O poema publicado no post anterior podia ser meu. Mas nunca o poderia ter escrito, não saberia como fazê-lo. Este poema acompanha-me há muitos anos, tenho-o sempre na carteira. Li-o num canal de IRC e a pessoa que o reclamava seu tinha o nick Dreamer. Desde a primeira leitura que o senti mais dentro do que muitas palavras, do que muitos sentidos. Uso-o agora num momento em que as palavras me faltam e pouco haverá a dizer/acrescentar. Uso-o porque o sinto também.
Aquele abraço. Um dia. O sentirás teu, outra vez.
Até já
quinta-feira, outubro 18, 2007
Ambição
São palavras que não enchem o que eu digo
Que não cabem nos teus ouvidos de pânico
Pânico que sentes, em ódio, por te amarem
Porque nunca te amam o suficiente
E recusas, abandonas-te ao medo
Ao medo-paliçada sempre presente
Inexpugnável
Um presente que não é mais do que um passado
Porque não há diferenças
E não as há porque recusas
Com medo
E fugindo não tens tempo de sentir
Apenas sentir
A realidade do que tornas fugaz
Volátil
A verdade do Amor
Porque continuas a fugir e com medo
Que não seja verdade
Que não seja verdade que o amor que te dão
Seja amor
Seja desejo de morrer por ti
De viver para ti, por ti
Isto não é um poema
São palavras que não enchem o que eu sinto
Não exalam o teu cheiro de quando gritas
A tua voz de quando ris
A tua boca quando beijar uma outra parte de ti
Em outra boca
E o desejo fica por trocar
Numa febre entre o pânico e o delírio da fuga
São palavras que nunca ouvirás
Sem que te feches
Que para ti o amor é um sufoco
Daqueles que te amam e te querem fechar
Quando afinal és tu que te fechas
Sem confessar que andas perdida
Na própria clausura
E abrir é doloroso
É desejar o que não se tem
E concluir que nada se pode ter
Porque não queres acreditar
E ser crédulo é sofrer
Por isso te fechas cada vez mais
Buscando saciedade apenas no presente
Que já passou
E agora é diferente
Mas tudo permaneceu ainda mais igual,
Isto não é um poema
São palavras que não enchem o que eu choro
No meu choro de criança abandonada
Abandonada pelos teus olhos
Pelo teu calor
Que nunca foi mais que um fósforo
Hesitante, aterrorizado
De chama intensa e breve
Muito breve
Que se escuda na angústia do amor
Ou não-amor
Porque afinal és tu quem o não sabe
E és tu que fecha o amor dos outros
O teu amor nunca realizado
Dizendo que aquele te quer fechar;
Isto não é um poema
Porque não te entra pelo peito
São palavras que os teus olhos decifram
Mas o teu coração não entende fugindo
E os meus gestos já não cabem nestas linhas
Escritas em desejo
Escritas em amor e saudades e febre
De não ter mais o teu ser e fazê-lo florir
Ter o teu ser
No meu rumo
E antevejo-te abanando a cabeça
Pensando
“Isto não é um poema”
Mas isto não é um poema
Sou eu
Mas tu não me queres
A mim, que sempre fui o teu melhor verso
A melhor parte de ti
E estou em tudo o que conheces
Mas em nada do que vês porque escolheste a cegueira
E detestas-te, em terror,
O terror da morte de seres ninguém
Por não saberes afinal que és
Na frieza de um olhar caído
(perdido no tempo)."
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23:51
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sábado, outubro 13, 2007
Poderia ter sido uma história de amor com final feliz.
Lembro-me que apesar de ter tipo oportunidade para estar com outras pessoas e até de me envolver fisicamente e/ou emocionalmente, nunca o fiz. Existia sempre um qualquer impedimento. Algo que não me deixava avançar mais. Houve uma altura em que o queria muito fazer. Precisava, até. Mas fiquei quieta. Esse algo que sempre me impediu era o amor. É o amor. Ao contrário de ti, nunca quis, nunca lutei contra esse sentimento. Não foi ele que me desiludiu. Foi a relação, a turbulência diária, patética e que estupidamente sempre soubemos criar e perdurar. O amor vive livre em mim. O amor. Quiseste-o fora de ti, tantas vezes disseste que te fazia mal, que eu te fazia mal e comigo vinha tudo, não é? E agora eu nada valo, como ontem disseste.
É fácil depreender o quanto somos diferentes. Demasiado fácil, agora.
O que tu tanto te esforçaste para acabar eu sempre quis preservar. O que tanto te doía e fazia mal, a mim abraçou-me em muitas noites que não estavas presente. Sim, muito diferentes. Nós.
O momento de partir chegou primeiro para ti. E agora sou eu que, passo a passo, volto a mim, à vida, ao esquecer de uma desilusão, ao esquecer do amor. Já não faz sentido guardá-lo, pois é?
Vai e sê o que não foste comigo.
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Francesca
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18:51
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domingo, setembro 30, 2007
Lembras-te da última noite? Ou melhor, último dia. Foi o da despedida. Da despedida de alguma coisa, de certo. Acho que a verdadeira despedida já a fizemos há algum tempo. Se choro? Não. Se sinto um aperto no peito quando penso que já não estás cá? Sinto. Demasiadas vezes. E ainda se diz que não existe demasiado no amor?
Queria que me visses hoje. Que provasses o meu sorriso e sentisses que encontrei uma luz sem nome mas que me puxou do abismo. Pelo menos no agora. Não posso pensar na probabilidade de voltar a cair em abismos com sabor a podre. Não posso porque se o fizer esqueço-me do que sinto agora. Posso chamar felicidade? Sim, talvez possa.
Não me esqueço do teu nome. Nem do que me ensinaste nestes meses que foram um para sempre.
Chamo-te Amor.
Sê.
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sexta-feira, agosto 24, 2007
Dia 24
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sexta-feira, agosto 10, 2007
Tenho uma relação difícil com os sentimentos. A instabilidade gere a forma como me relaciono e resolvo com eles. Da amizade tenho pouco a dizer, creio não ter aptidão para fazer amigos, desde muito nova que eram raros, hoje é cada vez mais difícil não, chamar alguém amigo, mas sim sentir que são realmente meus amigos. Penso que é necessário haver uma relação de dependência entre os verdadeiros amigos, coisa que não possuo. Quando ao Amor, durante anos, desejei viver um amor de conto de fadas, nunca aconteceu. A partir de certa idade criei uma particular abominação por esse sentimento. E ainda hoje, depois de efectivamente viver um, faz-me demasiada confusão histórias que me chegam ao ouvido e que presencio de pessoas que (quase) morrem de amor, que se esquecem do sentido da vida depois de verem o seu coração partido, pessoas que rastejam pelos dias em busca de um amor unilateral, pessoas que tem como sonho a concretizar serem correspondidas por uma pessoa que nunca as vai amar. E rastejam, e ao rastejaram perdem o melhor da vida que, a meu ver, é sermos. Principalmente sermos em nós para podermos ser nos outros. Pessoas assim não são nelas próprias apenas são tapete gasto e revolto na porta das pessoas que dizem amar até voltarem a serem terra, unicamente terra infértil. O amor é algo bonito, preciso e que tanto nos pode fazer bem como mal. Também existe o amor que tanto é bom e mau na mesma proporção e deixamos de saber identificar esses dois extremos englobando tudo na mesma coisa.
Muitas vezes penso que não sou pessoa para Amar. Porquê? Porque para mim o Amor não é o esquecer dos seres individuais que somos, não é estar constantemente a ceder por ciúmes, possessão pela pessoa que amamos e está connosco. Não é ceder por coisas que no final do dia não transformarão o amor em algo mais pequeno. O Amor para mim é exaltação do que duas pessoas são individualmente e como se inclui isso numa relação. Não é a saudade que se tem constantemente da pessoa. Nem o amor a pulsar dentro do peito. É sentirmo-nos bem connosco próprias, é agirmos também por nós, pelas nossas vontades e saber que nada do que se faz esbate ou diminui o amor que sentimos. É Sair à noite sozinha porque nos apetece a solidão numa discoteca. O Amor não é o tempo que as pessoas amadas estão juntas, não é as vezes que se falam durante o dia, não é corrermos 7 dias por semana para os braços uma da outra. Não. O amor é em todos esses momentos a pessoa sentir que ama e é amada. É num momento que dura um instante sentir todos os sentimentos a aumentar a uma velocidade vertiginosa. É tanta coisa que não se vê ao primeiro olhar.
Não é só a mágoa do mal que causamos uns aos outros, não são as lágrimas que nos derrearam, não são as discussões que tantas vezes nos levou para espaços distintos. É o amor que eu sinto mas que nunca se concretizaria no ideal de relação dos nossos dias, dos teus sonhos, da tua vida. Mereces muito mais de alguém que te diz amar, mereces o amor de todos os dias, as noites dormidas lado a lado, os planos em conjunto, as viagens e as férias juntas, uma casa a partilhar. Mereces isto porque é o que te precisas para te sentires em pleno mas eu, meu muito amor, não te posso dar isso. Não sou eu, e eu deixei de fingir e de calar. Estou cansada de me negar, é isso que percebo agora, que a vontade de ser contigo uma só pessoa levou-me a ter sonhos que não são meus, que não sou eu.
Arrependimento do que vivi contigo, do amor que senti, do amor que me tiveste? Nenhum.
Foste das melhores coisas que me aconteceu e muito possivelmente não terei um amor com a intensidade do que tive contigo.
É com lágrimas e com consciência que escrevo. É com o amor que me rasga o peito que me despeço.
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quarta-feira, julho 11, 2007
Não posso negar a existência de amor entre nós, seria demasiado irreal. Tu nem notas como me transtornas, como contigo não sei ser eu, aliás, não sei ser ninguém, sinto-me nula como pessoa. Será que te apercebes que nós nunca conversámos? Nunca debatemos sobre nada, o começar de um debate apenas quer dizer uma única coisa, que vamos elevar a voz e pouco mais.
Sei que precisas que esteja sempre perto de ti, vês-me como um bem precioso a proteger, sou o bem mais valioso da tua vida e tens medo de me perder. E prendes-me, sempre o fizeste. O que mais me dói é que tu não sabes quem eu sou nem como eu sinto. Para ti talvez ainda não tenha idade de sentir, ainda sou uma criança, a tua criança. E quiçá deveria gritar o que sou, o que sinto, como tu, tantas vezes, me fazes querer desaparecer ou fugir para melhor viver. Mas não consigo, preciso de ficar a uma distância segura mas, fugir não. Possivelmente és-me vital mas nunca perto, isso seria o fim. O teu ou o meu. Dramatismo a mais? Não creio. Cobardia, é a melhor palavra. Cobardia que é minha por não te enfrentar e cobardia tua por teres medo do que possa sair de mim.
Sabes, o mais provável é isto continuar até ao fim. Até ao último respirar. O teu ou o meu.
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segunda-feira, julho 02, 2007
II
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sexta-feira, junho 22, 2007
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quinta-feira, maio 24, 2007
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terça-feira, maio 08, 2007
Tenho os lábios com o gosto de lágrimas ressequidas. As que já não choro, as que já não me deitam abaixo.
Continuo a escrever-te e a falar-te. Principalmente em sonhos. Tem a sua piada, não achas?
Tenho saudades tuas. Demasiadas. E toda a felicidade que já senti foi incompleta. Custa-me o não estares, o não ouvires, o não falares. Custa-me esta ausência transformada em ferida.
Preciso que saibas que nem a desilusão sentida faz com que desapareças. Porque por cima de toda a tristeza, mágoa, saudade está o amor e amizade que sinto por ti. És insubstituível.
Gosto muito de ti, Madinha linda.
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quarta-feira, abril 25, 2007
25 de Abril
Se havia data certa para ter a tua visita, era neste dia. Vinhas ao teu almoço de comemoração de 25 de Abril com os teus velhos camaradas e depois ias ter comigo. Ás vezes ficavas um dia, outras vezes mais tempo. Mas estávamos juntos e isso era o importante.
Vai fazer em Setembro deste ano, três anos que nos deixaste. E mais uma vez o aproximar deste dia, fez com que as lágrimas caíssem, fez com que as saudades aumentassem, fez com que quisesse que estivesses comigo neste feriado.
Todos sentimos muito a tua falta mesmo que não falemos muito de ti, todos te sentimos à nossa maneira.
A avó precisava de ti aqui, precisava dos teus ouvidos mesmo que apenas respondesses com o teu silêncio já habitual. Desde que partiste, ela não está bem em lado algum. Não o confessa, mas sei que sente muito a tua ausência e que gosta muito de ti.
A prima está grande. 16 aninhos. Continua boa aluna e é muito concorrida entre os rapazes, mas tem juízo e isso é o mais importante. Não chorou quando tu foste de viagem mas escreveu um texto dedicado a ti e não disse a ninguém. Ela sempre foi muito mais reservada do que eu. :)
Eu continuo a mesma de sempre. Já não vou tanto ao Porto porque custa-me não te ter lá, já não vejo tantos jogos do FCP porque não te posso ligar a seguir. Este ano sou finalista do meu curso e não te ouvirei a dar-me os parabéns. E sinto um aperto de cada vez que me lembro que não te vou ver mais...
Onde quer que estejas, espero que te encontres bem e que saibas que todos aqui não se esquecem de ti.
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sábado, abril 21, 2007
Game over.
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quinta-feira, abril 19, 2007
terça-feira, abril 17, 2007
Mind the gap
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23:26
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Quando chegámos ao ponto de não nos sentirmos admiradas, incentivadas, desejadas, adoradas, amadas
o que fazer?
Quando achamos que isto é o melhor que vamos receber
o que fazer?
Quando os sonhos se derrubam, o amor-próprio se interroga e tudo te entristece e morre por dentro de ti?
O que fazer?
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Francesca
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18:58
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segunda-feira, abril 16, 2007
Retalhos do coração
"E tive-te, atrás do espelho, todas as manhãs da minha vida. Porque foi sempre para ti que me quis bonita, mesmos nos dias escuros. É em ti que penso, quando escolho a roupa ou escovo o cabelo, todos os dias. Na possibilidade de te encontrar, no acesso de uma esquina. Lisboa é tão grande e tão pequena - porque não havia de te encontrar? Queria ser eu mesma, nesse encontro. A mesma, com a luz das rugas que não faltavam no tempo em que nos metíamos por dentro do corpo um do outro como se sozinhos fossemos apenas pedaços de um corpo mutilado."
Inês Pedrosa in Fica comigo esta noite
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Francesca
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23:24
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sábado, abril 07, 2007
segunda-feira, abril 02, 2007
Para Ti.
Porque quer seja em inglês ou em português fico sempre, mais perto de ti, quando a oiço.
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Francesca
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16:25
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Gosto.
Queria poder iluminar o escuro que me acontece todos os dias, as lutas diárias que faço comigo própria sempre, até haver sangue. Na maioria dos casos consigo-o. Mas até mesmo dentro de um sempre existe intermitências, quebras, desilusões.
A verdade é que contigo até o mais difícil desliza melhor, soa melhor. A tua presença traz-me alguma paz mesmo com a tua impaciência a roçar constantemente na minha, mesmo com o teu mau feitio que se desdobra sempre em dois, mesmo com os pequenos infernos que passamos quase todos os dias. É bom estar contigo, nem que seja em silêncio, porque sim, eu gosto do teu silêncio, às vezes é o que desejo mais, mas raramente consigo mostrar o que quer que seja.
Apeteceu-me dizer-te que gosto, definitivamente, gosto de nós.
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Francesca
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11:40
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