quarta-feira, março 19, 2008

My Blueberry Nights








"How do you say goodbye to someone you can't imagine living without?

I didn’t say goodbye.

I didn’t say anything.

I just walked away."

sexta-feira, março 14, 2008

fake can be just as good. diz:
Sabes que as vezes, a melhor maneira de suscitar interesse nos outros. é sermos simples. sem grandes artimanhas. é ser. sem grandes linhas ou deixas.

Narcisa diz:
Mas eu sou simples.

fake can be just as good. diz:
Não. Tu és complicada. Eu também sou.
Mas percebo o que queres dizer por simples.

Narcisa diz:

Mas ser complicada não é ter artimanhas.
Eu ao ser complicada sou. Não sei ser de outro modo.

fake can be just as good. diz:
Sim, mas tens defesas.
Eu acho que as hipóteses de teres sido feliz com alguém, por medo. Acabaste por desvalorizar e fugir.
E isso é ser complicada, é ter protecções.

Narcisa diz:
Claro que tenho defesas. Eu perdi a fé nas pessoas. Duvido que alguém me possa surpreender.
Digo-te muito sinceramente
de todas as pessoas com quem eu estive
nenhuma poderia fazer-me feliz.
nenhuma.
E nenhuma me tocou fundo como eu gostaria de ter sido tocada.
Nenhuma me marcou no bom sentido.

fake can be just as good. diz:
Achas-te exigente?

Narcisa diz:
Muito.
Sei o que valo.
E não admito que me tentem mudar.
Tornar-me mais humana, como um dia me disseram.
Eu sou tudo, e as pessoas não sabem lidar com isso.

fake can be just as good. diz:
As pessoas não tentam. Não tentam. E acaba por ser isso.
Tentam aqui e acolá uma vez. E desistem.

Narcisa diz:
Sim. As pessoas desistem e eu sinto que desisto com elas.

quinta-feira, março 13, 2008


Um dia, sentado na cama, as costas procurando a frescura da parede caiada, dissera-lha que a respiração apaziguada do corpo adormecido a seu lado era a respiração de todos os outros corpos ainda por vir. Mas de quem seria aquele corpo? Nunca o saberia.
Tinha-o seduzido, levado consigo, acariciado, mas ignorava se possuía um nome. E nada daquilo lhe parecia ser o amor, porque o amor necessita de um rosto, exige um nome. A nudez, pelo contrário, não precisa de nada. Serve para dar e receber, esquece-se rapidamente na velocidade do dia que se levanta. E quase não dói.






Mas o tempo de partilhar seja o que for terminou, o que possuía para partilhar já partilhei. Agora sou espectador daqueles que são incapazes de partilhar comigo o que possuem. No fundo, estou-me nas tintas para tudo isto. Tornei-me um ladrão. Roubo-lhes um beijo, uma erecção, um gemido de esperma, uma carícia… roubo-lhes tudo o que posso e estou-me nas tintas… é isso mesmo, estou-me nas tintas para o que pensam. Nada tenho a perder, a sedução é uma das artes do ladrão, raramente me deixou roubar. Mas que te importa tudo isto, Beno? Sossega, sossega porque o mundo está tão sujo de indiferença…



In Lunário, Al Berto.

domingo, março 09, 2008

"Em que outras angras terás desfrutado a rebentação do Atlântico, devassada sobre um manto de armérias e malmequeres, terás amado antes de recolheres o baque nas ancas? Terás preterido outros portos de sal grosso crestados sobre o teu dorso? Terás amado previamente por cada veleiro em cor de fogo? De que lenha arde a brisa no teu vestido torrão-lima? De que cântaros a seiva enrija da minha sede para o contorno dos teus seios?
O teu esqueleto é um amor de amor encorpado noutro amor de amores nefastos. Massa turva de fronteiras quebradiças.
Sonho o dia em que me abandonarás.
Para que o teu abandono me seja indolor, para que no estibordo das tuas emoções, a minha placitude te seja tranquila como o violeta aberto aos meses de polén. Quando me cederes ao desconsolo do transposto, não te lamentes a despedida. Eu serei por ti, serei das memórias que te desconhecem o desconforto de cada fim, tu serás por mim, serás fiel à ingratidão que ao amor se lhe incumbe.
O amor será por nós silenciado nas angras perdidas da tua virgindade."



In Férreos Transversais de Alice Turvo

quinta-feira, março 06, 2008






I like you
But I shouldn’t
And I could fall in love
But that’s not quite an option for me.

segunda-feira, março 03, 2008

Debrucei-me sobre as memórias. Há muito tempo que não pensava em ti. Aconteceu lembrar-me porque ouvi uma gargalhada que parecia a tua. Olhei mas não eras tu. Não resisti a sorrir. É difícil resistir o que quer que seja quando me lembro de ti. Por vezes, são as lágrimas que se mostram. Hoje foi um sorriso.

Existem dois tipos de perdas. Aquelas sobre as quais não temos qualquer controlo e as que são a consequência de uma acção provocada por nós. É a diferença entre as perdas e a perda. É a diferença entre a morte e a estupidez. E podia ser também a diferença entre os acidentes e o egoísmo.
Não morreste, não foste nenhum acidente nem és uma das perdas. És a perda.
Não poderei expulsar de mim este sentido das coisas. Nem poderei algum dia esquecer que te perdi. Por um acto meu. Um acto de puro egoísmo. E agora sei que te posso dizer que já não procuro o perdão, e já não procuro um encontro contigo. O que fiz é imperdoável. E foi ao aceitar isso que percebi que os nossos caminhos já não se voltarão a encontrar. É este o resultado de quando falhamos perante os outros. Não há lugar para um segundo acto de egoísmo. E aqui a fé não pode entrar. Durante muito tempo tive essa fé. A fé do perdão. A fé de que tudo um dia iria voltar ao antes. Que te teria novamente ao meu lado e que a nossa amizade jamais se esbateria. Não é possível. Tenho que te deixar ir mesmo que na verdade estejas sempre presente. Mesmo quando não me lembro de ti.

A tua perda padece da contagem do tempo. Sobrevive-lhe e sobrevive-me a mim. Levo-te para todo o lado. A tua perda é inquestionável e irreparável.

Lembro-me quando ias assistir às minhas orais, de dizeres para ficar calma quando eu era um turbilhão de nervos. Não parava quieta. Cigarro atrás de cigarro. Dizias que tinha de ter calma e ir descontraída. Que tudo ia correr bem. E na maior parte das vezes corria, e eu sentia-me a pessoa mais feliz do mundo. E tu estavas orgulhosa de mim, da tua afilhada. Sabias, ao menos, o quanto era importante sentir-te orgulhosa de mim? Saberias ao menos isso? E ás vezes corria mal. E tu apoiavas-me e dizias que para a próxima ia correr tudo bem. E eu acreditava e na verdade corria bem. Durante cinco anos foi sempre assim.

Ensinaste-me muita coisa, acho que hoje ainda terias muito que me ensinar. E eu aprendia, devagarinho mas aprendia. E hoje em dia, quando estou triste, recordo-me das tuas palavras e aos poucos e poucos volto a mim. Deste-me bases. Acho que foste a base. Tu e a minha mãe. Devo-te muito. Devo-te a confiança que tenho em mim mesmo nos meus piores dias. Ela está sempre lá. Sei que posso fazer sempre melhor. E agora que começa uma nova fase da minha vida, por vezes, caio e tenho medo, muito medo de falhar. Cheguei à vida de adulto e tudo me parece complicado. Mas eu não te posso falhar mais nenhuma vez, portanto, eu vou conseguir, vou ser competente em todos os desafios que encontrar pela frente. E vou continuar a acreditar em mim da mesma forma como tu acreditavas.

Quero agradecer-te por sempre me teres dado o melhor de ti e teres cuidado de mim. Nunca ninguém cuidou de mim como tu cuidavas. Achei que seria impossível perder-te. Nunca pensei que houvesse sequer alguma probabilidade disso acontecer. Mas nada é garantido, não é? Agora sei-o.

Onde quer que estejas espero que estejas feliz. Eu quero que tu estejas feliz. E mesmo que não estejas pelo menos que te encontres no caminho certo.

sexta-feira, fevereiro 29, 2008

Em que estação estamos nós? Não consigo ver mais do que um espaço. Aquele que te falei, um espaço com paredes. Poderia ser a coisa mais simples do mundo. Não o é. Sei que tem muitas almofadas pelo chão e teria de ter as minhas cores favoritas. Preto. Vermelho. Cinza. E não, acredita que não me esqueço de ti. Não me esqueço do teu chá e não me esqueço dos teus chocolates. E sei que sabes que não me esqueço de nós. Teremos sempre as músicas que serão os passos das nossas mãos. E os filmes para assim nos sentirmos dentro de algo que não seja e não se baste a esta existência pedante. Poderia sempre esquecer-me do que se encontra para além disto. Seria um erro. Penso que já te disse que assassinar o mundo não nos traria qualquer tipo de salvação. Pelo contrário. Seriam mais visíveis as entranhas do que ainda não conseguimos curar dentro de nós. E existe sempre esta necessidade de conseguirmos ultrapassar os erros. Mesmo os que de alguma forma nos trouxeram um pouco de paz interior.

Hoje seriam as palavras que chegariam mais perto de ti. Seriam as palavras que te diriam assim: É por vezes, ao final da tarde, que me encosto mais a ti. Que o meu corpo mais adormecido do que antes precisava do tactear dos teus dedos em busca de um conhecimento mais próprio. O conhecimento tão peculiar que se apreende quando no toque se sente o começo de algo. Hoje seria o meu corpo a precisar de ser descoberto. E digo-te que visualizei os dedos, não outros que não os teus, abrindo caminho pelos meus seios. E pergunto-te de novo: em que estação estamos nós? Poderão ser os teus dedos, na conjuntura das tuas mãos a alcançarem a resposta. O conhecimento hoje poderia começar por aí. Pelo arrebatamento de um corpo nas mãos de outro corpo.

Mas sei que se nos fosse possível a aproximação não te saberia dizer mais do que isto:

Trabalha-me o coração.


(Heart engine. Start me up.)



terça-feira, fevereiro 26, 2008

If you want me








what the fuck are you waiting for?

sexta-feira, fevereiro 22, 2008

P.S. I Love You






Patricia: I bet you've had a hard time walking into a room full of people on your own, right? Yeah. I know that. I know what it is not to feel like your in the room until he looks at you or touches your hand or even makes a joke at your expense, just to let everyone know... you're with him. You're his.

domingo, fevereiro 17, 2008






I wish that we could see if we could be something

domingo, fevereiro 10, 2008

Não sei ser coração na distância. Não sei do mais sem ser pelo menos. O desafio perdura mais do que a certeza. E no ambivalente é como me deito no dia. Não sei ser caminho de alguém. Podem apedrejar-me e a respiração será a mesma. Mesmo que sulcos de sangue me sejam mais do que a satisfação. Não sei ser mais do que isto que me sei. E é no amor que me sei menos de alguém. Podia ser um dia o tudo mas o tempo é o desencontro que melhor assimilei em mim. Não sei ser aquela que todos desejam. Não sei mudar-me por dentro como se apenas fosse vazio. Não o sou. É o que sei.
Arrastam-me pelas teias do desejo como se essa fosse a única forma de me terem. E não me assusto se o compreender. Talvez seja a única forma. Talvez seja a única maneira de me soltar das arestas que se prenderam ao dentro. Não sei ser coração na distância. Porque é na distância que se encontram as fragilidades que renego.

Só sei ser pele na pele. Desejo no desejo. Sexo no sexo. Mãos geometricamente colocadas no meu corpo. E tudo o que quero está nos contornos do outro corpo. Da boca aos pés. É a continuidade do que me surpreende que me tira as raízes do chão. Não é o domínio. Não é a dificuldade de seduzir. Nada disso me agarra. É o salto que se dá depois de nos deixarmos ir que me capta a atenção. A verdadeira.
Palavras que substituem actos. E actos que não me chegam. Nos dias em que me senti preenchida estava nua de medos. Quantos dias o medo foi nulo? Perdi-lhes a conta por não existirem.

Não sei ser mais do que isto. E se isto for o medo do rastilho então é isso que sou.

sexta-feira, fevereiro 08, 2008

Subo os degraus que me ofereces. Como as folhas que se acumulam nos meus livros. Oiço a voz ao longe. A caminho da pele que submerge no corpo. Pedes-me textura ao que sinto. E só te sei entregar num cesto as palavras que não esqueci.

Queres que escolha um espaço. O espaço do reencontro. O retardar de um reconhecimento que já começou a ser feito. Cresces em altura no que sou. E tenho medo que num determinado instante deixe de te conseguir observar. Se o caminho for demasiado. Se eu for vaga no que te dou de mim. Será ainda possível chegarmos lado a lado?

Castigo, tantas vezes, a vida que me chegou às mãos. Maltrato-a para a conseguir sentir. Digo-te ao ouvido: são por demais as vezes que me esqueço do que sou. Que me esqueço de que ainda consigo sentir. Sentir o dedilhar dos dedos sobre a crosta do meu coração. Digo-te ainda mais perto, do sítio onde a voz se confunde com a respiração: Se me tocares não saberei ao certo que toque é esse. Não saberei ao certo onde me tocas tu. Não sei onde está o epicentro do meu sentir. E mesmo assim te digo que estou aqui. Aqui. Do lado em que tu me puxas.

Dizes-me: a minha fé por ti é inabalável.
E se eu fechar os olhos do mundo quase que posso acreditar. Não em ti. Mas nessa fé que me transborda em harmonia. Nessa fé que não seria possível existir se não fosse tua. Se não pertencesse ao melhor de ti. Essa fé.

Reconstruo as janelas do passado que se encobre de presente. Misturam-se. Não. Eu é que as misturo. Na oportunidade remota de me saber construída. Não de cimento mas de madeira porque assim facilmente poderei arder de frente para ti. E das águas que se bradem dos teus olhos poderei ser salva. E viver. Poderei reaprender a viver com tudo o que sou. Toda a matéria-prima que te esqueceste de alienar. Sou eu. Poderia gritá-lo se a voz se aguentasse. Se tu ainda te encontrasses aqui.


Cais-me de novo no corpo, na facilidade com que se ouve o ruído do todo que está lá fora. Cais-me de novo no corpo como abutre desfiando a carne já solta da pele. Sou de pouco alimento para ti. Para a fome que te provoca espasmos de angústia. Sou-te pouco porque foi de ti que me libertei em vez de partir.

E ainda te consigo ouvir quando dizes:
No engano do acto fruto do amor fica quem se nega a fugir da dor.

Partimos.







“There was a child who was born to be the one who comforts me
Who was born strong and brave and holy, loves me rough and tenderly
Can it be understood the reaons why do you belong to me?

I need the steady of you and I’d give you everything
That i could cut this sweet precision from beneath my tender skin
There is a way, there is a way that you could save me from this

Would you promise to be king?
Promise to be kind.”


Mirah – Promise to me

quinta-feira, fevereiro 07, 2008






"I'm coming home back to your bedroom eyes"

quarta-feira, fevereiro 06, 2008

Às vezes no meio dos outros não sou nada. Mas e tu? Tu. O teu nome que é uma palavra. É um segredo. Um segredo no meio de tantas bandas sonoras.

Precipita-te. A caminho de mim.

Uma pedra no meio das minhas mãos.

O verniz vermelho de coração. Dedos que tatuam. A pele do corpo. Do corpo que não se entrega.

Do orgasmo omisso. Esquecido. Predefinido. O orgasmo que se fechou dentro de mim.
Há quanto tempo?
Não sei.

Mais um segredo. Relembra-me o que fazemos aqui.
Colamos duas cidades numa só. Ciclo de colagens.


E que somos nós?
Não te precipites.
Eu deixo de ser impulsiva.

E assim não nos perdemos.

Imagino o sofá já com a forma do teu corpo. Imagino. E.
Apenas imagino. E isso já é permitir muito.

Diz-me qual a nossa banda sonora de hoje?

Outro segredo: ontem adormeci e acordei contigo.

terça-feira, fevereiro 05, 2008

Closer

Alice: I'm not a whore.
Larry: I wouldn't pay.


Anna: I'm sorry you're...
Larry: Don't say it! Don't you fucking say you're too good for me. I am, but don't say it.




Anna: Love bores you.
Dan: No, it disappoints me.




Dan: I fell in love.
Alice: Oh, as if you had no choice? There's a moment, there's always a moment, "I can do this, I can give into this, or I can resist it", and I don't know when your moment was, but I bet you there was one.



sábado, fevereiro 02, 2008

Memories.


Jack Twist: I wish I knew how to quit you.


Ennis Del Mar: Well, why don’t you? Why don’t you just let me be? It’s because of you Jack, that I’m like this! I’m nothing ... I’m nowhere... Get the fuck off me! I can’t stand being like this no more, Jack.

quarta-feira, janeiro 30, 2008

Repito-me, sabes? Sinto que preciso de o fazer. Para me convencer de alguma coisa. De um algo mais. E talvez repetindo-me sinto-me mais perto de mim. Das minhas verdadeiras necessidades. Volto à infância e sinto que não fui feliz. Já nessa altura vivia uma farsa. Ria muito porque lembro-me que o riso atraía pessoas há minha volta. Inventava histórias como aquela em que disse quase chorando que tinha sido adoptada. Disse à freira porteira lá do colégio. Tinha uns 6 anos. Dizia que tinha sido abandonada pela minha mãe chinesa à porta da igreja e que os meus pais me tinham adoptado e por isso é que tinha olhos rasgados e a começaram a chamar-me chinesinha. E eu gostei. E a partir daí comecei a viciar-me em ser quem não sou. Um ano antes, ainda andava no infantário levei uma faca para a escola. Lembro-me perfeitamente dessa manhã, a mãe deixou-me no balcão da cozinha a tomar o pequeno-almoço, abri a gaveta dos talheres, tirei a faca e guardei-a nas minhas calças de ganga. Depois no infantário disse ao rufia da nossa turma que tinha a faca e assim ele podia matar a sua inimiga que se chamava Joana. E lembro-me de estar a descer o escorrega e ter as educadoras espantadas a olhar para mim. Nessa altura já tinham ligado aos meus pais. Fiquei de castigo mas disso não me recordo.
Depois lembro-me de outras coisas, como os beijos que arrancava aos rapazes. Tinha 5 anos e tinha 5 namorados. E atrevida agarrava-os pelo colarinho e beijava-os. A minha mãe disse-me anos mais tarde que eles fugiam. E eu gosto dessa ideia.
Lembro-me das minhas festas de anos. A última que tive tinha 9 anos e a partir daí nunca mais gostei de comemorar o aniversário. Lembro-me que depois uns dos aniversários que gostei mais foi quando fiz penso que 20 anos, dormi até às 18h e depois fui ao meu jantar, bebi imenso, ri-me muito e estava bem. Dancei até de manhã e acho que estava feliz. Acho que foi o último que apreciei. Acho.
Avanço uns anos e lembro-me da primeira vez que senti o sexo de um homem a dirigir-se a mim curioso. Devia ter uns 13 anos, ele era mais velho e estava a estudar para ser padre. Eu gostava de o provocar e ele não se fazia de acanhado. Corria atrás de mim, puxava-me para o seu colo e beijava-me e depois eu sentia algo a crescer. Não me assustava. Não, isso não. Deixava-me sequiosa e portanto eu continuava a provocar. Até que um dia ele agarrou-me com muita força e levou com um pontapé nos ditos. E eu fui embora airosa sem olhar para trás. Anos mais tarde fiquei a saber que não foi para padre e pelos vistos continuava feio e parolo. Depois tive mais umas quantas aventuras sem nunca esquecer o efeito que as mulheres tinham em mim. Fui adiando, adiando até que resolvi assumir. A experiência começou pessimamente. Não faz mal. Agora sei reconhecer uma puta a milhas de distância. Serviu de aprendizagem.

Entretanto passaram-se 7 anos e aqui estou eu. Tenho dúvidas se algum dia amei e dúvidas se alguma vez me apaixonei, fora isso, penso que vivi tudo de forma muito intensa. Acho que nunca parti um coração, ou melhor, posso ter aberto mais uma fenda ou outra mas partir nunca. Iludi muitas vezes, é verdade. Manipulei. Vendi muitas palavras e menosprezei os sentimentos dos outros. Fui algumas vezes calculista, fria e distante. Mas o pouco que dei podia ter sido melhor valorizado.

Tenho dúvidas se fui alguma vez amada. Portanto, penso que eu e o amor estamos quites. E assim, a vida pode continuar.



E penso que só tenho mais uma coisa a dizer:

Fuck you all.

domingo, janeiro 27, 2008

Abres a janela do meu quarto devagarinho como se achasses possível que eu não acordasse. E mesmo que me mexa não venhas, não te deites na cama de onde acabaste de sair. É essa a quebra. A quebra dos corpos que em poucas horas se prenderam no calor um do outro. Levanta-te e vai à janela fumar um cigarro, é também assim que deixamos de estar sozinhos. Com a cidade a acordar pela madrugada e eu deitada a fingir que durmo. Que não noto imediatamente o frio. O vazio agora de novo lado a lado comigo.

Prefiro manter-me de olhos fechados. Voltar ao silêncio das horas que já não se repetem. E aí sinto, sinto-me de novo viva. O corpo que sente o toque preciso. A invasão territorial que acontece quando afastas as minhas pernas com a segurança de quem sabe o que faz. E tu sabes o que fazes. Soubeste até que ponto podias ir e sabias também o momento em que me renderia e com voz de fúria te diria: Fode-me. E talvez tenha sido esse o momento em que percebi que já não podia voltar atrás. Eras tu que estavas dentro de mim e eras tu que controlavas tudo. A tua mão a tapar-me a boca e a outra apoiada na minha anca. Eras tu. E eu já não queria outro que não tu dentro de mim. Não posso voltar atrás. Aconteceu. E mais fundo não seria possível. E depois eu e o cheiro a orgasmo na cama e no ar. E a tua voz de satisfação ao meu ouvido: Quem diria que um dia estarias nesta situação. Ninguém diria. Só eu própria. Mas mais ninguém diria. Nem tu, nem mesmo quando um dia com o álcool em demasia liguei-te a dizer que te queria. Não sabia quando e de que forma. Mas queria-te. E agora já percebi o como. Tu dentro de mim. E eu a expulsar-te já com o prazer consumado.

Fumas o cigarro até ao fim. Não deixas espaço para mais uma passa. Já olhaste para trás e procuraste-me com os olhos. E é de olhos fechados que te vejo. E é com os movimentos do teu corpo na minha varanda que percebo que isto não vai ficar por aqui. Queres mais. E eu quero que tu queiras mais. Quero que voltes para a cama e sintas como o meu sexo está molhado, como seria fácil um barco navegar nas minhas águas. Quero que voltes e comeces tudo de novo. Sem preparação. Sem qualquer permissão. Sem sequer tentares perceber se os meus nãos querem dizer sim. E facilmente eu entendo que és igual a mim. E talvez por isso a minha rendição a ti.

Olho para ti agora de olhos abertos e a boca entreabre-se para falar, para te dizer – vem, povoa-me de novo, acrescenta palavras aos meus ouvidos, faz-me acelerar, marca-me os seios e prende-me o cabelo até eu me sentir preparada para que saias. Que saias de dentro deste espaço que quer ser novamente teu.


Olho para ti agora de olhos abertos e de lábios cerrados. Levanto-me da cama ainda de corpo nu e acendo um cigarro. Olhas para mim. Sorris e aí noto uma ternura. Algo enjoativo que salta dos teus olhos. E nesse segundo mal parido lembro-me de quem sou e do que tu não podes vir a ser.

- Vou tomar um banho. Vemo-nos amanhã como habitual?
- Posso ficar mais um pouco se quiseres. Podemos fazer qualquer coisa, está um dia tão bonito.
- Não me apetece. Mas adorei estar contigo. Um dia repetimos.
- Mas…
- Vá, até amanhã.

E depois o som de mais uma porta que se fecha.

sexta-feira, janeiro 25, 2008

Is someone out there?

quinta-feira, janeiro 24, 2008

In Everwood

Ephram: The more things change, the more they stay the same. I'm not sure who the first person was who said that. Probably Shakespeare. Or maybe Sting. But at the moment, it's the sentence that best explains my tragic flaw, my inability to change. I don't think I'm alone in this. The more I get to know other people, the more I realize it's kind of everyone's flaw. Staying exactly the same for as long as possible, standing perfectly still... It feels safer somehow. And if you are suffering, at least the pain is familiar. Because if you took that leap of faith, went outside the box, did something unexpected... Who knows what other pain might be out there, waiting for you. Chances are it could be even worse. So you maintain the status quo. Choose the road already traveled and it doesn't seem that bad. Not as far as flaws go. You're not a drug addict. You're not killing anyone... Except maybe yourself a little. When we finally do change, I don't think it happens like an earthquake or an explosion, where all of a sudden we're like this different person. I think it's smaller than that. The kind of thing most people wouldn't even notice unless they looked at us really close. Which, thank God, they never do. But you notice it. Inside you that change feels like a world of difference. And you hope this is it. This is the person you get to be forever... that you'll never have to change again.