segunda-feira, março 26, 2007

Quando a música terminar, a tua voz continuará a entoar as minhas palavras. Não haverá um fim com ponto final.
É no derrame do teu corpo que o desejo se senta e aguarda o caminho.
Aguarda-me à tua janela, mesmo quando o frio te arrebate, eu aparecerei com lágrimas ou a sorrir.
Quando tudo se tornar irreversível, saberás distinguir
o meu riso
o meu gosto
o meu toque
o meu medo
a minha insegurança
a minha vontade
a minha certeza
o meu Amor
do das outras pessoas?

quinta-feira, março 15, 2007

Não sei como dizê-lo, a ti, que encontraste do lado esquerdo da minha cama o teu poiso. São tantas as histórias que te podia narrar, sei que perceberias o que te queria dizer mesmo que não fossemos as protagonistas. Mesmo assim sei que não partirias. Que embeberias o prazer contínuo das minhas mãos e continuarias a cultivar na terra molhada do meu corpo o teu espaço.



Outro dia. Que não próximo da amargura que me palpita os olhos. Gostava que dos nossos corpos nascesse algo interminável, que todo o espaço existente entre nós se rendesse ao quente que me embala o coração.


Noutro dia que não este tudo seria possível mesmo que apenas por palavras escritas.

segunda-feira, março 12, 2007

No hoje

A diferença parece residir
no facto de tu quereres/precisares expulsar
cada resíduo meu existente
em ti
e eu querer e fazer por conservá-los em mim.
E assim
o Amor
o nosso
como eu sempre acreditei
será
Ad Eternum.

sexta-feira, março 09, 2007

Esta noite.

Abro a janela e a porta do quarto. Abro todos os poços que estão dentro de mim. Deito fora, pela quarta vez, as beatas que escurecem o cinzeiro. Bebo água desejando que fosse vinho tinto. Fecho os olhos querendo que já fosse um novo dia. Escrevo e apago palavras. Escrevo-te e não respondes. Tenho a cabeça a andar a uma velocidade assustadora e não prevejo stops ou cedências de passagens, não sei se respeitaria os sinais mesmo que eles existissem. Não sei nada. É um facto. Sinto. Sinto o presente agarrado ao passado e não me consigo libertar de ti. Libertar-me das memórias que ainda me mostram o que é sorrir, que ainda me transmitem sons e sabores da felicidade experimentada por mim. A teu lado, só a conheci a teu lado e foi também a teu lado que tudo terminou. O que sinto neste momento, contudo, não é novidade. Fui talvez a última dos meus amigos a passar por isto. Sei o que se passa, sei de cor estes sinais todos. A todos aqueles que passaram por isto, disse que o tempo acabaria por cessar ou acalmar a dor. É o que me vai acontecer. Daqui a muito tempo, retomarei a minha vida. A minha vida sem ti. Uma vida que será apenas minha. Seremos amigas, não é? Amigas. Seremos o que não fomos na nossa relação e cada vez mais negra é a luz que me diria que ainda é possível o retorno a nós.

Mais um dia. Mais os olhos se afundam. Mais as mãos se arrastam na tentativa de te sentir. Dentro de mim. Não consigo ouvir-te dizer que me Amas. Já não o consigo ouvir. Desfaço-me de cada vez que tento encontrar um caminho para ti e não consigo. Não consigo. Percebes? NÃO CONSIGO!

Esta cidade está amaldiçoada. Passei a odiar esta cidade. Passei a odiar a minha nova rotina. Passei a odiar as minhas almofadas. Até o meu cabelo ficou sem jeito desde que tudo aconteceu. Nada disto faz sentido, não faz sentido este Amor a pulsar e a crescer aqui dentro e não o poder entregar e juntar ao Amor que também vive dentro de ti. Nada disto faz sentido.

O Amor não vence incompatibilidades, não vence o passado, não ensina, não destrói, não acaba assim.

O Amor não faz sentido se não o poder viver contigo…



Esta noite... não poderia estar sozinha.







nightwish - ghost love score

Bonnie Tyler - Total Eclipse Of The Heart

Meat Loaf - I would do anything for love LIVE

Antony and the Johnsons - My Lady Story (live)

Antony And The Johnsons - Hope There's Someone

terça-feira, março 06, 2007

De madrugada

Procurei-te e mais uma vez não te encontrei.













Deixei de saber dormir descansada.

terça-feira, janeiro 23, 2007

Até já

Há quem pense que gosto de me repetir. A minha massagista particular ainda ontem me disse, sem grande novidade para mim, que sou obcecada. Que era uma das minhas características. Característica defeituosa, repondo-lhe. Pois bem, é verdade. Mas o direito à defesa é um direito consagrado à luz da nossa Constituição, e eu sou uma cidadã. Aqui não interessa se eu sou uma psicopata ou se sou uma católica fervorosa, que não passa sem idas diárias ao confessionário. O facto relevante é que sou cidadã. E vou defender-me. Não sou eu que sou obcecada, as coisas é que vêm até mim e não me largam até eu ficar assumida e escandalosamente obcecada por elas. Esta é a verdade. Mas como já me disseram, um dia, a verdade serve para alimentar apenas a alma e não é alma que te vai impedir de seres crucificado. Pronto, confesso, ninguém me disse isto, inventei agora.

Repeti tanto que me cansei. E o blog foi-se saturando cada vez mais. A escrita, a meu ver, passou a ser um terror. Passou da busca pela satisfação das palavras, à insatisfação de não saber o que dizer. É triste. Deprime-me ter de assumir que, afinal, e de forma irremediável, tudo tem um prazo. Escrever já não é a segunda melhor coisa que sei fazer. Nem a primeira. Deixou de ter lugar no pódio, nem a bronze se safa. Parece-me que o que ocupa agora a primeira posição é mesmo saber Amar. Não fui eu que o disse. Não me critiquem. Mesmo nisso não sou perfeita. Se alguém me disser que o é no que respeita a Amar, fuja. Não tenho paciência para a perfeição. Incomoda-me e aborrece-me.

Existem fases maravilhosas na nossa vida, mas mais importante ainda são as coisas que têm a capacidade de nos acompanhar nessas mesmas fases. Este blog é um dos melhores exemplos disso. São dois anos e pouco de testemunhos, de devaneios, de desabafos, de muito boas partilhas que extravasaram a virtualidade. O “Sem título”, não sendo excepção, chegou ao fim, da melhor maneira, de braços dados com o Amor. Não poderia desejar melhor destino que este. No entanto, não o vou retirar deste espaço e o mais provável é que o continue a usar sempre que as palavras me permitirem dar asas a esse sentimento. Já não será um blog em crescimento, será um palco de recordações, ao qual recorrerei muitas vezes, na esperança de poder reviver tempos idos que me são queridos (Bendita obsessão).

Queria agradecer a todos aqueles que me acompanham desde o primeiro dia, aqueles que por aqui passaram ao acaso, aqueles que partiram sem deixar rasto, a todos os anónimos, aqueles que no silêncio sempre por cá permaneceram, e por último, não posso deixar de agradecer a todas as pessoas que me inspiraram e me impeliram a escrever. Esta foi uma viagem que não esquecerei.

Deixo-vos no final o endereço do meu novo espaço, espero não vos decepcionar com a mudança mas, na verdade, como sou eu que tenho de me aturar, não posso é decepcionar-me a mim mesma.

Um bem-haja e um até já a todos.



Extravios, Lda
http://extravioslda.blogspot.com
P.s. Um especial agradecimento à M. (http://myprecious-thing.blogspot.com) pela paciência e ajuda prestada na personalização do Extravios, Lda.

quinta-feira, dezembro 21, 2006

Tu.

“Suga-me este desejo que se me entranhou no sexo, esta vontade de ser possuída por ti que me alimenta a alma. Prende-me o corpo contra a parede da imoralidade e, entra dentro deste mundo que é teu. Profundamente teu.” – Sms enviada a 21-12-06








E as saudades apertam-me. Derrubam-me os sorrisos. Angustiam-me. Rasgam-me. Enlouquecem-me. Fazem-me tremer à noite. Entristecem-me quando acordo durante a noite e tu não estás. E a cama não é a minha. E a almofada não é a minha. E falta-me o teu cheiro. A intensidade dos teus beijos. O enternecer do teu abraço. O quente do teu corpo. O teu brilho. O teu riso contagiante. Advinhar-te os olhos e saber que sou a Tua Mulher, a Tua Casa, o Teu Mundo, a Tua melhor Descoberta. O desejo que se espelha nos nossos corpos quando nos fechamos uma na outra.


Faltas-me tu que és Vida e Felicidade.
Que és O Amor

segunda-feira, dezembro 18, 2006

Espero-te ...








Nesta ilha onde o frio é quase inexistente a não ser aquele que sinto todas as noites ao estar longe da minha casa. Do meu lugar que é nos teus braços.
Vem rápido porque as saudades apertam e me desintegram.
Vem porque os dias, agora, são também teus e precisam de ti perto, muito perto.
Esta ilha agora também é tua, como os cactos que estão plantados á porta da minha(nossa) casa.

sexta-feira, dezembro 08, 2006

Era uma vez


Duas Mulheres.

Que se apaixonaram.
E se consumiram em desejo - interminável.
E redescobriram o Amor.
E...


Quero que haja uma só vez.
Única.


(Que dure para todo o nosso Sempre.)




Por vezes os caminhos desnudam-se de ti e eu embriago-me por dentro do que sou.
Distraindo-me. Esvaziando-me. Escurecendo-me. Mas tu és o caminho. O meu.
Volto todos os dias a nós. Não se trata de uma escolha, mas sim da Escolha.

domingo, novembro 26, 2006

"All that I am, All that I ever was It's here in your perfect eyes, they're all I can see (...)"

Nos teus olhos eu desfaço-me dos terramotos.
Dos restos sanguíneos das minhas batalhas interiores.
Dos degraus que se sobrepuseram aos meus sentires.
Das memórias que desafiaram tudo o que sou.

Agora perante os teus olhos
Acordo e Sou na extensão de uma vida partilhada
A que começamos a construir.

É aqui, no pulsar destes dias,
Que me renovo,
Que me entrego como pela primeira vez
Que te desejo com uma energia sempre nova
Que te desenho no meu corpo,
Que te estendo a minha boca
Para que ao me beberes
Engulas tudo o que em mim habita.


Acendo velas de palavras
Para que me encontres

(Sempre)

em presença

(ou)

em ausência.






Não te esqueças, Meu Grande Amor, que aos teus olhos eu sou Vida e rio que nasce de Ti.

quarta-feira, novembro 22, 2006

F(r)icção I

Dois rasgos de peles que se enquadram numa figura de cheiro a trovoada, movida pelas paredes que são fotografias a preto e branco. Dois corpos estendidos pelo chão onde as mãos são cobras que serpenteiam pelos escombros bebidos em suor. Caminham palavras molhadas em desejo latente perpetuado nos passos que se tacteiam à medida que a noite se esconde pelas horas de um tempo irreflectido.

Esperam-se em abismo as bocas que se lançam ao coração, que escorrem pelas línguas como silêncio abundando sentires, que se imaginam almas eternas num abraço que é dado na ausência premeditada do nascer de um novo dia. O seguinte.

E agora, impacientam-se os toques, a harmonia. O quente que ferve por entre as pernas alagadas em gestos esquecidos. Devoram-se as esperas reveladas nos rostos cansados de quem vive o fim como nova forma de acordar.

Os corpos afastam-se. Ressentem-se dormentes ocultando o que não exprimem. Sorriem, enfrentando o medo, sorriem no instante em que as almas brincam distraídas, em que nada ficará na memória. Nada do que foi vivido.

Despedem-se com a certeza que algo morreu naquela efemeridade onde o desejo se cruza com a solidão.

segunda-feira, novembro 13, 2006

Verão de S.Martinho

A noite de ontem. Melhor dizendo, a madrugada de ontem. Sorrio porque nos revejo nas constantes fracções de segundo em que a loucura toma conta de nós. Em que regressamos aos tempos selvagens das primeiras noites. Aos densos momentos em que o tempo volta a parar e não nos questiona mais.

Agora, vestida de ti, sinto, ainda, o rastilho puro do desejo. O nosso desejo. Que nos agarra pelo corpo e nos flui pela mente, quando o teu corpo sobe pelo meu e deixamos de saber como regressar à realidade. O teu corpo que fecunda raízes no meu sexo. O teu corpo que se esvai em tragos de luxúria quando as nossas línguas ganham ritmo conjunto e dançam incessantemente. A força da intensidade que nos arrasa e nos deixa prontas para encararmos a morte. A morte de mais um dia. O nascer de mais um orgasmo. Irrompes em mim como verdade inquestionável. E eu irrompo em ti como um novo acreditar. Tomo-te a boca e devolvo-te toda a Fé inexistente nos últimos anos. Sabemo-nos, assumidamente bem de mais para nos deixarmos de beber. E saboreamos a mudança. A nossa mudança mútua. O inicio da nossa vida. Até que o tempo passe a ser encarado apenas como algo inevitável neste viver.

Somo-nos.






(Achas que a garrafa de vinho tinto que está na dispensa chega para fazermos 31 brindes?)

domingo, novembro 12, 2006

Memórias de um Sábado.


Fazes surgir em mim vagas de fascínio. Por ti, unicamente por ti.
E esse teu sorriso cultiva esferas de vida em mim, Meu Amor.
Regresso ao jardim e ás gaivotas e vejo-te de máquina fotográfica na mão, na busca da perfeição, perfeição essa que te nasce, tantas vezes, nas mãos. Nessa força que te desnuda aos meus olhos e me faz não te negar nada.
Regresso ao ontem e tenho de te dizer que eu não consigo disfarçar o que de extraordinário nos acontece. O magnetimo dos nossos olhos. A busca feita pelos nossos corpos, que nos atira uma para a outra. É impossível resistir ao poder deste Amor.
Cresces-me e vives-me em plenitude.
Mesmo no amanhã.

quarta-feira, novembro 08, 2006

"Capricho"

O texto que vou publicar em seguida foi-me escrito por alguém com uma importância inquestionável na minha vida. É um texto que adoro mesmo que tenha partes não tão agradáveis. A sua veracidade é incontestável talvez por isso me diga tanto como diz.

“E nunca mais te atreveste a escrever-me.
Sim, porque os teus escritos não passavam de grandes atrevimentos com um destinatário.
Não sabias nunca ao certo por que escrevias.
Mas também não questionavas demasiado. Acomodavas-te ao teu capricho de tenra idade e eras feliz. Por momentos.
E por momentos acreditavas existir no espaço do teu destinatário.
Ouve, já pensaste em rasgar todas as cartas e incendiar o sentimento? Duvido, pois trata-se do teu capricho e tu és a "autoridade máxima do próprio coração"!
Enfim. . . como se fosse possível ditar regras a esse miserável.
Hoje findaram as lutas, as palavras e as crenças.
Tudo porque decides que já chega. É impressionante como consegues atropelar os sentimentos tão facilmente.
Chego à conclusão de que nunca sentiste foi nada. Ansiavas tanto por sentir que inventaste um nome para tudo, à tua maneira.
Sim, porque se não for à tua maneira, "não presta".
Que coração tão idiota, esse.”
Data de Agosto de 2006

domingo, novembro 05, 2006

"There's only one love. It's only one love, and it's only your love."

Meu amor, chegaram os dias de tempestade ao meu corpo. Gotas grossas de desespero se ancoraram por dentro de tudo o que construímos e reconheço a corda que te puxa para longe de mim. Reconheço a sua amplitude e a maneira como nos corrói por dentro. Reconheço-me aí nesse espaço que agora é só teu. Nessa angústia de sabermos que raramente conseguimos fugir desse aperto. Dessa esfera pintada a vermelho que nos fecha por dentro. Nos faz transpor para dentro de paredes espessas e quase que intransponíveis. E os dias corromperam-se e os planos começam a flutuar. Nada é hoje como era ontem. E o amor agarra-se à pele bolorenta das almas para sobreviver. Para não se deixar ir no rio dos medos, das inseguranças, das perguntas agora tão mais presentes. O nosso amor. O amor que nenhuma de nós desejou. O amor que nos fez nascer de novo. O amor que agora se vê emalhado em nós cheios de obstáculos, de testes à nossa força, a esta nova forma de fé que criámos. Renascemos naquela madrugada numa nova religião. A nossa. E realizámos agora que não nos bastam as rezas. É preciso mais. Um querer. Um desejar. Uma força maior do que tudo o que está à nossa volta. Algo feroz mas profundo que não nos dê outra saída que não seja vivermos isto. Entregarmo-nos ao que nos borbulha no coração. Ao que nos agride a pele quando não estamos juntas.

Acredito-nos como nos vivo. Com uma intensidade inesgotável. Com uma vivacidade que não me deixa atingir o corpo com o cansaço e confesso-me mais tua agora, mais tua na dor que existe, mais tua nesta guerra que está lançada entre a sobrevivência e um viver para além disto tudo.

Assumo-nos crentes deste novo - para sempre - que se prende nos meus lábios sempre que os teus os bebem. Provam-nos como se não houvesse amanhã. Mas existe um amanhã e outros mais. Existe porque no dia em que fugir seja a única solução credível aos nossos olhos, não o conseguiremos fazer porque só saberemos reconhecer o nosso caminho. O meu até ti e o teu até mim.

Não existe nada que me mova disto. Nem mesmo quando te vejo perdida e achando que não nos conseguirás escolher.