domingo, dezembro 02, 2007

Fecha-se a janela. É da escuridão este tumulto. Encontram-se caminhos interditos a pessoas como nós. Pessoas isentas de outras pessoas. Pessoas que encontram na dependência de outros a sua própria libertação. A sua independência pessoal. Como se de um projecto antigo se tratasse. Somos pessoas que facilmente serão esquecidas. Eu serei esquecida, já o sou no presente. Não tenhas receio. Fomos nós que escolhemos isto. Esta forma de atingir tão intensamente, arrasamos quando entramos e quando saímos o impacto é ultrapassado por qualquer coisa mais. Qualquer coisa maior que nós.


Quando te olhas no espelho que vês? Quando os teus olhos se despem no confronto contigo mesma. Quem és tu? É a pergunta que mais vezes faço a mim. Todos os dias a resposta é diferente. E todos os dias a resposta está cada vez mais longe da verdade. Da minha verdade. Fujo. Porquê? Será a verdade assim tão dura? Tão menos bonita daquela que tu desejarias? A verdade dura – nua – anestesiante – latejante – infame – verdade última de ti. Foge.


“Confusion in her eyes that says it all.
She’s lost control.
And she’s clinging to the nearest passer by,
She’s lost control.
And she gave away the secrets of her past,
And said I’ve lost control again,
And a voice that told her when and where to act,
She said I’ve lost control again.”



No acumular das respostas que se estendem aos meus pés nenhuma é a certa para mim. Nada se adequa a mim. E o mundo, os restos dele, quase que me são indiferentes.


Quase.


And I’ve lost control again.







(Joy Division – She’s lost control)

domingo, novembro 25, 2007

Poderia haver o caminho escolhido. O que sabemos ver antes de acordar. O mais fraco. O mais forte. O bem abençoado. O maldito. E depois? Será sempre o caminho. Que nos perturba a maciez da pele e o andar seguro. O que nos embeleza depois de um dia onde o cansaço se encosta a nós.
Gostava que soubesses. Sim, tu. Que te manténs onde a distância se situa. Gostava que soubesses que talvez seja a falta de um caminho a minha maior lacuna. A que mais me incomoda quando deixo de pensar. Porque é quando descanso a mente que tudo me pode arrasar.
Mudei. E é-me incerto se foi para melhor. Ainda sobrevivo, bem sei. Mas acomodei-me à estranha solidão que criei. Passou de crença a realidade. De fuga a espaço. E agora se me veres perceberás que continuo aqui. Menos próxima das pessoas. Em algumas alturas tão longe de mim. Ou da imagem que tenho de mim. Em dias mais nítida do que outros.
Poder-te-ia dizer que agora me podes visitar. Poder-te-ia dizer tanta coisa e talvez a maior parte seriam mentiras. A arte de mentir. Não a possuo porque nada possuo. Foi outra coisa que aprendi. Não sou senhora de nada. Nem de ninguém. E como tal vagueio perdida pelos escombros que eu própria ajudei a criar.
Esta noite seria uma boa noite para me levares a passear. Gostava que me desses a mão e no teu peito me esperasse um abraço. Daqueles que hoje me recuso a dar. Habito-me nesta cidade como já deixei de habitar o meu berço. O meu berço partido. Fragilizado. Tantas vezes odiado. Habito talvez o chão deste quarto. A sua madeira velha, a sua cama sem identificação. A varanda que me esqueço de visitar. Sei que habito. Porque me sinto nua enquanto aqui estou.

Sabes o que descobri recentemente? Esperava alguma coisa e apercebi-me da imensidão da descoberta. As noites assustam-me. Já não são as velhas camaradas de outrora. Já não são o aconchego esperado depois de um dia qualquer. Assustam-me e fragilizam-me. E quem é que está aqui? Ninguém. Roubaram-me as minhas noites. E de novo, as insónias também aqui. A habitarem um quarto sem a minha autorização. E depois de algumas horas a tentar enganar a verdade, o silêncio fecha-se sobre a minha boca e pernoita nos mundos que ainda não me nasceram.

Perguntas-me: que queres tu, miúda?
Respondo-te: quero o tudo que se rasga dentro do nada.


Pergunto-te: achas que peço muito?
Respondes-me: tens que primeiro merecer o nada para depois então mereceres um tudo.


segunda-feira, novembro 19, 2007

3

Estranho-te. A dispersão dos teus olhos. Esses olhos que testemunham a entrega. A nossa.
Hoje não bates à porta. O som da campainha já não te é familiar. Não és tu. Abres a porta com as chaves que eu te ofereci. No dia em que pela primeira vez foste tu quem vi ao acordar. O princípio do fim. Tu sabes.
Estranho os teus passos pelo soalho velho desta casa. Na distância que se quebrou com o contar do tempo. Perceberás tu que, por vezes, ao tentar que te afastes ainda te aproximo mais?
Vejo-te. E quanto mais te observo mais te quero perto. Na harmonia de que se fazem as horas, ás vezes. Guardo-te nas minhas mãos quando chegas. E aproximo-me. E fico. E nalgum instante permissivo estamos ambas aqui. Tu em mim. Eu sempre em ti.
Vens cansada das escadas, ofegante, cativante. E no beijo que solto sinto aquele cheiro, o cheiro da vida maltratada na tua pele. De novo, tu. E eu sou esta casa. A que te acolhe mais do que tu me acolhes a mim.
Vai. Quero que saias para que eu consiga preservar o que ainda é só meu. Absolutamente meu.

Chego perto. Subo as escadas e por cada degrau conseguido sinto um enjoo. Um acumular repentino de falta de ar. Paro de respirar quando poiso os pés no tapete da tua entrada. Ás vezes sinto que não consigo. Que não consigo superar esta barreira de madeira. Entro. Porque tu, tu do outro lado, puxas-me. Até aqui tudo me soa igual. É um hábito, sim. Em tão pouco tempo, os hábitos.
Entro e aí volto a respirar. E quando te vejo a meio caminho estremeço. Ainda estremeço perante ti. Todas as vezes acabam por ser a primeira vez. O início de tudo o que ainda não compreendo. Nos teus olhos algo. Algo de indefinição. Talvez medo. Talvez também sintas o sabor do hábito. A corrosão dos dias desta vida.
Hoje apetece-me beijar-te sem que tu me beijes. Querer-te e não sentir a reciprocidade. Não o percebes. Beijas-me e sei nesse instante que te sou. E que tu me és.
Queres que saia. Deste sonho ou pesadelo. Da incerteza que se mostra mais certa desta história.
Saio.

domingo, novembro 18, 2007

Ao Anoitecer






"I have something to tell you

I still know which are our stars"

quinta-feira, novembro 15, 2007

Alma distorcida

- O que é que sabes fazer?
- Foder e escrever
- E mais?
- Mais nada.
- E que projectos tens para o teu futuro?
- Ganhar dinheiro e escrever.
- E como pensas ganhar dinheiro?
- Sendo advogada e chulando os meus clientes.
- E achas isso bem?
- Nem acho bem nem mal, é a vida.
- Porque és assim tão pouco profunda?
- Já nasci de rabo para o céu e fodida.
- Não te entendo, nunca entendi!
- Ainda bem. Melhor os nossos caminhos se afastam.
- Fodes bem?
- Depende.
- De quê?
- De quem fodo.
- Fodias-me?
- Depende.
- De quê?
- De quanto pagasses.
- Puta!
- Puta não, Sra Dra Puta!

quarta-feira, novembro 14, 2007

2

Vejo-te a dormir, na perfeita frequência do silêncio. Quando de olhos fechados perturbas-me a quietude que desejo ter. Estás deitada numa cama com lençóis de cores indetermináveis, à tua volta os livros, as paredes brancas, uma janela ao fundo que te permite ver a arte da cidade. A escuridão parece mais vazia, mais negra, nas noites em que te quero mas não te consigo tocar. Dobras-te em imensidão nas várias posições que experimentas durante o teu sono. Estás à minha frente. Distante mas perto. Escrevo enquanto não estás. E quando estás e acordas e queres ver-me, eu não sou. Estou do lado de fora da porta. Do lado de fora de todos os espaços que conheces.



Sais. Nuns dias olhas para trás. Noutros esqueces-te dos lugares por onde os teus pés já passaram. Adquires novos conhecimentos à medida que tocas no chão. Limpo. Sujo. É o chão que te diz como te sentes hoje. O chão e a tua face ao espelho. A tua face como espelho da alma. Sais. Tens de ir. Não olhas para trás. Segues pessoas que estão à tua frente. Continuas o teu percurso. Para ti é sempre novo. Outro. Diferente do da véspera. Lembras-te do ontem? Ainda te recordas dos odores, da roupa, dos mapas incutidos nos teus olhos? Estou à tua frente. Conheces-me? Não. Segues em frente. Tocas ao de leve numa relva ainda molhada pelo resfriar do Inverno. Fechas os olhos. Vês-te deitada na relva. Gotas entranhadas na tua pele. Fechas os olhos e estás onde quiseres.


Durmo. Sei que durmo mesmo que sinta os teus olhos em mim. Nos contornos do meu corpo, deste corpo que tantas vezes deixo de sentir. Continuo a dormir e estás. Não te sinto a respirar. Podia acordar, hoje. E olhar-te também eu. Não te vejo, tu sabes. A minha cegueira não mo permite. Se me aproximasse, ficavas? Permitiras o tacto entre nós? Seguirias o meu andar pelas ruínas deste quarto. Acreditarias se te dissesse que em mim ainda existe luz. No fundo de uma gaveta. Num pedaço de tecido gasto. No mais profundo do que sou. Estou a falar. As palavras saem da minha boca. Ouve-me. Apenas hoje.

Entro na cidade pela porta da manhã. Os barulhos não me incomodam. As pessoas não existem. Sou eu no coração deste pulsar humano. Ando. Sigo-me pela calçada. Do lado direito. Do lado oposto dos sentimentos. Estou sã. Sei que estou. Os olhos estão demasiado abertos. Estão receptivos. Sou eu. Do lado de fora da avenida. Passeio pelo reflexo das lojas. Sigo-me. Não consigo seguir mais ninguém. Sigo-me a mim mesmo quando me esqueço de quem sou. E tu, sabes quem és?


Numa noite, numa em que te soubesse longe poderia pintar uma das tuas paredes.
Com o sangue das palavras.

Fechar-te os olhos para que saibas quem realmente eu sou.
Prender-te as mãos para que aprendas a me respirar.
Beijar-te o coração para que agora ele consiga reconhecer o que trago e o que lhe dou.






Aprender a saber como te receber. A permitir que entres neste espaço em que também o és. Vendar-te os olhos para que apenas sintas o melhor de mim.

segunda-feira, novembro 12, 2007

1

As nuvens hoje decidiram não aparecer. Não sei o que sentir quando os dias não estão cinzentos e a cor invade a minha janela. O meu bom dia ao mundo. De manhã não sei olhar. Percebes? Os olhos fecham-se e demoram tempo a mais a ver o que nasce. Não fales comigo pela manhã, não fiques à janela nem me batas à porta. Comunico contigo pela varanda. Eu dentro, tu em baixo na rua. Acenas. Sorris. E esperas. Esperas que eu tenha a coragem suficiente para descer. Gostava de falar contigo. Mas não hoje. O dia fere-me, sim os dias bonitos ferem-me. Mas gostava de falar contigo para além desta verticalidade.

A roupa está amarrotada por cima de uns livros velhos, não se nota muito mas estão gastos. Toco-lhes e estão gastos. Mortos. Não gosto de coisas antigas, gosto de livros novos, mulheres virgens. Quando lhes pego pela primeira vez tenho medo de os magoar. E se os abrir e as palavras tiverem fugido. Que seria do livro, novo, vivo que coloco ao pé dos outros. Cemitério dos livros. No meu quarto, num canto escuro.

Saio à rua. Tu já não estás lá por isso posso sair. Cumprimentar as pessoas que vejo todos os dias. Sorrimos todos. Reconhecemo-nos. Há muitos anos que vivo aqui. No prédio amarelado que antes não o era. Antes era vermelho. Um vermelho feio cheio de fendas. Agora é amarelo. Dizem que o amarelo é uma cor que traz boas energias. Eu não as tenho, fujo delas. Estranho tudo o que é bom. O melhor, o melhor de mim. Ser melhor pessoa. Achas que consigo? Tenho medo, medo das escadas que não desço. São muitas. Vou no elevador e fecho os olhos. Tremo sempre que as portas se fecham até se abrirem. Ás vezes andavas comigo de elevador e rias quando me sentias aflita. Eu fechava os olhos e muitas vezes sentia a tua boca na minha. A tua boca na minha. A que sabe agora? Podia saber a mel, sei que odeias mel. Sim, mel é o teu novo sabor. Sabor a vómito. A porta do elevador abre. Entro. Subo. Estou de novo no meu quarto. Fico à porta. Tenho que entrar.

Tenho uma caneta azul no bolso. Está quase no fim. Não deito fora canetas a não ser que não escrevam mais. Tenho uma caixa cheias delas. Prefiro assim. Não as dou não as empresto. São minhas. A minha colecção de canetas que depois vão para o lixo. Pediste-me que te escrevesse uma carta. Com a minha letra. Um envelope verde pediste. Verde como a relva. Mas não verde com a cor dos caixotes do lixo. Olho para ti mesmo que não estejas à minha frente. Olho e não percebo. Queres uma carta porque nunca te escrevi uma carta. Queres chegar a casa e na caixa do correio encontrá-la. A minha. Sem contas para pagar. Sem avisos de nada. Queres sentar-te na cama azulada e ler. Escrevo-te uma carta, sim. É hoje que te envio a carta. No envelope a tua morada. A tua morada. Já não a sei de cor. Já não sei nada de cor. De nós. Pego na folha e na caneta. E escrevo sem tirar a tampa da caneta. Escrevo tudo o que quero escrever. Deixei de ter receio de que não gostes. Se não gostares não falas comigo e já não te tenho à janela. Fora do carro ou dentro do carro. Escrevo. Carrego no ponto final e não assino. Tu sabes que a carta, a carta que queres receber é minha. Está pronta. Envio-te a carta escrita com a caneta com tampa. Sim, a caneta azul a da minha colecção. Sabes? Ofereceste-me uma vez uma caixa. Eu sorri. Estava feliz. Mas agora não sei o que estou.

domingo, novembro 11, 2007


Depois de tantas noites escritas em tantas outras divisões de uma casa o teu nome ainda. Na marca dos teus lábios na chávena de café. Uma chávena de uma cidade qualquer do mundo. Os teus sapatos favoritos por cá estão no lugar de sempre. Daquele sempre que jurámos ser possível. Depois de tanta coisa, da inércia das palavras e no abandono dos gestos, ainda o teu nome. Saberás tu lê-lo quando entrares em minha casa e o vires na tua lápide?
Sim porque foi na sala da minha casa que te deixei. Era o teu lugar predilecto, a tua passagem obrigatória mesmo nos dias em que entravas só para me dares um beijo e me entediares mais um pouco.
Depois de todos estes anos e no enfraquecimento de todas as memórias, ainda existe o teu nome algures por aqui.

quarta-feira, novembro 07, 2007

Não penses, é preciso que não penses. E continua de olhos abertos. Do outro lado da rua, estou eu. De mãos vazias e de cabeça levantada. Consegues ver-me? Saberás que sou eu se seguires os meus passos a caminho de ti. Sei que me vês.
Estou perto. Espera-me na tua rua.

quinta-feira, outubro 18, 2007

O poema publicado no post anterior podia ser meu. Mas nunca o poderia ter escrito, não saberia como fazê-lo. Este poema acompanha-me há muitos anos, tenho-o sempre na carteira. Li-o num canal de IRC e a pessoa que o reclamava seu tinha o nick Dreamer. Desde a primeira leitura que o senti mais dentro do que muitas palavras, do que muitos sentidos. Uso-o agora num momento em que as palavras me faltam e pouco haverá a dizer/acrescentar. Uso-o porque o sinto também.


Aquele abraço. Um dia. O sentirás teu, outra vez.


Até já

Ambição

"Isto não é um poema.

São palavras que não enchem o que eu digo
Que não cabem nos teus ouvidos de pânico
Pânico que sentes, em ódio, por te amarem

Porque nunca te amam o suficiente

E recusas, abandonas-te ao medo
Ao medo-paliçada sempre presente
Inexpugnável
Um presente que não é mais do que um passado
Porque não há diferenças
E não as há porque recusas
Com medo
E fugindo não tens tempo de sentir
Apenas sentir
A realidade do que tornas fugaz
Volátil

A verdade do Amor

Porque continuas a fugir e com medo
Que não seja verdade
Que não seja verdade que o amor que te dão
Seja amor
Seja desejo de morrer por ti
De viver para ti, por ti

Isto não é um poema

São palavras que não enchem o que eu sinto
Não exalam o teu cheiro de quando gritas
A tua voz de quando ris
A tua boca quando beijar uma outra parte de ti
Em outra boca
E o desejo fica por trocar
Numa febre entre o pânico e o delírio da fuga
São palavras que nunca ouvirás
Sem que te feches
Que para ti o amor é um sufoco
Daqueles que te amam e te querem fechar
Quando afinal és tu que te fechas
Sem confessar que andas perdida
Na própria clausura

E abrir é doloroso

É desejar o que não se tem
E concluir que nada se pode ter
Porque não queres acreditar

E ser crédulo é sofrer
Por isso te fechas cada vez mais
Buscando saciedade apenas no presente
Que já passou
E agora é diferente
Mas tudo permaneceu ainda mais igual,

Isto não é um poema

São palavras que não enchem o que eu choro
No meu choro de criança abandonada
Abandonada pelos teus olhos
Pelo teu calor
Que nunca foi mais que um fósforo
Hesitante, aterrorizado
De chama intensa e breve
Muito breve
Que se escuda na angústia do amor
Ou não-amor
Porque afinal és tu quem o não sabe
E és tu que fecha o amor dos outros
O teu amor nunca realizado
Dizendo que aquele te quer fechar;

Isto não é um poema

Porque não te entra pelo peito
São palavras que os teus olhos decifram
Mas o teu coração não entende fugindo

E os meus gestos já não cabem nestas linhas
Escritas em desejo
Escritas em amor e saudades e febre
De não ter mais o teu ser e fazê-lo florir
Ter o teu ser
No meu rumo

E antevejo-te abanando a cabeça
Pensando
“Isto não é um poema”

Mas isto não é um poema

Sou eu

Mas tu não me queres
A mim, que sempre fui o teu melhor verso
A melhor parte de ti
E estou em tudo o que conheces
Mas em nada do que vês porque escolheste a cegueira

E detestas-te, em terror,
O terror da morte de seres ninguém
Por não saberes afinal que és
Na frieza de um olhar caído

(perdido no tempo)."

sábado, outubro 13, 2007

Poderia ter sido uma história de amor com final feliz.

Lembro-me que apesar de ter tipo oportunidade para estar com outras pessoas e até de me envolver fisicamente e/ou emocionalmente, nunca o fiz. Existia sempre um qualquer impedimento. Algo que não me deixava avançar mais. Houve uma altura em que o queria muito fazer. Precisava, até. Mas fiquei quieta. Esse algo que sempre me impediu era o amor. É o amor. Ao contrário de ti, nunca quis, nunca lutei contra esse sentimento. Não foi ele que me desiludiu. Foi a relação, a turbulência diária, patética e que estupidamente sempre soubemos criar e perdurar. O amor vive livre em mim. O amor. Quiseste-o fora de ti, tantas vezes disseste que te fazia mal, que eu te fazia mal e comigo vinha tudo, não é? E agora eu nada valo, como ontem disseste.

É fácil depreender o quanto somos diferentes. Demasiado fácil, agora.
O que tu tanto te esforçaste para acabar eu sempre quis preservar. O que tanto te doía e fazia mal, a mim abraçou-me em muitas noites que não estavas presente. Sim, muito diferentes. Nós.

O momento de partir chegou primeiro para ti. E agora sou eu que, passo a passo, volto a mim, à vida, ao esquecer de uma desilusão, ao esquecer do amor. Já não faz sentido guardá-lo, pois é?



Vai e o que não foste comigo.

domingo, setembro 30, 2007

Cumprimento a vida, na razia dos anos que deixei de o fazer. Cumprimento-a enquanto me vejo ao espelho. Esforço as rugas e viajo para dentro dos meus olhos. A noite foi dura, as emoções aprofundaram mais uns metros as olheiras. Não me arrasto, não estou triste, por acaso, estou a gostar de viver. Como é que isso aconteceu? Foi talvez da negligência no amor que acordei, perdi fé numas coisas, ganhei noutras. Perdi fé em ti e ganhei em mim. O amor, ainda lhe sei o rasto mas não o seguirei. Porquê? Porque ele deixou de me chamar. Entendes? Sei que não. Ainda me choras? Espero que sim.

Lembras-te da última noite? Ou melhor, último dia. Foi o da despedida. Da despedida de alguma coisa, de certo. Acho que a verdadeira despedida já a fizemos há algum tempo. Se choro? Não. Se sinto um aperto no peito quando penso que já não estás cá? Sinto. Demasiadas vezes. E ainda se diz que não existe demasiado no amor?


Queria que me visses hoje. Que provasses o meu sorriso e sentisses que encontrei uma luz sem nome mas que me puxou do abismo. Pelo menos no agora. Não posso pensar na probabilidade de voltar a cair em abismos com sabor a podre. Não posso porque se o fizer esqueço-me do que sinto agora. Posso chamar felicidade? Sim, talvez possa.

Não me esqueço do teu nome. Nem do que me ensinaste nestes meses que foram um para sempre.

Chamo-te Amor.


Sê.

sexta-feira, agosto 24, 2007

Dia 24

Num dia não tão cinzento como este, sentar-me-ei à tua frente. Nesse dia já não haverão lágrimas presentes no teu rosto, nem rasto de mágoa nos nossos passos. Contar-te-ei a minha história, sem elevar a voz e sem descontrolar a respiração. Ouvirás com atenção o que te tenho para dizer. Nesse momento irás conhecer-me como julgas já conhecer. Mas estás errada. Julgas conhecer o interior do meu coração e a que velocidade corre o amor nas minhas veias. Julgas e julgas e a tua conclusão mais uma vez sai errada. Á tua frente tens o teu rumo, o rumo que dizes que fui eu a escolher por ti. As pessoas acreditam no que quiserem, e tu acreditas no que agora decides fazer. É a tua escolha, não voltes a pó-las nas minhas mão, é tua. Hoje e sempre.
No amor que dizes já não existir em mim, digo-te apenas:
Sê, porque ao seres encontrarás a tua luz.
Alguém com sabedoria disse-me:
Só se deve ficar ao lado de alguém quando sabemos que o bem que fazemos é superior ao mal que trazemos nos nossos gestos. Há tempo demais que te faço mal, que te rasgo por dentro. É por te Amar como amo que abandono o barco. É por te Amar que te liberto.
11 Meses.
Deixo-te o beijo prometido no parapeito da tua janela.

sexta-feira, agosto 10, 2007


Tenho uma relação difícil com os sentimentos. A instabilidade gere a forma como me relaciono e resolvo com eles. Da amizade tenho pouco a dizer, creio não ter aptidão para fazer amigos, desde muito nova que eram raros, hoje é cada vez mais difícil não, chamar alguém amigo, mas sim sentir que são realmente meus amigos. Penso que é necessário haver uma relação de dependência entre os verdadeiros amigos, coisa que não possuo. Quando ao Amor, durante anos, desejei viver um amor de conto de fadas, nunca aconteceu. A partir de certa idade criei uma particular abominação por esse sentimento. E ainda hoje, depois de efectivamente viver um, faz-me demasiada confusão histórias que me chegam ao ouvido e que presencio de pessoas que (quase) morrem de amor, que se esquecem do sentido da vida depois de verem o seu coração partido, pessoas que rastejam pelos dias em busca de um amor unilateral, pessoas que tem como sonho a concretizar serem correspondidas por uma pessoa que nunca as vai amar. E rastejam, e ao rastejaram perdem o melhor da vida que, a meu ver, é sermos. Principalmente sermos em nós para podermos ser nos outros. Pessoas assim não são nelas próprias apenas são tapete gasto e revolto na porta das pessoas que dizem amar até voltarem a serem terra, unicamente terra infértil. O amor é algo bonito, preciso e que tanto nos pode fazer bem como mal. Também existe o amor que tanto é bom e mau na mesma proporção e deixamos de saber identificar esses dois extremos englobando tudo na mesma coisa.

Muitas vezes penso que não sou pessoa para Amar. Porquê? Porque para mim o Amor não é o esquecer dos seres individuais que somos, não é estar constantemente a ceder por ciúmes, possessão pela pessoa que amamos e está connosco. Não é ceder por coisas que no final do dia não transformarão o amor em algo mais pequeno. O Amor para mim é exaltação do que duas pessoas são individualmente e como se inclui isso numa relação. Não é a saudade que se tem constantemente da pessoa. Nem o amor a pulsar dentro do peito. É sentirmo-nos bem connosco próprias, é agirmos também por nós, pelas nossas vontades e saber que nada do que se faz esbate ou diminui o amor que sentimos. É Sair à noite sozinha porque nos apetece a solidão numa discoteca. O Amor não é o tempo que as pessoas amadas estão juntas, não é as vezes que se falam durante o dia, não é corrermos 7 dias por semana para os braços uma da outra. Não. O amor é em todos esses momentos a pessoa sentir que ama e é amada. É num momento que dura um instante sentir todos os sentimentos a aumentar a uma velocidade vertiginosa. É tanta coisa que não se vê ao primeiro olhar.

Não é só a mágoa do mal que causamos uns aos outros, não são as lágrimas que nos derrearam, não são as discussões que tantas vezes nos levou para espaços distintos. É o amor que eu sinto mas que nunca se concretizaria no ideal de relação dos nossos dias, dos teus sonhos, da tua vida. Mereces muito mais de alguém que te diz amar, mereces o amor de todos os dias, as noites dormidas lado a lado, os planos em conjunto, as viagens e as férias juntas, uma casa a partilhar. Mereces isto porque é o que te precisas para te sentires em pleno mas eu, meu muito amor, não te posso dar isso. Não sou eu, e eu deixei de fingir e de calar. Estou cansada de me negar, é isso que percebo agora, que a vontade de ser contigo uma só pessoa levou-me a ter sonhos que não são meus, que não sou eu.


Arrependimento do que vivi contigo, do amor que senti, do amor que me tiveste? Nenhum.
Foste das melhores coisas que me aconteceu e muito possivelmente não terei um amor com a intensidade do que tive contigo.

É com lágrimas e com consciência que escrevo. É com o amor que me rasga o peito que me despeço.

quarta-feira, julho 11, 2007

Ás vezes gosto de ti, outras não. Num minuto pode haver esta variedade de sentimentos. Não é algo estranho em toda esta existência. É quase rotineiro. Talvez goste mais de ti quando estás longe, quando sei que dessa distância atlântica não me poderás magoar. Quando estás perto aí percebo o efeito destrutivo que tens em mim. Fazes-me querer desaparecer ou querer que tu desapareças. Tudo seria mais fácil.

Não posso negar a existência de amor entre nós, seria demasiado irreal. Tu nem notas como me transtornas, como contigo não sei ser eu, aliás, não sei ser ninguém, sinto-me nula como pessoa. Será que te apercebes que nós nunca conversámos? Nunca debatemos sobre nada, o começar de um debate apenas quer dizer uma única coisa, que vamos elevar a voz e pouco mais.

Sei que precisas que esteja sempre perto de ti, vês-me como um bem precioso a proteger, sou o bem mais valioso da tua vida e tens medo de me perder. E prendes-me, sempre o fizeste. O que mais me dói é que tu não sabes quem eu sou nem como eu sinto. Para ti talvez ainda não tenha idade de sentir, ainda sou uma criança, a tua criança. E quiçá deveria gritar o que sou, o que sinto, como tu, tantas vezes, me fazes querer desaparecer ou fugir para melhor viver. Mas não consigo, preciso de ficar a uma distância segura mas, fugir não. Possivelmente és-me vital mas nunca perto, isso seria o fim. O teu ou o meu. Dramatismo a mais? Não creio. Cobardia, é a melhor palavra. Cobardia que é minha por não te enfrentar e cobardia tua por teres medo do que possa sair de mim.

Sabes, o mais provável é isto continuar até ao fim. Até ao último respirar. O teu ou o meu.

segunda-feira, julho 02, 2007

II

A minha patroa tem ar de leoa faminta mas por vezes faz um ar que quase dá para acreditar que é filha de Deus. Quem acreditar nisso está simplesmente enterrado para a eternidade, a mulher sabe bem como utilizar os seus dons, nem posso dizer que seja o dom da sedução, é mais uma forma de fazer as coisas quase pela calada que a leva a chegar aos destinos mais rápidos. Sabe-la toda, mas eu também sei. Detesto manhãs, detesto os sorrisos de algumas pessoas logo ao entrar na empresa, então se vierem com muita vontade para conversa, nem vale a pena se aproximarem de mim, que levam com o meu ar de Diva que faz de conta que é arrogante que até estremecem. Detesto aproximações matinais mas quem sabe ser original merece um desconto. E a patroa merecê-lo.
Estou eu sentada, na minha cadeira monstruosa de cabedal preto o que é muito chique mas no verão irrita-me a pele, com uma saia tão apertada que nem sei muito bem como me sentei, quando me batem à porta. Concerteza que aqui a Diva não se iria disfarçar de menina estagiária e levantar-se para atender. Portanto não gostando eu de disfarces, digo que podem entrar. Uma mulher deslumbrante, em que toda ela quase que é decote. Uma mulher de ar misterioso mas que se nota que é uma boa fodilhona. Gosto deste tipo de mulheres, não dão quase confiança alguma para te aproximares, mas se souberes dizer as palavras adequadas e fazeres um sorriso que lhe chegue ao sexo, um encontro escaldante está garantido. Continuando, ela entra apanhando-me desprevenida, nestas situações entre leoa versus leoa aquela que está sentada está sempre em desvantagem. A leoa patroa dá lá pela desvantagem, e aproxima-se de mim.
- Bom dia, devia saber que é proibido nesta empresa, usar saias tão curtas e tão justas.
- E é proibido porquê Sra. Directora?
- Porque aqui prima-se pela concentração dos trabalhadores e não por métodos de distracção.(eu levanto-me e posiciono-me bem à sua frente)
- E diga-me, que parte do seu corpo, é que está mais distraído neste momento?
- Talvez seja melhor, a menina averiguar por si própria, e depois entregar-me um relatório.
- E essa averiguação é para agora?
- Agora mesmo, aqui nesta empresa, gostamos de pontualidade e dedicação.
A conversa entre duas leoas, é assim, cheia de enigmas e provocações sempre muito bem disfarçadas. Senão como seria falar em público? Leoa que é leoa prima pela discrição, ainda mais se é lésbica ou das que papam tudo.
Voltando à averiguação.
Na linguagem de leoas o “para agora” quer dizer na linguagem dos Homens(ui este H maiúsculo dá-me vontade de rir), que tem de ser em jeito de rapidinha. Assim nestes casos é sempre bom ter um encosto. Pressiono-lhe o corpo na secretária, enquanto envolvo as minhas mãos no seu corpo, beijo-lhe a sua boca alagada em desejo, contendo em mim a vontade que tenho em lhe rasgar as roupas. Desço com a minha língua até às suas mamas, mordo-lhe quase que levemente os mamilos, e oiço uma voz a dizer-me para ir directa ao som. Só esta expressão “directa ao assunto” deixa-me com uma vontade insana de lhe esventrar o sexo. Viro-a levantando a sua saia para cima, as cuecas não me controlo e arranco, como resposta a este movimento brusco, recebo um gemido bem tesudo, preparo terreno com uma rápida mas eficiente massagem clitoriana e entro dentro dela com os meus dedos, sinto-lhe o desejo a abrir caminho, sinto-a a escorrer de tesão. Pressinto que ela tem vontade de gritar, e ponho-lhe a mão na boca, nunca parando de a comer. Passados breves instantes, o seu corpo todo estremece, e o seu cu para de se roçar no meu sexo. Presenteou os meus dedos com um orgasmo de leoa.
Voltou-se para mim, satisfeita com a averiguação pontual, pegou nos meus dedos e lambeu-os com os seus olhos concentrados nos meus, tentando captar em mim algum sinal de fraqueza, não o conseguiu. No jogo do fodilhanço não existe partes fracas, existe apenas aquelas que dão a conhecer o seu prazer e aquelas que sabem disfarçar muito bem. Eu sou uma das últimas. Ela faz uma expressão de quem está desiludida e eu dou-lhe um beijo que se ela estivesse atenta poderia transmitir o quanto estou excitada. Enquanto acaba de se arranjar, diz que quer o relatório para logo à noite, que passa na minha casa, para o ir buscar. Eu faço sinal que sim com a cabeça e volto a sentar-me na minha cadeira.Gosto do andar de uma mulher que acaba de ser fodida. Gosto da leveza dos passos e da satisfação do corpo.

sexta-feira, junho 22, 2007

Sem dúvida o sorriso.
De todas as coisas que me talham a ausência é o sorriso que me faz mais falta.
Aqui neste espaço temporal onde nos desencontramos.
Do tudo ao nada nenhum cemitério terá as medidas suficientes para acolher o nosso amor.
Diz-me:
Qual o tamanho do teu amor?

quinta-feira, maio 24, 2007

I

A história dos amantes. No meu caso, a história das amantes. Quase que tudo na minha vida se reconduz a isto. Presentemente até o trabalho. O meu despertador mental já tocou, aliás fartou-se de tocar a noite toda. Quando alguém invade a minha cama, não consigo dormir bem. Tenho pesadelos que depois se tornam realidade. Nos meus pesadelos estão a sufocar-me. Na realidade dos meus tristes dias, todas as mulheres que chegam a dormir na minha cama, passam a sufocar-me. Que vida a minha, devem vocês não pensar.
A tipa que hoje dorme a meu lado, tem umas formas que eu acho perfeitas, a puxar para o latino, não foi a melhor foda que já tive. Mas foi a que gritava mais alto. Não achei grande piada, confesso. Prefiro ouvi-las pelos movimentos do corpo. Os gritos desconcentram-me, prefiro então calá-las com algum tecido e vir-me à vontade. O sexo, como tudo na vida, precisa de concentração. Eu preciso de me concentrar nas coisas que gosto de ver. Se vejo algo que não gosto, lá se vai o tesão – e lá se vai a foda. Mulher que fode sem tesão é mulher que não se tem em consideração ou seja mulher que se preocupa mais com os outros do que consigo própria. Eu que primo por falar sempre na minha pessoa em primeiro lugar, quando o tesão se desvanece por culpa de algum defeito da outra que se encontra por baixo de mim, eu termino tudo. Sou uma empata-fodas das gajas que fodem comigo. Gosto desta ideia.
Bem, voltando à tipa. Durante dois anos cruzámo-nos todos os dias. Nas festas da nossa empresa comíamo-nos com os olhos. Apenas nas festas, nos outros dias, seria não ético. Como se a ética impedisse alguém de foder. O único pormenor interessante nesta história, é que a tipa é uma das minhas directoras, ou seja, uma das minhas patroas. Não, não me assina os cheques no final do mês, sim cheques, são dois que recebo, mas dá-me ordens, assina os papéis ao final do dia. Anda sempre em cima, quase que se deita na minha secretária quando fala comigo e pavoneia-se toda a andar. E sabe andar muito bem, não o posso negar. Também vos tenho a dizer que não são só os homens que usam as casas de banho do serviço para se masturbarem. As mulheres também o fazem. E geralmente nunca vão uma de cada vez.
A minha patroa é a única mulher entre a chefia. Feminina e esbelta ao ponto de ter todos os homens casados aos seus pés e ter todas as mulheres cheias de inveja. Eu, inveja, não tenho, também não estou aos pés dela, por isso entendemo-nos bem. Ela vem cá de vez em quando (acho que é a terceira vez) e ás vezes encontrámo-nos nos hotéis dos finos. Paga ela, diz que não se sente bem, ganhando mais do que eu, em me deixar pagar. Eu acho piada, digo-lhe que sou a puta dela, portanto espero que ela pague. Ela sorri, eu apalpo-lhe o rabo e vamos (in)satisfeitas da vida pelo elevador acima.
A razão para nos encontrarmos nos hotéis, é apenas uma: A tipa é casada, com um gajo porreiro, que me acha muita piada. E caem-lhe gotas de suor, quando me vê com um dos meus brilhantes vestidos. Eu provoco-o, porque assim ela também se sente provocada. E eu gosto. As nossas fodas são descritas como reuniões tardias com clientes e com outros directores.
O marido sabe bem que ela o trai, vejamos o porquê, ele utiliza a mesma justificação para as suas fodas. Casal mais feliz do que este? Não existe.Daqui a minutos o despertador cá da casa toca. Ela acordará e irá me arrastar para a banheira com ela. E eu irei, e terei um bom dia como os que gosto.

terça-feira, maio 08, 2007


Tenho os lábios com o gosto de lágrimas ressequidas. As que já não choro, as que já não me deitam abaixo.

Continuo a escrever-te e a falar-te. Principalmente em sonhos. Tem a sua piada, não achas?

Tenho saudades tuas. Demasiadas. E toda a felicidade que já senti foi incompleta. Custa-me o não estares, o não ouvires, o não falares. Custa-me esta ausência transformada em ferida.

Preciso que saibas que nem a desilusão sentida faz com que desapareças. Porque por cima de toda a tristeza, mágoa, saudade está o amor e amizade que sinto por ti. És insubstituível.

Gosto muito de ti, Madinha linda.