quinta-feira, abril 17, 2008

Sair de casa. Parar na passadeira. Entrar no metro. Sair do outro lado. Olhar para as horas. Caminhar mais cinco minutos. Olhar para o trânsito. Continuar a andar. Parar no café. Tomar um garoto. Acender um cigarro. Caminhar mais cinco minutos. Parar à porta da sociedade. Cumprimentar o porteiro. Ver as horas. Apagar o cigarro. Respirar fundo. Entrar dentro do elevador. Sair no sétimo andar. Tocar à companhia. Dizer bom dia. Entrar na minha sala. Ligar a luz. Pousar a mala. Despir o casaco. Ligar o computador. Ir buscar processos ao arquivo. Atender um telefonema. Ir buscar um nespresso. Aviso no computador de um novo e-mail. Abrir o e-mail. Ler.


“Agora sim, vejo-te como Sra. Dra. Se quiseres vir à rua de cima, tenho umas diligências urgentes em que precisava da tua ajuda. Escusas de trazer o que quer que seja. Podes consultar tudo o que quiseres. Repito, tudo o que quiseres.”

quinta-feira, abril 10, 2008

Trata-se de uma escolha. Reconduzida a todos os passos que já conseguiste dar. Ninguém se interessa como os deste. Se te custou. Se te doeu. Se por momentos, te fez ser menos do que és. Ou julgaste ser. Ninguém se interessa. É isto que te quero dizer esta noite. No ângulo misterioso de onde se observa a madrugada. Por dentro do fumo de um cigarro. Ou por fora, do que os teus olhos te concedem.
Quedas-te ao meu lado, no redor dos meus dedos. És tu. Mas diz-me, quem és tu?

E deitas-te com as pernas arqueadas e os pés colados um ao outro. Tens os braços esquecidos na cama dispersa de lençóis. E eu vejo. Eu consigo ver. O teu corpo composto por fotografias. As fotografias que captaram o que tu foste um dia.

E vejo:

O verde da viagem que fizeste no verão passado à Irlanda. O verde que te ficou nos pés. Os passeios que não nos podemos esquecer. E eu consigo imaginar-te de mochila nas costas, garrafa de água no bolso e a máquina deitada na palma da tua mão direita. E o teu respirar de furos ao meu ouvido.

O teu corpo conta-me histórias. Conta-me histórias do passado. Do passado que me mostras e que eu não conheci. Como seria conhecer-te nesse tempo distante? Como serias tu, de comboio em comboio, a descobrires o que a tua cidade não te permitia ser?

Não lamento a minha ausência nas tuas viagens. Não há nada para lamentar. Nesse passado remoto eu ainda não existia. Eu ainda não tinha esta face e as minhas mãos encontravam-se fechadas de tudo o que poderia nascer. Renascer. Viver. Não te diria nada, seria o mais certo, se no antes nos tivéssemos encontrado.

Falas e desdenhas as palavras. As palavras não valem nada. Foste tu que me ensinaste. As palavras trazem com elas a repetição do que não pode ser repetido. E eu recordo-me, que as palavras matam o amor que ainda não saiu da casca do ovo. Sim, é isso. Se um dia o sentires, não o ponhas em palavras. Se o disseres, se o falares, se o escreveres. Eu deixarei de acreditar em ti. É importante que respeites o que te peço. Se um dia no alto de tudo o que pode ser sentido. Se um dia na ponta da língua te surgir a palavra amor. Cala-te. Submerge-te dentro da água. Submerge-te no meu peito. Mas cala-te.

E de volta a ti. Aos teus passos verdes por entre os recantos desta casa. Mostras-me as paredes. Sabes que tenho uma fixação por paredes. Então explicas-me a tua vida como se tudo pudesse ser mostrado no gasto das ruínas que aguentam este espaço. Preciso de fechar os olhos. Para que nada possa ser maior do que me mostras. Sinto a superioridade da tua voz nos regaços que me levas a descobrir. E agora és menina, de mão dada com a tua mãe a caminho da escola nos teus 10 anos. Decerto, que a gargalhada seria a mesma. Decerto, que se te olhasse nos teus pequenos anos, saber-te-ia a mulher que hoje está à minha frente. E se me enganasse, estarias perto para me reconduzires na verdade do que foste.

Encadeio-me de volta de ti. Porque a sede há muito que deixou de ter destino e então é este abraço que escolho. Sim, uma escolha. Porque mesmo o mais insignificante do desejo é resultado de uma escolha. Quantas escolhas nos levaram à habitação deste mesmo caminho? Não digo sonho. Não o posso fazer. Seria iludir-te de os saber existentes. Ou pelo menos a galopar no meu sangue vadio. Sempre mais o poder de decisão ainda que inconsciente. Do que o adormecer e acordar presa em algo que não sinto nem poderia sentir como meu.

Sigo-te pelas sombras que deixas nos meus dias. Quando a dança é mais fervorosa do que o andar lado a lado. Quando o beijo se irrompe pelos escombros que se foram acumulando pelos nossos corpos. Mas fica. O beijo fica na pele quando poderia sempre fugir. A pele na elasticidade dos desejos. O ardor moribundo que se distingue da rotina do que se quer um dia e no outro se satisfaz. E as sombras algures pelos miradouros da cidade, e das sombras as mãos e das mãos tudo o que queremos guardar deste momento.

quarta-feira, abril 09, 2008







Michael: Ellen broke up with me.
Christine: What? Why?
Michael: She thinks she's gonna die this week.
Christine: No. Out of everyone at Saint Tod, she is the least likely person to die.
Michael: Well, she's usually right. She's been right about everyone else. I lived a whole life with a woman I didn't even really like. We traveled all over the world together. And Ellen and I never even left the grounds.
Christine: Well, actually I took you to the IMAX that one time.
Michael: Yeah, but I wanted to take her to the Mayan ruins in Guatemala. She really wanted to see those.
Christine: Yeah, that just seems weird that she wouldn't want to be with you, you know, if her time was coming.
Michael: I've long since stopped trying to make people - do things they don't want to do.
Christine: But she's the love of your life. You're just gonna let her go?
Michael: No. She's just… going.

segunda-feira, abril 07, 2008

sábado, março 29, 2008




Ainda sei a tua morada, quando a releio no soletro de números e sonetos, confundo-a de encontro aos atalhos do meu coração. Quanto mais te escrevo, de lugares e quereres divergentes, de saberes e deveres indiferentes, mais o gasto da memória se disfarça devagarinho na sola dos teus sapatos. Ainda sei o nome da tua rua, quando me imagino de pés assentes na ladeia do passeio, aperto-me de encontro aos carreiros do meu coração. Quanto mais me atrevo, nestes vultos e tumultos, nestes fantasmas e marasmos, mais o gosto da memória se aventura sorrateiramente no desgaste do teu esqueleto. Ainda sei o pouco que ficou: este nada que me importunaste como uma navalhada quente e funda, prepotente e de natureza hirta, como quando o teu corpo pede sem suplício e esgana - a demanda do homem. E quanto mais nos relembro, em tortura e formosura, de funeral ou epidural, mais a mácula desta cicatriz me molesta o tétano do corpo.
Ainda sei a todo custo, a dispensa do teu amor.



In Férreos Tranversais de Alice Turvo

terça-feira, março 25, 2008

Quando a manhã vier sairás comigo
para o espaço que nos falta
para o amor que nos falta





Mário Cesariny

segunda-feira, março 24, 2008

sexta-feira, março 21, 2008

Eu pedi. E tu escreveste para mim. Porque sabias que eu iria sorrir. E eu acho que tu gostas quando eu sorrio. Obrigada. Pelo tudo no tudo. Pela confiança neste percurso. E esse teu nome, para sempre.


“Nada do que é indizível é inefável. Nem a escrita nem a sua presença assídua. Hoje, redobro as esquinas que gastam cada arruela versal das minhas palavras, hoje, mastigo a prece do dito para que haja vislumbre onde o sofrer não seja mais sapiente que o inarrável. Que sem a persuasão do negro não há poesia que se redima ao caos da escrita, que sem amor nunca há pele suficiente para escamar mais empórios na bainha do dorso. Nada do que é inefável é infalível. Nem o inventário das letras nem a sobra dos seus honorários. Hoje, recortas os quarteirões esbraseados de cada alameda ateada por crença, hoje, instiga o desdito antes do impulso para que haja mais querer onde esse sofrer não se senta à mesa de garfo na boca, de faca no cuteleiro do teu peito. Que sem a colisão do negro não há prosa que se infiltre na sova da escrita, que sem derrame nunca há amor suficiente para incenerar o marfim fracturado das ossadas. Não, nada do que te escrevo é
indiscernível. Que os teus dedos são mais boca que a descompustora da palavra, que a tua boca é mais táctil que a maquinaria das mãos. Que és inteira, indomável na volubilidade dos teus cabelos, irrevogável onde a nudez da cama te pressente a fomentação. Que não importa se o dormir-te é menos presto ou se a quietação dos olhos te insiste a desavença do corpo. Porque és inteira, trajada de pele ou desfeita de ardor. Nada do que te digam é irremissível. Que nada do que te diga é transmissível, que onde a linfa te escoa a frase, o sangue desbrava a pontuação das árvores fáceis de engomar. Nada do que te diga chega, que o fim não me suprime a vontade escabrosa do pergaminho. Nada do que possa dizer atinge, porque não há beleza no tributo noduloso desta desproporção escrita pelo negro dos versos. Que se a tribuna é incasta, há sempre o odor terroso das uvas para te recompor os lábios, que se a vida te é fervente, há sempre a serventia ferrosa da esperança para te devolver o baque do coração. Nada do que possa dizer chega, porque não há redenção no desfecho frágil do carpo, que nada do que possa transcrever e insistir te obriga à causa ao invés da fome. E ainda assim te digo, um dia te encontras, e a pele se desfolha como um livro lunário, para que possas reescrever sobre a epiderme outro vagido sem rebentação, para que te possas estrear no galope do peito, onde a palavra não se cansa, onde a palavra não murcha a quadra e o pomo. Porque és inteira, e essa beleza é mais dizível que qualquer outra entoação dada no nó negro da minha farsa - nesta escrita de súplica.

Para que possas sorrir. Não te desacredites. “



Escrito por Alice tennis giros




quarta-feira, março 19, 2008

My Blueberry Nights








"How do you say goodbye to someone you can't imagine living without?

I didn’t say goodbye.

I didn’t say anything.

I just walked away."

sexta-feira, março 14, 2008

fake can be just as good. diz:
Sabes que as vezes, a melhor maneira de suscitar interesse nos outros. é sermos simples. sem grandes artimanhas. é ser. sem grandes linhas ou deixas.

Narcisa diz:
Mas eu sou simples.

fake can be just as good. diz:
Não. Tu és complicada. Eu também sou.
Mas percebo o que queres dizer por simples.

Narcisa diz:

Mas ser complicada não é ter artimanhas.
Eu ao ser complicada sou. Não sei ser de outro modo.

fake can be just as good. diz:
Sim, mas tens defesas.
Eu acho que as hipóteses de teres sido feliz com alguém, por medo. Acabaste por desvalorizar e fugir.
E isso é ser complicada, é ter protecções.

Narcisa diz:
Claro que tenho defesas. Eu perdi a fé nas pessoas. Duvido que alguém me possa surpreender.
Digo-te muito sinceramente
de todas as pessoas com quem eu estive
nenhuma poderia fazer-me feliz.
nenhuma.
E nenhuma me tocou fundo como eu gostaria de ter sido tocada.
Nenhuma me marcou no bom sentido.

fake can be just as good. diz:
Achas-te exigente?

Narcisa diz:
Muito.
Sei o que valo.
E não admito que me tentem mudar.
Tornar-me mais humana, como um dia me disseram.
Eu sou tudo, e as pessoas não sabem lidar com isso.

fake can be just as good. diz:
As pessoas não tentam. Não tentam. E acaba por ser isso.
Tentam aqui e acolá uma vez. E desistem.

Narcisa diz:
Sim. As pessoas desistem e eu sinto que desisto com elas.

quinta-feira, março 13, 2008


Um dia, sentado na cama, as costas procurando a frescura da parede caiada, dissera-lha que a respiração apaziguada do corpo adormecido a seu lado era a respiração de todos os outros corpos ainda por vir. Mas de quem seria aquele corpo? Nunca o saberia.
Tinha-o seduzido, levado consigo, acariciado, mas ignorava se possuía um nome. E nada daquilo lhe parecia ser o amor, porque o amor necessita de um rosto, exige um nome. A nudez, pelo contrário, não precisa de nada. Serve para dar e receber, esquece-se rapidamente na velocidade do dia que se levanta. E quase não dói.






Mas o tempo de partilhar seja o que for terminou, o que possuía para partilhar já partilhei. Agora sou espectador daqueles que são incapazes de partilhar comigo o que possuem. No fundo, estou-me nas tintas para tudo isto. Tornei-me um ladrão. Roubo-lhes um beijo, uma erecção, um gemido de esperma, uma carícia… roubo-lhes tudo o que posso e estou-me nas tintas… é isso mesmo, estou-me nas tintas para o que pensam. Nada tenho a perder, a sedução é uma das artes do ladrão, raramente me deixou roubar. Mas que te importa tudo isto, Beno? Sossega, sossega porque o mundo está tão sujo de indiferença…



In Lunário, Al Berto.

domingo, março 09, 2008

"Em que outras angras terás desfrutado a rebentação do Atlântico, devassada sobre um manto de armérias e malmequeres, terás amado antes de recolheres o baque nas ancas? Terás preterido outros portos de sal grosso crestados sobre o teu dorso? Terás amado previamente por cada veleiro em cor de fogo? De que lenha arde a brisa no teu vestido torrão-lima? De que cântaros a seiva enrija da minha sede para o contorno dos teus seios?
O teu esqueleto é um amor de amor encorpado noutro amor de amores nefastos. Massa turva de fronteiras quebradiças.
Sonho o dia em que me abandonarás.
Para que o teu abandono me seja indolor, para que no estibordo das tuas emoções, a minha placitude te seja tranquila como o violeta aberto aos meses de polén. Quando me cederes ao desconsolo do transposto, não te lamentes a despedida. Eu serei por ti, serei das memórias que te desconhecem o desconforto de cada fim, tu serás por mim, serás fiel à ingratidão que ao amor se lhe incumbe.
O amor será por nós silenciado nas angras perdidas da tua virgindade."



In Férreos Transversais de Alice Turvo

quinta-feira, março 06, 2008






I like you
But I shouldn’t
And I could fall in love
But that’s not quite an option for me.

segunda-feira, março 03, 2008

Debrucei-me sobre as memórias. Há muito tempo que não pensava em ti. Aconteceu lembrar-me porque ouvi uma gargalhada que parecia a tua. Olhei mas não eras tu. Não resisti a sorrir. É difícil resistir o que quer que seja quando me lembro de ti. Por vezes, são as lágrimas que se mostram. Hoje foi um sorriso.

Existem dois tipos de perdas. Aquelas sobre as quais não temos qualquer controlo e as que são a consequência de uma acção provocada por nós. É a diferença entre as perdas e a perda. É a diferença entre a morte e a estupidez. E podia ser também a diferença entre os acidentes e o egoísmo.
Não morreste, não foste nenhum acidente nem és uma das perdas. És a perda.
Não poderei expulsar de mim este sentido das coisas. Nem poderei algum dia esquecer que te perdi. Por um acto meu. Um acto de puro egoísmo. E agora sei que te posso dizer que já não procuro o perdão, e já não procuro um encontro contigo. O que fiz é imperdoável. E foi ao aceitar isso que percebi que os nossos caminhos já não se voltarão a encontrar. É este o resultado de quando falhamos perante os outros. Não há lugar para um segundo acto de egoísmo. E aqui a fé não pode entrar. Durante muito tempo tive essa fé. A fé do perdão. A fé de que tudo um dia iria voltar ao antes. Que te teria novamente ao meu lado e que a nossa amizade jamais se esbateria. Não é possível. Tenho que te deixar ir mesmo que na verdade estejas sempre presente. Mesmo quando não me lembro de ti.

A tua perda padece da contagem do tempo. Sobrevive-lhe e sobrevive-me a mim. Levo-te para todo o lado. A tua perda é inquestionável e irreparável.

Lembro-me quando ias assistir às minhas orais, de dizeres para ficar calma quando eu era um turbilhão de nervos. Não parava quieta. Cigarro atrás de cigarro. Dizias que tinha de ter calma e ir descontraída. Que tudo ia correr bem. E na maior parte das vezes corria, e eu sentia-me a pessoa mais feliz do mundo. E tu estavas orgulhosa de mim, da tua afilhada. Sabias, ao menos, o quanto era importante sentir-te orgulhosa de mim? Saberias ao menos isso? E ás vezes corria mal. E tu apoiavas-me e dizias que para a próxima ia correr tudo bem. E eu acreditava e na verdade corria bem. Durante cinco anos foi sempre assim.

Ensinaste-me muita coisa, acho que hoje ainda terias muito que me ensinar. E eu aprendia, devagarinho mas aprendia. E hoje em dia, quando estou triste, recordo-me das tuas palavras e aos poucos e poucos volto a mim. Deste-me bases. Acho que foste a base. Tu e a minha mãe. Devo-te muito. Devo-te a confiança que tenho em mim mesmo nos meus piores dias. Ela está sempre lá. Sei que posso fazer sempre melhor. E agora que começa uma nova fase da minha vida, por vezes, caio e tenho medo, muito medo de falhar. Cheguei à vida de adulto e tudo me parece complicado. Mas eu não te posso falhar mais nenhuma vez, portanto, eu vou conseguir, vou ser competente em todos os desafios que encontrar pela frente. E vou continuar a acreditar em mim da mesma forma como tu acreditavas.

Quero agradecer-te por sempre me teres dado o melhor de ti e teres cuidado de mim. Nunca ninguém cuidou de mim como tu cuidavas. Achei que seria impossível perder-te. Nunca pensei que houvesse sequer alguma probabilidade disso acontecer. Mas nada é garantido, não é? Agora sei-o.

Onde quer que estejas espero que estejas feliz. Eu quero que tu estejas feliz. E mesmo que não estejas pelo menos que te encontres no caminho certo.

sexta-feira, fevereiro 29, 2008

Em que estação estamos nós? Não consigo ver mais do que um espaço. Aquele que te falei, um espaço com paredes. Poderia ser a coisa mais simples do mundo. Não o é. Sei que tem muitas almofadas pelo chão e teria de ter as minhas cores favoritas. Preto. Vermelho. Cinza. E não, acredita que não me esqueço de ti. Não me esqueço do teu chá e não me esqueço dos teus chocolates. E sei que sabes que não me esqueço de nós. Teremos sempre as músicas que serão os passos das nossas mãos. E os filmes para assim nos sentirmos dentro de algo que não seja e não se baste a esta existência pedante. Poderia sempre esquecer-me do que se encontra para além disto. Seria um erro. Penso que já te disse que assassinar o mundo não nos traria qualquer tipo de salvação. Pelo contrário. Seriam mais visíveis as entranhas do que ainda não conseguimos curar dentro de nós. E existe sempre esta necessidade de conseguirmos ultrapassar os erros. Mesmo os que de alguma forma nos trouxeram um pouco de paz interior.

Hoje seriam as palavras que chegariam mais perto de ti. Seriam as palavras que te diriam assim: É por vezes, ao final da tarde, que me encosto mais a ti. Que o meu corpo mais adormecido do que antes precisava do tactear dos teus dedos em busca de um conhecimento mais próprio. O conhecimento tão peculiar que se apreende quando no toque se sente o começo de algo. Hoje seria o meu corpo a precisar de ser descoberto. E digo-te que visualizei os dedos, não outros que não os teus, abrindo caminho pelos meus seios. E pergunto-te de novo: em que estação estamos nós? Poderão ser os teus dedos, na conjuntura das tuas mãos a alcançarem a resposta. O conhecimento hoje poderia começar por aí. Pelo arrebatamento de um corpo nas mãos de outro corpo.

Mas sei que se nos fosse possível a aproximação não te saberia dizer mais do que isto:

Trabalha-me o coração.


(Heart engine. Start me up.)



terça-feira, fevereiro 26, 2008

If you want me








what the fuck are you waiting for?

sexta-feira, fevereiro 22, 2008

P.S. I Love You






Patricia: I bet you've had a hard time walking into a room full of people on your own, right? Yeah. I know that. I know what it is not to feel like your in the room until he looks at you or touches your hand or even makes a joke at your expense, just to let everyone know... you're with him. You're his.

domingo, fevereiro 17, 2008






I wish that we could see if we could be something

domingo, fevereiro 10, 2008

Não sei ser coração na distância. Não sei do mais sem ser pelo menos. O desafio perdura mais do que a certeza. E no ambivalente é como me deito no dia. Não sei ser caminho de alguém. Podem apedrejar-me e a respiração será a mesma. Mesmo que sulcos de sangue me sejam mais do que a satisfação. Não sei ser mais do que isto que me sei. E é no amor que me sei menos de alguém. Podia ser um dia o tudo mas o tempo é o desencontro que melhor assimilei em mim. Não sei ser aquela que todos desejam. Não sei mudar-me por dentro como se apenas fosse vazio. Não o sou. É o que sei.
Arrastam-me pelas teias do desejo como se essa fosse a única forma de me terem. E não me assusto se o compreender. Talvez seja a única forma. Talvez seja a única maneira de me soltar das arestas que se prenderam ao dentro. Não sei ser coração na distância. Porque é na distância que se encontram as fragilidades que renego.

Só sei ser pele na pele. Desejo no desejo. Sexo no sexo. Mãos geometricamente colocadas no meu corpo. E tudo o que quero está nos contornos do outro corpo. Da boca aos pés. É a continuidade do que me surpreende que me tira as raízes do chão. Não é o domínio. Não é a dificuldade de seduzir. Nada disso me agarra. É o salto que se dá depois de nos deixarmos ir que me capta a atenção. A verdadeira.
Palavras que substituem actos. E actos que não me chegam. Nos dias em que me senti preenchida estava nua de medos. Quantos dias o medo foi nulo? Perdi-lhes a conta por não existirem.

Não sei ser mais do que isto. E se isto for o medo do rastilho então é isso que sou.

sexta-feira, fevereiro 08, 2008

Subo os degraus que me ofereces. Como as folhas que se acumulam nos meus livros. Oiço a voz ao longe. A caminho da pele que submerge no corpo. Pedes-me textura ao que sinto. E só te sei entregar num cesto as palavras que não esqueci.

Queres que escolha um espaço. O espaço do reencontro. O retardar de um reconhecimento que já começou a ser feito. Cresces em altura no que sou. E tenho medo que num determinado instante deixe de te conseguir observar. Se o caminho for demasiado. Se eu for vaga no que te dou de mim. Será ainda possível chegarmos lado a lado?

Castigo, tantas vezes, a vida que me chegou às mãos. Maltrato-a para a conseguir sentir. Digo-te ao ouvido: são por demais as vezes que me esqueço do que sou. Que me esqueço de que ainda consigo sentir. Sentir o dedilhar dos dedos sobre a crosta do meu coração. Digo-te ainda mais perto, do sítio onde a voz se confunde com a respiração: Se me tocares não saberei ao certo que toque é esse. Não saberei ao certo onde me tocas tu. Não sei onde está o epicentro do meu sentir. E mesmo assim te digo que estou aqui. Aqui. Do lado em que tu me puxas.

Dizes-me: a minha fé por ti é inabalável.
E se eu fechar os olhos do mundo quase que posso acreditar. Não em ti. Mas nessa fé que me transborda em harmonia. Nessa fé que não seria possível existir se não fosse tua. Se não pertencesse ao melhor de ti. Essa fé.

Reconstruo as janelas do passado que se encobre de presente. Misturam-se. Não. Eu é que as misturo. Na oportunidade remota de me saber construída. Não de cimento mas de madeira porque assim facilmente poderei arder de frente para ti. E das águas que se bradem dos teus olhos poderei ser salva. E viver. Poderei reaprender a viver com tudo o que sou. Toda a matéria-prima que te esqueceste de alienar. Sou eu. Poderia gritá-lo se a voz se aguentasse. Se tu ainda te encontrasses aqui.


Cais-me de novo no corpo, na facilidade com que se ouve o ruído do todo que está lá fora. Cais-me de novo no corpo como abutre desfiando a carne já solta da pele. Sou de pouco alimento para ti. Para a fome que te provoca espasmos de angústia. Sou-te pouco porque foi de ti que me libertei em vez de partir.

E ainda te consigo ouvir quando dizes:
No engano do acto fruto do amor fica quem se nega a fugir da dor.

Partimos.







“There was a child who was born to be the one who comforts me
Who was born strong and brave and holy, loves me rough and tenderly
Can it be understood the reaons why do you belong to me?

I need the steady of you and I’d give you everything
That i could cut this sweet precision from beneath my tender skin
There is a way, there is a way that you could save me from this

Would you promise to be king?
Promise to be kind.”


Mirah – Promise to me