sexta-feira, agosto 10, 2007


Tenho uma relação difícil com os sentimentos. A instabilidade gere a forma como me relaciono e resolvo com eles. Da amizade tenho pouco a dizer, creio não ter aptidão para fazer amigos, desde muito nova que eram raros, hoje é cada vez mais difícil não, chamar alguém amigo, mas sim sentir que são realmente meus amigos. Penso que é necessário haver uma relação de dependência entre os verdadeiros amigos, coisa que não possuo. Quando ao Amor, durante anos, desejei viver um amor de conto de fadas, nunca aconteceu. A partir de certa idade criei uma particular abominação por esse sentimento. E ainda hoje, depois de efectivamente viver um, faz-me demasiada confusão histórias que me chegam ao ouvido e que presencio de pessoas que (quase) morrem de amor, que se esquecem do sentido da vida depois de verem o seu coração partido, pessoas que rastejam pelos dias em busca de um amor unilateral, pessoas que tem como sonho a concretizar serem correspondidas por uma pessoa que nunca as vai amar. E rastejam, e ao rastejaram perdem o melhor da vida que, a meu ver, é sermos. Principalmente sermos em nós para podermos ser nos outros. Pessoas assim não são nelas próprias apenas são tapete gasto e revolto na porta das pessoas que dizem amar até voltarem a serem terra, unicamente terra infértil. O amor é algo bonito, preciso e que tanto nos pode fazer bem como mal. Também existe o amor que tanto é bom e mau na mesma proporção e deixamos de saber identificar esses dois extremos englobando tudo na mesma coisa.

Muitas vezes penso que não sou pessoa para Amar. Porquê? Porque para mim o Amor não é o esquecer dos seres individuais que somos, não é estar constantemente a ceder por ciúmes, possessão pela pessoa que amamos e está connosco. Não é ceder por coisas que no final do dia não transformarão o amor em algo mais pequeno. O Amor para mim é exaltação do que duas pessoas são individualmente e como se inclui isso numa relação. Não é a saudade que se tem constantemente da pessoa. Nem o amor a pulsar dentro do peito. É sentirmo-nos bem connosco próprias, é agirmos também por nós, pelas nossas vontades e saber que nada do que se faz esbate ou diminui o amor que sentimos. É Sair à noite sozinha porque nos apetece a solidão numa discoteca. O Amor não é o tempo que as pessoas amadas estão juntas, não é as vezes que se falam durante o dia, não é corrermos 7 dias por semana para os braços uma da outra. Não. O amor é em todos esses momentos a pessoa sentir que ama e é amada. É num momento que dura um instante sentir todos os sentimentos a aumentar a uma velocidade vertiginosa. É tanta coisa que não se vê ao primeiro olhar.

Não é só a mágoa do mal que causamos uns aos outros, não são as lágrimas que nos derrearam, não são as discussões que tantas vezes nos levou para espaços distintos. É o amor que eu sinto mas que nunca se concretizaria no ideal de relação dos nossos dias, dos teus sonhos, da tua vida. Mereces muito mais de alguém que te diz amar, mereces o amor de todos os dias, as noites dormidas lado a lado, os planos em conjunto, as viagens e as férias juntas, uma casa a partilhar. Mereces isto porque é o que te precisas para te sentires em pleno mas eu, meu muito amor, não te posso dar isso. Não sou eu, e eu deixei de fingir e de calar. Estou cansada de me negar, é isso que percebo agora, que a vontade de ser contigo uma só pessoa levou-me a ter sonhos que não são meus, que não sou eu.


Arrependimento do que vivi contigo, do amor que senti, do amor que me tiveste? Nenhum.
Foste das melhores coisas que me aconteceu e muito possivelmente não terei um amor com a intensidade do que tive contigo.

É com lágrimas e com consciência que escrevo. É com o amor que me rasga o peito que me despeço.

quarta-feira, julho 11, 2007

Ás vezes gosto de ti, outras não. Num minuto pode haver esta variedade de sentimentos. Não é algo estranho em toda esta existência. É quase rotineiro. Talvez goste mais de ti quando estás longe, quando sei que dessa distância atlântica não me poderás magoar. Quando estás perto aí percebo o efeito destrutivo que tens em mim. Fazes-me querer desaparecer ou querer que tu desapareças. Tudo seria mais fácil.

Não posso negar a existência de amor entre nós, seria demasiado irreal. Tu nem notas como me transtornas, como contigo não sei ser eu, aliás, não sei ser ninguém, sinto-me nula como pessoa. Será que te apercebes que nós nunca conversámos? Nunca debatemos sobre nada, o começar de um debate apenas quer dizer uma única coisa, que vamos elevar a voz e pouco mais.

Sei que precisas que esteja sempre perto de ti, vês-me como um bem precioso a proteger, sou o bem mais valioso da tua vida e tens medo de me perder. E prendes-me, sempre o fizeste. O que mais me dói é que tu não sabes quem eu sou nem como eu sinto. Para ti talvez ainda não tenha idade de sentir, ainda sou uma criança, a tua criança. E quiçá deveria gritar o que sou, o que sinto, como tu, tantas vezes, me fazes querer desaparecer ou fugir para melhor viver. Mas não consigo, preciso de ficar a uma distância segura mas, fugir não. Possivelmente és-me vital mas nunca perto, isso seria o fim. O teu ou o meu. Dramatismo a mais? Não creio. Cobardia, é a melhor palavra. Cobardia que é minha por não te enfrentar e cobardia tua por teres medo do que possa sair de mim.

Sabes, o mais provável é isto continuar até ao fim. Até ao último respirar. O teu ou o meu.

segunda-feira, julho 02, 2007

II

A minha patroa tem ar de leoa faminta mas por vezes faz um ar que quase dá para acreditar que é filha de Deus. Quem acreditar nisso está simplesmente enterrado para a eternidade, a mulher sabe bem como utilizar os seus dons, nem posso dizer que seja o dom da sedução, é mais uma forma de fazer as coisas quase pela calada que a leva a chegar aos destinos mais rápidos. Sabe-la toda, mas eu também sei. Detesto manhãs, detesto os sorrisos de algumas pessoas logo ao entrar na empresa, então se vierem com muita vontade para conversa, nem vale a pena se aproximarem de mim, que levam com o meu ar de Diva que faz de conta que é arrogante que até estremecem. Detesto aproximações matinais mas quem sabe ser original merece um desconto. E a patroa merecê-lo.
Estou eu sentada, na minha cadeira monstruosa de cabedal preto o que é muito chique mas no verão irrita-me a pele, com uma saia tão apertada que nem sei muito bem como me sentei, quando me batem à porta. Concerteza que aqui a Diva não se iria disfarçar de menina estagiária e levantar-se para atender. Portanto não gostando eu de disfarces, digo que podem entrar. Uma mulher deslumbrante, em que toda ela quase que é decote. Uma mulher de ar misterioso mas que se nota que é uma boa fodilhona. Gosto deste tipo de mulheres, não dão quase confiança alguma para te aproximares, mas se souberes dizer as palavras adequadas e fazeres um sorriso que lhe chegue ao sexo, um encontro escaldante está garantido. Continuando, ela entra apanhando-me desprevenida, nestas situações entre leoa versus leoa aquela que está sentada está sempre em desvantagem. A leoa patroa dá lá pela desvantagem, e aproxima-se de mim.
- Bom dia, devia saber que é proibido nesta empresa, usar saias tão curtas e tão justas.
- E é proibido porquê Sra. Directora?
- Porque aqui prima-se pela concentração dos trabalhadores e não por métodos de distracção.(eu levanto-me e posiciono-me bem à sua frente)
- E diga-me, que parte do seu corpo, é que está mais distraído neste momento?
- Talvez seja melhor, a menina averiguar por si própria, e depois entregar-me um relatório.
- E essa averiguação é para agora?
- Agora mesmo, aqui nesta empresa, gostamos de pontualidade e dedicação.
A conversa entre duas leoas, é assim, cheia de enigmas e provocações sempre muito bem disfarçadas. Senão como seria falar em público? Leoa que é leoa prima pela discrição, ainda mais se é lésbica ou das que papam tudo.
Voltando à averiguação.
Na linguagem de leoas o “para agora” quer dizer na linguagem dos Homens(ui este H maiúsculo dá-me vontade de rir), que tem de ser em jeito de rapidinha. Assim nestes casos é sempre bom ter um encosto. Pressiono-lhe o corpo na secretária, enquanto envolvo as minhas mãos no seu corpo, beijo-lhe a sua boca alagada em desejo, contendo em mim a vontade que tenho em lhe rasgar as roupas. Desço com a minha língua até às suas mamas, mordo-lhe quase que levemente os mamilos, e oiço uma voz a dizer-me para ir directa ao som. Só esta expressão “directa ao assunto” deixa-me com uma vontade insana de lhe esventrar o sexo. Viro-a levantando a sua saia para cima, as cuecas não me controlo e arranco, como resposta a este movimento brusco, recebo um gemido bem tesudo, preparo terreno com uma rápida mas eficiente massagem clitoriana e entro dentro dela com os meus dedos, sinto-lhe o desejo a abrir caminho, sinto-a a escorrer de tesão. Pressinto que ela tem vontade de gritar, e ponho-lhe a mão na boca, nunca parando de a comer. Passados breves instantes, o seu corpo todo estremece, e o seu cu para de se roçar no meu sexo. Presenteou os meus dedos com um orgasmo de leoa.
Voltou-se para mim, satisfeita com a averiguação pontual, pegou nos meus dedos e lambeu-os com os seus olhos concentrados nos meus, tentando captar em mim algum sinal de fraqueza, não o conseguiu. No jogo do fodilhanço não existe partes fracas, existe apenas aquelas que dão a conhecer o seu prazer e aquelas que sabem disfarçar muito bem. Eu sou uma das últimas. Ela faz uma expressão de quem está desiludida e eu dou-lhe um beijo que se ela estivesse atenta poderia transmitir o quanto estou excitada. Enquanto acaba de se arranjar, diz que quer o relatório para logo à noite, que passa na minha casa, para o ir buscar. Eu faço sinal que sim com a cabeça e volto a sentar-me na minha cadeira.Gosto do andar de uma mulher que acaba de ser fodida. Gosto da leveza dos passos e da satisfação do corpo.

sexta-feira, junho 22, 2007

Sem dúvida o sorriso.
De todas as coisas que me talham a ausência é o sorriso que me faz mais falta.
Aqui neste espaço temporal onde nos desencontramos.
Do tudo ao nada nenhum cemitério terá as medidas suficientes para acolher o nosso amor.
Diz-me:
Qual o tamanho do teu amor?

quinta-feira, maio 24, 2007

I

A história dos amantes. No meu caso, a história das amantes. Quase que tudo na minha vida se reconduz a isto. Presentemente até o trabalho. O meu despertador mental já tocou, aliás fartou-se de tocar a noite toda. Quando alguém invade a minha cama, não consigo dormir bem. Tenho pesadelos que depois se tornam realidade. Nos meus pesadelos estão a sufocar-me. Na realidade dos meus tristes dias, todas as mulheres que chegam a dormir na minha cama, passam a sufocar-me. Que vida a minha, devem vocês não pensar.
A tipa que hoje dorme a meu lado, tem umas formas que eu acho perfeitas, a puxar para o latino, não foi a melhor foda que já tive. Mas foi a que gritava mais alto. Não achei grande piada, confesso. Prefiro ouvi-las pelos movimentos do corpo. Os gritos desconcentram-me, prefiro então calá-las com algum tecido e vir-me à vontade. O sexo, como tudo na vida, precisa de concentração. Eu preciso de me concentrar nas coisas que gosto de ver. Se vejo algo que não gosto, lá se vai o tesão – e lá se vai a foda. Mulher que fode sem tesão é mulher que não se tem em consideração ou seja mulher que se preocupa mais com os outros do que consigo própria. Eu que primo por falar sempre na minha pessoa em primeiro lugar, quando o tesão se desvanece por culpa de algum defeito da outra que se encontra por baixo de mim, eu termino tudo. Sou uma empata-fodas das gajas que fodem comigo. Gosto desta ideia.
Bem, voltando à tipa. Durante dois anos cruzámo-nos todos os dias. Nas festas da nossa empresa comíamo-nos com os olhos. Apenas nas festas, nos outros dias, seria não ético. Como se a ética impedisse alguém de foder. O único pormenor interessante nesta história, é que a tipa é uma das minhas directoras, ou seja, uma das minhas patroas. Não, não me assina os cheques no final do mês, sim cheques, são dois que recebo, mas dá-me ordens, assina os papéis ao final do dia. Anda sempre em cima, quase que se deita na minha secretária quando fala comigo e pavoneia-se toda a andar. E sabe andar muito bem, não o posso negar. Também vos tenho a dizer que não são só os homens que usam as casas de banho do serviço para se masturbarem. As mulheres também o fazem. E geralmente nunca vão uma de cada vez.
A minha patroa é a única mulher entre a chefia. Feminina e esbelta ao ponto de ter todos os homens casados aos seus pés e ter todas as mulheres cheias de inveja. Eu, inveja, não tenho, também não estou aos pés dela, por isso entendemo-nos bem. Ela vem cá de vez em quando (acho que é a terceira vez) e ás vezes encontrámo-nos nos hotéis dos finos. Paga ela, diz que não se sente bem, ganhando mais do que eu, em me deixar pagar. Eu acho piada, digo-lhe que sou a puta dela, portanto espero que ela pague. Ela sorri, eu apalpo-lhe o rabo e vamos (in)satisfeitas da vida pelo elevador acima.
A razão para nos encontrarmos nos hotéis, é apenas uma: A tipa é casada, com um gajo porreiro, que me acha muita piada. E caem-lhe gotas de suor, quando me vê com um dos meus brilhantes vestidos. Eu provoco-o, porque assim ela também se sente provocada. E eu gosto. As nossas fodas são descritas como reuniões tardias com clientes e com outros directores.
O marido sabe bem que ela o trai, vejamos o porquê, ele utiliza a mesma justificação para as suas fodas. Casal mais feliz do que este? Não existe.Daqui a minutos o despertador cá da casa toca. Ela acordará e irá me arrastar para a banheira com ela. E eu irei, e terei um bom dia como os que gosto.

terça-feira, maio 08, 2007


Tenho os lábios com o gosto de lágrimas ressequidas. As que já não choro, as que já não me deitam abaixo.

Continuo a escrever-te e a falar-te. Principalmente em sonhos. Tem a sua piada, não achas?

Tenho saudades tuas. Demasiadas. E toda a felicidade que já senti foi incompleta. Custa-me o não estares, o não ouvires, o não falares. Custa-me esta ausência transformada em ferida.

Preciso que saibas que nem a desilusão sentida faz com que desapareças. Porque por cima de toda a tristeza, mágoa, saudade está o amor e amizade que sinto por ti. És insubstituível.

Gosto muito de ti, Madinha linda.

quarta-feira, abril 25, 2007

25 de Abril




Se havia data certa para ter a tua visita, era neste dia. Vinhas ao teu almoço de comemoração de 25 de Abril com os teus velhos camaradas e depois ias ter comigo. Ás vezes ficavas um dia, outras vezes mais tempo. Mas estávamos juntos e isso era o importante.


Vai fazer em Setembro deste ano, três anos que nos deixaste. E mais uma vez o aproximar deste dia, fez com que as lágrimas caíssem, fez com que as saudades aumentassem, fez com que quisesse que estivesses comigo neste feriado.


Todos sentimos muito a tua falta mesmo que não falemos muito de ti, todos te sentimos à nossa maneira.

A avó precisava de ti aqui, precisava dos teus ouvidos mesmo que apenas respondesses com o teu silêncio já habitual. Desde que partiste, ela não está bem em lado algum. Não o confessa, mas sei que sente muito a tua ausência e que gosta muito de ti.

A prima está grande. 16 aninhos. Continua boa aluna e é muito concorrida entre os rapazes, mas tem juízo e isso é o mais importante. Não chorou quando tu foste de viagem mas escreveu um texto dedicado a ti e não disse a ninguém. Ela sempre foi muito mais reservada do que eu. :)

Eu continuo a mesma de sempre. Já não vou tanto ao Porto porque custa-me não te ter lá, já não vejo tantos jogos do FCP porque não te posso ligar a seguir. Este ano sou finalista do meu curso e não te ouvirei a dar-me os parabéns. E sinto um aperto de cada vez que me lembro que não te vou ver mais...

Onde quer que estejas, espero que te encontres bem e que saibas que todos aqui não se esquecem de ti.

sábado, abril 21, 2007

Game over.




"Fico admirado quando alguém, por acaso e quase sempre sem motivo, me diz que não sabe o que é o amor. Eu sei exactamente o que é o amor. O amor é saber que existe uma parte de nós que deixou de nos pertencer. O amor é saber que vamos perdoar tudo a essa parte de nós que não é nossa. O amor é sermos fracos. O amor é ter medo e querer morrer."

quinta-feira, abril 19, 2007






Pudesse eu sentir que debaixo da pele de todo o teu sentir, estou eu, sem roupas a me roubarem o corpo, sem palavras a substituírem a crueza da minha negritude.


Pudesse eu sentir que na nudez do mundo, continuaríamos nós, estanques, na ausência de mais labirintos.

terça-feira, abril 17, 2007

Mind the gap



































Queria lá estar, neste momento, a correr os dias em que cheguei novamente a ser feliz. Andar pelo metro e no andar de cima dos autocarros, sentar-me na primeira classe dos comboios. Ver o big ben ao anoitecer, sentar-me num parque qualquer, beber um ice drink de chocolate do starbucks ou café Nero. Jogar cartas com vocês até tarde, fazer planos dos nossos dias, acordar a teu lado mais uma vez. Faz-me falta esta cidade, e o que ela me transmitiu.
Quero lá voltar, quero lá ficar.
Pudesse eu não ter voltado a Portugal...

Quando chegámos ao ponto de não nos sentirmos admiradas, incentivadas, desejadas, adoradas, amadas


o que fazer?



Quando achamos que isto é o melhor que vamos receber


o que fazer?


Quando os sonhos se derrubam, o amor-próprio se interroga e tudo te entristece e morre por dentro de ti?


O que fazer?

segunda-feira, abril 16, 2007

Retalhos do coração

"E tive-te, atrás do espelho, todas as manhãs da minha vida. Porque foi sempre para ti que me quis bonita, mesmos nos dias escuros. É em ti que penso, quando escolho a roupa ou escovo o cabelo, todos os dias. Na possibilidade de te encontrar, no acesso de uma esquina. Lisboa é tão grande e tão pequena - porque não havia de te encontrar? Queria ser eu mesma, nesse encontro. A mesma, com a luz das rugas que não faltavam no tempo em que nos metíamos por dentro do corpo um do outro como se sozinhos fossemos apenas pedaços de um corpo mutilado."


Inês Pedrosa in Fica comigo esta noite

sábado, abril 07, 2007

Para nós.

segunda-feira, abril 02, 2007

Para Ti.

Porque quer seja em inglês ou em português fico sempre, mais perto de ti, quando a oiço.

Gosto.

Queria poder iluminar o escuro que me acontece todos os dias, as lutas diárias que faço comigo própria sempre, até haver sangue. Na maioria dos casos consigo-o. Mas até mesmo dentro de um sempre existe intermitências, quebras, desilusões.

A verdade é que contigo até o mais difícil desliza melhor, soa melhor. A tua presença traz-me alguma paz mesmo com a tua impaciência a roçar constantemente na minha, mesmo com o teu mau feitio que se desdobra sempre em dois, mesmo com os pequenos infernos que passamos quase todos os dias. É bom estar contigo, nem que seja em silêncio, porque sim, eu gosto do teu silêncio, às vezes é o que desejo mais, mas raramente consigo mostrar o que quer que seja.

Apeteceu-me dizer-te que gosto, definitivamente, gosto de nós.

segunda-feira, março 26, 2007

Quando a música terminar, a tua voz continuará a entoar as minhas palavras. Não haverá um fim com ponto final.
É no derrame do teu corpo que o desejo se senta e aguarda o caminho.
Aguarda-me à tua janela, mesmo quando o frio te arrebate, eu aparecerei com lágrimas ou a sorrir.
Quando tudo se tornar irreversível, saberás distinguir
o meu riso
o meu gosto
o meu toque
o meu medo
a minha insegurança
a minha vontade
a minha certeza
o meu Amor
do das outras pessoas?

quinta-feira, março 15, 2007

Não sei como dizê-lo, a ti, que encontraste do lado esquerdo da minha cama o teu poiso. São tantas as histórias que te podia narrar, sei que perceberias o que te queria dizer mesmo que não fossemos as protagonistas. Mesmo assim sei que não partirias. Que embeberias o prazer contínuo das minhas mãos e continuarias a cultivar na terra molhada do meu corpo o teu espaço.



Outro dia. Que não próximo da amargura que me palpita os olhos. Gostava que dos nossos corpos nascesse algo interminável, que todo o espaço existente entre nós se rendesse ao quente que me embala o coração.


Noutro dia que não este tudo seria possível mesmo que apenas por palavras escritas.

segunda-feira, março 12, 2007

No hoje

A diferença parece residir
no facto de tu quereres/precisares expulsar
cada resíduo meu existente
em ti
e eu querer e fazer por conservá-los em mim.
E assim
o Amor
o nosso
como eu sempre acreditei
será
Ad Eternum.

sexta-feira, março 09, 2007

Esta noite.

Abro a janela e a porta do quarto. Abro todos os poços que estão dentro de mim. Deito fora, pela quarta vez, as beatas que escurecem o cinzeiro. Bebo água desejando que fosse vinho tinto. Fecho os olhos querendo que já fosse um novo dia. Escrevo e apago palavras. Escrevo-te e não respondes. Tenho a cabeça a andar a uma velocidade assustadora e não prevejo stops ou cedências de passagens, não sei se respeitaria os sinais mesmo que eles existissem. Não sei nada. É um facto. Sinto. Sinto o presente agarrado ao passado e não me consigo libertar de ti. Libertar-me das memórias que ainda me mostram o que é sorrir, que ainda me transmitem sons e sabores da felicidade experimentada por mim. A teu lado, só a conheci a teu lado e foi também a teu lado que tudo terminou. O que sinto neste momento, contudo, não é novidade. Fui talvez a última dos meus amigos a passar por isto. Sei o que se passa, sei de cor estes sinais todos. A todos aqueles que passaram por isto, disse que o tempo acabaria por cessar ou acalmar a dor. É o que me vai acontecer. Daqui a muito tempo, retomarei a minha vida. A minha vida sem ti. Uma vida que será apenas minha. Seremos amigas, não é? Amigas. Seremos o que não fomos na nossa relação e cada vez mais negra é a luz que me diria que ainda é possível o retorno a nós.

Mais um dia. Mais os olhos se afundam. Mais as mãos se arrastam na tentativa de te sentir. Dentro de mim. Não consigo ouvir-te dizer que me Amas. Já não o consigo ouvir. Desfaço-me de cada vez que tento encontrar um caminho para ti e não consigo. Não consigo. Percebes? NÃO CONSIGO!

Esta cidade está amaldiçoada. Passei a odiar esta cidade. Passei a odiar a minha nova rotina. Passei a odiar as minhas almofadas. Até o meu cabelo ficou sem jeito desde que tudo aconteceu. Nada disto faz sentido, não faz sentido este Amor a pulsar e a crescer aqui dentro e não o poder entregar e juntar ao Amor que também vive dentro de ti. Nada disto faz sentido.

O Amor não vence incompatibilidades, não vence o passado, não ensina, não destrói, não acaba assim.

O Amor não faz sentido se não o poder viver contigo…



Esta noite... não poderia estar sozinha.







nightwish - ghost love score

Bonnie Tyler - Total Eclipse Of The Heart

Meat Loaf - I would do anything for love LIVE

Antony and the Johnsons - My Lady Story (live)

Antony And The Johnsons - Hope There's Someone

terça-feira, março 06, 2007

De madrugada

Procurei-te e mais uma vez não te encontrei.













Deixei de saber dormir descansada.

terça-feira, janeiro 23, 2007

Até já

Há quem pense que gosto de me repetir. A minha massagista particular ainda ontem me disse, sem grande novidade para mim, que sou obcecada. Que era uma das minhas características. Característica defeituosa, repondo-lhe. Pois bem, é verdade. Mas o direito à defesa é um direito consagrado à luz da nossa Constituição, e eu sou uma cidadã. Aqui não interessa se eu sou uma psicopata ou se sou uma católica fervorosa, que não passa sem idas diárias ao confessionário. O facto relevante é que sou cidadã. E vou defender-me. Não sou eu que sou obcecada, as coisas é que vêm até mim e não me largam até eu ficar assumida e escandalosamente obcecada por elas. Esta é a verdade. Mas como já me disseram, um dia, a verdade serve para alimentar apenas a alma e não é alma que te vai impedir de seres crucificado. Pronto, confesso, ninguém me disse isto, inventei agora.

Repeti tanto que me cansei. E o blog foi-se saturando cada vez mais. A escrita, a meu ver, passou a ser um terror. Passou da busca pela satisfação das palavras, à insatisfação de não saber o que dizer. É triste. Deprime-me ter de assumir que, afinal, e de forma irremediável, tudo tem um prazo. Escrever já não é a segunda melhor coisa que sei fazer. Nem a primeira. Deixou de ter lugar no pódio, nem a bronze se safa. Parece-me que o que ocupa agora a primeira posição é mesmo saber Amar. Não fui eu que o disse. Não me critiquem. Mesmo nisso não sou perfeita. Se alguém me disser que o é no que respeita a Amar, fuja. Não tenho paciência para a perfeição. Incomoda-me e aborrece-me.

Existem fases maravilhosas na nossa vida, mas mais importante ainda são as coisas que têm a capacidade de nos acompanhar nessas mesmas fases. Este blog é um dos melhores exemplos disso. São dois anos e pouco de testemunhos, de devaneios, de desabafos, de muito boas partilhas que extravasaram a virtualidade. O “Sem título”, não sendo excepção, chegou ao fim, da melhor maneira, de braços dados com o Amor. Não poderia desejar melhor destino que este. No entanto, não o vou retirar deste espaço e o mais provável é que o continue a usar sempre que as palavras me permitirem dar asas a esse sentimento. Já não será um blog em crescimento, será um palco de recordações, ao qual recorrerei muitas vezes, na esperança de poder reviver tempos idos que me são queridos (Bendita obsessão).

Queria agradecer a todos aqueles que me acompanham desde o primeiro dia, aqueles que por aqui passaram ao acaso, aqueles que partiram sem deixar rasto, a todos os anónimos, aqueles que no silêncio sempre por cá permaneceram, e por último, não posso deixar de agradecer a todas as pessoas que me inspiraram e me impeliram a escrever. Esta foi uma viagem que não esquecerei.

Deixo-vos no final o endereço do meu novo espaço, espero não vos decepcionar com a mudança mas, na verdade, como sou eu que tenho de me aturar, não posso é decepcionar-me a mim mesma.

Um bem-haja e um até já a todos.



Extravios, Lda
http://extravioslda.blogspot.com
P.s. Um especial agradecimento à M. (http://myprecious-thing.blogspot.com) pela paciência e ajuda prestada na personalização do Extravios, Lda.

quinta-feira, dezembro 21, 2006

Tu.

“Suga-me este desejo que se me entranhou no sexo, esta vontade de ser possuída por ti que me alimenta a alma. Prende-me o corpo contra a parede da imoralidade e, entra dentro deste mundo que é teu. Profundamente teu.” – Sms enviada a 21-12-06








E as saudades apertam-me. Derrubam-me os sorrisos. Angustiam-me. Rasgam-me. Enlouquecem-me. Fazem-me tremer à noite. Entristecem-me quando acordo durante a noite e tu não estás. E a cama não é a minha. E a almofada não é a minha. E falta-me o teu cheiro. A intensidade dos teus beijos. O enternecer do teu abraço. O quente do teu corpo. O teu brilho. O teu riso contagiante. Advinhar-te os olhos e saber que sou a Tua Mulher, a Tua Casa, o Teu Mundo, a Tua melhor Descoberta. O desejo que se espelha nos nossos corpos quando nos fechamos uma na outra.


Faltas-me tu que és Vida e Felicidade.
Que és O Amor

segunda-feira, dezembro 18, 2006

Espero-te ...








Nesta ilha onde o frio é quase inexistente a não ser aquele que sinto todas as noites ao estar longe da minha casa. Do meu lugar que é nos teus braços.
Vem rápido porque as saudades apertam e me desintegram.
Vem porque os dias, agora, são também teus e precisam de ti perto, muito perto.
Esta ilha agora também é tua, como os cactos que estão plantados á porta da minha(nossa) casa.

sexta-feira, dezembro 08, 2006

Era uma vez


Duas Mulheres.

Que se apaixonaram.
E se consumiram em desejo - interminável.
E redescobriram o Amor.
E...


Quero que haja uma só vez.
Única.


(Que dure para todo o nosso Sempre.)




Por vezes os caminhos desnudam-se de ti e eu embriago-me por dentro do que sou.
Distraindo-me. Esvaziando-me. Escurecendo-me. Mas tu és o caminho. O meu.
Volto todos os dias a nós. Não se trata de uma escolha, mas sim da Escolha.

domingo, novembro 26, 2006

"All that I am, All that I ever was It's here in your perfect eyes, they're all I can see (...)"

Nos teus olhos eu desfaço-me dos terramotos.
Dos restos sanguíneos das minhas batalhas interiores.
Dos degraus que se sobrepuseram aos meus sentires.
Das memórias que desafiaram tudo o que sou.

Agora perante os teus olhos
Acordo e Sou na extensão de uma vida partilhada
A que começamos a construir.

É aqui, no pulsar destes dias,
Que me renovo,
Que me entrego como pela primeira vez
Que te desejo com uma energia sempre nova
Que te desenho no meu corpo,
Que te estendo a minha boca
Para que ao me beberes
Engulas tudo o que em mim habita.


Acendo velas de palavras
Para que me encontres

(Sempre)

em presença

(ou)

em ausência.






Não te esqueças, Meu Grande Amor, que aos teus olhos eu sou Vida e rio que nasce de Ti.

quarta-feira, novembro 22, 2006

F(r)icção I

Dois rasgos de peles que se enquadram numa figura de cheiro a trovoada, movida pelas paredes que são fotografias a preto e branco. Dois corpos estendidos pelo chão onde as mãos são cobras que serpenteiam pelos escombros bebidos em suor. Caminham palavras molhadas em desejo latente perpetuado nos passos que se tacteiam à medida que a noite se esconde pelas horas de um tempo irreflectido.

Esperam-se em abismo as bocas que se lançam ao coração, que escorrem pelas línguas como silêncio abundando sentires, que se imaginam almas eternas num abraço que é dado na ausência premeditada do nascer de um novo dia. O seguinte.

E agora, impacientam-se os toques, a harmonia. O quente que ferve por entre as pernas alagadas em gestos esquecidos. Devoram-se as esperas reveladas nos rostos cansados de quem vive o fim como nova forma de acordar.

Os corpos afastam-se. Ressentem-se dormentes ocultando o que não exprimem. Sorriem, enfrentando o medo, sorriem no instante em que as almas brincam distraídas, em que nada ficará na memória. Nada do que foi vivido.

Despedem-se com a certeza que algo morreu naquela efemeridade onde o desejo se cruza com a solidão.

segunda-feira, novembro 13, 2006

Verão de S.Martinho

A noite de ontem. Melhor dizendo, a madrugada de ontem. Sorrio porque nos revejo nas constantes fracções de segundo em que a loucura toma conta de nós. Em que regressamos aos tempos selvagens das primeiras noites. Aos densos momentos em que o tempo volta a parar e não nos questiona mais.

Agora, vestida de ti, sinto, ainda, o rastilho puro do desejo. O nosso desejo. Que nos agarra pelo corpo e nos flui pela mente, quando o teu corpo sobe pelo meu e deixamos de saber como regressar à realidade. O teu corpo que fecunda raízes no meu sexo. O teu corpo que se esvai em tragos de luxúria quando as nossas línguas ganham ritmo conjunto e dançam incessantemente. A força da intensidade que nos arrasa e nos deixa prontas para encararmos a morte. A morte de mais um dia. O nascer de mais um orgasmo. Irrompes em mim como verdade inquestionável. E eu irrompo em ti como um novo acreditar. Tomo-te a boca e devolvo-te toda a Fé inexistente nos últimos anos. Sabemo-nos, assumidamente bem de mais para nos deixarmos de beber. E saboreamos a mudança. A nossa mudança mútua. O inicio da nossa vida. Até que o tempo passe a ser encarado apenas como algo inevitável neste viver.

Somo-nos.






(Achas que a garrafa de vinho tinto que está na dispensa chega para fazermos 31 brindes?)

domingo, novembro 12, 2006

Memórias de um Sábado.


Fazes surgir em mim vagas de fascínio. Por ti, unicamente por ti.
E esse teu sorriso cultiva esferas de vida em mim, Meu Amor.
Regresso ao jardim e ás gaivotas e vejo-te de máquina fotográfica na mão, na busca da perfeição, perfeição essa que te nasce, tantas vezes, nas mãos. Nessa força que te desnuda aos meus olhos e me faz não te negar nada.
Regresso ao ontem e tenho de te dizer que eu não consigo disfarçar o que de extraordinário nos acontece. O magnetimo dos nossos olhos. A busca feita pelos nossos corpos, que nos atira uma para a outra. É impossível resistir ao poder deste Amor.
Cresces-me e vives-me em plenitude.
Mesmo no amanhã.

quarta-feira, novembro 08, 2006

"Capricho"

O texto que vou publicar em seguida foi-me escrito por alguém com uma importância inquestionável na minha vida. É um texto que adoro mesmo que tenha partes não tão agradáveis. A sua veracidade é incontestável talvez por isso me diga tanto como diz.

“E nunca mais te atreveste a escrever-me.
Sim, porque os teus escritos não passavam de grandes atrevimentos com um destinatário.
Não sabias nunca ao certo por que escrevias.
Mas também não questionavas demasiado. Acomodavas-te ao teu capricho de tenra idade e eras feliz. Por momentos.
E por momentos acreditavas existir no espaço do teu destinatário.
Ouve, já pensaste em rasgar todas as cartas e incendiar o sentimento? Duvido, pois trata-se do teu capricho e tu és a "autoridade máxima do próprio coração"!
Enfim. . . como se fosse possível ditar regras a esse miserável.
Hoje findaram as lutas, as palavras e as crenças.
Tudo porque decides que já chega. É impressionante como consegues atropelar os sentimentos tão facilmente.
Chego à conclusão de que nunca sentiste foi nada. Ansiavas tanto por sentir que inventaste um nome para tudo, à tua maneira.
Sim, porque se não for à tua maneira, "não presta".
Que coração tão idiota, esse.”
Data de Agosto de 2006

domingo, novembro 05, 2006

"There's only one love. It's only one love, and it's only your love."

Meu amor, chegaram os dias de tempestade ao meu corpo. Gotas grossas de desespero se ancoraram por dentro de tudo o que construímos e reconheço a corda que te puxa para longe de mim. Reconheço a sua amplitude e a maneira como nos corrói por dentro. Reconheço-me aí nesse espaço que agora é só teu. Nessa angústia de sabermos que raramente conseguimos fugir desse aperto. Dessa esfera pintada a vermelho que nos fecha por dentro. Nos faz transpor para dentro de paredes espessas e quase que intransponíveis. E os dias corromperam-se e os planos começam a flutuar. Nada é hoje como era ontem. E o amor agarra-se à pele bolorenta das almas para sobreviver. Para não se deixar ir no rio dos medos, das inseguranças, das perguntas agora tão mais presentes. O nosso amor. O amor que nenhuma de nós desejou. O amor que nos fez nascer de novo. O amor que agora se vê emalhado em nós cheios de obstáculos, de testes à nossa força, a esta nova forma de fé que criámos. Renascemos naquela madrugada numa nova religião. A nossa. E realizámos agora que não nos bastam as rezas. É preciso mais. Um querer. Um desejar. Uma força maior do que tudo o que está à nossa volta. Algo feroz mas profundo que não nos dê outra saída que não seja vivermos isto. Entregarmo-nos ao que nos borbulha no coração. Ao que nos agride a pele quando não estamos juntas.

Acredito-nos como nos vivo. Com uma intensidade inesgotável. Com uma vivacidade que não me deixa atingir o corpo com o cansaço e confesso-me mais tua agora, mais tua na dor que existe, mais tua nesta guerra que está lançada entre a sobrevivência e um viver para além disto tudo.

Assumo-nos crentes deste novo - para sempre - que se prende nos meus lábios sempre que os teus os bebem. Provam-nos como se não houvesse amanhã. Mas existe um amanhã e outros mais. Existe porque no dia em que fugir seja a única solução credível aos nossos olhos, não o conseguiremos fazer porque só saberemos reconhecer o nosso caminho. O meu até ti e o teu até mim.

Não existe nada que me mova disto. Nem mesmo quando te vejo perdida e achando que não nos conseguirás escolher.

"Want to tell you "I love you" cause I really do. Want to give you the answers if you ask me to. Want to leave your door for the last time, want to leave the floor for the first time. Leave the girls, leave it all behind... trust your dreams, your thoughts it's a matter of time.Run right, run left, just don't look back... Take this trip as your first step. Because the tears that we waste only make us blow...everything is perfect from here. and you know I need you there. "

"You said "- I want to die for you"... You cry and I'm repeating all the stories again. You're stading there for so long and it's so hard, that I finally found, it's heaven in your eyes. Innocence? Why? Why we survive? It's you, and your three million ways to make noise (to make me smile) You really don't know, you really don't see, you really have got a light, I'll found you..."

Letras 645 e Nice and sweet dos The Gift

terça-feira, outubro 31, 2006

Mais um dia.






"Quando te observo, ao longe, percebo (ainda) mais o quanto te amo. O que és para mim. Por dentro. Em tudo o que sou."
- 27-10-06






Nada em mim mudou desde que descobri que sei Amar. Que sei desejar. Uma só pessoa. Que sei foder e gostar ao mesmo tempo. Que sei estar num relacionamento sério. Que sei adormecer e acordar vários dias seguidos com a mesma Mulher. Que sei falar de tudo o que me enaltece e corrói por dentro. Que deixei de fingir. Que me entreguei toda deixando de lado as amarras que me castravam. Que comecei a pronunciar as palavras (sentido-as) que me causavam enjoos matinais e alergias constantes. Que compreendi que afinal o meu coração principal não é o meu sexo (não agora. Não contigo).
Que não consigo conceber já os meus dias sem ti.Que é insuportável a ausência que nos é imposta diariamente (embora também necessária e saudável).Que a minha boca ressente-se quando me afasto de ti todas as manhãs.Que todo o meu corpo assume-se teu.
Desde que me é impensável a ideia de te perder, de fraquejar, de provocar o fim.Desde que tudo o que me nasce por dentro tem o teu nome e apenas conhece os caminhos que me levam até ti.
Fora isso, continuo a ser uma cabra insensível, com rasgos de agressividade, egoísta com uma dose imensa de narcisismo, puta, carnal, intolerante, fria embora não gelada, impulsiva, com um ego (quase) sempre prestes a rebentar, snob e um mau génio pronto a ser contemplado.
Ou seja, continuo a ser a mesma miúda, a única diferença é que o que tenho de bom multiplica-se em tamanho e essência desde que estamos juntas. Desde que me soltaste e me fizeste nascer de novo. Em ti. Em nós.
Meu Amor.

terça-feira, outubro 24, 2006

“(...)
Take me, cure me,
kill me, bring me home
Every way, every day
I keep on watching us sleep
(…)
My fall will be for you
My love will be in you
If you're the one to cut me
I'll bleed forever “

Nightwish – Ghost love score


E reencontramo-nos hoje, pela madrugada, com os corpos expostos à loucura desmedida dos últimos dias. À mesma hora. Com as palavras, desta vez, mais silenciosas. Com o esganar dos corpos, menos compulsivo, mais calmo. O cansaço alastra-se, por ora, e não sabemos se irá ter sossego nos próximos tempos. É uma questão que foge à racionalidade, tu sabes, eu sei. É algo mais forte do que isso. Nasce-nos no corpo, fica-nos nos poros, a nossa mente também é culpada. A insaciedade é crónica em nós. E continuamos, sabendo já, que não temos cura. Que isto é doença. E a única forma de nos sentirmos melhor é, prosseguindo neste caminho. E vejo-te, como muitas vezes acontece, com esse teu ar de menina que quer doce. E esses teus olhos, verdes de férteis, que me procuram, quando a noite já se sentou e nos quer levar para outro sítio qualquer. Vejo-te, com as tuas mãos, que abraçam este corpo que é teu, no deslizar desses teus lábios embebidos de sensualidade, pelo meu pescoço, na segurança que as tuas palavras me oferecem e me alimentam dia após dia.

Não te consigo deixar de pensar, arrebatas-me por completo, nestes sentires que me entram pelo corpo e permanecem por cá. E a ausência que nos é imposta, maltrata-me e faz-me enlouquecer por dentro. Esta vida, precisa de ti. Este é o teu espaço, e nos meus olhos encontras o mundo. Vem, meu amor.

quinta-feira, outubro 19, 2006

Encontraram-se numa certa noite. De um ano qualquer. O espaço temporal tem a importância que lhe damos. De resto pouco importa. Porque acresce ao momento. Ás vezes apenas traça um limite. Ou dois na nossa maneira de ver as coisas, que geralmente é a errada. Mas que sei eu? O suficiente.

Encontraram-se num bar de uma ruela com traços cinzentos de tristeza e nuvens vermelhas do sangue espalhado pelos corações partidos. Sorriram, fingindo o conforto inexistente. Tocaram nas mãos, e as respirações aumentariam a cadência daquela noite. O brilho que era notado nos seus rostos ébrios. Entraram. Sentaram-se com os corpos encostados, timidamente, encostados. As palavras eram o gelo de um congelador qualquer. Podia ser o de uma delas ou das duas. E o fogo escondido nos sexos daqueles corpos pretendidos, não era suficiente para moldar aquele gelo entorpecido.
Pediram bebidas ao empregado de cabelo descomposto, cheiro intenso a um desinfectante qualquer, olhos suspensos numa droga comprada noutra ruela esquecida de Lisboa.
As bebidas chegaram, os corpos mexiam-se com uma delicadeza não justificada. As bocas falavam, agora sim, num transe de quem se quer calar e viver, mastigar o alimento que nos é oferecido no silêncio das vontades que se querem adormecidas (Pensamos nós, que a facilidade das coisas, adormece certas questões (i)morais).

Uma das mulheres, aproxima-se trémula, desvairada, na explosão que é eminente, no perigo que lhe persegue a pele, lhe rasga a sensatez, e acelera o batimento cardíaco do sexo, na humidade que arranha o tecido que lhe protege o desejo. Aproxima-se, escondendo os lábios tensos na pele que se prolonga por detrás da orelha, firmando palavras desconexas com a realidade mas embrenhadas em sentires avessos, prostitutos. Alonga as suas mãos na incoerência que se estende no corpo da outra mulher, os seus dedos revelam segredos na pressão dos dedos que dançam sobre a pele, sobre os poros que se abrem à medida que os arrepios se pernoitam.

O bar escurece. As pessoas não se apercebem do que está a acontecer. Ninguém se apercebe nem elas próprias. Daqui a poucos minutos, elas chegarão ao limite. Deixarão de se preocupar com o que as rodeia. Irromperão pelos seus corpos adentro, não resistindo ao apelo dos sentidos, ao que lhes está por debaixo da pele. Serão uma da outra pelo menos esta noite. E viverão. E os corpos pela primeira vez serão compreendidos. Serão tendencialmente satisfeitos. A noite pesará menos. Tudo pesará menos. E olharão a vida como há muito não a olhavam. Sorrirão e talvez no fim se abracem no entendimento revelado, no encontro das suas vontades. Talvez tudo mude, esta noite.

sexta-feira, outubro 13, 2006

Tu – minha Mulher.

Eu – tua Menina-Mulher.

Somos-nos
Reconhecemo-nos
Inteiramo-nos
Abrimo-nos
Assumimo-nos
Alimentamo-nos
Possuímo-nos
Invadimo-nos
Quebrámo-nos

Tu singular, na minha pluralidade.
Eu certeza, nos teus medos.

Duas. Sempre Duas.

Sexta-feira 13 – Um dos nossos dias. Por dentro de todos os outros que ainda não iniciámo-nos.

Os teus olhos abrem-se
No silêncio
Do que sentimos.

E as madrugadas são os beijos que nos fecham do que nos atinge.

Brindemos à indefinição, a que demos um nome, no último suspiro de um orgasmo.

(Lê-o nos meus lábios)

segunda-feira, outubro 09, 2006

(Re)nascer


Este dia. Esta tarde. Tudo se multiplicou em mim. O destino ficou-nos nas mãos. Deixámos de controlar e a palavra "fugir" começou a desaparecer das nossas visões. Encarámo-nos, vivemo-nos, respirámo-nos, confundimo-nos nisto que agora é nosso.
Deixei as teias no passado. Apaguei os medos e sinto agora em mim uma coragem que até então me era desconhecida. Que estes dias se prolonguem na esfera das nossas vidas. Que as nossas palavras nunca percam o seu sentido. Que os prazos se esqueçam no tempo. Que o sermos seja tatuagem nos nossos corpos.
Alimentamo-nos nesta viagem intemporal, com o reencontro sempre presente sejam quais forem as partidas. Os erros. Os desentendimentos. Saber-nos-emos, sempre, neste magnetismo que nos detém juntas.
O agora é mais do que hoje. É para além do amanhã. É tudo o que queremos e sabemos que vamos ter.

sexta-feira, outubro 06, 2006

As palavras cansam-me. Quando leres esta primeira frase, vais pensar para ti: “Quem diria...sendo tu uma miúda tão faladora”. E apetece-me sorrir ao imaginar-te. Não, não vou começar com os devaneios atordoantes. Não vou dar rasgos à loucura. Não me apetece escrever. A escrita é sobrevivência, mas é bom morrer nestes intervalos, preciso-os também. Como preciso de ti. Neste momento esperas-me, o teu corpo ressente-se da minha ausência, apenas de minutos. Poder-te-ia contar em silêncio a forma como rasgas toda a minha vivência até agora. Como me enalteces os momentos. E os sentidos. Hoje senti-nos a respirar.

E agora?

Daqui a horas despedimo-nos. E já me alucina a ausência. A perda. A premonição que isto só vai aumentar a intensidade. O desatino. A inquietação. E agora sim, vamos sentir-nos a enlouquecer. Querer e não querer. Sentir e não assumir. Ir e voltar. Perdermo-nos sabendo que temos na palma das mãos as direcções todas anotadas. Decoradas. Assimiladas.


Leva-me de volta aquele pôr-do-sol e demora a trazer-me de volta à realidade.


Fecha os olhos, pressente a cadência da minha voz ao teu ouvido e ouve-me:

“Não existe outro agora que não o nosso. Esqueci-me da palavra “temer” no ontem. Fiquemos. Aqui. Por ora. Ou mais, no nada que nos é tudo.”

sábado, setembro 30, 2006

História de Embalar

"A tua verdade é tão frágil...parece que é fantasma.
As omissões são mais imperiais.
Cadências.
Mentiras mutantes."
- P.F




Era uma não só vez, uma Puta. Dormia nas masmorras do meu coração. Dormia em véus de desejo. Fumava cigarrilhas francesas. Bebia vinho tinto. Lia pouco. Falava muito. Fodia outros corpos menos crentes que o seu. Gemia em silêncio. Gritava em loucura. Dormia abraçada ás presas expostas no seu talho pessoal. Sorria muito. Soltava gargalhadas infernais. Alimentava-se de banquetes com tons negros de orgasmos.
Nas suas folgas de caçadora infalível atirava-se às mamas de mulheres ingénuas que viviam com o terror de serem novamente magoadas. E morriam orando ao Deus Nosso Senhor que lhes salvassem o coração partido e lhes devolvessem a alegria de viver (que sem o amor se perde, tenho ouvido eu dizer(Posso-me rir?).
Nas madrugadas das suas ditas folgas, metia-se dentro da banheira e afundava cada vez mais os seus sonhos à medida que sentia a excitação no meio das suas pernas. Sonhos de outras vidas. De outras faces que pretendia encarnar. Sonhos que morriam na água que a lavava.
(Se, por um acaso, se perguntarem se isto faz algum sentido, posso desde já adiantar que não, não existe qualquer sentido nisto, apenas se trata de um acaso. Um acaso da escrita.)

quarta-feira, setembro 27, 2006

Regresso(te)

Entrego-me em raízes ao teu corpo, enquanto te rego com a língua as profundidades que escondemos de nós próprias. Solto-me quando me beijas a alma, devagarinho contrariando a intensidade do que vivemos. Sinto-te por dentro quando a tua respiração se prende ao meu ouvido e oiço-te em palavras que não dizemos.

Amanhã retomarei o nosso caminho e tudo fará sentido.

Tudo.

sábado, setembro 23, 2006

Deito-me nesta mesa dos pressentimentos, de nudez colada a uma madeira escura pernoitada de luz que antecipa o nascer de um dia. Mais um, na contagem decrescente da leitura da minha vida. Ou quase vida. Rastejo as minhas mãos pelos caracóis desconcertados que se ficam pelos meus ombros calejados de beijos raivosos, penetrantes.
Trago em mim os cheiros de Outubro, das folhas secas que me ferem o corpo em desatino de desejo, de quebras desalinhadas de lábios fundidos pela minha pele arranhada de perdição nos tragos de luxúria que encontraram aqui o seu leito.
Procuro-me com a ponta dos dedos como se seguisse um rastilho de pólvora pront0 a ser despertado, atormentado com o receio de explodir. Sigo-me pausadamente, como se a ponta dos meus dedos fossem os teus emprestados, cedidos à vontade nossa de me liberares, de me ouvires pronunciar as palavras que anunciassem o meu nascimento.
Encadeio-me em sons que são silêncio sequestrado na minha garganta, sufoco nesta ausência que me prende o calor ao corpo e faz-me revirar apoiando os meus seios estonteados ao vidro embaciado da mesa, enaltecendo a pressão nos joelhos aguardando que tomes posição neste espaço e me esventres a solidão do meu desejo. Depois de sentir-me presenteada desenfreadamente pelo cansaço de todo o meu corpo, dar-te-ei a beber o que ainda me resta nesta espera desinquietante que é me sentir descoberta pelos teus olhos.

terça-feira, setembro 19, 2006

Nasceste submersa nas verdades que tento esconder. Nas mentiras que invento para as conseguir acreditar. E no fundo eu já não sei quem sou. Sei que sou má pessoa. Sei que nada em mim me impede de magoar os outros. Sei que quero, quero muito mas a meio caminho já me fartei do que me espera, do que sei que vou ter. Não consigo deixar de querer, e isso tens de saber que é verdade, é esta a minha natureza. E tudo o que quero vou conseguir. Porque para além de o querer, sou forte o suficiente para o concretizar. Com muitos entraves, com muitas dúvidas. Nem sempre à minha maneira mas consigo. E isso é que me faz dormir descansada (ou não). Já to disse uma vez, visto todos os dias a pele de um camaleão e sou todas as pessoas que queres que seja. E poderei fugir dos outros à vontade. Ninguém me irá conseguir apanhar. Conhecer. Arrancar de mim o meu coração. O amor que duvido que exista em mim.

Preenches-me a carne dos desejos sem nunca me alimentares. Não me queres alimentar. Não me queres deixar provar o prazer da insaciedade. E eu gosto desta guerra. Deste destino que nos sai das mãos, que deixou de pertencer às nossas vontades racionais. Gosto como se abortasse um orgasmo. Ou dois. Ou todos os que fazes crescer por dentro. No interior do meu ventre.

Um dia. Apenas um só dia, eu permitirei que me tomes. Que te escrevas na minha pele. Que me alimentes sem me viciares. Que me sorrias sem te dares. Que me beijes sem me atormentares. Que comas o meu coração inteiro. Um só dia. Só assim conseguirei acordar no outro dia e sentir que posso estar sem ti. Sem amarras. Sem as memórias a invadirem-me o corpo com o teu cheiro. Com as tuas mãos a concretizarem-me.

Um dia, nada mais do que isso.

sábado, setembro 16, 2006

Entreabres-me o ventre com a fúria que antecipa a satisfação máxima que não existe sequer. Aguardo-te na impaciência que não sei fingir, e faço orações aos deuses dos desejos para que não te demores. Para que encerres já esse teu jogo que criaste para me tentares controlar. Neste momento em que te aguardo, estou-me a foder para os teus jogos e se não tens coragem para me possuíres como eu gosto, então nada estás aqui a fazer.

terça-feira, setembro 12, 2006

Encontrámo-nos em mais um dos meus desencontros. Retorno às tuas mãos quando a vida me pára. Quando a vida deixa de fazer sentido. Deixas-me entrar, sempre o deixaste, nesse pormenor de amor perfeito que não existe mas que não deixas de o fazer crer.
Acolhes-me quando o silêncio se impõe como destino último e lês-me palavras antigas que descobriste, por um acaso, na tua livraria favorita. Fazes listas do que ainda não fizemos juntas e no meu peito desfolhas beijos com sabores tardios de madrugadas neste verão já quase findo. Depois sorris quando me enfureço e me desenho bruscamente contra as paredes, sorris da minha insatisfação entorpecida. E quando me deixo cair no chão com o rosto de menina a brotar nos meus olhos, lanças gargalhadas que me sossegam a histeria.
Quando a noite está quase a desaparecer estendes uma manta cinzento velho pelo chão da tua sala e estendes-me a mão, abraças-me e dizes-me que daqui a horas eu estarei bem, de volta com as palavras presas à alma e no meu mais alto auge. E eu deixo-me ficar nos braços da tua serenidade, bebendo os sorrisos que me dás a conhecer.

A manhã chega e eu estarei bem. Deixarei a tua casa sem uma única palavra, sem um único sinal de agradecimento e sem demonstrar a ternura que sinto por ti. Tu não estranharás mas não me sorrirás e sei que o meu renascimento será resultado da mágoa que te irá acompanhar o resto do dia.

Embora me custe, não sei abandonar esta minha estranha forma de ser.

sexta-feira, setembro 08, 2006

Massagem sem ética

Entrámos em tua casa. Entrámos naquele espaço só teu. Percebi-te em todos os recantos. Existias em todos eles com rasgos de memórias de outras pessoas. Trocámos olhares. Trocámos sorrisos de peles quando propositadamente nos sentíamos. Levaste-me até ao teu quarto, até à tua cama que se dividia em duas. Despi-me das roupas que me prendiam o calor, pedi-te ao deitar-me para me tirares o soutien. Assim o fizeste, deixando-me a pele a palpitar de arrepios. Começaste a fazer a massagem que te pedi e que à muito estava prometida. Senti as tuas mãos a caminharem tensas pela minha pele e à medida que me queimavas os sentidos, sentia-te também com a respiração mais ofegante. Paraste por minutos, voltaste e sentas-te no outro lado da cama à minha frente. Levantei a cabeça, deixando-te anteveres os meus seios, sorriste atrapalhada. Também gosto de te ver atrapalhada e ligeiramente provocada. Pus-me novamente em posição para te sentir em mim, sabendo, que aquela massagem, tinha à porta um letreiro em que se lia “Massagem sem ética”. Continuaste a deixar-me desfrutar dos alongamentos das tuas mãos….deitaste-te em cima de mim…senti-te mais perto. Senti-te com as temperaturas elevadas. Sorri de olhos fechados, como se não estivesse a perceber nada. E sei que te perguntavas o porquê de não reagir mesmo que soubesses que o faria para te provocar. Para te começar a levar ao limite. Dizes-me ao ouvido: “esta parte não faz parte da massagem” e apetecia-me dizer-te que nada daquilo fazia parte da massagem, mas fiquei uma vez mais em silêncio. Virei-me para ti. Quis que me visses toda. Começamos na troca de provocações. Com os nossos corpos mais juntos…roubaste-me um beijo e com a minha colaboração nos confundimos. Não deixei que me beijasses mais. Sabes como gosto de controlar tudo. Sabes e gostas. Pediste-me um abraço. Disse-te que teria de ser a fingir. E demos um abraço a fingir. Sentimo-nos mais perto, sentimos os movimentos dos corpos uma da outra. Irrompeste pelos meus seios, pelos meus mamilos. E a tua respiração….tão descontrolada ao pé da minha.

- Queres sentir o meu coração? (perguntei-te com a inocência que perdi há muito)
- Sim quero.

(pego na tua mão e ponha-a no meu sexo)

- Puta!

E sou. E gosto de sê-lo contigo. Mas o meu coração principal é o meu sexo e tu que me apelidas da pessoa mais sexual que conheces, já o deverias saber.

Afastei-me de ti. Fui para o outro lado da cama. Com o sexo em fogo. Com o corpo a precisar de ser fodido. Mas não era o momento. Não seria naquele dia em que nos iríamos acontecer.

Levantei-me e comecei a vestir-me. Tiraste a t-shirt e vi os teus seios. Vestiste o soutien, e eu chamei-te para perto de mim. Tirei-to e bebi dos teus seios que me cegavam os olhos. E retomei a vestir-me. Saímos de tua casa e fomos almoçar.

Se fores à tua agenda, irás reparar que marquei outra massagem para a próxima semana.

quarta-feira, setembro 06, 2006

Vens falar comigo, vens-me falar do teu amor, do que esta tua nova relação te trouxe. Dizes estar feliz. Dizes que nunca antes tinhas conhecido tamanha felicidade. Dizes que nada poderá derrubar este amor. Porque o amor verdadeiro não se derruba. Falas-me que vivem juntos. Falas-me dos jantares que fazem a dois. Falas-me dos fins-de-semana de loucura. Falas-me que o sexo nunca foi melhor. Para ti tudo o antes não foi um nada de viver. Agora sim isto é viver.

Vens até mim, e eu oiço-te como a grande amiga que sou, e adoro saber que estás feliz, mas preciso de te avisar sobre o amor, sobre esse teu estado de felicidade que julgas inabalável:

Esse teu amor não é eterno, acabará, e quando acontecer tu vais cair, vais deixar de acreditar na vida. Vais deixar de acreditar nas pessoas. O amor para ti igualará a morte. Vais-te esquecer de ti. Vais fechar-te em casa. Sexo para ti será a mesma coisa que nada. Poderão entrar de ti que só um nada sentirás. Sim, para ti tudo será indolor. A partir de agora.

Porque o amor é assim. Preciso de te avisar, que o amor dá-te a provar o melhor que existe. E depois ele foge, acaba, morre – porque é assim que as coisas são…e depois viverás com o desespero de estares num fundo de um poço negro…e as pessoas chegarão até ti, e falarão contigo e a única coisa que tu vais dizer para ti será: Estas pessoas são tão diferentes de quando eu vivia o amor.

Porque tudo é diferente. Os dias. As horas. A forma do teu corpo na cama. A textura dos teus lábios. A humidade do teu sexo. A fragilidade de como se vê as coisas. As palavras caem no vazio. O coração fica eternamente fechado. Tudo é diferente, até nós somos diferentes, porque quem prova o melhor que há deixa de saber viver no depois.

E dizem que o amor é a melhor coisa do mundo. Preciso de te avisar que depois a vida não será a melhor coisa do mundo.

Nem tu.

domingo, setembro 03, 2006

A mulher chegou ao quarto já passavam das seis da manhã, nas últimas quatro horas tinha feito de tudo um pouco. Devolveu-se à serenidade que o álcool lhe parecia dar. Recolheu-se às palavras dos seus livros predilectos. Dançou as músicas que tiveram sucesso na sua adolescência. Embriagou-se de emoção ao tentar saber se a vida agora teria um sentido. Um só rumo. Masturbou-se tentando assim enganar a solidão dos seus dedos, do seu corpo magro, gasto. Nesta noite tentou enganar-se a ela própria. Mais uma vez.

A sua casa era branca. Num branco sujo rabiscado de memórias das coisas que nela estavam atulhadas. Coisas que na verdade não tinham a sua identidade. Não eram suas. Pertenciam às suas pessoas. Deixava-se aconselhar, deixava que os outros partilhassem consigo os seus gostos particulares e na angústia desmedida de sentir, fazia desses mesmos gostos os seus. E quando já os tinha adquirido gabava-se que se tinha apaixonado por tais coisas. E os outros sorriam, achando que tinham um grande sentido de persuasão ou muito bom gosto. Sorriam, as suas pessoas.

A sua vida era uma farsa, eram as únicas palavras que dizia a si própria nas suas muitas conversas para tentar matar as insónias. Sim era uma farsa, e dizia aos seus amigos, que agora seria outra pessoa. Porque ela era uma outra pessoa. Mas ninguém sabia, nem ela mesmo sabia. Os seus amigos, com gestos surpreendidos, diziam que só o tempo poderia fazer com que eles reconhecessem esta nova pessoa. E ela na tentativa desesperada que eles a ouvissem dizia para dentro que o tempo era a ilusão dos que precisavam de desculpas.

Daqui a dois dias, iria destruir tudo o que não era seu, achando que assim também iriam embora os últimos restos da outra mulher. Da outra assinatura que vivia na sua pele. As que os outros gostavam. A verdadeira – diziam eles. A falsa – sentia ela. O seu apartamento deixaria de ser branco. Deixaria de ser cheio. Deixaria de ser um espaço para convívio entre artistas. Pseudos. Porque os verdadeiros artistas não têm espaço próprio, tem vários espaços, aqueles que se escondem pela arte que criam.

Existiu uma partida. Definitiva. Ela sabia que sim. Mas vivia ainda na crença que a mudança ainda poderia acarretar regressos. Ela queria aquele regresso. Queria. Mas sabia, com mágoa, que ele não era mais do que um sonho. Daqueles com muitas cores. E sem um trilho de branco.

O quarto perdera a sua luz. Tudo perdera a luz. Com a partida.

E agora com os retalhos esquecidos de orgasmos sentidos nos lençóis, ela deitava-se tentando estabilizar a sua alma. Em vão. Nos próximos dias tudo seria em vão.

Até a morte.

sexta-feira, setembro 01, 2006

No depois-amor existe um período de negação
não do que nos morreu
mas sim do que nos restou.

terça-feira, agosto 29, 2006

Acordou nua com o corpo como prova dos movimentos, dos sons ensurdecedores de dois corpos unidos pelo prazer. Quis abrir os olhos e ver a pessoa que estava deitada a seu lado. Quis ver quem ali estava e respirar de alívio. Não queria que o prazer que o seu corpo latejava fosse resultado de apenas um sonho. Queria não estar sozinha naquele dia. Queria falar ou apenas sorrir. Queria ali alguém, mesmo que soubesse que a realidade levaria essa pessoa horas mais tarde porque para si aquele seria o resultado esperado das suas saídas de sábado à noite. Uma noite de sexo nada mais que isso.

Abriu os olhos e olhou para o lado esquerdo da cama, os seus olhos abriram-se mais ao verem um corpo nu, um corpo bonito enfeitado com marcas de outro corpo, de outras mãos, dentes ansiosos por carne humana. Reparou nos cabelos curtos castanhos-claros com traços leves de vermelho, reparou na forma como aquela pessoa dormia. Gostou estranhamente, gostou. E naquele momento assaltou-a um instinto de ternura e quis abraçar aquele corpo anónimo, que lhe ponha vontades nas mãos, que lhe acelerava a sua respiração. Quis mas controlou-se porque tudo na sua pessoa era controlado. Era algo nato. Controlou-se, virando-se para o outro lado, vestiu-se calmamente sem mais nunca olhar para aquele corpo. Aceitou que aquele era o fim e saiu daquela casa que não era a sua.

quinta-feira, agosto 24, 2006

"And then I looked up at the sun and I could see
Oh the way that gravity turns on you and me
And then I looked up at the sun and saw the sky
And the way that gravity pulls on you and I, on you and I"

Quisemos crescer dentro das palavras, daquelas que semeámos, tentando com isso cortar com as amarras quebradiças do passado. Do que nos corre pela respiração. Fizemos de nós, o elo de ligação, a virtude da sobrevivência. Unimos as mãos tentando com isso provar que agora será diferente. Que o medo poderia nos morrer. Que o amor poderia deixar de se arranhar nas paredes e renascer na nossa cumplicidade.

Quero que pares. Quero que me olhes e tenhas certeza do que sou. Em ti. Em nós. No que durante tanto tempo escondemos. Preciso dessa certeza, tens que entender…
Agora é o tempo de pararmos, de deixarmos de arranjar desculpas, outras pessoas, outros contratempos.

Nenhuma história vai esperar por nós. Nada espera por nós. E o nosso caminho há muito que está feito, precisámos sim de o agarrar.
Mais do que nos entranhar por dentro, mais do que nos sentirmos, mais do que tudo o que existe, é preciso decidir.

Deixei de saber esperar por nós. Não o suporto mais.

Já não me conheces o suficiente?
Já não sabes que me ferem os minutos?
Esta vida que se prolonga?

É agora
Este momento

Preciso que decidas
Que me abraces
Que me cheires
Que me deixes ficar em ti

Porque no amanhã
Já nos perdemos


De novo
Sempre
Até que deixe de haver espaço para nós

Para os nossos nomes
Para tudo o que poderia nascer.


Sei de ti
Nesta ausência
Que me vinca a alma.


Agora

terça-feira, agosto 22, 2006

Noite de Verão

A noite começou como uma normal noite de Verão. Precisava de libertar os demónios dos últimos dias, e a ideia de ir beber um copo com as minhas amigas, não me soou nada mal.
Entrei no bar já usual das noites de Agosto. Vi-te logo ali a socializar perto da entrada. Revisitaste-me os olhos. Já nós tínhamos cruzado algumas vezes, mas a tensão nunca permitiu qualquer aproximação. Até esta noite, em que as palavras precisavam de som e os corpos de alento. Continuamos observando os passos uma da outra, as nossas amigas eram o pretexto para não arriscarmos qualquer aproximação. Até que o teu olhar se permaneceu de mais no meu e dirigiste-te à casa de banho. O instinto levou-me a seguir-te. Sentia o pânico a engolir-me os pés mas tinha que ir ter contigo. Abri a porta e estavas encostada a uma parede negra com poesia escrita a tinta branca. Tu e as palavras. Gostei demasiado da combinação para contrariar as minhas vontades.
A minha boca assaltou a tua num ímpeto que não dava para ser controlado. As minhas mãos prenderam-se às tuas ancas e a força do corpo obrigou-nos a entrar dentro de um dos compartimentos. A rapidez do desejo que nos ameaçava nem nos deu oportunidade para perguntarmos os nossos nomes. Naquele momento isso era o que menos importava.
Sentia a tua língua a embriagar-me, sentia-te a criar em mim novos desejos. As minhas mãos agarraram-se ferozmente às tuas nádegas enquanto sentia o meu sexo a latejar cada vez mais em desejo. O teu corpo colou-se ao meu e cravei-te beijos inquietos nos teus ombros. Viraste-te e pregaste o meu corpo já quase nu à parede, abriste-me as pernas e rasgaste-me o sexo de prazer. Enquanto te movimentavas dentro de mim, perguntaste-me se queria ir para tua casa. Respondi-te que sim depois de me dares o orgasmo. O primeiro daquela noite.
Arranjaste-te e disseste que me esperavas à porta. Logo a seguir encontrámo-nos.
Dentro do carro, dei de beber à sede que se ancorou na minha língua, e já em tua casa algemei-te a alma ao sexo e dei-te prazer até amanhecer.

Presenteaste-me com a melhor noite deste Verão. E eu dei-te a conhecer o que o teu corpo pedia e tinhas receio de lho dar.

Ficamos ambas a ganhar.

sábado, agosto 19, 2006

Chego a casa, com a luz a pressionar-me o corpo ao descanso. Chego após mais uma noite de sedução, de esbanjamento de olhares, de troca de palavras viciadas em vista de um único resultado: descarga corporal. Existe um jogo, uma disputa, uma argumentação que está preparada ao mínimo detalhe e que não tem hipóteses de falhar. Tudo está descrito na minha mente. Cada palavra. Cada sorriso. Cada toque. Tudo elaborado subtilmente de forma a ganhar o seu espaço sem que a outra pessoa repare. Ás vezes o jogo tem sucesso, e temos companhia no máximo para um mês. Mais do que isso é proibido. Tudo começa com um jantar, um lugar que surpreenda, que eu conheça bem para não haver qualquer tipo de deslize. O sucesso está em surpreendermos sempre. Causarmos espanto e surpresa mas nunca sermos surpreendidos. Se isso acontecer, está tudo condenado a um fim muito mais rápido. Do restaurante, passámos para um bar com música calma com vista para o rio. Sem carros. Apenas táxis. O toque começa aí, na parte de trás do táxi, cria-se o ambiente, com a articulação certa das palavras, com a respiração bem controlada, com o contacto entre os olhos sempre presentes, captámos a atenção e a mão poderá dar um pequeno avanço, poderá se descair. Nervosismo é coisa que está fora de moda, e não pode ser usado. Confiança é outra palavra-chave. A confiança é uma das virtudes do charme mas nasce mais cedo. A confiança escolhe as pessoas, possuía-la é algo muito dispendioso, quase que nos assassina a alma. Não a trocaria por nada. É um bem necessário. Molda-nos tudo. E a partir daí possuímos a arte de conseguirmos também moldar as pessoas como queremos, sem nunca estas o perceberem. Se o conseguirmos fazer, merecemos os aplausos finais. Merecemos o corpo nu estendido à nossa frente, pronto a ser mutilado em suor gasto, despejando o nosso desejo por todos os seus poros. Do nosso orgasmo nascem os outros orgasmos. Multiplicam-se, porque a arte também está em saber o ouvir o corpo das vítimas. Ele nós dirá como o deixar viciado, pronto a ser mutilado as vezes que o desejarmos. O corpo leva a mente aonde nós o desejámos e o resto o tempo fará.
Do restaurante e do bar, passamos a uma rotina de fazer crer. Fingir que essa pessoa faz parte da nossa vida. Fazê-la acreditar que está a viver algo de muito especial, que ela própria é especial. Afinal o que lhe oferecemos nós? Felicidade momentânea que lhe pertence durante um mês. Talvez nunca mais a venha a provar. Serviço público eficiente é o que nós fazemos. Deviam-nos agradecer. Mas isso não acontece. Portanto quando esse mês acaba o melhor que temos a fazer, é pegar nas nossas coisas e mudar de espaço. De linhas da cidade. Assim evitámos ser testemunhas de alguns suicídios ou testemunhas do nosso próprio massacre. Sim porque depois de provar tamanha felicidade, as pessoas enlouquecem e acham que a vida acabou. E talvez tenha acabado. Deixem lá. Temos outras vidas para viver, isto se acreditarem claro, se não acreditarem, então esqueçam não há fé para vocês, o melhor é mesmo matarem-se.

Aleluia.

quarta-feira, agosto 16, 2006


Deito-me nos sonhos que o teu corpo me dá a descobrir.
Deito-me sobre essa tua alma vazia de interrogações, cheia de entrega.
Preciso de ti. Preciso de me agarrar aquilo que me dás.

Mesmo que eu nada sinta
Mesmo que eu saiba que isto não tem futuro
E que vou ter que partir

Mas agora é disto que preciso
De sentir que te tenho
Que és minha

O meu egoísmo explode dentro de mim
Mas não resisto

A fazê-lo de novo.

Preciso

Porque nada mais
Me consegue fazer sentir.

E sei que te vou magoar
E sei que te podia avisar

Mas não o vou fazer

Porque tu és a presa
E eu a caçadora

E no final serás mais um troféu.

Não te vou pedir desculpa,

Porque ninguém pede desculpa por sentir.

E é assim que eu sinto,
Só assim.

quinta-feira, agosto 10, 2006

Desassossego (E até já...)


As palavras

Morderam-se

de desejo



E na tua ausência


Morreram-me.




(Perdi-me no número de noites em que quis que me acolhesses.)


E tu?

sexta-feira, agosto 04, 2006

Encontrámo-nos uma última vez. No verão ardente que se imponha nos nossos sentimentos já tão gélidos. Tínhamos nos nossos olhos a tristeza de quem deambula nos dias. A mágoa de quem não conseguiu fazer as coisas direitas. A frustração de mais uma vez o amor não ter tido força suficiente para nos manter juntas. Naquele dia, o adeus era a sombra que separava os nossos corpos. Era o movimento dos corpos que queriam sair dali. Eram os batimentos que a pouco e pouco desfaleciam nos nossos corações moribundos. Não me lembro das palavras que trocámos, não me lembro se ainda te amei naquele dia. Ou se ainda mantinha em mim a esperança de que as coisas pudessem mudar e estarmos juntas ainda fosse uma opção. Não me lembro. E talvez isso seja a salvação. Porque tudo o resto nos morreu.

Cruzámo-nos ainda outras vezes. Com os olhos quase fechados disfarçávamos um sorriso. As palavras afogavam-se em saliva e cada qual mantinha a sua rota. Ainda tenho tanta coisa para te dizer. Coisas que agora talvez tenham perdido o seu sentido. Nunca soube apreender muito facilmente o tempo certo das palavras. Porque tudo tem um tempo único. Exacto. Em que nada lhe poderá roubar o protagonismo. As palavras também revelam esse tempo e eu deixei passar o nosso. Agora a única coisa que se salvou foi um sorriso, que se mantém ano após ano sempre que nos encontrámos. Se um dia tiveres atenta, poderás entender, que é o mesmo sorriso que soltei da primeira vez que te vi. Continua intacto. Verdadeiro.

Se um dia, voltares a este espaço onde me revelo,
Quero que saibas que lamento o dia em que desisti de nós.
Mesmo não sabendo que isso era desistir.
Mesmo nunca entendendo que assim te perderia.

Tinhas razão,

A minha porta nunca esteve aberta para ti.

Nem para ti
Nem para ninguém.


Beijo.