terça-feira, abril 17, 2007

Mind the gap



































Queria lá estar, neste momento, a correr os dias em que cheguei novamente a ser feliz. Andar pelo metro e no andar de cima dos autocarros, sentar-me na primeira classe dos comboios. Ver o big ben ao anoitecer, sentar-me num parque qualquer, beber um ice drink de chocolate do starbucks ou café Nero. Jogar cartas com vocês até tarde, fazer planos dos nossos dias, acordar a teu lado mais uma vez. Faz-me falta esta cidade, e o que ela me transmitiu.
Quero lá voltar, quero lá ficar.
Pudesse eu não ter voltado a Portugal...

Quando chegámos ao ponto de não nos sentirmos admiradas, incentivadas, desejadas, adoradas, amadas


o que fazer?



Quando achamos que isto é o melhor que vamos receber


o que fazer?


Quando os sonhos se derrubam, o amor-próprio se interroga e tudo te entristece e morre por dentro de ti?


O que fazer?

segunda-feira, abril 16, 2007

Retalhos do coração

"E tive-te, atrás do espelho, todas as manhãs da minha vida. Porque foi sempre para ti que me quis bonita, mesmos nos dias escuros. É em ti que penso, quando escolho a roupa ou escovo o cabelo, todos os dias. Na possibilidade de te encontrar, no acesso de uma esquina. Lisboa é tão grande e tão pequena - porque não havia de te encontrar? Queria ser eu mesma, nesse encontro. A mesma, com a luz das rugas que não faltavam no tempo em que nos metíamos por dentro do corpo um do outro como se sozinhos fossemos apenas pedaços de um corpo mutilado."


Inês Pedrosa in Fica comigo esta noite

sábado, abril 07, 2007

Para nós.

segunda-feira, abril 02, 2007

Para Ti.

Porque quer seja em inglês ou em português fico sempre, mais perto de ti, quando a oiço.

Gosto.

Queria poder iluminar o escuro que me acontece todos os dias, as lutas diárias que faço comigo própria sempre, até haver sangue. Na maioria dos casos consigo-o. Mas até mesmo dentro de um sempre existe intermitências, quebras, desilusões.

A verdade é que contigo até o mais difícil desliza melhor, soa melhor. A tua presença traz-me alguma paz mesmo com a tua impaciência a roçar constantemente na minha, mesmo com o teu mau feitio que se desdobra sempre em dois, mesmo com os pequenos infernos que passamos quase todos os dias. É bom estar contigo, nem que seja em silêncio, porque sim, eu gosto do teu silêncio, às vezes é o que desejo mais, mas raramente consigo mostrar o que quer que seja.

Apeteceu-me dizer-te que gosto, definitivamente, gosto de nós.

segunda-feira, março 26, 2007

Quando a música terminar, a tua voz continuará a entoar as minhas palavras. Não haverá um fim com ponto final.
É no derrame do teu corpo que o desejo se senta e aguarda o caminho.
Aguarda-me à tua janela, mesmo quando o frio te arrebate, eu aparecerei com lágrimas ou a sorrir.
Quando tudo se tornar irreversível, saberás distinguir
o meu riso
o meu gosto
o meu toque
o meu medo
a minha insegurança
a minha vontade
a minha certeza
o meu Amor
do das outras pessoas?

quinta-feira, março 15, 2007

Não sei como dizê-lo, a ti, que encontraste do lado esquerdo da minha cama o teu poiso. São tantas as histórias que te podia narrar, sei que perceberias o que te queria dizer mesmo que não fossemos as protagonistas. Mesmo assim sei que não partirias. Que embeberias o prazer contínuo das minhas mãos e continuarias a cultivar na terra molhada do meu corpo o teu espaço.



Outro dia. Que não próximo da amargura que me palpita os olhos. Gostava que dos nossos corpos nascesse algo interminável, que todo o espaço existente entre nós se rendesse ao quente que me embala o coração.


Noutro dia que não este tudo seria possível mesmo que apenas por palavras escritas.

segunda-feira, março 12, 2007

No hoje

A diferença parece residir
no facto de tu quereres/precisares expulsar
cada resíduo meu existente
em ti
e eu querer e fazer por conservá-los em mim.
E assim
o Amor
o nosso
como eu sempre acreditei
será
Ad Eternum.

sexta-feira, março 09, 2007

Esta noite.

Abro a janela e a porta do quarto. Abro todos os poços que estão dentro de mim. Deito fora, pela quarta vez, as beatas que escurecem o cinzeiro. Bebo água desejando que fosse vinho tinto. Fecho os olhos querendo que já fosse um novo dia. Escrevo e apago palavras. Escrevo-te e não respondes. Tenho a cabeça a andar a uma velocidade assustadora e não prevejo stops ou cedências de passagens, não sei se respeitaria os sinais mesmo que eles existissem. Não sei nada. É um facto. Sinto. Sinto o presente agarrado ao passado e não me consigo libertar de ti. Libertar-me das memórias que ainda me mostram o que é sorrir, que ainda me transmitem sons e sabores da felicidade experimentada por mim. A teu lado, só a conheci a teu lado e foi também a teu lado que tudo terminou. O que sinto neste momento, contudo, não é novidade. Fui talvez a última dos meus amigos a passar por isto. Sei o que se passa, sei de cor estes sinais todos. A todos aqueles que passaram por isto, disse que o tempo acabaria por cessar ou acalmar a dor. É o que me vai acontecer. Daqui a muito tempo, retomarei a minha vida. A minha vida sem ti. Uma vida que será apenas minha. Seremos amigas, não é? Amigas. Seremos o que não fomos na nossa relação e cada vez mais negra é a luz que me diria que ainda é possível o retorno a nós.

Mais um dia. Mais os olhos se afundam. Mais as mãos se arrastam na tentativa de te sentir. Dentro de mim. Não consigo ouvir-te dizer que me Amas. Já não o consigo ouvir. Desfaço-me de cada vez que tento encontrar um caminho para ti e não consigo. Não consigo. Percebes? NÃO CONSIGO!

Esta cidade está amaldiçoada. Passei a odiar esta cidade. Passei a odiar a minha nova rotina. Passei a odiar as minhas almofadas. Até o meu cabelo ficou sem jeito desde que tudo aconteceu. Nada disto faz sentido, não faz sentido este Amor a pulsar e a crescer aqui dentro e não o poder entregar e juntar ao Amor que também vive dentro de ti. Nada disto faz sentido.

O Amor não vence incompatibilidades, não vence o passado, não ensina, não destrói, não acaba assim.

O Amor não faz sentido se não o poder viver contigo…



Esta noite... não poderia estar sozinha.







nightwish - ghost love score

Bonnie Tyler - Total Eclipse Of The Heart

Meat Loaf - I would do anything for love LIVE

Antony and the Johnsons - My Lady Story (live)

Antony And The Johnsons - Hope There's Someone

terça-feira, março 06, 2007

De madrugada

Procurei-te e mais uma vez não te encontrei.













Deixei de saber dormir descansada.

terça-feira, janeiro 23, 2007

Até já

Há quem pense que gosto de me repetir. A minha massagista particular ainda ontem me disse, sem grande novidade para mim, que sou obcecada. Que era uma das minhas características. Característica defeituosa, repondo-lhe. Pois bem, é verdade. Mas o direito à defesa é um direito consagrado à luz da nossa Constituição, e eu sou uma cidadã. Aqui não interessa se eu sou uma psicopata ou se sou uma católica fervorosa, que não passa sem idas diárias ao confessionário. O facto relevante é que sou cidadã. E vou defender-me. Não sou eu que sou obcecada, as coisas é que vêm até mim e não me largam até eu ficar assumida e escandalosamente obcecada por elas. Esta é a verdade. Mas como já me disseram, um dia, a verdade serve para alimentar apenas a alma e não é alma que te vai impedir de seres crucificado. Pronto, confesso, ninguém me disse isto, inventei agora.

Repeti tanto que me cansei. E o blog foi-se saturando cada vez mais. A escrita, a meu ver, passou a ser um terror. Passou da busca pela satisfação das palavras, à insatisfação de não saber o que dizer. É triste. Deprime-me ter de assumir que, afinal, e de forma irremediável, tudo tem um prazo. Escrever já não é a segunda melhor coisa que sei fazer. Nem a primeira. Deixou de ter lugar no pódio, nem a bronze se safa. Parece-me que o que ocupa agora a primeira posição é mesmo saber Amar. Não fui eu que o disse. Não me critiquem. Mesmo nisso não sou perfeita. Se alguém me disser que o é no que respeita a Amar, fuja. Não tenho paciência para a perfeição. Incomoda-me e aborrece-me.

Existem fases maravilhosas na nossa vida, mas mais importante ainda são as coisas que têm a capacidade de nos acompanhar nessas mesmas fases. Este blog é um dos melhores exemplos disso. São dois anos e pouco de testemunhos, de devaneios, de desabafos, de muito boas partilhas que extravasaram a virtualidade. O “Sem título”, não sendo excepção, chegou ao fim, da melhor maneira, de braços dados com o Amor. Não poderia desejar melhor destino que este. No entanto, não o vou retirar deste espaço e o mais provável é que o continue a usar sempre que as palavras me permitirem dar asas a esse sentimento. Já não será um blog em crescimento, será um palco de recordações, ao qual recorrerei muitas vezes, na esperança de poder reviver tempos idos que me são queridos (Bendita obsessão).

Queria agradecer a todos aqueles que me acompanham desde o primeiro dia, aqueles que por aqui passaram ao acaso, aqueles que partiram sem deixar rasto, a todos os anónimos, aqueles que no silêncio sempre por cá permaneceram, e por último, não posso deixar de agradecer a todas as pessoas que me inspiraram e me impeliram a escrever. Esta foi uma viagem que não esquecerei.

Deixo-vos no final o endereço do meu novo espaço, espero não vos decepcionar com a mudança mas, na verdade, como sou eu que tenho de me aturar, não posso é decepcionar-me a mim mesma.

Um bem-haja e um até já a todos.



Extravios, Lda
http://extravioslda.blogspot.com
P.s. Um especial agradecimento à M. (http://myprecious-thing.blogspot.com) pela paciência e ajuda prestada na personalização do Extravios, Lda.

quinta-feira, dezembro 21, 2006

Tu.

“Suga-me este desejo que se me entranhou no sexo, esta vontade de ser possuída por ti que me alimenta a alma. Prende-me o corpo contra a parede da imoralidade e, entra dentro deste mundo que é teu. Profundamente teu.” – Sms enviada a 21-12-06








E as saudades apertam-me. Derrubam-me os sorrisos. Angustiam-me. Rasgam-me. Enlouquecem-me. Fazem-me tremer à noite. Entristecem-me quando acordo durante a noite e tu não estás. E a cama não é a minha. E a almofada não é a minha. E falta-me o teu cheiro. A intensidade dos teus beijos. O enternecer do teu abraço. O quente do teu corpo. O teu brilho. O teu riso contagiante. Advinhar-te os olhos e saber que sou a Tua Mulher, a Tua Casa, o Teu Mundo, a Tua melhor Descoberta. O desejo que se espelha nos nossos corpos quando nos fechamos uma na outra.


Faltas-me tu que és Vida e Felicidade.
Que és O Amor

segunda-feira, dezembro 18, 2006

Espero-te ...








Nesta ilha onde o frio é quase inexistente a não ser aquele que sinto todas as noites ao estar longe da minha casa. Do meu lugar que é nos teus braços.
Vem rápido porque as saudades apertam e me desintegram.
Vem porque os dias, agora, são também teus e precisam de ti perto, muito perto.
Esta ilha agora também é tua, como os cactos que estão plantados á porta da minha(nossa) casa.

sexta-feira, dezembro 08, 2006

Era uma vez


Duas Mulheres.

Que se apaixonaram.
E se consumiram em desejo - interminável.
E redescobriram o Amor.
E...


Quero que haja uma só vez.
Única.


(Que dure para todo o nosso Sempre.)




Por vezes os caminhos desnudam-se de ti e eu embriago-me por dentro do que sou.
Distraindo-me. Esvaziando-me. Escurecendo-me. Mas tu és o caminho. O meu.
Volto todos os dias a nós. Não se trata de uma escolha, mas sim da Escolha.

domingo, novembro 26, 2006

"All that I am, All that I ever was It's here in your perfect eyes, they're all I can see (...)"

Nos teus olhos eu desfaço-me dos terramotos.
Dos restos sanguíneos das minhas batalhas interiores.
Dos degraus que se sobrepuseram aos meus sentires.
Das memórias que desafiaram tudo o que sou.

Agora perante os teus olhos
Acordo e Sou na extensão de uma vida partilhada
A que começamos a construir.

É aqui, no pulsar destes dias,
Que me renovo,
Que me entrego como pela primeira vez
Que te desejo com uma energia sempre nova
Que te desenho no meu corpo,
Que te estendo a minha boca
Para que ao me beberes
Engulas tudo o que em mim habita.


Acendo velas de palavras
Para que me encontres

(Sempre)

em presença

(ou)

em ausência.






Não te esqueças, Meu Grande Amor, que aos teus olhos eu sou Vida e rio que nasce de Ti.

quarta-feira, novembro 22, 2006

F(r)icção I

Dois rasgos de peles que se enquadram numa figura de cheiro a trovoada, movida pelas paredes que são fotografias a preto e branco. Dois corpos estendidos pelo chão onde as mãos são cobras que serpenteiam pelos escombros bebidos em suor. Caminham palavras molhadas em desejo latente perpetuado nos passos que se tacteiam à medida que a noite se esconde pelas horas de um tempo irreflectido.

Esperam-se em abismo as bocas que se lançam ao coração, que escorrem pelas línguas como silêncio abundando sentires, que se imaginam almas eternas num abraço que é dado na ausência premeditada do nascer de um novo dia. O seguinte.

E agora, impacientam-se os toques, a harmonia. O quente que ferve por entre as pernas alagadas em gestos esquecidos. Devoram-se as esperas reveladas nos rostos cansados de quem vive o fim como nova forma de acordar.

Os corpos afastam-se. Ressentem-se dormentes ocultando o que não exprimem. Sorriem, enfrentando o medo, sorriem no instante em que as almas brincam distraídas, em que nada ficará na memória. Nada do que foi vivido.

Despedem-se com a certeza que algo morreu naquela efemeridade onde o desejo se cruza com a solidão.

segunda-feira, novembro 13, 2006

Verão de S.Martinho

A noite de ontem. Melhor dizendo, a madrugada de ontem. Sorrio porque nos revejo nas constantes fracções de segundo em que a loucura toma conta de nós. Em que regressamos aos tempos selvagens das primeiras noites. Aos densos momentos em que o tempo volta a parar e não nos questiona mais.

Agora, vestida de ti, sinto, ainda, o rastilho puro do desejo. O nosso desejo. Que nos agarra pelo corpo e nos flui pela mente, quando o teu corpo sobe pelo meu e deixamos de saber como regressar à realidade. O teu corpo que fecunda raízes no meu sexo. O teu corpo que se esvai em tragos de luxúria quando as nossas línguas ganham ritmo conjunto e dançam incessantemente. A força da intensidade que nos arrasa e nos deixa prontas para encararmos a morte. A morte de mais um dia. O nascer de mais um orgasmo. Irrompes em mim como verdade inquestionável. E eu irrompo em ti como um novo acreditar. Tomo-te a boca e devolvo-te toda a Fé inexistente nos últimos anos. Sabemo-nos, assumidamente bem de mais para nos deixarmos de beber. E saboreamos a mudança. A nossa mudança mútua. O inicio da nossa vida. Até que o tempo passe a ser encarado apenas como algo inevitável neste viver.

Somo-nos.






(Achas que a garrafa de vinho tinto que está na dispensa chega para fazermos 31 brindes?)

domingo, novembro 12, 2006

Memórias de um Sábado.


Fazes surgir em mim vagas de fascínio. Por ti, unicamente por ti.
E esse teu sorriso cultiva esferas de vida em mim, Meu Amor.
Regresso ao jardim e ás gaivotas e vejo-te de máquina fotográfica na mão, na busca da perfeição, perfeição essa que te nasce, tantas vezes, nas mãos. Nessa força que te desnuda aos meus olhos e me faz não te negar nada.
Regresso ao ontem e tenho de te dizer que eu não consigo disfarçar o que de extraordinário nos acontece. O magnetimo dos nossos olhos. A busca feita pelos nossos corpos, que nos atira uma para a outra. É impossível resistir ao poder deste Amor.
Cresces-me e vives-me em plenitude.
Mesmo no amanhã.

quarta-feira, novembro 08, 2006

"Capricho"

O texto que vou publicar em seguida foi-me escrito por alguém com uma importância inquestionável na minha vida. É um texto que adoro mesmo que tenha partes não tão agradáveis. A sua veracidade é incontestável talvez por isso me diga tanto como diz.

“E nunca mais te atreveste a escrever-me.
Sim, porque os teus escritos não passavam de grandes atrevimentos com um destinatário.
Não sabias nunca ao certo por que escrevias.
Mas também não questionavas demasiado. Acomodavas-te ao teu capricho de tenra idade e eras feliz. Por momentos.
E por momentos acreditavas existir no espaço do teu destinatário.
Ouve, já pensaste em rasgar todas as cartas e incendiar o sentimento? Duvido, pois trata-se do teu capricho e tu és a "autoridade máxima do próprio coração"!
Enfim. . . como se fosse possível ditar regras a esse miserável.
Hoje findaram as lutas, as palavras e as crenças.
Tudo porque decides que já chega. É impressionante como consegues atropelar os sentimentos tão facilmente.
Chego à conclusão de que nunca sentiste foi nada. Ansiavas tanto por sentir que inventaste um nome para tudo, à tua maneira.
Sim, porque se não for à tua maneira, "não presta".
Que coração tão idiota, esse.”
Data de Agosto de 2006

domingo, novembro 05, 2006

"There's only one love. It's only one love, and it's only your love."

Meu amor, chegaram os dias de tempestade ao meu corpo. Gotas grossas de desespero se ancoraram por dentro de tudo o que construímos e reconheço a corda que te puxa para longe de mim. Reconheço a sua amplitude e a maneira como nos corrói por dentro. Reconheço-me aí nesse espaço que agora é só teu. Nessa angústia de sabermos que raramente conseguimos fugir desse aperto. Dessa esfera pintada a vermelho que nos fecha por dentro. Nos faz transpor para dentro de paredes espessas e quase que intransponíveis. E os dias corromperam-se e os planos começam a flutuar. Nada é hoje como era ontem. E o amor agarra-se à pele bolorenta das almas para sobreviver. Para não se deixar ir no rio dos medos, das inseguranças, das perguntas agora tão mais presentes. O nosso amor. O amor que nenhuma de nós desejou. O amor que nos fez nascer de novo. O amor que agora se vê emalhado em nós cheios de obstáculos, de testes à nossa força, a esta nova forma de fé que criámos. Renascemos naquela madrugada numa nova religião. A nossa. E realizámos agora que não nos bastam as rezas. É preciso mais. Um querer. Um desejar. Uma força maior do que tudo o que está à nossa volta. Algo feroz mas profundo que não nos dê outra saída que não seja vivermos isto. Entregarmo-nos ao que nos borbulha no coração. Ao que nos agride a pele quando não estamos juntas.

Acredito-nos como nos vivo. Com uma intensidade inesgotável. Com uma vivacidade que não me deixa atingir o corpo com o cansaço e confesso-me mais tua agora, mais tua na dor que existe, mais tua nesta guerra que está lançada entre a sobrevivência e um viver para além disto tudo.

Assumo-nos crentes deste novo - para sempre - que se prende nos meus lábios sempre que os teus os bebem. Provam-nos como se não houvesse amanhã. Mas existe um amanhã e outros mais. Existe porque no dia em que fugir seja a única solução credível aos nossos olhos, não o conseguiremos fazer porque só saberemos reconhecer o nosso caminho. O meu até ti e o teu até mim.

Não existe nada que me mova disto. Nem mesmo quando te vejo perdida e achando que não nos conseguirás escolher.

"Want to tell you "I love you" cause I really do. Want to give you the answers if you ask me to. Want to leave your door for the last time, want to leave the floor for the first time. Leave the girls, leave it all behind... trust your dreams, your thoughts it's a matter of time.Run right, run left, just don't look back... Take this trip as your first step. Because the tears that we waste only make us blow...everything is perfect from here. and you know I need you there. "

"You said "- I want to die for you"... You cry and I'm repeating all the stories again. You're stading there for so long and it's so hard, that I finally found, it's heaven in your eyes. Innocence? Why? Why we survive? It's you, and your three million ways to make noise (to make me smile) You really don't know, you really don't see, you really have got a light, I'll found you..."

Letras 645 e Nice and sweet dos The Gift

terça-feira, outubro 31, 2006

Mais um dia.






"Quando te observo, ao longe, percebo (ainda) mais o quanto te amo. O que és para mim. Por dentro. Em tudo o que sou."
- 27-10-06






Nada em mim mudou desde que descobri que sei Amar. Que sei desejar. Uma só pessoa. Que sei foder e gostar ao mesmo tempo. Que sei estar num relacionamento sério. Que sei adormecer e acordar vários dias seguidos com a mesma Mulher. Que sei falar de tudo o que me enaltece e corrói por dentro. Que deixei de fingir. Que me entreguei toda deixando de lado as amarras que me castravam. Que comecei a pronunciar as palavras (sentido-as) que me causavam enjoos matinais e alergias constantes. Que compreendi que afinal o meu coração principal não é o meu sexo (não agora. Não contigo).
Que não consigo conceber já os meus dias sem ti.Que é insuportável a ausência que nos é imposta diariamente (embora também necessária e saudável).Que a minha boca ressente-se quando me afasto de ti todas as manhãs.Que todo o meu corpo assume-se teu.
Desde que me é impensável a ideia de te perder, de fraquejar, de provocar o fim.Desde que tudo o que me nasce por dentro tem o teu nome e apenas conhece os caminhos que me levam até ti.
Fora isso, continuo a ser uma cabra insensível, com rasgos de agressividade, egoísta com uma dose imensa de narcisismo, puta, carnal, intolerante, fria embora não gelada, impulsiva, com um ego (quase) sempre prestes a rebentar, snob e um mau génio pronto a ser contemplado.
Ou seja, continuo a ser a mesma miúda, a única diferença é que o que tenho de bom multiplica-se em tamanho e essência desde que estamos juntas. Desde que me soltaste e me fizeste nascer de novo. Em ti. Em nós.
Meu Amor.

terça-feira, outubro 24, 2006

“(...)
Take me, cure me,
kill me, bring me home
Every way, every day
I keep on watching us sleep
(…)
My fall will be for you
My love will be in you
If you're the one to cut me
I'll bleed forever “

Nightwish – Ghost love score


E reencontramo-nos hoje, pela madrugada, com os corpos expostos à loucura desmedida dos últimos dias. À mesma hora. Com as palavras, desta vez, mais silenciosas. Com o esganar dos corpos, menos compulsivo, mais calmo. O cansaço alastra-se, por ora, e não sabemos se irá ter sossego nos próximos tempos. É uma questão que foge à racionalidade, tu sabes, eu sei. É algo mais forte do que isso. Nasce-nos no corpo, fica-nos nos poros, a nossa mente também é culpada. A insaciedade é crónica em nós. E continuamos, sabendo já, que não temos cura. Que isto é doença. E a única forma de nos sentirmos melhor é, prosseguindo neste caminho. E vejo-te, como muitas vezes acontece, com esse teu ar de menina que quer doce. E esses teus olhos, verdes de férteis, que me procuram, quando a noite já se sentou e nos quer levar para outro sítio qualquer. Vejo-te, com as tuas mãos, que abraçam este corpo que é teu, no deslizar desses teus lábios embebidos de sensualidade, pelo meu pescoço, na segurança que as tuas palavras me oferecem e me alimentam dia após dia.

Não te consigo deixar de pensar, arrebatas-me por completo, nestes sentires que me entram pelo corpo e permanecem por cá. E a ausência que nos é imposta, maltrata-me e faz-me enlouquecer por dentro. Esta vida, precisa de ti. Este é o teu espaço, e nos meus olhos encontras o mundo. Vem, meu amor.

quinta-feira, outubro 19, 2006

Encontraram-se numa certa noite. De um ano qualquer. O espaço temporal tem a importância que lhe damos. De resto pouco importa. Porque acresce ao momento. Ás vezes apenas traça um limite. Ou dois na nossa maneira de ver as coisas, que geralmente é a errada. Mas que sei eu? O suficiente.

Encontraram-se num bar de uma ruela com traços cinzentos de tristeza e nuvens vermelhas do sangue espalhado pelos corações partidos. Sorriram, fingindo o conforto inexistente. Tocaram nas mãos, e as respirações aumentariam a cadência daquela noite. O brilho que era notado nos seus rostos ébrios. Entraram. Sentaram-se com os corpos encostados, timidamente, encostados. As palavras eram o gelo de um congelador qualquer. Podia ser o de uma delas ou das duas. E o fogo escondido nos sexos daqueles corpos pretendidos, não era suficiente para moldar aquele gelo entorpecido.
Pediram bebidas ao empregado de cabelo descomposto, cheiro intenso a um desinfectante qualquer, olhos suspensos numa droga comprada noutra ruela esquecida de Lisboa.
As bebidas chegaram, os corpos mexiam-se com uma delicadeza não justificada. As bocas falavam, agora sim, num transe de quem se quer calar e viver, mastigar o alimento que nos é oferecido no silêncio das vontades que se querem adormecidas (Pensamos nós, que a facilidade das coisas, adormece certas questões (i)morais).

Uma das mulheres, aproxima-se trémula, desvairada, na explosão que é eminente, no perigo que lhe persegue a pele, lhe rasga a sensatez, e acelera o batimento cardíaco do sexo, na humidade que arranha o tecido que lhe protege o desejo. Aproxima-se, escondendo os lábios tensos na pele que se prolonga por detrás da orelha, firmando palavras desconexas com a realidade mas embrenhadas em sentires avessos, prostitutos. Alonga as suas mãos na incoerência que se estende no corpo da outra mulher, os seus dedos revelam segredos na pressão dos dedos que dançam sobre a pele, sobre os poros que se abrem à medida que os arrepios se pernoitam.

O bar escurece. As pessoas não se apercebem do que está a acontecer. Ninguém se apercebe nem elas próprias. Daqui a poucos minutos, elas chegarão ao limite. Deixarão de se preocupar com o que as rodeia. Irromperão pelos seus corpos adentro, não resistindo ao apelo dos sentidos, ao que lhes está por debaixo da pele. Serão uma da outra pelo menos esta noite. E viverão. E os corpos pela primeira vez serão compreendidos. Serão tendencialmente satisfeitos. A noite pesará menos. Tudo pesará menos. E olharão a vida como há muito não a olhavam. Sorrirão e talvez no fim se abracem no entendimento revelado, no encontro das suas vontades. Talvez tudo mude, esta noite.

sexta-feira, outubro 13, 2006

Tu – minha Mulher.

Eu – tua Menina-Mulher.

Somos-nos
Reconhecemo-nos
Inteiramo-nos
Abrimo-nos
Assumimo-nos
Alimentamo-nos
Possuímo-nos
Invadimo-nos
Quebrámo-nos

Tu singular, na minha pluralidade.
Eu certeza, nos teus medos.

Duas. Sempre Duas.

Sexta-feira 13 – Um dos nossos dias. Por dentro de todos os outros que ainda não iniciámo-nos.

Os teus olhos abrem-se
No silêncio
Do que sentimos.

E as madrugadas são os beijos que nos fecham do que nos atinge.

Brindemos à indefinição, a que demos um nome, no último suspiro de um orgasmo.

(Lê-o nos meus lábios)

segunda-feira, outubro 09, 2006

(Re)nascer


Este dia. Esta tarde. Tudo se multiplicou em mim. O destino ficou-nos nas mãos. Deixámos de controlar e a palavra "fugir" começou a desaparecer das nossas visões. Encarámo-nos, vivemo-nos, respirámo-nos, confundimo-nos nisto que agora é nosso.
Deixei as teias no passado. Apaguei os medos e sinto agora em mim uma coragem que até então me era desconhecida. Que estes dias se prolonguem na esfera das nossas vidas. Que as nossas palavras nunca percam o seu sentido. Que os prazos se esqueçam no tempo. Que o sermos seja tatuagem nos nossos corpos.
Alimentamo-nos nesta viagem intemporal, com o reencontro sempre presente sejam quais forem as partidas. Os erros. Os desentendimentos. Saber-nos-emos, sempre, neste magnetismo que nos detém juntas.
O agora é mais do que hoje. É para além do amanhã. É tudo o que queremos e sabemos que vamos ter.

sexta-feira, outubro 06, 2006

As palavras cansam-me. Quando leres esta primeira frase, vais pensar para ti: “Quem diria...sendo tu uma miúda tão faladora”. E apetece-me sorrir ao imaginar-te. Não, não vou começar com os devaneios atordoantes. Não vou dar rasgos à loucura. Não me apetece escrever. A escrita é sobrevivência, mas é bom morrer nestes intervalos, preciso-os também. Como preciso de ti. Neste momento esperas-me, o teu corpo ressente-se da minha ausência, apenas de minutos. Poder-te-ia contar em silêncio a forma como rasgas toda a minha vivência até agora. Como me enalteces os momentos. E os sentidos. Hoje senti-nos a respirar.

E agora?

Daqui a horas despedimo-nos. E já me alucina a ausência. A perda. A premonição que isto só vai aumentar a intensidade. O desatino. A inquietação. E agora sim, vamos sentir-nos a enlouquecer. Querer e não querer. Sentir e não assumir. Ir e voltar. Perdermo-nos sabendo que temos na palma das mãos as direcções todas anotadas. Decoradas. Assimiladas.


Leva-me de volta aquele pôr-do-sol e demora a trazer-me de volta à realidade.


Fecha os olhos, pressente a cadência da minha voz ao teu ouvido e ouve-me:

“Não existe outro agora que não o nosso. Esqueci-me da palavra “temer” no ontem. Fiquemos. Aqui. Por ora. Ou mais, no nada que nos é tudo.”

sábado, setembro 30, 2006

História de Embalar

"A tua verdade é tão frágil...parece que é fantasma.
As omissões são mais imperiais.
Cadências.
Mentiras mutantes."
- P.F




Era uma não só vez, uma Puta. Dormia nas masmorras do meu coração. Dormia em véus de desejo. Fumava cigarrilhas francesas. Bebia vinho tinto. Lia pouco. Falava muito. Fodia outros corpos menos crentes que o seu. Gemia em silêncio. Gritava em loucura. Dormia abraçada ás presas expostas no seu talho pessoal. Sorria muito. Soltava gargalhadas infernais. Alimentava-se de banquetes com tons negros de orgasmos.
Nas suas folgas de caçadora infalível atirava-se às mamas de mulheres ingénuas que viviam com o terror de serem novamente magoadas. E morriam orando ao Deus Nosso Senhor que lhes salvassem o coração partido e lhes devolvessem a alegria de viver (que sem o amor se perde, tenho ouvido eu dizer(Posso-me rir?).
Nas madrugadas das suas ditas folgas, metia-se dentro da banheira e afundava cada vez mais os seus sonhos à medida que sentia a excitação no meio das suas pernas. Sonhos de outras vidas. De outras faces que pretendia encarnar. Sonhos que morriam na água que a lavava.
(Se, por um acaso, se perguntarem se isto faz algum sentido, posso desde já adiantar que não, não existe qualquer sentido nisto, apenas se trata de um acaso. Um acaso da escrita.)

quarta-feira, setembro 27, 2006

Regresso(te)

Entrego-me em raízes ao teu corpo, enquanto te rego com a língua as profundidades que escondemos de nós próprias. Solto-me quando me beijas a alma, devagarinho contrariando a intensidade do que vivemos. Sinto-te por dentro quando a tua respiração se prende ao meu ouvido e oiço-te em palavras que não dizemos.

Amanhã retomarei o nosso caminho e tudo fará sentido.

Tudo.

sábado, setembro 23, 2006

Deito-me nesta mesa dos pressentimentos, de nudez colada a uma madeira escura pernoitada de luz que antecipa o nascer de um dia. Mais um, na contagem decrescente da leitura da minha vida. Ou quase vida. Rastejo as minhas mãos pelos caracóis desconcertados que se ficam pelos meus ombros calejados de beijos raivosos, penetrantes.
Trago em mim os cheiros de Outubro, das folhas secas que me ferem o corpo em desatino de desejo, de quebras desalinhadas de lábios fundidos pela minha pele arranhada de perdição nos tragos de luxúria que encontraram aqui o seu leito.
Procuro-me com a ponta dos dedos como se seguisse um rastilho de pólvora pront0 a ser despertado, atormentado com o receio de explodir. Sigo-me pausadamente, como se a ponta dos meus dedos fossem os teus emprestados, cedidos à vontade nossa de me liberares, de me ouvires pronunciar as palavras que anunciassem o meu nascimento.
Encadeio-me em sons que são silêncio sequestrado na minha garganta, sufoco nesta ausência que me prende o calor ao corpo e faz-me revirar apoiando os meus seios estonteados ao vidro embaciado da mesa, enaltecendo a pressão nos joelhos aguardando que tomes posição neste espaço e me esventres a solidão do meu desejo. Depois de sentir-me presenteada desenfreadamente pelo cansaço de todo o meu corpo, dar-te-ei a beber o que ainda me resta nesta espera desinquietante que é me sentir descoberta pelos teus olhos.

terça-feira, setembro 19, 2006

Nasceste submersa nas verdades que tento esconder. Nas mentiras que invento para as conseguir acreditar. E no fundo eu já não sei quem sou. Sei que sou má pessoa. Sei que nada em mim me impede de magoar os outros. Sei que quero, quero muito mas a meio caminho já me fartei do que me espera, do que sei que vou ter. Não consigo deixar de querer, e isso tens de saber que é verdade, é esta a minha natureza. E tudo o que quero vou conseguir. Porque para além de o querer, sou forte o suficiente para o concretizar. Com muitos entraves, com muitas dúvidas. Nem sempre à minha maneira mas consigo. E isso é que me faz dormir descansada (ou não). Já to disse uma vez, visto todos os dias a pele de um camaleão e sou todas as pessoas que queres que seja. E poderei fugir dos outros à vontade. Ninguém me irá conseguir apanhar. Conhecer. Arrancar de mim o meu coração. O amor que duvido que exista em mim.

Preenches-me a carne dos desejos sem nunca me alimentares. Não me queres alimentar. Não me queres deixar provar o prazer da insaciedade. E eu gosto desta guerra. Deste destino que nos sai das mãos, que deixou de pertencer às nossas vontades racionais. Gosto como se abortasse um orgasmo. Ou dois. Ou todos os que fazes crescer por dentro. No interior do meu ventre.

Um dia. Apenas um só dia, eu permitirei que me tomes. Que te escrevas na minha pele. Que me alimentes sem me viciares. Que me sorrias sem te dares. Que me beijes sem me atormentares. Que comas o meu coração inteiro. Um só dia. Só assim conseguirei acordar no outro dia e sentir que posso estar sem ti. Sem amarras. Sem as memórias a invadirem-me o corpo com o teu cheiro. Com as tuas mãos a concretizarem-me.

Um dia, nada mais do que isso.

sábado, setembro 16, 2006

Entreabres-me o ventre com a fúria que antecipa a satisfação máxima que não existe sequer. Aguardo-te na impaciência que não sei fingir, e faço orações aos deuses dos desejos para que não te demores. Para que encerres já esse teu jogo que criaste para me tentares controlar. Neste momento em que te aguardo, estou-me a foder para os teus jogos e se não tens coragem para me possuíres como eu gosto, então nada estás aqui a fazer.

terça-feira, setembro 12, 2006

Encontrámo-nos em mais um dos meus desencontros. Retorno às tuas mãos quando a vida me pára. Quando a vida deixa de fazer sentido. Deixas-me entrar, sempre o deixaste, nesse pormenor de amor perfeito que não existe mas que não deixas de o fazer crer.
Acolhes-me quando o silêncio se impõe como destino último e lês-me palavras antigas que descobriste, por um acaso, na tua livraria favorita. Fazes listas do que ainda não fizemos juntas e no meu peito desfolhas beijos com sabores tardios de madrugadas neste verão já quase findo. Depois sorris quando me enfureço e me desenho bruscamente contra as paredes, sorris da minha insatisfação entorpecida. E quando me deixo cair no chão com o rosto de menina a brotar nos meus olhos, lanças gargalhadas que me sossegam a histeria.
Quando a noite está quase a desaparecer estendes uma manta cinzento velho pelo chão da tua sala e estendes-me a mão, abraças-me e dizes-me que daqui a horas eu estarei bem, de volta com as palavras presas à alma e no meu mais alto auge. E eu deixo-me ficar nos braços da tua serenidade, bebendo os sorrisos que me dás a conhecer.

A manhã chega e eu estarei bem. Deixarei a tua casa sem uma única palavra, sem um único sinal de agradecimento e sem demonstrar a ternura que sinto por ti. Tu não estranharás mas não me sorrirás e sei que o meu renascimento será resultado da mágoa que te irá acompanhar o resto do dia.

Embora me custe, não sei abandonar esta minha estranha forma de ser.

sexta-feira, setembro 08, 2006

Massagem sem ética

Entrámos em tua casa. Entrámos naquele espaço só teu. Percebi-te em todos os recantos. Existias em todos eles com rasgos de memórias de outras pessoas. Trocámos olhares. Trocámos sorrisos de peles quando propositadamente nos sentíamos. Levaste-me até ao teu quarto, até à tua cama que se dividia em duas. Despi-me das roupas que me prendiam o calor, pedi-te ao deitar-me para me tirares o soutien. Assim o fizeste, deixando-me a pele a palpitar de arrepios. Começaste a fazer a massagem que te pedi e que à muito estava prometida. Senti as tuas mãos a caminharem tensas pela minha pele e à medida que me queimavas os sentidos, sentia-te também com a respiração mais ofegante. Paraste por minutos, voltaste e sentas-te no outro lado da cama à minha frente. Levantei a cabeça, deixando-te anteveres os meus seios, sorriste atrapalhada. Também gosto de te ver atrapalhada e ligeiramente provocada. Pus-me novamente em posição para te sentir em mim, sabendo, que aquela massagem, tinha à porta um letreiro em que se lia “Massagem sem ética”. Continuaste a deixar-me desfrutar dos alongamentos das tuas mãos….deitaste-te em cima de mim…senti-te mais perto. Senti-te com as temperaturas elevadas. Sorri de olhos fechados, como se não estivesse a perceber nada. E sei que te perguntavas o porquê de não reagir mesmo que soubesses que o faria para te provocar. Para te começar a levar ao limite. Dizes-me ao ouvido: “esta parte não faz parte da massagem” e apetecia-me dizer-te que nada daquilo fazia parte da massagem, mas fiquei uma vez mais em silêncio. Virei-me para ti. Quis que me visses toda. Começamos na troca de provocações. Com os nossos corpos mais juntos…roubaste-me um beijo e com a minha colaboração nos confundimos. Não deixei que me beijasses mais. Sabes como gosto de controlar tudo. Sabes e gostas. Pediste-me um abraço. Disse-te que teria de ser a fingir. E demos um abraço a fingir. Sentimo-nos mais perto, sentimos os movimentos dos corpos uma da outra. Irrompeste pelos meus seios, pelos meus mamilos. E a tua respiração….tão descontrolada ao pé da minha.

- Queres sentir o meu coração? (perguntei-te com a inocência que perdi há muito)
- Sim quero.

(pego na tua mão e ponha-a no meu sexo)

- Puta!

E sou. E gosto de sê-lo contigo. Mas o meu coração principal é o meu sexo e tu que me apelidas da pessoa mais sexual que conheces, já o deverias saber.

Afastei-me de ti. Fui para o outro lado da cama. Com o sexo em fogo. Com o corpo a precisar de ser fodido. Mas não era o momento. Não seria naquele dia em que nos iríamos acontecer.

Levantei-me e comecei a vestir-me. Tiraste a t-shirt e vi os teus seios. Vestiste o soutien, e eu chamei-te para perto de mim. Tirei-to e bebi dos teus seios que me cegavam os olhos. E retomei a vestir-me. Saímos de tua casa e fomos almoçar.

Se fores à tua agenda, irás reparar que marquei outra massagem para a próxima semana.

quarta-feira, setembro 06, 2006

Vens falar comigo, vens-me falar do teu amor, do que esta tua nova relação te trouxe. Dizes estar feliz. Dizes que nunca antes tinhas conhecido tamanha felicidade. Dizes que nada poderá derrubar este amor. Porque o amor verdadeiro não se derruba. Falas-me que vivem juntos. Falas-me dos jantares que fazem a dois. Falas-me dos fins-de-semana de loucura. Falas-me que o sexo nunca foi melhor. Para ti tudo o antes não foi um nada de viver. Agora sim isto é viver.

Vens até mim, e eu oiço-te como a grande amiga que sou, e adoro saber que estás feliz, mas preciso de te avisar sobre o amor, sobre esse teu estado de felicidade que julgas inabalável:

Esse teu amor não é eterno, acabará, e quando acontecer tu vais cair, vais deixar de acreditar na vida. Vais deixar de acreditar nas pessoas. O amor para ti igualará a morte. Vais-te esquecer de ti. Vais fechar-te em casa. Sexo para ti será a mesma coisa que nada. Poderão entrar de ti que só um nada sentirás. Sim, para ti tudo será indolor. A partir de agora.

Porque o amor é assim. Preciso de te avisar, que o amor dá-te a provar o melhor que existe. E depois ele foge, acaba, morre – porque é assim que as coisas são…e depois viverás com o desespero de estares num fundo de um poço negro…e as pessoas chegarão até ti, e falarão contigo e a única coisa que tu vais dizer para ti será: Estas pessoas são tão diferentes de quando eu vivia o amor.

Porque tudo é diferente. Os dias. As horas. A forma do teu corpo na cama. A textura dos teus lábios. A humidade do teu sexo. A fragilidade de como se vê as coisas. As palavras caem no vazio. O coração fica eternamente fechado. Tudo é diferente, até nós somos diferentes, porque quem prova o melhor que há deixa de saber viver no depois.

E dizem que o amor é a melhor coisa do mundo. Preciso de te avisar que depois a vida não será a melhor coisa do mundo.

Nem tu.

domingo, setembro 03, 2006

A mulher chegou ao quarto já passavam das seis da manhã, nas últimas quatro horas tinha feito de tudo um pouco. Devolveu-se à serenidade que o álcool lhe parecia dar. Recolheu-se às palavras dos seus livros predilectos. Dançou as músicas que tiveram sucesso na sua adolescência. Embriagou-se de emoção ao tentar saber se a vida agora teria um sentido. Um só rumo. Masturbou-se tentando assim enganar a solidão dos seus dedos, do seu corpo magro, gasto. Nesta noite tentou enganar-se a ela própria. Mais uma vez.

A sua casa era branca. Num branco sujo rabiscado de memórias das coisas que nela estavam atulhadas. Coisas que na verdade não tinham a sua identidade. Não eram suas. Pertenciam às suas pessoas. Deixava-se aconselhar, deixava que os outros partilhassem consigo os seus gostos particulares e na angústia desmedida de sentir, fazia desses mesmos gostos os seus. E quando já os tinha adquirido gabava-se que se tinha apaixonado por tais coisas. E os outros sorriam, achando que tinham um grande sentido de persuasão ou muito bom gosto. Sorriam, as suas pessoas.

A sua vida era uma farsa, eram as únicas palavras que dizia a si própria nas suas muitas conversas para tentar matar as insónias. Sim era uma farsa, e dizia aos seus amigos, que agora seria outra pessoa. Porque ela era uma outra pessoa. Mas ninguém sabia, nem ela mesmo sabia. Os seus amigos, com gestos surpreendidos, diziam que só o tempo poderia fazer com que eles reconhecessem esta nova pessoa. E ela na tentativa desesperada que eles a ouvissem dizia para dentro que o tempo era a ilusão dos que precisavam de desculpas.

Daqui a dois dias, iria destruir tudo o que não era seu, achando que assim também iriam embora os últimos restos da outra mulher. Da outra assinatura que vivia na sua pele. As que os outros gostavam. A verdadeira – diziam eles. A falsa – sentia ela. O seu apartamento deixaria de ser branco. Deixaria de ser cheio. Deixaria de ser um espaço para convívio entre artistas. Pseudos. Porque os verdadeiros artistas não têm espaço próprio, tem vários espaços, aqueles que se escondem pela arte que criam.

Existiu uma partida. Definitiva. Ela sabia que sim. Mas vivia ainda na crença que a mudança ainda poderia acarretar regressos. Ela queria aquele regresso. Queria. Mas sabia, com mágoa, que ele não era mais do que um sonho. Daqueles com muitas cores. E sem um trilho de branco.

O quarto perdera a sua luz. Tudo perdera a luz. Com a partida.

E agora com os retalhos esquecidos de orgasmos sentidos nos lençóis, ela deitava-se tentando estabilizar a sua alma. Em vão. Nos próximos dias tudo seria em vão.

Até a morte.

sexta-feira, setembro 01, 2006

No depois-amor existe um período de negação
não do que nos morreu
mas sim do que nos restou.

terça-feira, agosto 29, 2006

Acordou nua com o corpo como prova dos movimentos, dos sons ensurdecedores de dois corpos unidos pelo prazer. Quis abrir os olhos e ver a pessoa que estava deitada a seu lado. Quis ver quem ali estava e respirar de alívio. Não queria que o prazer que o seu corpo latejava fosse resultado de apenas um sonho. Queria não estar sozinha naquele dia. Queria falar ou apenas sorrir. Queria ali alguém, mesmo que soubesse que a realidade levaria essa pessoa horas mais tarde porque para si aquele seria o resultado esperado das suas saídas de sábado à noite. Uma noite de sexo nada mais que isso.

Abriu os olhos e olhou para o lado esquerdo da cama, os seus olhos abriram-se mais ao verem um corpo nu, um corpo bonito enfeitado com marcas de outro corpo, de outras mãos, dentes ansiosos por carne humana. Reparou nos cabelos curtos castanhos-claros com traços leves de vermelho, reparou na forma como aquela pessoa dormia. Gostou estranhamente, gostou. E naquele momento assaltou-a um instinto de ternura e quis abraçar aquele corpo anónimo, que lhe ponha vontades nas mãos, que lhe acelerava a sua respiração. Quis mas controlou-se porque tudo na sua pessoa era controlado. Era algo nato. Controlou-se, virando-se para o outro lado, vestiu-se calmamente sem mais nunca olhar para aquele corpo. Aceitou que aquele era o fim e saiu daquela casa que não era a sua.

quinta-feira, agosto 24, 2006

"And then I looked up at the sun and I could see
Oh the way that gravity turns on you and me
And then I looked up at the sun and saw the sky
And the way that gravity pulls on you and I, on you and I"

Quisemos crescer dentro das palavras, daquelas que semeámos, tentando com isso cortar com as amarras quebradiças do passado. Do que nos corre pela respiração. Fizemos de nós, o elo de ligação, a virtude da sobrevivência. Unimos as mãos tentando com isso provar que agora será diferente. Que o medo poderia nos morrer. Que o amor poderia deixar de se arranhar nas paredes e renascer na nossa cumplicidade.

Quero que pares. Quero que me olhes e tenhas certeza do que sou. Em ti. Em nós. No que durante tanto tempo escondemos. Preciso dessa certeza, tens que entender…
Agora é o tempo de pararmos, de deixarmos de arranjar desculpas, outras pessoas, outros contratempos.

Nenhuma história vai esperar por nós. Nada espera por nós. E o nosso caminho há muito que está feito, precisámos sim de o agarrar.
Mais do que nos entranhar por dentro, mais do que nos sentirmos, mais do que tudo o que existe, é preciso decidir.

Deixei de saber esperar por nós. Não o suporto mais.

Já não me conheces o suficiente?
Já não sabes que me ferem os minutos?
Esta vida que se prolonga?

É agora
Este momento

Preciso que decidas
Que me abraces
Que me cheires
Que me deixes ficar em ti

Porque no amanhã
Já nos perdemos


De novo
Sempre
Até que deixe de haver espaço para nós

Para os nossos nomes
Para tudo o que poderia nascer.


Sei de ti
Nesta ausência
Que me vinca a alma.


Agora

terça-feira, agosto 22, 2006

Noite de Verão

A noite começou como uma normal noite de Verão. Precisava de libertar os demónios dos últimos dias, e a ideia de ir beber um copo com as minhas amigas, não me soou nada mal.
Entrei no bar já usual das noites de Agosto. Vi-te logo ali a socializar perto da entrada. Revisitaste-me os olhos. Já nós tínhamos cruzado algumas vezes, mas a tensão nunca permitiu qualquer aproximação. Até esta noite, em que as palavras precisavam de som e os corpos de alento. Continuamos observando os passos uma da outra, as nossas amigas eram o pretexto para não arriscarmos qualquer aproximação. Até que o teu olhar se permaneceu de mais no meu e dirigiste-te à casa de banho. O instinto levou-me a seguir-te. Sentia o pânico a engolir-me os pés mas tinha que ir ter contigo. Abri a porta e estavas encostada a uma parede negra com poesia escrita a tinta branca. Tu e as palavras. Gostei demasiado da combinação para contrariar as minhas vontades.
A minha boca assaltou a tua num ímpeto que não dava para ser controlado. As minhas mãos prenderam-se às tuas ancas e a força do corpo obrigou-nos a entrar dentro de um dos compartimentos. A rapidez do desejo que nos ameaçava nem nos deu oportunidade para perguntarmos os nossos nomes. Naquele momento isso era o que menos importava.
Sentia a tua língua a embriagar-me, sentia-te a criar em mim novos desejos. As minhas mãos agarraram-se ferozmente às tuas nádegas enquanto sentia o meu sexo a latejar cada vez mais em desejo. O teu corpo colou-se ao meu e cravei-te beijos inquietos nos teus ombros. Viraste-te e pregaste o meu corpo já quase nu à parede, abriste-me as pernas e rasgaste-me o sexo de prazer. Enquanto te movimentavas dentro de mim, perguntaste-me se queria ir para tua casa. Respondi-te que sim depois de me dares o orgasmo. O primeiro daquela noite.
Arranjaste-te e disseste que me esperavas à porta. Logo a seguir encontrámo-nos.
Dentro do carro, dei de beber à sede que se ancorou na minha língua, e já em tua casa algemei-te a alma ao sexo e dei-te prazer até amanhecer.

Presenteaste-me com a melhor noite deste Verão. E eu dei-te a conhecer o que o teu corpo pedia e tinhas receio de lho dar.

Ficamos ambas a ganhar.

sábado, agosto 19, 2006

Chego a casa, com a luz a pressionar-me o corpo ao descanso. Chego após mais uma noite de sedução, de esbanjamento de olhares, de troca de palavras viciadas em vista de um único resultado: descarga corporal. Existe um jogo, uma disputa, uma argumentação que está preparada ao mínimo detalhe e que não tem hipóteses de falhar. Tudo está descrito na minha mente. Cada palavra. Cada sorriso. Cada toque. Tudo elaborado subtilmente de forma a ganhar o seu espaço sem que a outra pessoa repare. Ás vezes o jogo tem sucesso, e temos companhia no máximo para um mês. Mais do que isso é proibido. Tudo começa com um jantar, um lugar que surpreenda, que eu conheça bem para não haver qualquer tipo de deslize. O sucesso está em surpreendermos sempre. Causarmos espanto e surpresa mas nunca sermos surpreendidos. Se isso acontecer, está tudo condenado a um fim muito mais rápido. Do restaurante, passámos para um bar com música calma com vista para o rio. Sem carros. Apenas táxis. O toque começa aí, na parte de trás do táxi, cria-se o ambiente, com a articulação certa das palavras, com a respiração bem controlada, com o contacto entre os olhos sempre presentes, captámos a atenção e a mão poderá dar um pequeno avanço, poderá se descair. Nervosismo é coisa que está fora de moda, e não pode ser usado. Confiança é outra palavra-chave. A confiança é uma das virtudes do charme mas nasce mais cedo. A confiança escolhe as pessoas, possuía-la é algo muito dispendioso, quase que nos assassina a alma. Não a trocaria por nada. É um bem necessário. Molda-nos tudo. E a partir daí possuímos a arte de conseguirmos também moldar as pessoas como queremos, sem nunca estas o perceberem. Se o conseguirmos fazer, merecemos os aplausos finais. Merecemos o corpo nu estendido à nossa frente, pronto a ser mutilado em suor gasto, despejando o nosso desejo por todos os seus poros. Do nosso orgasmo nascem os outros orgasmos. Multiplicam-se, porque a arte também está em saber o ouvir o corpo das vítimas. Ele nós dirá como o deixar viciado, pronto a ser mutilado as vezes que o desejarmos. O corpo leva a mente aonde nós o desejámos e o resto o tempo fará.
Do restaurante e do bar, passamos a uma rotina de fazer crer. Fingir que essa pessoa faz parte da nossa vida. Fazê-la acreditar que está a viver algo de muito especial, que ela própria é especial. Afinal o que lhe oferecemos nós? Felicidade momentânea que lhe pertence durante um mês. Talvez nunca mais a venha a provar. Serviço público eficiente é o que nós fazemos. Deviam-nos agradecer. Mas isso não acontece. Portanto quando esse mês acaba o melhor que temos a fazer, é pegar nas nossas coisas e mudar de espaço. De linhas da cidade. Assim evitámos ser testemunhas de alguns suicídios ou testemunhas do nosso próprio massacre. Sim porque depois de provar tamanha felicidade, as pessoas enlouquecem e acham que a vida acabou. E talvez tenha acabado. Deixem lá. Temos outras vidas para viver, isto se acreditarem claro, se não acreditarem, então esqueçam não há fé para vocês, o melhor é mesmo matarem-se.

Aleluia.

quarta-feira, agosto 16, 2006


Deito-me nos sonhos que o teu corpo me dá a descobrir.
Deito-me sobre essa tua alma vazia de interrogações, cheia de entrega.
Preciso de ti. Preciso de me agarrar aquilo que me dás.

Mesmo que eu nada sinta
Mesmo que eu saiba que isto não tem futuro
E que vou ter que partir

Mas agora é disto que preciso
De sentir que te tenho
Que és minha

O meu egoísmo explode dentro de mim
Mas não resisto

A fazê-lo de novo.

Preciso

Porque nada mais
Me consegue fazer sentir.

E sei que te vou magoar
E sei que te podia avisar

Mas não o vou fazer

Porque tu és a presa
E eu a caçadora

E no final serás mais um troféu.

Não te vou pedir desculpa,

Porque ninguém pede desculpa por sentir.

E é assim que eu sinto,
Só assim.

quinta-feira, agosto 10, 2006

Desassossego (E até já...)


As palavras

Morderam-se

de desejo



E na tua ausência


Morreram-me.




(Perdi-me no número de noites em que quis que me acolhesses.)


E tu?

sexta-feira, agosto 04, 2006

Encontrámo-nos uma última vez. No verão ardente que se imponha nos nossos sentimentos já tão gélidos. Tínhamos nos nossos olhos a tristeza de quem deambula nos dias. A mágoa de quem não conseguiu fazer as coisas direitas. A frustração de mais uma vez o amor não ter tido força suficiente para nos manter juntas. Naquele dia, o adeus era a sombra que separava os nossos corpos. Era o movimento dos corpos que queriam sair dali. Eram os batimentos que a pouco e pouco desfaleciam nos nossos corações moribundos. Não me lembro das palavras que trocámos, não me lembro se ainda te amei naquele dia. Ou se ainda mantinha em mim a esperança de que as coisas pudessem mudar e estarmos juntas ainda fosse uma opção. Não me lembro. E talvez isso seja a salvação. Porque tudo o resto nos morreu.

Cruzámo-nos ainda outras vezes. Com os olhos quase fechados disfarçávamos um sorriso. As palavras afogavam-se em saliva e cada qual mantinha a sua rota. Ainda tenho tanta coisa para te dizer. Coisas que agora talvez tenham perdido o seu sentido. Nunca soube apreender muito facilmente o tempo certo das palavras. Porque tudo tem um tempo único. Exacto. Em que nada lhe poderá roubar o protagonismo. As palavras também revelam esse tempo e eu deixei passar o nosso. Agora a única coisa que se salvou foi um sorriso, que se mantém ano após ano sempre que nos encontrámos. Se um dia tiveres atenta, poderás entender, que é o mesmo sorriso que soltei da primeira vez que te vi. Continua intacto. Verdadeiro.

Se um dia, voltares a este espaço onde me revelo,
Quero que saibas que lamento o dia em que desisti de nós.
Mesmo não sabendo que isso era desistir.
Mesmo nunca entendendo que assim te perderia.

Tinhas razão,

A minha porta nunca esteve aberta para ti.

Nem para ti
Nem para ninguém.


Beijo.

quarta-feira, agosto 02, 2006

Cheguei à tua porta de madrugada, unicamente com as roupas que tinha no corpo, um maço de tabaco e um sorriso de quem quer foder. Abriste-me a porta, com os olhos carregados de sono. Não me disseste olá, nem bom dia, nem como estás. Perguntaste que fazia eu ali. Respondi-te que as insónias estavam a dar cabo de mim e precisava de foder. De preferência com alguém que me desse muito tesão. De preferência com alguém que não fosse muito complicado. Mandaste-me embora. Disseste que já não querias continuar com aquilo. Acendi um cigarro. Fiquei a olhar-te enquanto esfregavas os olhos. Olhei-te enquanto os teus pés não ficavam quietos. Enquanto via as tuas mãos trémulas. Via tudo e não via nada. Apaguei o cigarro. Despi-me à porta da tua casa. Arranquei-te a roupa com a velocidade de quem não tinha tempo a perder. Fechei a porta, enquanto enterrava a minha mão na tua boca, de forma a te calar os gritos que me desconcentravam. Levei-a para a sala e com movimentos bruscos consegui deitá-la no chão e prender-lhe as mãos. Escorreguei a minha saliva pela sua boca, obrigando a sua língua a unir-se à minha. O seu corpo lutava contra o meu, enquanto o calor se derramava e o tesão me inundava. Fartei-me dos seus nãos. Fartei-me daquela luta. Desamarrei-lhe as mãos, beijei-a na testa e servi-me de um whisky puro como o sexo que queria fazer. Pendurei-me no sofá, acendendo um cigarro enquanto a olhava incrédula, completamente sem palavras. Perguntou-me porque tinha eu parado. Respondi-lhe que fartei-me, que fiquei impaciente e que a vontade de foder mudou de cara e que já não era a dela. Levantou-se e tentou fixar um estalo na minha cara. Agarrei-lhe a mão e puxei-a para mim, sentei-me no sofá e abri-me em desejo para ela. Desfrutei da sua língua quente, envolta na prova do meu prazer, deslizando a textura dos seus dedos para dentro de mim, fazendo com que me baloiçasse no sofá. Com a mão entrelacei-lhe o cabelo, agarrando-o vorazmente quando me sentia a ser devorada, fodida em todos os meus recantos de desejo. Sentia-me satisfeita, com o orgasmo ainda presente no meu corpo. Lambi-lhe os lábios e as mãos. Envolvi-a num beijo que mais do que ser quente, era frio. Era um beijo de despedida.

Enquanto ela foi buscar gelo, peguei nas minhas coisas e parti.

terça-feira, agosto 01, 2006

Deixei de me esconder pelo tempo. Deixei de renegar o que sinto. Não consigo ser mais uma sobrevivente. Não consigo mais ser um poço de ar que se arranha para conseguir acreditar. Acreditar. Durante os últimos quatro anos, falaram-me de amor, tentaram encantar-me com palavras, não sabendo elas que já eu sou a rainha das palavras. As palavras são o meu alimento diário. Não é por elas que me provarão o amor que dizem sentir por mim. Não será por sorrisos. Não será por beijos infiltrados na pele. Não será por histórias encantadas e por destinos inventados. Deixei o poder de me encantar num monte verde. Deixei a fé no amor num barco que construí no meu corpo. Engoli-o ao mesmo tempo que mastiguei o amor rezado pelas mulheres que me disseram amar. Acusaram-me de pouca entrega. De ser egoísta. De só pensar em mim. De só querer sexo e desafios a toda a hora. Acusaram-me de dar pouco. De não saber o que é sentir a entrega de um abraço. Um afago. Uma palavra bonita. Acusaram-me de desistir de um amor que nunca foi por mim sentido.

Não quero que espraiam o amor sobre o meu ser
Não o saberiam fazer.

Vocês nada percebem do amor
Confundem-no com palavras
Com sorrisos
Com entrega
Com dar
Com receber

Com orgasmos
Resolvidos
Depois de fazerem o tal amor.


Digo agora:

Vocês que me acusaram
Vocês que me choraram
Vocês que me quiseram prender o coração
Vocês que quase que morreram
E após tão pouco tempo
Já estavam nos braços de uma outra
A quem amariam da mesma maneira
Como a mim disseram amar.

Tudo o que saiu da vossa boca
Das vossas mãos

Soa-me a mentira
A repetição
A maldição.


Eu não percebo nada de Amor,
Só percebo:

As palavras
Os sorrisos
O querer
O desejo
O escuro
A dor
A frustração
A inquietação
As insónias
A razão
A mentira
O fingimento.


Vocês
Que julgam
Saber o que é o amor

Vocês que julgam
Que me souberam amar


Nada sabem.

Pouco sabem
Sobre o sentir.

segunda-feira, julho 31, 2006


Possuir-te-ia
numa
dança
que começaria
pelos sentidos,

que se prenderia
pelos
movimentos.

O teu

orgasmo

seria

larva

na minha língua

quarta-feira, julho 26, 2006

Regressaste a casa pelas 6h da manhã. Tinhas os efeitos da noite marcados nos teus olhos. No aspecto da tua roupa. No teu cheiro de mistura de pessoas. Mistura de tudo e mais alguma coisa. Fizeste barulho. Acordaste-me. Estavas num amanhecer em que te apetecia conversar. Despiste-te e sentaste-te a meu lado. Tocaste-me o cabelo. Olhaste-me mais profundamente do que eu poderia querer. Falaste da tua noite. Das pessoas. Dos lugares. Escutei-te num silêncio de quem não quer saber o que fizeste. Num silêncio de quem se está a foder para ti. É isto que acontece quando chegas de madrugada e queres conversar. Eu simplesmente deixo de me importar. E tu danças pelas palavras como se fosses importante. Como se fosses importante para mim. Mais do que o meu sono. Mais do que a minha própria insanidade mental. Não o és. Mas gosto que penses que és. Assim fodes mais outras pessoas e tens menos necessidade de foder comigo. A nossa relação é perfeita. Sempre to disse. Eu vivo os meus dias concentrada em mim enquanto tu achas que és o que mais importa na minha vida. E passeias-te cheia de luz pelos dias. Com um sorriso vitorioso. Com um ego patético de quem se conhece muito bem e de quem acha que é o centro do mundo.

Daqui a minutos calas-te.
Daqui a horas acordas com o tesão a morder-te o corpo.
Daqui a dias a nossa relação deixará de ser perfeita
Porque vou dizer-te
Que tudo o que achas que é verdade, certeza
É mentira
É incerteza.

segunda-feira, julho 24, 2006

I want you


“I I I I I I want you you you you you you
Oh I I I I I I want you you you you you you
Said I I I I I I want you you you you you you
So what we gone do? What we gone do?”



Quero-te hoje fora de mim. Quero que desocupes o meu coração. Quero apenas que exista um sinal de ti na minha mente. Não quero pensar no que esperar de ti. Não quero pensar no que quero de ti. Não quero perguntas. Nem respostas. Quero-te apenas sem o rasto do passado, nem a pressão que se acomoda no presente e sem os sonhos do futuro. Hoje não precisamos disso. Precisamos de encontrar um tempo próprio nos nossos corpos. Precisamos de saborear o desejo, arriscar as palavras, não respirar fundo e sim saber perceber o que pode acontecer. Sem ideias pré-estabelecidas. Sem conceitos esmagadores de sentires. Sem travões e sem aceleradores.

Quero que te sintas a ti, quero que te explores, e ao o fazeres me encontres em ti. Quero desnudar-te a alma com o toque das minhas mãos, romper-te o peito e abraçar-te o coração. Quero entrar em ti com um beijo que não tem nome, que apenas se espelha no desejo que deixas esvair em mim. Quero partilhar contigo estes sentires, de um corpo que se aceita, que se vê como completo mas que se repercute no teu. Desmaiar-te em sonhos de toques, que se derramam na tua boca, que é seguida pela lentidão da minha língua, desflorando-te os pensamentos. Confundindo-te a pele com cheiros que me atravessam o tesão. Quero que te deixes ficar de pé, com a nudez colada à minha, que te deixes conduzir com os passos que as minhas mãos te dão, com a velocidade controlada de quem sabe como dançam as pontas dos meus dedos, ao som de uma melodia que te cresce na respiração, à medida que deixas de perceber se é a tua ou a minha que ouves.

Quero que pares quando te puxar para mim e revelar à tua língua o percurso que quero seguir. A viagem que quero iniciar na tua boca, com todos os trajectos possíveis e que quero que acabe novamente nos teus lábios que estarão doridos dos desejos que irão conceder e receber.

Quero que te deites desembaraçada de lençóis, despir-te-ei os medos com a ponta da minha língua, que se perde inquieta nos recantos do teu corpo, desenhando palavras que se deixam ficar encostadas às tuas expressões, recolho-me nos teus seios, fazendo suscitar arrepios demorados, que se deixam prender ás minhas mãos e à sede que trago na boca. Permaneço o tempo suficiente para te sentir deliciosamente em mim, para arriscar cravar-me na tua pele, para arriscar fazer-te derramar em desejo, transpirando em nós sentires, silêncios encobertos de vozes…

Quero que te soltes em mim, que me tomes como tua nesse resguardo que é o teu ventre, em que quero escrever sentidos,

Em que quero….

(Entra na minha mente, fecha os olhos, e saberás que quero eu….)

domingo, julho 23, 2006

Desencontros. Desencontros entre duas noites. Imaginámo-nos a dançar. Imaginámo-nos gelo preso entre duas línguas. Clandestinamente reservámo-nos de espaços e abrimos recantos no desmembramento dos sonhos. Quantas vezes invadimos as roupas coladas ao corpos nos dias chuvosos de um Inverno que se demorará a chegar. Tomamos pequenos-almoços de sexo, enfrascadas de desejo numa banheira de algum hotel da capital. Esvaziámos a loucura dos bolsos ilusórios da nossa mente nos dias em que nos desgastamos tentando criar em nós a cumplicidade dos momentos. Juramo-nos arte perante ruelas sujas nas horas vagas das madrugadas que quisemos fazer nossas.


Hoje acordamos, sem os lençóis da nossa presença.

Deixamo-nos ficar naquelas noites, naqueles devaneios inventados por nós, sempre à espera que um dia se tornassem realidade

Os caminhos

Que deixamos de percorrer

quinta-feira, julho 20, 2006

Sentas-te à minha frente. É a primeira vez que o fazes nesta jornada que se tornou a nossa vida em comum. Antes era a meu lado que te sentavas, aceitavas a distância que eu precisava de manter entre nós. Não a julgavas. Não a questionavas. Dizias que o mais difícil não era essas reticências nascidas em mim mas sim o facto de não me angustiar a tua falta de interesse. E tinhas razão. Quanto mais intacta estiver o que sou perante os outros, melhor durmo eu à noite. Menos descubro eu, menos dou a descobrir aos demais. Principalmente a ti que me eras tão próxima. Mas para ti o caminho tinha de ser outro.

Aqui te tenho eu à minha frente, a antever nos teus olhos a vontade que tinhas em entrar por dentro, a tua vontade intimidante de pores em cima da mesa tudo o que sempre escondi de ti.
O silêncio dos olhares sempre foi uma boa forma de me alucinares os momentos. Questionaste-me. Puseste em primeiro lugar o teu recente medo do desconhecido. E não sairias dali enquanto não respondesse a todas as tuas dúvidas, interrogações, inquietações que te desmembravam o sentido deste amor, deste qualquer coisa…

Nada te disse. E aí perdeste o controlo. Levantaste a voz e disseste-me que não fazia sentido estes dias se não soubesses quem eu era. Falhaste ao me encostares à parede branca da realidade e me podes duas opções: ou eu me despia de enigmas ou tu partirias.

Escolhi-me a mim e aos meus enigmas. Nunca poderia escolher outra coisa.

Sabes qual foi o teu maior erro? O momento em que falhaste?

Quando não conseguiste compreender que era eu que estava sentada a teu lado. Era eu. Mesmo com códigos ilegíveis era eu.
A tua ânsia de me conheceres fez com que perdesses a razão do que erámos

segunda-feira, julho 17, 2006

Dançamos pelos rios que se iniciam nas nossas bocas. Provocas-me rasgando-me os lábios com os dentes. Chupas. Lambes. Incendeias. Penetras-me a boca com a tua língua. Roçamo-nos em palavras. Mergulhámos dentro das nossas roupas. Levas-me a puxar-te para mais perto. E afastas-te com o meu sangue impregnado na tua boca. Sentas-te altiva. Olhas-me enquanto te transpareces de desejo. Dás-me a descobrir os teus seios que te soltam da pele. Dás-me a prová-los através dos dedos que te humedecem os mamilos. Transformando-os em pérolas. Embrulhas-te nas paredes. Afagas o teu cabelo, deixando-o cair pelos teus olhos. Nunca chegas a quebrar a nossa ligação. Nunca deixas que os meus olhos se afastem da tua sensualidade encoberta de sexualidade. Alicias-me o corpo. Movimentas-te, alimentas-me a mente. Deixas que as tuas mãos se deslizem ferozmente pelo teu ventre. Trazes-me os teus dedos à minha boca, e entras dentro de ti. Sentas-te à minha frente, prendes-me os movimentos. Conduzes tu. Mexes-te freneticamente pousando sempre os teus olhos nos meus. Sempre gostaste de teres em ti o poder de me veres a descontrolar. Sempre gostaste de me deixar cambaleando no desejo que é teu. Continuas a tua dança. Pintas-te no orgasmo que te quero oferecer. Resistes sempre à espera dos meus passos em falso. Sabes que não sei esperar. Conheces bem a minha impaciência em te possuir. A minha vontade de foder quem se recolhe da minha pele. Paras. Recomeças. Soltas-te em sons abertos. Sais de ti e trazes novamente os teus dedos à minha saliva. Gostas de me dar a beber o teu tesão. Pego em ti e prendo-te em mim. Tentas-te libertar. Não o queres, mas tentas. Gostas das marcas que ficam depois destas noites. Do fogo que te marca a pele. O mesmo que te fode mesmo quando dizes não querer. Que estás farta que tudo entre nós comece e acabe na cama. Repetes-te vezes sem conta. Repetes-te até deixarmos de ser duas pessoas. Rasgamo-nos. Folheio-te até te sentir a pele gasta. Até sentir que até os mares secam. Resigno-me a me deixar ficar na tua pele. Na tua boca salgada. Acordo em sonhos o teu sexo. Acordo-o e adormeço-o. Sem intermédios. Esgotamo-nos. E a partir daí a única coisa que sentimos é a cinza que cai por acidente nos nossos corpos.

quinta-feira, julho 13, 2006

“Take me down to your river
I wanna get free with you.”

Aspirámos sonhos no calor que nos humedece a textura dos sentimentos. Embrulhamo-nos como se apenas em nós recaísse uma só pele. No final da noite, derramamo-nos em beijos, sufocamos, entranhamo-nos nos poros do prazer que bebemos como larva que se abre nos nossos sexos. Saboreamos palavras enquanto desfilamos com a nudez suada, que se desliza por caminhos proibidos. Tentamos combater este tempo que não é o nosso, este tempo que não se escreve apenas com os nossos nomes. Tentamos combater a distância que nos enclausura em ausência do que ainda temos fé de vir a provar. Discutimos, tentando prever o abraço que daríamos se a presença fosse algo nas nossas vidas. Tentamos prever os momentos, os sentires que nos caem como angústia, como impossibilidade de nos virmos concretizar neles. Invadimos as madrugadas, na masturbação que nos põe mais próximas, repetindo os orgasmos como se estivéssemos coladas uma na outra, rasgando o espaço que é grande demais para o desejo. E sofremos, sei que também enlouqueces na amargura que nasce o após, o após mais uma vez não termos estado juntas quando o desespero do desejo nos cai na pele, como vício não satisfeito. Recolho-me em ti nessas noites. Escolho o recanto que ainda não é meu. E quando acordas sobressaltada pela noite fora, sou eu a possuir-te, a cravar-me em ti de forma a que me sintas mesmo que não penses que sou eu.

terça-feira, julho 11, 2006

Sexta-feira à noite. Três mulheres, 22, 35, 50 lançam-se na noite. Brinda-se à lua, a tantas outras coisas. Pegamos em nós e vamos para o bairro alto. Passeamos pelas ruelas. Encontramos pessoas. Sorrimos. Trocamos palavras. Purex. Madrugada. Bebe-se vinho do porto, água e licor beirão. Sentámo-nos. Deixam-me embalar pela música. Trocámos olhares. Desenhamos mensagens. Escrevem-se palavras em postais de publicidade. Fumo os meus cigarros. Vocês queixam-se de sono. as palavras sobreviveram e chegaram a casa. Aqui estão elas:

1º Postal
Abranda a solidão neste preciso minuto.
Afaga os olhos neste afecto que te brilha por dentro e que apenas o sabes renegar.
Alivia-me a cadência desta espera. Atormenta-me pelas pausas da loucura.
Lança-me grades de sufoco enquanto a tua boca em silêncio se desfaz na minha.



2º Postal
Prefiro-me indecência. Salubridade.
Prefiro-me tudo aquilo que achas que não sei ser.
Nos abraços que me mentes, na inocência de que me levas a desejar.
Entrego-me por instantes. O tempo breve em que me sinto tua.
Em que não consigo ver o que tu gostas em mim.
São estes momentos intemporais em que inicio a minha fuga para longe de ti.


3º Postal
Inicio esta dança sob a negritude dos candeeiros.
O ritual da ambivalência das minhas próprias mãos que se arrastam em lentidão pelo rasto incendiado do meu corpo.
Não me descubro em caminhos, recrio-me mapas de palavras descentradas.
No princípio da pele encontro-me.

quinta-feira, julho 06, 2006

Energias. Desde que te conheci que deixei de conseguir renovar as minhas energias. As da minha sobrevivência. A que começaste a questionar. Virámo-nos uma para a outra. Tomamos a liberdade fazendo conta que nada tínhamos a perder. Sugaste-me o desejo pela pele. Como se se tratasse da tua bebida favorita. Olhas-me pelos recantos dos silêncios que inventei para te afastar de mim, relatas-me palavras que eu não consigo entender. E quando estás preparada para me dares a mão, reconduzes-te à ignorância de achares que é sempre tarde demais. Levo tempo demais até regressar a este livro que ando a escrever há tanto tempo. Rasgo-me das personagens quando as sinto perto. Muito perto. Perto daquele abismo que separa toda a minha racionalidade do fantasma que é a loucura. E se quando te olho apenas consegues ver uma imagem embaciada. Peço-te que não te assustes. Que não fujas. Que não penses o pior. As imagens são demasiado desfragmentadas da verdade. Dissimulo-me, como se quisesse que acreditasses que sou apenas uma mentira. O que não deixa de ter o seu nexo. Na maior parte das vezes a realidade que pensas haver entre nós, é ironia das palavras. É apenas um circuito cortado. Que nunca consegue chegar ao coração. Existem muitos porquês. O porquê de eu insistir nesta existência em que me anulo a mim própria. Ou o porquê de me fechar dentro de um cubículo que na verdade é mais aberto do que julgas. Quando nos convencemos de alguns factos, é tão mais fácil que os outros acreditem em nós. Torna tudo mais credível e ao mesmo tempo começas a perder as partículas que fazem o que tu és no pormenor de tudo. Por detrás de todos os jogos. Chego ao pé de ti farta de estar sempre a me sequestrar do que me corre por dentro. Por medo, de que seja tudo verdade.

segunda-feira, julho 03, 2006

Esqueces-te vezes demais das histórias que me contaste. Se as lembrasses, ver-me-ias tão melhor. Saber-me-ias criação tua, criação nascida das tuas histórias. Mas a cegueira ocupou-te todos os teus sentidos, perdeste a clareza de quem tinha o privilégio ou não de ver além do óbvio. Foi essa clareza a razão de me ter apaixonado por ti. Conseguires contemplar o que nunca ninguém antes tinha conseguido. Agradeci-te com a minha paixão alucinante por ti. Foi a pior coisa que podia ter feito. Os outros conseguirem-nos ver para além da vulgaridade de outros olhos, não devia ser agradecido, melhor, não era eu que tinha que te agradecer. Serias tu a felizarda. Ver alguma pela primeira vez, de forma tão clara, tão inesperada é algo que nem todos podemos alcançar. Tu conseguiste. Eras tu que me tinhas que agradecer. Não o fizeste. Nem eu o permiti. Colocámos o jogo ao contrário. E as regras eram poder teu. Adiantou-nos de alguma coisa? Se calhar tu com as tuas ideias sacrificadas de bom senso achas que melhor não poderia ter acontecido. Mas até tu erras. E sabe-me bem saber desse teu erro e de te ver a ti a dançar num ritual absurdo de quem nunca erra. De quem consegue tudo. Fazes-me rir. Um riso canibal. De quem tem uma fome voraz de te despedaçar o coração. Esse antro que é alimentado, que se impregna como mancha nos sentimentos a desflorar dos outros.
Esta noite, quererás ser alimentada de novo pelas minhas fragilidades. E serás alimentada, oferecer-te-ei a minha única fragilidade: Tu.

domingo, julho 02, 2006

Um post à parte...

Sexta à noite. Regressar às noitadas que tanto me marcaram nos primeiros anos de universidade.
Desta vez não começamos pelo bairro alto. Começamos com a ousadia de duas garrafas de vinho tinto, entre muitos risos, alguns cigarros, um charuto, alguma contestação pelo cheiro. Sobrevivemos a isso tudo. Arranjamo-nos. Perfume para cá, pasta de dentes numa mão. E os sorrisos agora eram risos. Contagiantes por sinal. Duas da manhã. Próxima paragem: Lux. Eu escolhi o sítio e graças à minha técnica persuasiva convenci-vos a virem conhecer a minha capela musical. Porteiros. Pagar e receber um ticket. Bengaleiro. Bebidas. E primeira pista, a minha favorita. Porquê? Porque nessa pista os corpos não têm medo de se tocarem. Os olhares não fogem. Continuam noite fora. Já vos tinha dito que saudades tinha eu de dançar, de me libertar enquanto a música me sobe pelo corpo. E dançamos os três. Era a tua noite de despedida, meu menino, agora quem me vai acompanhar à tasca do lado para beber sangria? Quem me vai levar à loja de conveniência à uma da manhã, quando os desejos de gelado me assaltam a mente? Com quem vou comentar as miúdas da Suécia? E os seus atributos? Mesmo que eu prefira as morenas. E as conversas que tínhamos? Firmámos uma amizade. Vou ter saudades de te ter a tocar nos meus caracóis. E eu vou ter saudades de te encaracolar mais o cabelo. Mas foste embora. Agora espero que consigas estágio em Lisboa para continuarmos nesta jornada. O trio maravilha: a endiabrada, a morena esbelta, e o menino dos caracóis. Continuaremos sempre a ser um trio. Mesmo que por agora seja difícil voltarmo-nos a encontrar.

Com isto digo que gosto muito de ti, és um dos meus meninos.

Até já