Ainda sei a todo custo, a dispensa do teu amor.
sábado, março 29, 2008
Ainda sei a todo custo, a dispensa do teu amor.
terça-feira, março 25, 2008
para o espaço que nos falta
para o amor que nos falta
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Francesca
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11:57
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segunda-feira, março 24, 2008
sexta-feira, março 21, 2008
“Nada do que é indizível é inefável. Nem a escrita nem a sua presença assídua. Hoje, redobro as esquinas que gastam cada arruela versal das minhas palavras, hoje, mastigo a prece do dito para que haja vislumbre onde o sofrer não seja mais sapiente que o inarrável. Que sem a persuasão do negro não há poesia que se redima ao caos da escrita, que sem amor nunca há pele suficiente para escamar mais empórios na bainha do dorso. Nada do que é inefável é infalível. Nem o inventário das letras nem a sobra dos seus honorários. Hoje, recortas os quarteirões esbraseados de cada alameda ateada por crença, hoje, instiga o desdito antes do impulso para que haja mais querer onde esse sofrer não se senta à mesa de garfo na boca, de faca no cuteleiro do teu peito. Que sem a colisão do negro não há prosa que se infiltre na sova da escrita, que sem derrame nunca há amor suficiente para incenerar o marfim fracturado das ossadas. Não, nada do que te escrevo é indiscernível. Que os teus dedos são mais boca que a descompustora da palavra, que a tua boca é mais táctil que a maquinaria das mãos. Que és inteira, indomável na volubilidade dos teus cabelos, irrevogável onde a nudez da cama te pressente a fomentação. Que não importa se o dormir-te é menos presto ou se a quietação dos olhos te insiste a desavença do corpo. Porque és inteira, trajada de pele ou desfeita de ardor. Nada do que te digam é irremissível. Que nada do que te diga é transmissível, que onde a linfa te escoa a frase, o sangue desbrava a pontuação das árvores fáceis de engomar. Nada do que te diga chega, que o fim não me suprime a vontade escabrosa do pergaminho. Nada do que possa dizer atinge, porque não há beleza no tributo noduloso desta desproporção escrita pelo negro dos versos. Que se a tribuna é incasta, há sempre o odor terroso das uvas para te recompor os lábios, que se a vida te é fervente, há sempre a serventia ferrosa da esperança para te devolver o baque do coração. Nada do que possa dizer chega, porque não há redenção no desfecho frágil do carpo, que nada do que possa transcrever e insistir te obriga à causa ao invés da fome. E ainda assim te digo, um dia te encontras, e a pele se desfolha como um livro lunário, para que possas reescrever sobre a epiderme outro vagido sem rebentação, para que te possas estrear no galope do peito, onde a palavra não se cansa, onde a palavra não murcha a quadra e o pomo. Porque és inteira, e essa beleza é mais dizível que qualquer outra entoação dada no nó negro da minha farsa - nesta escrita de súplica.
Para que possas sorrir. Não te desacredites. “
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quarta-feira, março 19, 2008
My Blueberry Nights
"How do you say goodbye to someone you can't imagine living without?
I didn’t say goodbye.
I didn’t say anything.
I just walked away."
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sexta-feira, março 14, 2008
Sabes que as vezes, a melhor maneira de suscitar interesse nos outros. é sermos simples. sem grandes artimanhas. é ser. sem grandes linhas ou deixas.
Narcisa diz:
Mas eu sou simples.
fake can be just as good. diz:
Não. Tu és complicada. Eu também sou.
Mas percebo o que queres dizer por simples.
Narcisa diz:
Mas ser complicada não é ter artimanhas.
Eu ao ser complicada sou. Não sei ser de outro modo.
fake can be just as good. diz:
Sim, mas tens defesas.
Eu acho que as hipóteses de teres sido feliz com alguém, por medo. Acabaste por desvalorizar e fugir.
E isso é ser complicada, é ter protecções.
Narcisa diz:
Claro que tenho defesas. Eu perdi a fé nas pessoas. Duvido que alguém me possa surpreender.
Digo-te muito sinceramente
de todas as pessoas com quem eu estive
nenhuma poderia fazer-me feliz.
nenhuma.
E nenhuma me tocou fundo como eu gostaria de ter sido tocada.
Nenhuma me marcou no bom sentido.
fake can be just as good. diz:
Achas-te exigente?
Narcisa diz:
Muito.
Sei o que valo.
E não admito que me tentem mudar.
Tornar-me mais humana, como um dia me disseram.
Eu sou tudo, e as pessoas não sabem lidar com isso.
fake can be just as good. diz:
As pessoas não tentam. Não tentam. E acaba por ser isso.
Tentam aqui e acolá uma vez. E desistem.
Narcisa diz:
Sim. As pessoas desistem e eu sinto que desisto com elas.
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quinta-feira, março 13, 2008
Um dia, sentado na cama, as costas procurando a frescura da parede caiada, dissera-lha que a respiração apaziguada do corpo adormecido a seu lado era a respiração de todos os outros corpos ainda por vir. Mas de quem seria aquele corpo? Nunca o saberia.
Tinha-o seduzido, levado consigo, acariciado, mas ignorava se possuía um nome. E nada daquilo lhe parecia ser o amor, porque o amor necessita de um rosto, exige um nome. A nudez, pelo contrário, não precisa de nada. Serve para dar e receber, esquece-se rapidamente na velocidade do dia que se levanta. E quase não dói.
Mas o tempo de partilhar seja o que for terminou, o que possuía para partilhar já partilhei. Agora sou espectador daqueles que são incapazes de partilhar comigo o que possuem. No fundo, estou-me nas tintas para tudo isto. Tornei-me um ladrão. Roubo-lhes um beijo, uma erecção, um gemido de esperma, uma carícia… roubo-lhes tudo o que posso e estou-me nas tintas… é isso mesmo, estou-me nas tintas para o que pensam. Nada tenho a perder, a sedução é uma das artes do ladrão, raramente me deixou roubar. Mas que te importa tudo isto, Beno? Sossega, sossega porque o mundo está tão sujo de indiferença…
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domingo, março 09, 2008
O teu esqueleto é um amor de amor encorpado noutro amor de amores nefastos. Massa turva de fronteiras quebradiças.
Sonho o dia em que me abandonarás.
Para que o teu abandono me seja indolor, para que no estibordo das tuas emoções, a minha placitude te seja tranquila como o violeta aberto aos meses de polén. Quando me cederes ao desconsolo do transposto, não te lamentes a despedida. Eu serei por ti, serei das memórias que te desconhecem o desconforto de cada fim, tu serás por mim, serás fiel à ingratidão que ao amor se lhe incumbe.
O amor será por nós silenciado nas angras perdidas da tua virgindade."
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quinta-feira, março 06, 2008
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segunda-feira, março 03, 2008
Existem dois tipos de perdas. Aquelas sobre as quais não temos qualquer controlo e as que são a consequência de uma acção provocada por nós. É a diferença entre as perdas e a perda. É a diferença entre a morte e a estupidez. E podia ser também a diferença entre os acidentes e o egoísmo.
Não morreste, não foste nenhum acidente nem és uma das perdas. És a perda.
Não poderei expulsar de mim este sentido das coisas. Nem poderei algum dia esquecer que te perdi. Por um acto meu. Um acto de puro egoísmo. E agora sei que te posso dizer que já não procuro o perdão, e já não procuro um encontro contigo. O que fiz é imperdoável. E foi ao aceitar isso que percebi que os nossos caminhos já não se voltarão a encontrar. É este o resultado de quando falhamos perante os outros. Não há lugar para um segundo acto de egoísmo. E aqui a fé não pode entrar. Durante muito tempo tive essa fé. A fé do perdão. A fé de que tudo um dia iria voltar ao antes. Que te teria novamente ao meu lado e que a nossa amizade jamais se esbateria. Não é possível. Tenho que te deixar ir mesmo que na verdade estejas sempre presente. Mesmo quando não me lembro de ti.
A tua perda padece da contagem do tempo. Sobrevive-lhe e sobrevive-me a mim. Levo-te para todo o lado. A tua perda é inquestionável e irreparável.
Lembro-me quando ias assistir às minhas orais, de dizeres para ficar calma quando eu era um turbilhão de nervos. Não parava quieta. Cigarro atrás de cigarro. Dizias que tinha de ter calma e ir descontraída. Que tudo ia correr bem. E na maior parte das vezes corria, e eu sentia-me a pessoa mais feliz do mundo. E tu estavas orgulhosa de mim, da tua afilhada. Sabias, ao menos, o quanto era importante sentir-te orgulhosa de mim? Saberias ao menos isso? E ás vezes corria mal. E tu apoiavas-me e dizias que para a próxima ia correr tudo bem. E eu acreditava e na verdade corria bem. Durante cinco anos foi sempre assim.
Ensinaste-me muita coisa, acho que hoje ainda terias muito que me ensinar. E eu aprendia, devagarinho mas aprendia. E hoje em dia, quando estou triste, recordo-me das tuas palavras e aos poucos e poucos volto a mim. Deste-me bases. Acho que foste a base. Tu e a minha mãe. Devo-te muito. Devo-te a confiança que tenho em mim mesmo nos meus piores dias. Ela está sempre lá. Sei que posso fazer sempre melhor. E agora que começa uma nova fase da minha vida, por vezes, caio e tenho medo, muito medo de falhar. Cheguei à vida de adulto e tudo me parece complicado. Mas eu não te posso falhar mais nenhuma vez, portanto, eu vou conseguir, vou ser competente em todos os desafios que encontrar pela frente. E vou continuar a acreditar em mim da mesma forma como tu acreditavas.
Quero agradecer-te por sempre me teres dado o melhor de ti e teres cuidado de mim. Nunca ninguém cuidou de mim como tu cuidavas. Achei que seria impossível perder-te. Nunca pensei que houvesse sequer alguma probabilidade disso acontecer. Mas nada é garantido, não é? Agora sei-o.
Onde quer que estejas espero que estejas feliz. Eu quero que tu estejas feliz. E mesmo que não estejas pelo menos que te encontres no caminho certo.
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sexta-feira, fevereiro 29, 2008
Hoje seriam as palavras que chegariam mais perto de ti. Seriam as palavras que te diriam assim: É por vezes, ao final da tarde, que me encosto mais a ti. Que o meu corpo mais adormecido do que antes precisava do tactear dos teus dedos em busca de um conhecimento mais próprio. O conhecimento tão peculiar que se apreende quando no toque se sente o começo de algo. Hoje seria o meu corpo a precisar de ser descoberto. E digo-te que visualizei os dedos, não outros que não os teus, abrindo caminho pelos meus seios. E pergunto-te de novo: em que estação estamos nós? Poderão ser os teus dedos, na conjuntura das tuas mãos a alcançarem a resposta. O conhecimento hoje poderia começar por aí. Pelo arrebatamento de um corpo nas mãos de outro corpo.
Mas sei que se nos fosse possível a aproximação não te saberia dizer mais do que isto:
Trabalha-me o coração.
(Heart engine. Start me up.)
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terça-feira, fevereiro 26, 2008
sexta-feira, fevereiro 22, 2008
P.S. I Love You
Patricia: I bet you've had a hard time walking into a room full of people on your own, right? Yeah. I know that. I know what it is not to feel like your in the room until he looks at you or touches your hand or even makes a joke at your expense, just to let everyone know... you're with him. You're his.
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domingo, fevereiro 17, 2008
domingo, fevereiro 10, 2008
Arrastam-me pelas teias do desejo como se essa fosse a única forma de me terem. E não me assusto se o compreender. Talvez seja a única forma. Talvez seja a única maneira de me soltar das arestas que se prenderam ao dentro. Não sei ser coração na distância. Porque é na distância que se encontram as fragilidades que renego.
Só sei ser pele na pele. Desejo no desejo. Sexo no sexo. Mãos geometricamente colocadas no meu corpo. E tudo o que quero está nos contornos do outro corpo. Da boca aos pés. É a continuidade do que me surpreende que me tira as raízes do chão. Não é o domínio. Não é a dificuldade de seduzir. Nada disso me agarra. É o salto que se dá depois de nos deixarmos ir que me capta a atenção. A verdadeira.
Palavras que substituem actos. E actos que não me chegam. Nos dias em que me senti preenchida estava nua de medos. Quantos dias o medo foi nulo? Perdi-lhes a conta por não existirem.
Não sei ser mais do que isto. E se isto for o medo do rastilho então é isso que sou.
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sexta-feira, fevereiro 08, 2008
Queres que escolha um espaço. O espaço do reencontro. O retardar de um reconhecimento que já começou a ser feito. Cresces em altura no que sou. E tenho medo que num determinado instante deixe de te conseguir observar. Se o caminho for demasiado. Se eu for vaga no que te dou de mim. Será ainda possível chegarmos lado a lado?
Castigo, tantas vezes, a vida que me chegou às mãos. Maltrato-a para a conseguir sentir. Digo-te ao ouvido: são por demais as vezes que me esqueço do que sou. Que me esqueço de que ainda consigo sentir. Sentir o dedilhar dos dedos sobre a crosta do meu coração. Digo-te ainda mais perto, do sítio onde a voz se confunde com a respiração: Se me tocares não saberei ao certo que toque é esse. Não saberei ao certo onde me tocas tu. Não sei onde está o epicentro do meu sentir. E mesmo assim te digo que estou aqui. Aqui. Do lado em que tu me puxas.
Dizes-me: a minha fé por ti é inabalável.
E se eu fechar os olhos do mundo quase que posso acreditar. Não em ti. Mas nessa fé que me transborda em harmonia. Nessa fé que não seria possível existir se não fosse tua. Se não pertencesse ao melhor de ti. Essa fé.
Reconstruo as janelas do passado que se encobre de presente. Misturam-se. Não. Eu é que as misturo. Na oportunidade remota de me saber construída. Não de cimento mas de madeira porque assim facilmente poderei arder de frente para ti. E das águas que se bradem dos teus olhos poderei ser salva. E viver. Poderei reaprender a viver com tudo o que sou. Toda a matéria-prima que te esqueceste de alienar. Sou eu. Poderia gritá-lo se a voz se aguentasse. Se tu ainda te encontrasses aqui.
Cais-me de novo no corpo, na facilidade com que se ouve o ruído do todo que está lá fora. Cais-me de novo no corpo como abutre desfiando a carne já solta da pele. Sou de pouco alimento para ti. Para a fome que te provoca espasmos de angústia. Sou-te pouco porque foi de ti que me libertei em vez de partir.
E ainda te consigo ouvir quando dizes:
No engano do acto fruto do amor fica quem se nega a fugir da dor.
Partimos.
Who was born strong and brave and holy, loves me rough and tenderly
Can it be understood the reaons why do you belong to me?
I need the steady of you and I’d give you everything
That i could cut this sweet precision from beneath my tender skin
There is a way, there is a way that you could save me from this
Would you promise to be king?
Promise to be kind.”
Mirah – Promise to me
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Francesca
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quinta-feira, fevereiro 07, 2008
quarta-feira, fevereiro 06, 2008
Precipita-te. A caminho de mim.
Uma pedra no meio das minhas mãos.
O verniz vermelho de coração. Dedos que tatuam. A pele do corpo. Do corpo que não se entrega.
Do orgasmo omisso. Esquecido. Predefinido. O orgasmo que se fechou dentro de mim.
Há quanto tempo?
Não sei.
Mais um segredo. Relembra-me o que fazemos aqui.
Colamos duas cidades numa só. Ciclo de colagens.
E que somos nós?
Não te precipites.
Eu deixo de ser impulsiva.
E assim não nos perdemos.
Imagino o sofá já com a forma do teu corpo. Imagino. E.
Apenas imagino. E isso já é permitir muito.
Diz-me qual a nossa banda sonora de hoje?
Outro segredo: ontem adormeci e acordei contigo.
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terça-feira, fevereiro 05, 2008
Closer
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Francesca
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sábado, fevereiro 02, 2008
Memories.
Ennis Del Mar: Well, why don’t you? Why don’t you just let me be? It’s because of you Jack, that I’m like this! I’m nothing ... I’m nowhere... Get the fuck off me! I can’t stand being like this no more, Jack.
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Francesca
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16:54
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