quinta-feira, outubro 18, 2007

O poema publicado no post anterior podia ser meu. Mas nunca o poderia ter escrito, não saberia como fazê-lo. Este poema acompanha-me há muitos anos, tenho-o sempre na carteira. Li-o num canal de IRC e a pessoa que o reclamava seu tinha o nick Dreamer. Desde a primeira leitura que o senti mais dentro do que muitas palavras, do que muitos sentidos. Uso-o agora num momento em que as palavras me faltam e pouco haverá a dizer/acrescentar. Uso-o porque o sinto também.


Aquele abraço. Um dia. O sentirás teu, outra vez.


Até já

Ambição

"Isto não é um poema.

São palavras que não enchem o que eu digo
Que não cabem nos teus ouvidos de pânico
Pânico que sentes, em ódio, por te amarem

Porque nunca te amam o suficiente

E recusas, abandonas-te ao medo
Ao medo-paliçada sempre presente
Inexpugnável
Um presente que não é mais do que um passado
Porque não há diferenças
E não as há porque recusas
Com medo
E fugindo não tens tempo de sentir
Apenas sentir
A realidade do que tornas fugaz
Volátil

A verdade do Amor

Porque continuas a fugir e com medo
Que não seja verdade
Que não seja verdade que o amor que te dão
Seja amor
Seja desejo de morrer por ti
De viver para ti, por ti

Isto não é um poema

São palavras que não enchem o que eu sinto
Não exalam o teu cheiro de quando gritas
A tua voz de quando ris
A tua boca quando beijar uma outra parte de ti
Em outra boca
E o desejo fica por trocar
Numa febre entre o pânico e o delírio da fuga
São palavras que nunca ouvirás
Sem que te feches
Que para ti o amor é um sufoco
Daqueles que te amam e te querem fechar
Quando afinal és tu que te fechas
Sem confessar que andas perdida
Na própria clausura

E abrir é doloroso

É desejar o que não se tem
E concluir que nada se pode ter
Porque não queres acreditar

E ser crédulo é sofrer
Por isso te fechas cada vez mais
Buscando saciedade apenas no presente
Que já passou
E agora é diferente
Mas tudo permaneceu ainda mais igual,

Isto não é um poema

São palavras que não enchem o que eu choro
No meu choro de criança abandonada
Abandonada pelos teus olhos
Pelo teu calor
Que nunca foi mais que um fósforo
Hesitante, aterrorizado
De chama intensa e breve
Muito breve
Que se escuda na angústia do amor
Ou não-amor
Porque afinal és tu quem o não sabe
E és tu que fecha o amor dos outros
O teu amor nunca realizado
Dizendo que aquele te quer fechar;

Isto não é um poema

Porque não te entra pelo peito
São palavras que os teus olhos decifram
Mas o teu coração não entende fugindo

E os meus gestos já não cabem nestas linhas
Escritas em desejo
Escritas em amor e saudades e febre
De não ter mais o teu ser e fazê-lo florir
Ter o teu ser
No meu rumo

E antevejo-te abanando a cabeça
Pensando
“Isto não é um poema”

Mas isto não é um poema

Sou eu

Mas tu não me queres
A mim, que sempre fui o teu melhor verso
A melhor parte de ti
E estou em tudo o que conheces
Mas em nada do que vês porque escolheste a cegueira

E detestas-te, em terror,
O terror da morte de seres ninguém
Por não saberes afinal que és
Na frieza de um olhar caído

(perdido no tempo)."

sábado, outubro 13, 2007

Poderia ter sido uma história de amor com final feliz.

Lembro-me que apesar de ter tipo oportunidade para estar com outras pessoas e até de me envolver fisicamente e/ou emocionalmente, nunca o fiz. Existia sempre um qualquer impedimento. Algo que não me deixava avançar mais. Houve uma altura em que o queria muito fazer. Precisava, até. Mas fiquei quieta. Esse algo que sempre me impediu era o amor. É o amor. Ao contrário de ti, nunca quis, nunca lutei contra esse sentimento. Não foi ele que me desiludiu. Foi a relação, a turbulência diária, patética e que estupidamente sempre soubemos criar e perdurar. O amor vive livre em mim. O amor. Quiseste-o fora de ti, tantas vezes disseste que te fazia mal, que eu te fazia mal e comigo vinha tudo, não é? E agora eu nada valo, como ontem disseste.

É fácil depreender o quanto somos diferentes. Demasiado fácil, agora.
O que tu tanto te esforçaste para acabar eu sempre quis preservar. O que tanto te doía e fazia mal, a mim abraçou-me em muitas noites que não estavas presente. Sim, muito diferentes. Nós.

O momento de partir chegou primeiro para ti. E agora sou eu que, passo a passo, volto a mim, à vida, ao esquecer de uma desilusão, ao esquecer do amor. Já não faz sentido guardá-lo, pois é?



Vai e o que não foste comigo.

domingo, setembro 30, 2007

Cumprimento a vida, na razia dos anos que deixei de o fazer. Cumprimento-a enquanto me vejo ao espelho. Esforço as rugas e viajo para dentro dos meus olhos. A noite foi dura, as emoções aprofundaram mais uns metros as olheiras. Não me arrasto, não estou triste, por acaso, estou a gostar de viver. Como é que isso aconteceu? Foi talvez da negligência no amor que acordei, perdi fé numas coisas, ganhei noutras. Perdi fé em ti e ganhei em mim. O amor, ainda lhe sei o rasto mas não o seguirei. Porquê? Porque ele deixou de me chamar. Entendes? Sei que não. Ainda me choras? Espero que sim.

Lembras-te da última noite? Ou melhor, último dia. Foi o da despedida. Da despedida de alguma coisa, de certo. Acho que a verdadeira despedida já a fizemos há algum tempo. Se choro? Não. Se sinto um aperto no peito quando penso que já não estás cá? Sinto. Demasiadas vezes. E ainda se diz que não existe demasiado no amor?


Queria que me visses hoje. Que provasses o meu sorriso e sentisses que encontrei uma luz sem nome mas que me puxou do abismo. Pelo menos no agora. Não posso pensar na probabilidade de voltar a cair em abismos com sabor a podre. Não posso porque se o fizer esqueço-me do que sinto agora. Posso chamar felicidade? Sim, talvez possa.

Não me esqueço do teu nome. Nem do que me ensinaste nestes meses que foram um para sempre.

Chamo-te Amor.


Sê.

sexta-feira, agosto 24, 2007

Dia 24

Num dia não tão cinzento como este, sentar-me-ei à tua frente. Nesse dia já não haverão lágrimas presentes no teu rosto, nem rasto de mágoa nos nossos passos. Contar-te-ei a minha história, sem elevar a voz e sem descontrolar a respiração. Ouvirás com atenção o que te tenho para dizer. Nesse momento irás conhecer-me como julgas já conhecer. Mas estás errada. Julgas conhecer o interior do meu coração e a que velocidade corre o amor nas minhas veias. Julgas e julgas e a tua conclusão mais uma vez sai errada. Á tua frente tens o teu rumo, o rumo que dizes que fui eu a escolher por ti. As pessoas acreditam no que quiserem, e tu acreditas no que agora decides fazer. É a tua escolha, não voltes a pó-las nas minhas mão, é tua. Hoje e sempre.
No amor que dizes já não existir em mim, digo-te apenas:
Sê, porque ao seres encontrarás a tua luz.
Alguém com sabedoria disse-me:
Só se deve ficar ao lado de alguém quando sabemos que o bem que fazemos é superior ao mal que trazemos nos nossos gestos. Há tempo demais que te faço mal, que te rasgo por dentro. É por te Amar como amo que abandono o barco. É por te Amar que te liberto.
11 Meses.
Deixo-te o beijo prometido no parapeito da tua janela.

sexta-feira, agosto 10, 2007


Tenho uma relação difícil com os sentimentos. A instabilidade gere a forma como me relaciono e resolvo com eles. Da amizade tenho pouco a dizer, creio não ter aptidão para fazer amigos, desde muito nova que eram raros, hoje é cada vez mais difícil não, chamar alguém amigo, mas sim sentir que são realmente meus amigos. Penso que é necessário haver uma relação de dependência entre os verdadeiros amigos, coisa que não possuo. Quando ao Amor, durante anos, desejei viver um amor de conto de fadas, nunca aconteceu. A partir de certa idade criei uma particular abominação por esse sentimento. E ainda hoje, depois de efectivamente viver um, faz-me demasiada confusão histórias que me chegam ao ouvido e que presencio de pessoas que (quase) morrem de amor, que se esquecem do sentido da vida depois de verem o seu coração partido, pessoas que rastejam pelos dias em busca de um amor unilateral, pessoas que tem como sonho a concretizar serem correspondidas por uma pessoa que nunca as vai amar. E rastejam, e ao rastejaram perdem o melhor da vida que, a meu ver, é sermos. Principalmente sermos em nós para podermos ser nos outros. Pessoas assim não são nelas próprias apenas são tapete gasto e revolto na porta das pessoas que dizem amar até voltarem a serem terra, unicamente terra infértil. O amor é algo bonito, preciso e que tanto nos pode fazer bem como mal. Também existe o amor que tanto é bom e mau na mesma proporção e deixamos de saber identificar esses dois extremos englobando tudo na mesma coisa.

Muitas vezes penso que não sou pessoa para Amar. Porquê? Porque para mim o Amor não é o esquecer dos seres individuais que somos, não é estar constantemente a ceder por ciúmes, possessão pela pessoa que amamos e está connosco. Não é ceder por coisas que no final do dia não transformarão o amor em algo mais pequeno. O Amor para mim é exaltação do que duas pessoas são individualmente e como se inclui isso numa relação. Não é a saudade que se tem constantemente da pessoa. Nem o amor a pulsar dentro do peito. É sentirmo-nos bem connosco próprias, é agirmos também por nós, pelas nossas vontades e saber que nada do que se faz esbate ou diminui o amor que sentimos. É Sair à noite sozinha porque nos apetece a solidão numa discoteca. O Amor não é o tempo que as pessoas amadas estão juntas, não é as vezes que se falam durante o dia, não é corrermos 7 dias por semana para os braços uma da outra. Não. O amor é em todos esses momentos a pessoa sentir que ama e é amada. É num momento que dura um instante sentir todos os sentimentos a aumentar a uma velocidade vertiginosa. É tanta coisa que não se vê ao primeiro olhar.

Não é só a mágoa do mal que causamos uns aos outros, não são as lágrimas que nos derrearam, não são as discussões que tantas vezes nos levou para espaços distintos. É o amor que eu sinto mas que nunca se concretizaria no ideal de relação dos nossos dias, dos teus sonhos, da tua vida. Mereces muito mais de alguém que te diz amar, mereces o amor de todos os dias, as noites dormidas lado a lado, os planos em conjunto, as viagens e as férias juntas, uma casa a partilhar. Mereces isto porque é o que te precisas para te sentires em pleno mas eu, meu muito amor, não te posso dar isso. Não sou eu, e eu deixei de fingir e de calar. Estou cansada de me negar, é isso que percebo agora, que a vontade de ser contigo uma só pessoa levou-me a ter sonhos que não são meus, que não sou eu.


Arrependimento do que vivi contigo, do amor que senti, do amor que me tiveste? Nenhum.
Foste das melhores coisas que me aconteceu e muito possivelmente não terei um amor com a intensidade do que tive contigo.

É com lágrimas e com consciência que escrevo. É com o amor que me rasga o peito que me despeço.

quarta-feira, julho 11, 2007

Ás vezes gosto de ti, outras não. Num minuto pode haver esta variedade de sentimentos. Não é algo estranho em toda esta existência. É quase rotineiro. Talvez goste mais de ti quando estás longe, quando sei que dessa distância atlântica não me poderás magoar. Quando estás perto aí percebo o efeito destrutivo que tens em mim. Fazes-me querer desaparecer ou querer que tu desapareças. Tudo seria mais fácil.

Não posso negar a existência de amor entre nós, seria demasiado irreal. Tu nem notas como me transtornas, como contigo não sei ser eu, aliás, não sei ser ninguém, sinto-me nula como pessoa. Será que te apercebes que nós nunca conversámos? Nunca debatemos sobre nada, o começar de um debate apenas quer dizer uma única coisa, que vamos elevar a voz e pouco mais.

Sei que precisas que esteja sempre perto de ti, vês-me como um bem precioso a proteger, sou o bem mais valioso da tua vida e tens medo de me perder. E prendes-me, sempre o fizeste. O que mais me dói é que tu não sabes quem eu sou nem como eu sinto. Para ti talvez ainda não tenha idade de sentir, ainda sou uma criança, a tua criança. E quiçá deveria gritar o que sou, o que sinto, como tu, tantas vezes, me fazes querer desaparecer ou fugir para melhor viver. Mas não consigo, preciso de ficar a uma distância segura mas, fugir não. Possivelmente és-me vital mas nunca perto, isso seria o fim. O teu ou o meu. Dramatismo a mais? Não creio. Cobardia, é a melhor palavra. Cobardia que é minha por não te enfrentar e cobardia tua por teres medo do que possa sair de mim.

Sabes, o mais provável é isto continuar até ao fim. Até ao último respirar. O teu ou o meu.

segunda-feira, julho 02, 2007

II

A minha patroa tem ar de leoa faminta mas por vezes faz um ar que quase dá para acreditar que é filha de Deus. Quem acreditar nisso está simplesmente enterrado para a eternidade, a mulher sabe bem como utilizar os seus dons, nem posso dizer que seja o dom da sedução, é mais uma forma de fazer as coisas quase pela calada que a leva a chegar aos destinos mais rápidos. Sabe-la toda, mas eu também sei. Detesto manhãs, detesto os sorrisos de algumas pessoas logo ao entrar na empresa, então se vierem com muita vontade para conversa, nem vale a pena se aproximarem de mim, que levam com o meu ar de Diva que faz de conta que é arrogante que até estremecem. Detesto aproximações matinais mas quem sabe ser original merece um desconto. E a patroa merecê-lo.
Estou eu sentada, na minha cadeira monstruosa de cabedal preto o que é muito chique mas no verão irrita-me a pele, com uma saia tão apertada que nem sei muito bem como me sentei, quando me batem à porta. Concerteza que aqui a Diva não se iria disfarçar de menina estagiária e levantar-se para atender. Portanto não gostando eu de disfarces, digo que podem entrar. Uma mulher deslumbrante, em que toda ela quase que é decote. Uma mulher de ar misterioso mas que se nota que é uma boa fodilhona. Gosto deste tipo de mulheres, não dão quase confiança alguma para te aproximares, mas se souberes dizer as palavras adequadas e fazeres um sorriso que lhe chegue ao sexo, um encontro escaldante está garantido. Continuando, ela entra apanhando-me desprevenida, nestas situações entre leoa versus leoa aquela que está sentada está sempre em desvantagem. A leoa patroa dá lá pela desvantagem, e aproxima-se de mim.
- Bom dia, devia saber que é proibido nesta empresa, usar saias tão curtas e tão justas.
- E é proibido porquê Sra. Directora?
- Porque aqui prima-se pela concentração dos trabalhadores e não por métodos de distracção.(eu levanto-me e posiciono-me bem à sua frente)
- E diga-me, que parte do seu corpo, é que está mais distraído neste momento?
- Talvez seja melhor, a menina averiguar por si própria, e depois entregar-me um relatório.
- E essa averiguação é para agora?
- Agora mesmo, aqui nesta empresa, gostamos de pontualidade e dedicação.
A conversa entre duas leoas, é assim, cheia de enigmas e provocações sempre muito bem disfarçadas. Senão como seria falar em público? Leoa que é leoa prima pela discrição, ainda mais se é lésbica ou das que papam tudo.
Voltando à averiguação.
Na linguagem de leoas o “para agora” quer dizer na linguagem dos Homens(ui este H maiúsculo dá-me vontade de rir), que tem de ser em jeito de rapidinha. Assim nestes casos é sempre bom ter um encosto. Pressiono-lhe o corpo na secretária, enquanto envolvo as minhas mãos no seu corpo, beijo-lhe a sua boca alagada em desejo, contendo em mim a vontade que tenho em lhe rasgar as roupas. Desço com a minha língua até às suas mamas, mordo-lhe quase que levemente os mamilos, e oiço uma voz a dizer-me para ir directa ao som. Só esta expressão “directa ao assunto” deixa-me com uma vontade insana de lhe esventrar o sexo. Viro-a levantando a sua saia para cima, as cuecas não me controlo e arranco, como resposta a este movimento brusco, recebo um gemido bem tesudo, preparo terreno com uma rápida mas eficiente massagem clitoriana e entro dentro dela com os meus dedos, sinto-lhe o desejo a abrir caminho, sinto-a a escorrer de tesão. Pressinto que ela tem vontade de gritar, e ponho-lhe a mão na boca, nunca parando de a comer. Passados breves instantes, o seu corpo todo estremece, e o seu cu para de se roçar no meu sexo. Presenteou os meus dedos com um orgasmo de leoa.
Voltou-se para mim, satisfeita com a averiguação pontual, pegou nos meus dedos e lambeu-os com os seus olhos concentrados nos meus, tentando captar em mim algum sinal de fraqueza, não o conseguiu. No jogo do fodilhanço não existe partes fracas, existe apenas aquelas que dão a conhecer o seu prazer e aquelas que sabem disfarçar muito bem. Eu sou uma das últimas. Ela faz uma expressão de quem está desiludida e eu dou-lhe um beijo que se ela estivesse atenta poderia transmitir o quanto estou excitada. Enquanto acaba de se arranjar, diz que quer o relatório para logo à noite, que passa na minha casa, para o ir buscar. Eu faço sinal que sim com a cabeça e volto a sentar-me na minha cadeira.Gosto do andar de uma mulher que acaba de ser fodida. Gosto da leveza dos passos e da satisfação do corpo.

sexta-feira, junho 22, 2007

Sem dúvida o sorriso.
De todas as coisas que me talham a ausência é o sorriso que me faz mais falta.
Aqui neste espaço temporal onde nos desencontramos.
Do tudo ao nada nenhum cemitério terá as medidas suficientes para acolher o nosso amor.
Diz-me:
Qual o tamanho do teu amor?

quinta-feira, maio 24, 2007

I

A história dos amantes. No meu caso, a história das amantes. Quase que tudo na minha vida se reconduz a isto. Presentemente até o trabalho. O meu despertador mental já tocou, aliás fartou-se de tocar a noite toda. Quando alguém invade a minha cama, não consigo dormir bem. Tenho pesadelos que depois se tornam realidade. Nos meus pesadelos estão a sufocar-me. Na realidade dos meus tristes dias, todas as mulheres que chegam a dormir na minha cama, passam a sufocar-me. Que vida a minha, devem vocês não pensar.
A tipa que hoje dorme a meu lado, tem umas formas que eu acho perfeitas, a puxar para o latino, não foi a melhor foda que já tive. Mas foi a que gritava mais alto. Não achei grande piada, confesso. Prefiro ouvi-las pelos movimentos do corpo. Os gritos desconcentram-me, prefiro então calá-las com algum tecido e vir-me à vontade. O sexo, como tudo na vida, precisa de concentração. Eu preciso de me concentrar nas coisas que gosto de ver. Se vejo algo que não gosto, lá se vai o tesão – e lá se vai a foda. Mulher que fode sem tesão é mulher que não se tem em consideração ou seja mulher que se preocupa mais com os outros do que consigo própria. Eu que primo por falar sempre na minha pessoa em primeiro lugar, quando o tesão se desvanece por culpa de algum defeito da outra que se encontra por baixo de mim, eu termino tudo. Sou uma empata-fodas das gajas que fodem comigo. Gosto desta ideia.
Bem, voltando à tipa. Durante dois anos cruzámo-nos todos os dias. Nas festas da nossa empresa comíamo-nos com os olhos. Apenas nas festas, nos outros dias, seria não ético. Como se a ética impedisse alguém de foder. O único pormenor interessante nesta história, é que a tipa é uma das minhas directoras, ou seja, uma das minhas patroas. Não, não me assina os cheques no final do mês, sim cheques, são dois que recebo, mas dá-me ordens, assina os papéis ao final do dia. Anda sempre em cima, quase que se deita na minha secretária quando fala comigo e pavoneia-se toda a andar. E sabe andar muito bem, não o posso negar. Também vos tenho a dizer que não são só os homens que usam as casas de banho do serviço para se masturbarem. As mulheres também o fazem. E geralmente nunca vão uma de cada vez.
A minha patroa é a única mulher entre a chefia. Feminina e esbelta ao ponto de ter todos os homens casados aos seus pés e ter todas as mulheres cheias de inveja. Eu, inveja, não tenho, também não estou aos pés dela, por isso entendemo-nos bem. Ela vem cá de vez em quando (acho que é a terceira vez) e ás vezes encontrámo-nos nos hotéis dos finos. Paga ela, diz que não se sente bem, ganhando mais do que eu, em me deixar pagar. Eu acho piada, digo-lhe que sou a puta dela, portanto espero que ela pague. Ela sorri, eu apalpo-lhe o rabo e vamos (in)satisfeitas da vida pelo elevador acima.
A razão para nos encontrarmos nos hotéis, é apenas uma: A tipa é casada, com um gajo porreiro, que me acha muita piada. E caem-lhe gotas de suor, quando me vê com um dos meus brilhantes vestidos. Eu provoco-o, porque assim ela também se sente provocada. E eu gosto. As nossas fodas são descritas como reuniões tardias com clientes e com outros directores.
O marido sabe bem que ela o trai, vejamos o porquê, ele utiliza a mesma justificação para as suas fodas. Casal mais feliz do que este? Não existe.Daqui a minutos o despertador cá da casa toca. Ela acordará e irá me arrastar para a banheira com ela. E eu irei, e terei um bom dia como os que gosto.

terça-feira, maio 08, 2007


Tenho os lábios com o gosto de lágrimas ressequidas. As que já não choro, as que já não me deitam abaixo.

Continuo a escrever-te e a falar-te. Principalmente em sonhos. Tem a sua piada, não achas?

Tenho saudades tuas. Demasiadas. E toda a felicidade que já senti foi incompleta. Custa-me o não estares, o não ouvires, o não falares. Custa-me esta ausência transformada em ferida.

Preciso que saibas que nem a desilusão sentida faz com que desapareças. Porque por cima de toda a tristeza, mágoa, saudade está o amor e amizade que sinto por ti. És insubstituível.

Gosto muito de ti, Madinha linda.

quarta-feira, abril 25, 2007

25 de Abril




Se havia data certa para ter a tua visita, era neste dia. Vinhas ao teu almoço de comemoração de 25 de Abril com os teus velhos camaradas e depois ias ter comigo. Ás vezes ficavas um dia, outras vezes mais tempo. Mas estávamos juntos e isso era o importante.


Vai fazer em Setembro deste ano, três anos que nos deixaste. E mais uma vez o aproximar deste dia, fez com que as lágrimas caíssem, fez com que as saudades aumentassem, fez com que quisesse que estivesses comigo neste feriado.


Todos sentimos muito a tua falta mesmo que não falemos muito de ti, todos te sentimos à nossa maneira.

A avó precisava de ti aqui, precisava dos teus ouvidos mesmo que apenas respondesses com o teu silêncio já habitual. Desde que partiste, ela não está bem em lado algum. Não o confessa, mas sei que sente muito a tua ausência e que gosta muito de ti.

A prima está grande. 16 aninhos. Continua boa aluna e é muito concorrida entre os rapazes, mas tem juízo e isso é o mais importante. Não chorou quando tu foste de viagem mas escreveu um texto dedicado a ti e não disse a ninguém. Ela sempre foi muito mais reservada do que eu. :)

Eu continuo a mesma de sempre. Já não vou tanto ao Porto porque custa-me não te ter lá, já não vejo tantos jogos do FCP porque não te posso ligar a seguir. Este ano sou finalista do meu curso e não te ouvirei a dar-me os parabéns. E sinto um aperto de cada vez que me lembro que não te vou ver mais...

Onde quer que estejas, espero que te encontres bem e que saibas que todos aqui não se esquecem de ti.

sábado, abril 21, 2007

Game over.




"Fico admirado quando alguém, por acaso e quase sempre sem motivo, me diz que não sabe o que é o amor. Eu sei exactamente o que é o amor. O amor é saber que existe uma parte de nós que deixou de nos pertencer. O amor é saber que vamos perdoar tudo a essa parte de nós que não é nossa. O amor é sermos fracos. O amor é ter medo e querer morrer."

quinta-feira, abril 19, 2007






Pudesse eu sentir que debaixo da pele de todo o teu sentir, estou eu, sem roupas a me roubarem o corpo, sem palavras a substituírem a crueza da minha negritude.


Pudesse eu sentir que na nudez do mundo, continuaríamos nós, estanques, na ausência de mais labirintos.

terça-feira, abril 17, 2007

Mind the gap



































Queria lá estar, neste momento, a correr os dias em que cheguei novamente a ser feliz. Andar pelo metro e no andar de cima dos autocarros, sentar-me na primeira classe dos comboios. Ver o big ben ao anoitecer, sentar-me num parque qualquer, beber um ice drink de chocolate do starbucks ou café Nero. Jogar cartas com vocês até tarde, fazer planos dos nossos dias, acordar a teu lado mais uma vez. Faz-me falta esta cidade, e o que ela me transmitiu.
Quero lá voltar, quero lá ficar.
Pudesse eu não ter voltado a Portugal...

Quando chegámos ao ponto de não nos sentirmos admiradas, incentivadas, desejadas, adoradas, amadas


o que fazer?



Quando achamos que isto é o melhor que vamos receber


o que fazer?


Quando os sonhos se derrubam, o amor-próprio se interroga e tudo te entristece e morre por dentro de ti?


O que fazer?

segunda-feira, abril 16, 2007

Retalhos do coração

"E tive-te, atrás do espelho, todas as manhãs da minha vida. Porque foi sempre para ti que me quis bonita, mesmos nos dias escuros. É em ti que penso, quando escolho a roupa ou escovo o cabelo, todos os dias. Na possibilidade de te encontrar, no acesso de uma esquina. Lisboa é tão grande e tão pequena - porque não havia de te encontrar? Queria ser eu mesma, nesse encontro. A mesma, com a luz das rugas que não faltavam no tempo em que nos metíamos por dentro do corpo um do outro como se sozinhos fossemos apenas pedaços de um corpo mutilado."


Inês Pedrosa in Fica comigo esta noite

sábado, abril 07, 2007

Para nós.

segunda-feira, abril 02, 2007

Para Ti.

Porque quer seja em inglês ou em português fico sempre, mais perto de ti, quando a oiço.

Gosto.

Queria poder iluminar o escuro que me acontece todos os dias, as lutas diárias que faço comigo própria sempre, até haver sangue. Na maioria dos casos consigo-o. Mas até mesmo dentro de um sempre existe intermitências, quebras, desilusões.

A verdade é que contigo até o mais difícil desliza melhor, soa melhor. A tua presença traz-me alguma paz mesmo com a tua impaciência a roçar constantemente na minha, mesmo com o teu mau feitio que se desdobra sempre em dois, mesmo com os pequenos infernos que passamos quase todos os dias. É bom estar contigo, nem que seja em silêncio, porque sim, eu gosto do teu silêncio, às vezes é o que desejo mais, mas raramente consigo mostrar o que quer que seja.

Apeteceu-me dizer-te que gosto, definitivamente, gosto de nós.