quarta-feira, abril 25, 2007

25 de Abril




Se havia data certa para ter a tua visita, era neste dia. Vinhas ao teu almoço de comemoração de 25 de Abril com os teus velhos camaradas e depois ias ter comigo. Ás vezes ficavas um dia, outras vezes mais tempo. Mas estávamos juntos e isso era o importante.


Vai fazer em Setembro deste ano, três anos que nos deixaste. E mais uma vez o aproximar deste dia, fez com que as lágrimas caíssem, fez com que as saudades aumentassem, fez com que quisesse que estivesses comigo neste feriado.


Todos sentimos muito a tua falta mesmo que não falemos muito de ti, todos te sentimos à nossa maneira.

A avó precisava de ti aqui, precisava dos teus ouvidos mesmo que apenas respondesses com o teu silêncio já habitual. Desde que partiste, ela não está bem em lado algum. Não o confessa, mas sei que sente muito a tua ausência e que gosta muito de ti.

A prima está grande. 16 aninhos. Continua boa aluna e é muito concorrida entre os rapazes, mas tem juízo e isso é o mais importante. Não chorou quando tu foste de viagem mas escreveu um texto dedicado a ti e não disse a ninguém. Ela sempre foi muito mais reservada do que eu. :)

Eu continuo a mesma de sempre. Já não vou tanto ao Porto porque custa-me não te ter lá, já não vejo tantos jogos do FCP porque não te posso ligar a seguir. Este ano sou finalista do meu curso e não te ouvirei a dar-me os parabéns. E sinto um aperto de cada vez que me lembro que não te vou ver mais...

Onde quer que estejas, espero que te encontres bem e que saibas que todos aqui não se esquecem de ti.

sábado, abril 21, 2007

Game over.




"Fico admirado quando alguém, por acaso e quase sempre sem motivo, me diz que não sabe o que é o amor. Eu sei exactamente o que é o amor. O amor é saber que existe uma parte de nós que deixou de nos pertencer. O amor é saber que vamos perdoar tudo a essa parte de nós que não é nossa. O amor é sermos fracos. O amor é ter medo e querer morrer."

quinta-feira, abril 19, 2007






Pudesse eu sentir que debaixo da pele de todo o teu sentir, estou eu, sem roupas a me roubarem o corpo, sem palavras a substituírem a crueza da minha negritude.


Pudesse eu sentir que na nudez do mundo, continuaríamos nós, estanques, na ausência de mais labirintos.

terça-feira, abril 17, 2007

Mind the gap



































Queria lá estar, neste momento, a correr os dias em que cheguei novamente a ser feliz. Andar pelo metro e no andar de cima dos autocarros, sentar-me na primeira classe dos comboios. Ver o big ben ao anoitecer, sentar-me num parque qualquer, beber um ice drink de chocolate do starbucks ou café Nero. Jogar cartas com vocês até tarde, fazer planos dos nossos dias, acordar a teu lado mais uma vez. Faz-me falta esta cidade, e o que ela me transmitiu.
Quero lá voltar, quero lá ficar.
Pudesse eu não ter voltado a Portugal...

Quando chegámos ao ponto de não nos sentirmos admiradas, incentivadas, desejadas, adoradas, amadas


o que fazer?



Quando achamos que isto é o melhor que vamos receber


o que fazer?


Quando os sonhos se derrubam, o amor-próprio se interroga e tudo te entristece e morre por dentro de ti?


O que fazer?

segunda-feira, abril 16, 2007

Retalhos do coração

"E tive-te, atrás do espelho, todas as manhãs da minha vida. Porque foi sempre para ti que me quis bonita, mesmos nos dias escuros. É em ti que penso, quando escolho a roupa ou escovo o cabelo, todos os dias. Na possibilidade de te encontrar, no acesso de uma esquina. Lisboa é tão grande e tão pequena - porque não havia de te encontrar? Queria ser eu mesma, nesse encontro. A mesma, com a luz das rugas que não faltavam no tempo em que nos metíamos por dentro do corpo um do outro como se sozinhos fossemos apenas pedaços de um corpo mutilado."


Inês Pedrosa in Fica comigo esta noite

sábado, abril 07, 2007

Para nós.

segunda-feira, abril 02, 2007

Para Ti.

Porque quer seja em inglês ou em português fico sempre, mais perto de ti, quando a oiço.

Gosto.

Queria poder iluminar o escuro que me acontece todos os dias, as lutas diárias que faço comigo própria sempre, até haver sangue. Na maioria dos casos consigo-o. Mas até mesmo dentro de um sempre existe intermitências, quebras, desilusões.

A verdade é que contigo até o mais difícil desliza melhor, soa melhor. A tua presença traz-me alguma paz mesmo com a tua impaciência a roçar constantemente na minha, mesmo com o teu mau feitio que se desdobra sempre em dois, mesmo com os pequenos infernos que passamos quase todos os dias. É bom estar contigo, nem que seja em silêncio, porque sim, eu gosto do teu silêncio, às vezes é o que desejo mais, mas raramente consigo mostrar o que quer que seja.

Apeteceu-me dizer-te que gosto, definitivamente, gosto de nós.

segunda-feira, março 26, 2007

Quando a música terminar, a tua voz continuará a entoar as minhas palavras. Não haverá um fim com ponto final.
É no derrame do teu corpo que o desejo se senta e aguarda o caminho.
Aguarda-me à tua janela, mesmo quando o frio te arrebate, eu aparecerei com lágrimas ou a sorrir.
Quando tudo se tornar irreversível, saberás distinguir
o meu riso
o meu gosto
o meu toque
o meu medo
a minha insegurança
a minha vontade
a minha certeza
o meu Amor
do das outras pessoas?

quinta-feira, março 15, 2007

Não sei como dizê-lo, a ti, que encontraste do lado esquerdo da minha cama o teu poiso. São tantas as histórias que te podia narrar, sei que perceberias o que te queria dizer mesmo que não fossemos as protagonistas. Mesmo assim sei que não partirias. Que embeberias o prazer contínuo das minhas mãos e continuarias a cultivar na terra molhada do meu corpo o teu espaço.



Outro dia. Que não próximo da amargura que me palpita os olhos. Gostava que dos nossos corpos nascesse algo interminável, que todo o espaço existente entre nós se rendesse ao quente que me embala o coração.


Noutro dia que não este tudo seria possível mesmo que apenas por palavras escritas.

segunda-feira, março 12, 2007

No hoje

A diferença parece residir
no facto de tu quereres/precisares expulsar
cada resíduo meu existente
em ti
e eu querer e fazer por conservá-los em mim.
E assim
o Amor
o nosso
como eu sempre acreditei
será
Ad Eternum.

sexta-feira, março 09, 2007

Esta noite.

Abro a janela e a porta do quarto. Abro todos os poços que estão dentro de mim. Deito fora, pela quarta vez, as beatas que escurecem o cinzeiro. Bebo água desejando que fosse vinho tinto. Fecho os olhos querendo que já fosse um novo dia. Escrevo e apago palavras. Escrevo-te e não respondes. Tenho a cabeça a andar a uma velocidade assustadora e não prevejo stops ou cedências de passagens, não sei se respeitaria os sinais mesmo que eles existissem. Não sei nada. É um facto. Sinto. Sinto o presente agarrado ao passado e não me consigo libertar de ti. Libertar-me das memórias que ainda me mostram o que é sorrir, que ainda me transmitem sons e sabores da felicidade experimentada por mim. A teu lado, só a conheci a teu lado e foi também a teu lado que tudo terminou. O que sinto neste momento, contudo, não é novidade. Fui talvez a última dos meus amigos a passar por isto. Sei o que se passa, sei de cor estes sinais todos. A todos aqueles que passaram por isto, disse que o tempo acabaria por cessar ou acalmar a dor. É o que me vai acontecer. Daqui a muito tempo, retomarei a minha vida. A minha vida sem ti. Uma vida que será apenas minha. Seremos amigas, não é? Amigas. Seremos o que não fomos na nossa relação e cada vez mais negra é a luz que me diria que ainda é possível o retorno a nós.

Mais um dia. Mais os olhos se afundam. Mais as mãos se arrastam na tentativa de te sentir. Dentro de mim. Não consigo ouvir-te dizer que me Amas. Já não o consigo ouvir. Desfaço-me de cada vez que tento encontrar um caminho para ti e não consigo. Não consigo. Percebes? NÃO CONSIGO!

Esta cidade está amaldiçoada. Passei a odiar esta cidade. Passei a odiar a minha nova rotina. Passei a odiar as minhas almofadas. Até o meu cabelo ficou sem jeito desde que tudo aconteceu. Nada disto faz sentido, não faz sentido este Amor a pulsar e a crescer aqui dentro e não o poder entregar e juntar ao Amor que também vive dentro de ti. Nada disto faz sentido.

O Amor não vence incompatibilidades, não vence o passado, não ensina, não destrói, não acaba assim.

O Amor não faz sentido se não o poder viver contigo…



Esta noite... não poderia estar sozinha.







nightwish - ghost love score

Bonnie Tyler - Total Eclipse Of The Heart

Meat Loaf - I would do anything for love LIVE

Antony and the Johnsons - My Lady Story (live)

Antony And The Johnsons - Hope There's Someone

terça-feira, março 06, 2007

De madrugada

Procurei-te e mais uma vez não te encontrei.













Deixei de saber dormir descansada.

terça-feira, janeiro 23, 2007

Até já

Há quem pense que gosto de me repetir. A minha massagista particular ainda ontem me disse, sem grande novidade para mim, que sou obcecada. Que era uma das minhas características. Característica defeituosa, repondo-lhe. Pois bem, é verdade. Mas o direito à defesa é um direito consagrado à luz da nossa Constituição, e eu sou uma cidadã. Aqui não interessa se eu sou uma psicopata ou se sou uma católica fervorosa, que não passa sem idas diárias ao confessionário. O facto relevante é que sou cidadã. E vou defender-me. Não sou eu que sou obcecada, as coisas é que vêm até mim e não me largam até eu ficar assumida e escandalosamente obcecada por elas. Esta é a verdade. Mas como já me disseram, um dia, a verdade serve para alimentar apenas a alma e não é alma que te vai impedir de seres crucificado. Pronto, confesso, ninguém me disse isto, inventei agora.

Repeti tanto que me cansei. E o blog foi-se saturando cada vez mais. A escrita, a meu ver, passou a ser um terror. Passou da busca pela satisfação das palavras, à insatisfação de não saber o que dizer. É triste. Deprime-me ter de assumir que, afinal, e de forma irremediável, tudo tem um prazo. Escrever já não é a segunda melhor coisa que sei fazer. Nem a primeira. Deixou de ter lugar no pódio, nem a bronze se safa. Parece-me que o que ocupa agora a primeira posição é mesmo saber Amar. Não fui eu que o disse. Não me critiquem. Mesmo nisso não sou perfeita. Se alguém me disser que o é no que respeita a Amar, fuja. Não tenho paciência para a perfeição. Incomoda-me e aborrece-me.

Existem fases maravilhosas na nossa vida, mas mais importante ainda são as coisas que têm a capacidade de nos acompanhar nessas mesmas fases. Este blog é um dos melhores exemplos disso. São dois anos e pouco de testemunhos, de devaneios, de desabafos, de muito boas partilhas que extravasaram a virtualidade. O “Sem título”, não sendo excepção, chegou ao fim, da melhor maneira, de braços dados com o Amor. Não poderia desejar melhor destino que este. No entanto, não o vou retirar deste espaço e o mais provável é que o continue a usar sempre que as palavras me permitirem dar asas a esse sentimento. Já não será um blog em crescimento, será um palco de recordações, ao qual recorrerei muitas vezes, na esperança de poder reviver tempos idos que me são queridos (Bendita obsessão).

Queria agradecer a todos aqueles que me acompanham desde o primeiro dia, aqueles que por aqui passaram ao acaso, aqueles que partiram sem deixar rasto, a todos os anónimos, aqueles que no silêncio sempre por cá permaneceram, e por último, não posso deixar de agradecer a todas as pessoas que me inspiraram e me impeliram a escrever. Esta foi uma viagem que não esquecerei.

Deixo-vos no final o endereço do meu novo espaço, espero não vos decepcionar com a mudança mas, na verdade, como sou eu que tenho de me aturar, não posso é decepcionar-me a mim mesma.

Um bem-haja e um até já a todos.



Extravios, Lda
http://extravioslda.blogspot.com
P.s. Um especial agradecimento à M. (http://myprecious-thing.blogspot.com) pela paciência e ajuda prestada na personalização do Extravios, Lda.