que dizemos mesmo que essa seja a verdade. A verdade que suga os sonhos das nossas veias mesmo que estas estejam vazias. És-me a mim vida. Sou-te a ti liberdade. Lambo a escuridão da tua pele como se a minha língua possuísse a cura dos teus medos. Meu amor. Minha ausência de mim. De tantas as noites que me fugiste pela boca, de tantos os pedaços de mim que violentaste. Diluis-me até eu desaparecer. Até deixar de te ser. Até eu desistir daquilo que não tenho. Até que a morte não nos separe. Plantei-te no meu coração e não te soube amar. Cobardia. Foste a única estrada que tinha o meu nome e eu nunca soube chegar até ti. Através de mim.

Agora partes. Como sempre o fizeste. Mas desta vez não irás voltar.
Desististes-me.

terça-feira, fevereiro 28, 2006

O meu Avô

O meu avô. O meu avô no dia em que eu nasci fez-me sócia do Futebol Clube do Porto. O meu avô gostava de tripas à moda do Porto e de francesinhas. Levantava-se todos os dias às 6h da manhã e ia trabalhar…trabalhou até ao dia em que partiu. O meu avô era um homem calado com uma gargalhada eufórica. Era paciente e só se irritava ao ver o Porto a jogar. No fim-de-semana quando ia ao Porto levantava-me mais cedo ao domingo para ir ter com ele ao café onde eu lia os seus muitos jornais. Depois ia comigo ao supermercado, reclamava muito, dizia que eu o desterrava. Mas sei que gostava daqueles momentos. E sei que ficava triste quando eu partia para Lisboa. O meu avô nunca disse que gostava de mim, mas eu sempre o soube, ele mostrava-o de muitas maneiras. Quando eu ia ao Porto ele cedia-me o seu sofá e o seu banquinho que usava para por os pés quando chegava do trabalho. Dizia-me”Que é que estás a fazer aí? Esse é o meu lugar. Vens da capital ocupar o meu espaço?” – E sorria, sorria muito pelo seu bigode esbranquiçado. O meu avô era um homem discreto, educado. Era um homem também forreta, mas quando lhe pedi uma camisola oficial do Jardel e um cachecol. Ele deu-mos. Foi ele mesmo comprar. E sorrimos os dois.

O meu avô sofria do coração desde moço mas isso não o impediu de viver. De amar. De sentir. Das vezes em que foi visitar-me a Lisboa, passeámos os dois, dizia-me que eu fazia-o andar muito, que lhe doíam as pernas…mas era fita, ele gostava de passear comigo. Levava-me à casa do Porto em Lisboa, à Portugália da Almirante Reis e comprava-me revistas. O meu avô era um fiteiro, que adorava doces e quando comia bola de Berlim ficava com bocadinhos de creme no bigode.

O meu avô sabia que ia morrer. Na véspera escreveu uma carta directa e simples, a dizer que queria ser cremado e que não queria que puséssemos a notícia nos jornais. Não se despediu, não chorou. Avisou a minha tia e um vizinho da carta. E morreu, morreu-nos no dia seguinte nos braços da minha avó. Não o quis acreditar. Fui no primeiro comboio para o Porto e morri também eu nos braços da minha mãe. Morremos todos naquele dia. Naquele velório em que ele nos olhava. Sentei-me à frente dele e olhei-o, chorei até não saber a que sabiam as lágrimas e não me despedi dele. Custou-me a alma não o ver a sorrir. Parti no dia seguinte, não fui ao funeral. Fugi para Lisboa com a desculpa que tinha exame, e foi verdade tive exame, a nota foi 4valores. Tanto se me deu.

Depois do exame voltei ao Porto para ficar com a minha avó uns dias. Encontrei a sua cadeira vazia. Não ouvi a chaves a entrar na porta às 17h30. Não foi comigo ao supermercado no domingo. Não me comprou revistas. Não viu comigo nenhum jogo do Porto. Pesou-me a ausência. Pesou-me nunca lhe ter dito que gostava dele. Pesou-me não me ter despedido dele. Pesou-me não me teres abraçado avô…

O meu avô chama-se Norberto Saraiva. Sim, chama-se! Porque nem a morte o consegue tirar dos meus olhos. Porque tu existes. E continuo a ver-te com os teus jornais. Com o teu bigode esbranquiçado. Continuo a ligar-te sempre que o nosso Porto ganha e festejamos os dois. E avô, continuo a sorrir para ti!

quarta-feira, fevereiro 22, 2006

Sei exactamente quantos passos dás da porta da minha casa, ao cadeirão verde sujo que tenho na minha sala. Dás exactamente sempre os meus passos. Esquivas-te sempre nos mesmos sítios e sentas-te, sentas-te sempre…com a delicadeza de um ganso, com a serenidade de uma lua cheia. Bebemos chá. Tu chá quente, eu chá frio. Somos verdadeiros opostos, já to tinha dito, penso que sim. Encadeias-me quando os teus lábios tocam na chávena fervente, incendeias-me quando sugas o chá pela tua garganta, encadeias-me quando mordes os biscoitos que te ofereço. Encadeias-me de tal forma que sinto necessidade de cruzar as pernas e fechar a imaginação. Mas falamos, falamos muito, e eu falo sem saber do que falo, só para tu me ouvires, para decorares a minha voz de tal maneira que te fartes mas que ao mesmo tempo tenhas muitas saudades. Sim, a saudade é algo que combina contigo. Que se prende à pele. Estamos juntas duas vezes por semana. Sempre na minha casa. Sempre com o mesmo tipo de chá. Dizes que gostas de resistir às mudanças. Que é um jogo. Que gostas por vezes de te sentires na repetição, na rotina dos dias. E sorris com os olhos. Esses olhos.

Gostas tanto da rotina que voltas. Todas as terças e todas as quintas. Pergunto-te porquê, o porquê que me vires visitar. Dizes para não te fazer perguntas para as quais não tens resposta. Dizes que existe algo em mim que te atrai, mas não o suficiente para te entregares, para deixares ficar a mão quando a minha te toca ao te entregar o chá. Dizes que gostas da minha presença, porque sou misteriosa. E apetece-me mandar-te embora, porque de todas as vezes que cá vens, apetece-me entrar dentro das paredes e ficar por lá. Esquecida, cimentada. Presa. Mas longe de ti o suficiente para não me aproximar.

segunda-feira, fevereiro 20, 2006

Aqui está aceite o desafio do GNM(O link está na minha lista) assim apresento-vos a corrente das manias :)

Regras do jogo:

"Cada bloguista participante tem de enumerar cinco manias suas, hábitos muito pessoais que os diferenciem do comum dos mortais. E além de dar ao público conhecimento dessas particularidades, tem de escolher cinco outros bloguistas para entrarem, igualmente, no jogo, não se esquecendo de deixar nos respectivos blogues aviso do "recrutamento". Além disso, cada participante deve reproduzir este "regulamento" no seu blogue."

Aqui vai:


- Nunca saio de casa sem lavar os meus lindos caracóis negros…não consigo…mesmo! Já cheguei a faltar ás aulas porque a água tinha faltado ou não havia água quente…!

- De manhã ponho o despertador para 3horas antes da hora que realmente preciso para acordar…e quando toca pela primeira vez, eu ponho-o a tocar de meia em meia hora até chegar à hora pretendida…e de cada vez que o despertador toca eu adormeço, como se tivesse dormido mais não sei quantas horas.

- Ler vários livros ao mesmo tempo, neste momento são quatro que tenho para acabar, e de cada vez que os vou ler tem de estar cheios de pó. Gosto da sensação…não sei…

- Quando vou dormir, tenho de dormir com duas almofadas, uma ligeiramente em cima da outra, depois o cobertor não me pode tocar no corpo…só o lençol é que pode…se a meio da noite acordar e estiver a ser tocada por algo que não os lençóis, passo-me e praguejo :P

- Estando sozinha no quarto gosto de dormir com os estores fechados até meio da janela e com a janela semi aberta. Fechando esta apenas nos dias em que esteja muito muito frio e chuva :)


Passo o testemunho:

À Madinha;
Ao Afilhado;
À Blue;
À Monalisa:
Ao Morpheu

sábado, fevereiro 11, 2006

Sentas-te a escrever. Precisas de uma mesa inteira vazia, apenas com um maço de folhas brancas e três canetas. Pretas. Queres-te sozinha enquanto escreves. Precisas-te vazia de mim. De ti. De tudo o que existe. Pedes-me silêncio, pedes-me que te ceda a minha pele. Que me deite nua no chão. Que me desenhe pelo chão. Que suspire. Que chame por ti.

Olhas-me enquanto escreves. Sorris cada pormenor do meu corpo. Como se o beijasses com os olhos. Como se entrasses dentro de mim, sempre que o quisesses…e consegues entrar como a noite nos entra pelos lençóis mesmo que estes não existam. E apenas existam as nossas peles. Coladas. Na memória de apenas uma. Por cada frase escrita, sinto-te a respirar pela minha pele. E rasgas-me a nudez como se rasgasses as folhas brancas. Rasgas-me a boca num beijo que ainda não senti. E apetece-me levantar-me e sentar-me em cima de ti. Agarrar-te os cabelos e pedir-te que escrevas em mim e não naquelas folhas. Queimá-las a todas, jogá-las pela janela. E deitar-me eu na tua mesa, puxar-te sobre mim e deixar que tudo aconteça. Fechar os olhos e saber-te ali comigo até que tudo deixe de fazer sentido.

Escreves cinco folhas. É o que escreves diariamente. Abres as janelas. Guardas as canetas e as folhas. Sentas-te de novo na cadeira. Acendes um cigarro. E lês-me. Lês-me enquanto viajo pelo chão, enquanto viajo pelas tuas mãos ausentes, perdidas no teu próprio egoísmo. Assisto à viagem que também os teus olhos fazem, às vagas de respiração que soltas. Daria tudo para saber o que é que pensas quando me vês. O que queres, se ao menos soubesse o que realmente tu queres. Mas não sei, tu apenas te fechas cada vez mais nas tuas palavras. Na tua melancolia desenfreada. Na tua loucura tão sóbria como o álcool que bebes. Somes-te pela nuvem do fumo dos cigarros que fumas. Pudera eu ser fumo para te envolver toda. Para te saber viciada em mim. Num vício que te é proibido porque apenas te vicias em coisas materiais.

És tão cabra. Atiras-te neste mundo sempre de forma segura. Nunca dás algo que te denuncie. E nunca recebes algo que te faça querer mais. Não aceitas o que dou. Talvez nem percebas o quanto dou de mim nestas viagens que faço pelo chão do teu escritório. Não percebes, não percebes absolutamente nada. E olhas-me, e freneticamente o teu corpo dança ao longe com o meu. Sem nunca nos tocarmos. Sem nunca nos sentirmos pele com pele. Fumas até te fartares. Dás-me a mão para eu me levantar e entregas-me uma manta. E pagas-me pela minha inspiração diária. Pagas pelo que te dou. Como se eu fosse a tua puta. A tua prostituta das palavras. E depois sais e apenas dizes para eu fechar a porta quando sair.




segunda-feira, fevereiro 06, 2006

Doem-me os olhos que se curvam perante a tua ausência prematura. Dói-me a espera que é saber recomeçar uma nova vida sem ti. Dói-me tudo o que já não tem o teu nome. As estradas riscadas dos mapas. O copo que trazias todas as noites e punhas na mesa-de-cabeceira. Os livros espalhados pelo sofá. A desarrumação que te era tão característica. Dizias com um olhar sombreado de snob que era a desarrumação de mestre. E rias-te, rias-te muito…e eu não me conseguia negar a rir contigo. Porque tu contagiavas-me, contagiavas a minha vida. Do primeiro ao último momento.

Quero que abras aquela porta e me faças tua de novo. Quero que me rasgues as roupas como se me rasgasses o corpo. Quero-te, como sempre te quis. Preciso que venhas e me tomes. Toma-me tua. Quero que me abras a textura da pele como o fazias nas primeiras noites que passamos juntas. Quero ter-te novamente interessada em mim. Não consigo ceder à realidade que é não te ter. Não te ter mais. Começo a perder os teus vestígios, começo a perder as tuas expressões, e o teu sorriso que julgava sempre meu, começa a perder o seu brilho natural. O que é que os dias nos fizeram? O que é que o tempo te fez? O que aconteceu entre nós para te ires embora? Para dizeres que já não dava! Dá cabo de mim, mas fá-lo de uma vez só, diz-me tudo, não me mates aos poucos, mata-me de uma só vez. Os dias serão menos penosos, as insónias desaparecerão mais facilmente, tudo voltará ao normal. Tudo voltará a mim. Mesmo que tudo isso me lembre de ti, me lembre de nós. Mesmo que as saudades me digam bom dia pela janela, mesmo que sinta freneticamente as tuas mãos no meu corpo enquanto tomo banho, mesmo que todos os sorrisos sejam teus e nunca das outras pessoas. Tudo voltará a mim e eu voltarei a me pertencer. Sem ti, a partir de agora, sem ti…

terça-feira, janeiro 31, 2006

Sinto...o adeus...

Todo o amor do mundo não foi suficiente porque o amor não serve de nada. Ficaram só os papéis e a tristeza, ficou só a amargura e a cinza dos cigarros e da morte.
Os domingos e as noites que passámos a fazer planos não foram suficientes e foram demasiados porque hoje são como sangue no teu rosto, são como lágrimas. Sei que nos amámos muito e um dia, quando já não te encontrar em cada instante, em cada hora, não irei negar isso. Não irei negar nunca que te amei, nem mesmo quando estiver deitado, nu, sobre os lençóis de outra e ela me obrigar a dizer que a amo antes de a foder.

- José Luís Peixoto in “a criança em ruínas”


I
Não te sei (ainda) fechar a porta, expulsar-te da minha pele que ainda sabe à tua. É cedo para fechar o meu coração e atirar-me aos dias. É cedo para deixar de sorrir quando olho para as tuas fotografias. É cedo para te deixar ir. Quero prender-te a mim, sim prender-te mesmo, quero ainda que tudo aconteça. Tu. Eu. Sinto a boca seca sempre que tento dizer a palavra “nós” – não consigo. Corrompeu-se, morreu-me.

Sempre tive medo de me entregar por isto…por saber que um dia me iriam fechar a porta quando eu menos esperasse…sempre temi o amor pela facilidade com que se despede de nós. Sempre me temi quando me apaixonasse, porque a queda seria fácil, porque sempre que nos entregamos as quedas são fáceis, rápidas e dolorosas. Mas tu, tu sempre me deste todos os sinais que a porta se estava a fechar…como pude não reparar? Como pude fingir não reparar? Que tu estavas por aqui por pouco tempo…o tempo para eu te abraçar e contar os minutos para te abraçar novamente. Não podias ficar muito tempo, não seria certo. Como te podias tu apaixonar por mim? Que tolice da minha parte pensar que isso era possível! Resguardo-me dos meus pensamentos, mas a tua pele…essa pele que me rebenta os sentidos, que me fode a textura das minhas mãos! Quis-te tanto mesmo quando não sabia que era possível te gostar, te adorar…mas aconteceu…e como fugir? É fácil, esperamos que a porta se feche na nossa cara e depois então podemos fugir.

Tens razão nunca me enganaste, enganei-me eu, ao dar-te tanta importância, a incluir-te na minha vida, nas minhas palavras, no meu sono. Enganei-me eu quando acreditei. Não, não tens culpa. A culpa é desta merda que bate cá dentro, deste cabrão que acelera quando me lembro de ti, e não posso, e não serás mais do que és agora. Um tempo, um livro que se fechou.

E quero-te, e quero que voltes atrás…e quero que me queiras. Mas não posso continuar a atropelar-me para que a memória de ti continue cá dentro bem viva, bem tua.

Despeço-me de ti, despeço-me de tudo o que tivemos e valeu a pena.
Despeço-me de mim e brinco à minha estupidez, e à minha impulsividade tão mal abençoada!

Aconteceu, conseguiste com que eu caísse!

sexta-feira, janeiro 27, 2006

O tempo não urge...

Aeroporto. Partidas. 6h da manhã. Longe, imensamente distante. Os nossos corpos acordaram e não se souberam despedir. Terror. Terror de te deixar partir. Temor de acordar amanhã sem ti. Chegar a casa sem ti. Deitar-me, mover-me pela cama, e não te encontrar. Não te encontrar. Não suporto a ideia. Foges-me pelo corpo e as minhas mãos deixam. Deixam-te partires. Calo a minha voz, calo o meu coração que se abre com o passar das horas. Que se abre com a tua ausência. Ausência de nós perdida no tempo. O tempo que não urge, o tempo que parece que se congelou no nosso último olhar. Último olhar. Último beijo. O adeus que me rasga a garganta e não encontra as palavras certas para te dizer. Adeus amor. Não consigo, não consigo – és demasiado para haver esse intruso, esse romper de nós. Esse adeus que me atropela os sentidos. Amo-te. E é isso que haverá entre nós. É isso o que existe depois de entrares naquele avião. É isso que existe quando entrar dentro do carro e não te poder estender a mão. Estender os sorrisos até ao teu coração. Amor. Daquele que chega um dia e não se repete. E não quero que se repita. Amor = Margarida. Só assim faz sentido. O tempo não urge. No abraço que trocamos, damos tudo de nós. Trago o teu cheiro nas minhas roupas. Trago-te em mim. Não me consigo devolver a esta cidade fria, não me consigo atirar aos dias sem ti. Tens-me tua. Não sei ser de outra forma. Vais-te embora. Já não te vejo. Já não te consigo beijar as lágrimas que te sugam a face. Já não posso correr até ti. Não, não é um sonho. Perdemo-nos dentro de um amor. Nosso. Não quero voltar a me encontrar. Faltas-me tu. Tu.

Volto a casa. Volto aos meus dias contigo. Procuro-te pelas paredes pintadas. Procuro-te pelas fotografias. Vejo-te em cada cor. Vejo-te em mim. Vejo-me em ti.
Fecho-me e tudo se quebra.

Soltam-se lágrimas como palavras.
Soltam-se as cartas que te quero escrever.
Soltam-se as saudades que me agridem o coração.
Soltam-se as amarras que me prendem a ti. E não quero.

O tempo não urge
E tu demoras-te.

O tempo esqueceu-se do nosso amor...

(Este texto é dedicado a duas grandes amigas minhas e inspirado na sua bonita história de amor. Ana e Margarida obrigada pela vossa amizade e por me inspirarem!)

domingo, janeiro 22, 2006

Chegas de manhã. Nem muito cedo nem muito tarde. Tens os olhos borrados, e cheiras toda a sexo. Não ao meu. Ao de outra mulher. Mas nunca eu. Já me esqueci das vezes em que te procurei na cama à noite e não estavas lá. Dizes que me amas, dizes que sou a tal…mas sempre que estamos juntas, tu queres levar-me para a cama, e revoltas-te quando me afasto, quando digo que não. Que não quero. Que não te quero dessa forma. Quero mais que isso. Dizes palavrões, despes-te toda e perguntas-me “O que é que te faz não me quereres foder?”. E arranhas-te toda, levas a mão a cara e dás pontapés naquilo que encontras à tua frente. E sais, sais sempre de casa. E demoras sempre a regressar. Demoras-te.

Nunca te disse a razão de não me entregar a ti na cama, não te oferecer o meu corpo como motivo do amor que sinto por ti. Nunca te disse que quando chegas de manhã sinto nojo quando me vens beijar, arrepias o meu corpo mas nunca porque gosto mas sim…porque me repeles…o teu corpo é lindo, um mar de desejo, mas é sujo, por todas as vezes que te entregaste a outras mulheres e que elas se entregaram a ti. Olho para ti tentando que se desperte em mim, um desejo incontrolável de te ter, mas não consigo.

O teu corpo é um diário, cheio de palavras sonoras, cheio de gestos violentos, tatuado com umas mãos que não são as minhas. Não fui eu que escrevi esse livro, não fui eu que o reli…não consigo transformar o teu corpo num livro novo apenas escrito por mim. Porquê pedir-te isso? Seria como se estivesse a por um ponto final no que nos une, seria amarrar-te os olhos, as mãos…tudo o que te faz ir ao encontro de outras mulheres que não eu. E dizes que me queres, que precisas de me ter…mas seria apenas mais uma.
Não quero. Não posso. Prefiro não te ter a ser apenas isso na tua vida.

Chegas-te mais perto e sinto-te ainda mais longe como se nem estivesses ali comigo. Sorris-me com esses teus olhos tristes, cor de alcatrão, empurras o teu corpo para junto de mim, procuras afago nos meus braços, procuras que me esqueça das noites em que estragas tudo, em que não resistes ao apelo da carne, ao apelo do que te suga de mim.

Exibes o teu corpo pela casa como se fosse um troféu, és narcisista na forma como o adoras, é como uma obsessão, a tua obsessão. E não entendes, não entendes que olhar para o teu corpo dói-me o amor que é teu mas que não to consigo entregar. Dói-me as mãos que se afastam de ti. Dói-me o orgulho de não te perdoar as feridas que me provocas. De não ser a única. A que te rouba o corpo e te algema o coração.
Doem-me as entranhas mas resisto, resisto a que fiques. Perto. Mesmo que longe.

quarta-feira, janeiro 18, 2006

Ler primeiro o aviso

AVISO:
O texto que hoje aqui vou publicar pode ferir algumas susceptibilidades. É um registo cru, nu, frio e seco com contéudo sexual explícito diferente do que estão habituados. Nele não se encontra poesia, nem contéudo poético. É um risco que corro mas assumo-o pela paixão do que escrevo mesmo que isso implique perder visitas.
Espero que aqueles que o leiam voltem noutro dia e aqueles que não o façam também regressem!

Beijo,

Cacau

I
Gosto das noites quando te vais embora. Tenho sempre o mesmo ritual, encho meio copo de whisky, deito lá para dentro duas pedras de gelo, faço à mão 7cigarros de uma marca muito rasca. Continuo sempre nua a partir do momento que chegas até de ires embora e bateres a porta como se me mordesses o sexo de raiva. E eu gosto.
Gosto mais de te dizer para ires embora do que te foder, são sensações diferentes mas todas acabam numa satisfação, alívio – quer seja o orgasmo escrito na tua boca, quer seja o tesão que nasce quando te vais.

Chegas sempre perto das dez, a falar das chatices que tiveste no trabalho, dizes mal, bla bla bla, dás-me um beijo e dizes “Olá minha querida” – vens sempre com a esperança que levas mais de mim nessa noite, vens sempre com a esperança que farás de mim alguém diferente daquilo que sou. Vens na puta da esperança que me ensinarás algo sobre as pessoas que eu já não tenha lido nos manuais de psicologia.
Vens, vens-te e levas sempre com o mesmo adeus.

Pergunto-me porque insisto em te ver todas as noites, a resposta é simples: gosto de te foder, e gosto de ser aquela a quem gostas de dizer as tuas fantasias, a ir de encontro a ti todas as noites, a te saber morder a carne, dar-te o orgasmo de bandeja com a minha língua que se derrama dentro de ti, cada vez mais fundo à medida que os dias passam.

Gosto particularmente quando te encosto contra à parede vermelha da minha sala, puxo-te o cabelo com força e enterro-me dentro de ti, todo o negro da minha alma, todo o meu tesão viciado, viciante, insatisfeito…mordo-te o pescoço querendo cravar-me, deixando-te cheia de marcas, minhas, sempre minhas…oiço-te, é a parte que mais gosto…a de ouvir, a de ouvir dizeres o meu nome como se ele o mundo, o teu mundo inventado, e sempre que o dizes…aumentas-me o ego…que um dia parece que vai rebentar. E vens-te, mesmo que mintas, vens-te como se fosse sagrado o teu orgasmo.

Gosto das noites quando te vais embora. Fumo os meus cigarros ainda com o teu cheiro, lambo o whisky como se fosses tu e o gelo a frieza do que sinto. Amanheço ainda com os teus sons dentro da minha cabeça. E gosto!

sexta-feira, janeiro 13, 2006

Queimo a boca com mais um cigarro, tentando agarrar o tempo no meio do fumo que se destilhaça pelos meus cabelos. Faço tempo até poder correr até ti mesmo que os passos soem leves, demorados, esquecidos...sinto-me sempre a correr quando te vejo ao longe, de olhar despistado, inquieto mas sempre atento.

Nunca te disse...mas sempre que encontro os meus lábios nos teus...sinto-me a beijar a vida, a beijar os dias mesmo que estes estejam desaparecidos no meio dum cinzento aglomerador, triste, choroso. Beijo-te e ao me beijares a mim, tornas-me o mundo, mesmo que não seja o teu, que seja o meu...ou o de outras pessoas. Mas beija-me porque assim não perderei o rumo sempre que me queiras ao pé de ti nem que seja em ruas diferentes, linhas de metro verde ou amarelo...sempre perto mesmo que o tempo não o permita mais.

Não sei se será magia isto que anda por aqui, talvez seja apenas um silêncio de algo que se quer dizer, talvez seja um telhado a cair, um casaco todo molhado, um abraço que se quer sentido.

Perco-me como se me achasse minha
com a impaciência sempre a meu lado
mas como uma nova companhia:

o teu sorriso.

quarta-feira, janeiro 11, 2006

E assim acontece ler-me nas palavras de outros...

“Nunca me tinha apaixonado verdadeiramente. A partir dos dezasseis anos, conheci muitas mulheres, senti algo por todas.
Quando lhes lia no rosto um olhar diferente, demorado, deixava-me impressionar e, durante algumas semanas, achava que estava apaixonado e que as amava. Mas depois, o tempo. Sempre o tempo como uma brisa. Uma aragem suave, mas definitiva, a empurrar-me os sentimentos, a deixá-los lá no fundo e a mostrar-me na distância como eram pequenos muito pequenos e sem valor.
E sempre a solidão. Sempre. Eu sozinho, a viver. Sozinho, a ver coisas que não iriam repetir-se; sozinho a ver a vida gastar-se na erosão da minha memória. Sozinho, com pena de mim próprio, ridículo, mas a sofrer mesmo. Nunca me tinha apaixonado verdadeiramente. Muitas vezes disse amo-te, mas arrependi-me sempre.
Arrependi-me sempre das palavras.”

In "Uma casa na escuridão" de José Luís Peixoto.

quinta-feira, janeiro 05, 2006

Apeteces-me.

Mesmo que seja tarde de mais,
quero-te aqui
com a nudez jogada no chão
com o teu corpo cheio de palavras escritas
pela minha boca
pelas minhas mãos

pela dança
vertiginosa
inquieta
dos meus dedos.

Dizes-me em sons
que não devias estar aqui
Mas estás
sempre estiveste
ao mesmo tempo
que sempre fugiste.

Dizes que é errado
o orgasmo nascido entre os nossos corpos
Chamas-lhe:

traição
reatamento
solidão

Eu apenas lhe dou um nome:

Consequência
dos que nos pedem os corpos
do que queremos nós.

Dizes que tens de ir embora,
dizes que tens outros braços à tua espera.

Deixo-te ir
como sempre o fiz
sabendo que voltarás
à procura do meu odor
do meu sorriso
dos meus caracóis
deitados nos teus seios
do meu desejo no teu ventre.

Apeteces-me
não como vício
não como ódio


como realidade.

domingo, janeiro 01, 2006

Quero arrastar pelo chão as memórias do dia em que a morte caíu aos nossos pés e me congelou os ouvidos de forma a não deixar entrar
os teus gritos, os teus gritos de mulher amada no dia em que partiste e me fizeste respirar o ódio da tua morte, do amor que deixou de ter duas vozes
e passou a ter apenas a minha voz dormente, calada, deslavada. Deixei de conseguir regredir ao passado, ao teu corpo embaloiçado nas minhas mãos na prece de atingirmos o inatingível, na oração de cravarmos os sonhos no lugar onde se acumula a dor quando se perde algo...
O presente da tua ausência rouba-me a vida que me estava destinada, assalta-me o corpo numa nudez violentada de passos tatectados que são teus feitos por mim na verdade cimentada que é a tua morte.

sexta-feira, dezembro 23, 2005

Aviso: texto com baixíssima qualidade - Parte II

Chegou o dia. Chegou a hora de me despedir de ti. Dizem que a esperança acabou e que é hora de dizer adeus. Chego-me perto de ti, com os olhos gastos de tentar imaginar como será os dias sem os teus telefonemas chatos, sempre com muitas perguntas, tão habituais em demonstrar como erámos dependentes uma da outra.
Chego-me perto de ti, desejando ir contigo nessa morte tão já explorada, rezada, desmentida. Passámos os dias a fugir uma da outra, tentado esconder o que sentíamos, a recorrermos aos abraços sempre que queríamos mais, sempre que procurávamos nesses abraços...uma busca de amor, uma busca de palavras que recusamos sempre a dizer. Dizer do amor, só aconteceu uma vez. Convidaste-te a ir a minha casa, levaste jantar e o meu gelado predilecto - sentaste-te à minha frente e disseste que estavas doente, que as notícias não eram fáceis...que talvez morresses...roubaste-me as palavras, roubaste-me a vida, atiraste-me ao chão e deixaste-me sozinha...saíste da minha casa com uma palavra nos lábios - Amo-te. Deixaste-me sozinha com um amor enorme, transparente, quente...puseste sobre o meu coração, a tua morte, deixei de saber andar coordenada na vida.

Chamaram-me ao hospital, não me disseram mais nada. Como ir de encontro à morte da mulher que amamos? Como é que se reaprende o amor assim? Que gosto terá a vida depois de nos sentirmos como se debaixo da terra, sem respirarmos, sem sentirmos nada a não ser o medo, o pavor, a esperança de salvação? Como te dizer adeus se nem te consegui dizer olá...como te pedir perdão pela demora, pela espera que te quis ver a passar?

Cheguei perto de ti...tentei falar mas não me deixaste, agarraste-me a mão com a pouca força que te restava...e puseste-a no teu coração, disseste "para sempre" e fechaste os olhos. Fechaste os olhos. Fechaste o teu corpo. Fechaste-te no tempo que deixou de existir para nós.

Porra. Foda-se! Filha da puta.

Como é que partes assim? Como é que deixas a morte chegar e tirar-te de mim, arrancar-te do meu coração, dos meus dias sem deixar tempo para te dizer o que calei dentro de mim durante dois anos? Vejo à minha volta a tua família, vejo as lágrimas de todos, vejo-te a sorrir nas fotos espalhadas pela casa...vejo-te longe, com o teu vestido preto sentada na varanda do meu quarto a beber leite de madrugada, vejo-te depois de teres estado dentro de mim, de todos os lugares que pensava que não conseguias sentir-me. Vejo-te à minha frente com o teu riso cativante.
Não me sei despedir de ti.
Não sei calar o amor que tropeçou na tua morte.
Não te consigo perdoar.
Não te consigo deixar de amar.

terça-feira, dezembro 20, 2005

Aviso: texto com baixíssima qualidade

Por vezes a tua presença é insuportável.
E quero que desapareças, que deixes de telefonar, que deixes de sorrir com esses lábios
que me confundem a respiração, que me retiram por minutos para um lugar aparte.

Quero que mantenhas a boca fechada, as mãos escondidas, e os olhos…os olhos…esses preciso que mos dês…para poder perceber que te dizem eles quando me olhas, quando sinto algo da tua parte…preciso que eles me digam que estou certa…que de facto sentes.

Não posso sentir isto. Não posso dar-me quando não há retorno.
Não posso fechar os olhos e esperar que chegues e me agarres.
Não posso precisar de ti mais do que de mim.

Tudo o que está à minha volta foi criado por mim,
e tu não podes chegar e impores-te,
e conseguires que tudo o resto deixe de fazer sentido.

Tenho um mês para achar que gosto de ti
Depois acabou.

quinta-feira, dezembro 15, 2005

Saíste do trabalho já passava das 22h, ligaste-me com a desculpa que tinhas o meu isqueiro...perguntaste se não seria tarde para o vires entregar...suspendi a respiração mas acedi á tua ousadia de quereres invadir assim o meu espaço como se de um capricho se tratasse. Chegaste com uma garrafa de vinho tinto e um sorriso malicioso na cara...aquele tipo de sorriso que nos faz ficar com suores frios na dobra dos joelhos. Disseste boa noite quase com a respiração no meu pescoço e entraste na minha vida com a simplicidade com que se abre a porta da nossa própria casa. Pediste desculpa pelas horas mas que não sabias outro rumo senão chegares a mim. Desejei-te mal entraste na minha porta, mal despiste o casaco, mal a tua mão propositadamente descaíu-se sobre a minha quando me deste o copo de vinho. Falamos até o tinto acabar, até sentir-te a chegares mais perto e a razão a querer que te dissesse que estava na hora de ires embora... Calei-me e sorri com o teu á vontade...pouco tempo passou até a tua boca se derramar em desejo na minha e nos envolvermos como se fossemos uma meia lua; Revejo os passos das tuas mãos no fado que fizeram do meu corpo, a certeza do toque de tão certa que era a vontade. Se me fechar dentro dos olhos, consigo prever cada segundo daquela noite, se morder os lábios sei o sabor do suor que eram os nossos sentidos, sei com a leveza de um pássaro que o meu corpo era um encadeamento de escadas que lentamente ias descendo até chegares ao degrau assumido como teu, como boca feroz da lava que corria por nós duas; sinto os teus dedos como pétalas andantes que me perseguem os poros na suavidade de um dia de primavera, sinto-os como se agora fossem dor pela ausência do que temos e acaba porque teve que ser, porque não havia mais...como as noites em que nos unimos em que eu queria mais e tu deixavas-me a casa a meio da noite dizendo o quanto bom tinha sido e que repetiríamos de certeza. Desejei tanto que nunca mais me aparecesses à porta, que nunca mais te lembrasses de mim. Nunca tive a coragem de te dizer...que o sorriso que sentia quando me ligavas a dizer que ias lá passar em casa se tranformavam em azia, em dor quando te via a te vestires, sem olhares para mim sempre com a desculpa que não gostavas de dormir acompanhada, que não era por mim, mas por ti que tinhas muito mau dormir. Nunca te disse nada, até ao dia que deixaste de dar notícias, fiquei noites acordada sempre à espera do teu telefonema, a desculpar-te às amigas que sabiam de ti, a desculpar-me a mim por ser tão parva que não percebi que para ti era sexo, era desejo, tesão a precisar de orgasmos, gemidos, satisfação. Apagaram-me o teu número da minha memória, encheram-me a cabeça de frases tão habituais "Ela não te merece, vais encontrar alguém bem melhor, a culpa não foi tua", o tempo foi passando e agora aspiro os pedaços que ainda tenho da tua presença no meu corpo, nos meus odores...neste espaço que fizeste teu sem pensares no que eu poderia sentir, porque é assim que só sabes viver, a pensar que te preocupas com os outros mas na verdade o que importa é o que tu sentes e o que farás para que só isso seja importante, seja sublinhado. Sei que o tempo se demora pelas noites intermináveis, sei que a esta hora estarás a tocar noutras campanhias e a descer outras escadas...e que já não te lembras de mim. Não sei o que dizer se te ver, agora tenho a consciência que havia verdade nas tuas palavras, havia clareza eu é que a perdi com a ansiedade e a vontade de ter-te toda por completo, errei, precipitei-me nos teus braços e não vi, não percebi os teus silêncios quando te abraçava, quando te pedia para ficares...agora vejo a transparência de tudo e deixo-te ir...