Lembro-me que é assim.
segunda-feira, maio 26, 2008
terça-feira, maio 20, 2008
Dois. Lados (2)
Tu foste o que o tempo não domesticou, tu foste o livro entornado onde o silêncio não inflama, tu foste a pedra rija que se desgasta no álveo distante das brumas. Eu fui a sobra do teu lamento, os corredores da tua insatisfação, a palavra guardada no nó do punho, a morte dura na travessia da tua língua. Eu fiquei. Tu partiste. Tudo o que disseres não recaí sobre o papel, tudo o que possas dizer não intenta o reencontro da boca onde a palavra fica sempre por dizer. Porque tudo o que tu possas dizer não me chega à pele nem ao osso. Esmorece onde o segredo da carne espelha a tua fome nefanda, corrói onde o segredo da noite decaí sobre as preces dos teus joelhos. Porque tu nunca ficas onde a pressa da cama te relembra que o amor é mais venoso que a solidão dos teus ímpetos. Eu permaneci. Tu esqueceste. No meio de um tempo qualquer, nós somos o que o olvido instigou na gangrena da espera, nós somos todo o ardor por deglutir no negro findo dos teus costumes.
(Alice Tennis Giros)
Na maior parte das vezes, canso-me disto. Da incoerência dos meus passos. Da incoerência disto que se rasga, dia após dia, entre nós. Entre nós e o que está lá fora. Entre nós e todas as outras pessoas que algum dia significaram mais do que o resto do prazer que fica esquecido pelos corpos. E nem eu nem tu conseguimos desculpar. Desculpar que antes deste todo, fomos de outras pessoas. Mesmo que acolhamos nos anos a sabedoria de que só à morte pertencemos. E quando te sinto, por essa noite adentro, apetece-me. É mais do que apetecer. É sentir a voluntariedade do que respiro. E puxar-te. E agarrar-te. E quando a tua pele se confundir com a minha. Partilhar contigo que me quero oferecer a ti. Apenas a ti, antes de voltar a pertencer à terra.
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domingo, maio 18, 2008
terça-feira, maio 13, 2008
Penso-te quando os minutos começaram a avançar e voltarias a ter de ir embora.
Já te disse que me custa quando vais? E que o tempo entre nós sempre foi curto demais? Curto demais para mim?
Penso-te quando te vi em Coimbra. Estavas bonita tu.
E recordo quando te disse:
- Preciso de ir à casa de banho mal chegue ao clube
- Queres que vá contigo?
- Se quiseres.
- É melhor não.
Tinhas razão, era melhor não. Poderia querer que ficasses em vez de teres de ir para a festa. Definitivamente, era melhor não.
Penso-te no abraço que te dei quando te despediste. Penso como me ficaste na cabeça desde então.
Mas não podemos. Não há dúvidas disso.
Mas e se pudéssemos? Deixar-te-ia de pensar mais facilmente?
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segunda-feira, maio 12, 2008
I'll use a lock that has no key
Aren't you in chains
That no one else can see
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quarta-feira, maio 07, 2008
Cursed with a love that you can’t express
It’s not for a fuck or a kiss
Rather give the world away than wake up lonely
Everywhere in every way I see you with me
If you find me, hide me, I don’t know where I’ve been
When you phone me tell me everything I did
If I’m sorry you lost me you’d better make it quick
‘Cause this call costs a fortune and it’s late where you live
Emily haines – Crowd surf off a cliff
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22:03
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quinta-feira, maio 01, 2008
Dois. Lados.
Lembro-me de uma frase. Uma frase antiga que colei na minha mesa-de-cabeceira. Dizia: No meio de um tempo qualquer, o nada pode vir a ser o tudo. Era a minha frase. O meu lema escondido dos outros. Desse tempo qualquer em que eu achava que passos alguns me levariam a ti. Mas depois aconteceu. Sem percebemos o como e o porquê chegamos lá. E entramos. Corremos as portas todas. E se houvesse o ímpeto, teríamos experimentado todas as camas. Não aconteceu. Porquê? Percebi que ser o tudo de alguém, era mais falível que a morte. Nem eu nem tu fomos ao funeral do nosso amor. (Sinto-te na saudade que é a âncora do meu coração). E continuo, já sem a frase na mesa-de-cabeceira. Sem achar que este nada que cultivo diariamente será novamente. Um dia. Um tudo. Segredo-te, nesse ouvido distante, que se pudesse voltar ao antes, faria exactamente a mesma coisa. Segredo-te porque não ouves. Não me ouves. E eu nunca aprendi a gritar.
Segredo-te que no amor que te tive fui menos eu. Menos nós. Menos vida.
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domingo, abril 27, 2008
quinta-feira, abril 24, 2008
domingo, abril 20, 2008
Bette: I’m afraid that I’m… destructive. That if I have something good, I feel compelled to destroy it.
Tina: Look, I’m not so pure and innocent, ok? I was awful when I was with Henry. I was flailing. Look how I treated you. I used Angelica against you. I was...
Bette: Tina, I love you. I love you. I have no doubt about that. I’m just afraid that...
Tina: That everything you’re feeling right now is because... we’re not really together, It’s an affair.
Bette: No.
Tina: But it is.
Bette: For me, when I really search myself, it doesn’t feel like an affair. For me, it feels like I’m coming gome.
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quinta-feira, abril 17, 2008
“Agora sim, vejo-te como Sra. Dra. Se quiseres vir à rua de cima, tenho umas diligências urgentes em que precisava da tua ajuda. Escusas de trazer o que quer que seja. Podes consultar tudo o que quiseres. Repito, tudo o que quiseres.”
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quinta-feira, abril 10, 2008
Quedas-te ao meu lado, no redor dos meus dedos. És tu. Mas diz-me, quem és tu?
E deitas-te com as pernas arqueadas e os pés colados um ao outro. Tens os braços esquecidos na cama dispersa de lençóis. E eu vejo. Eu consigo ver. O teu corpo composto por fotografias. As fotografias que captaram o que tu foste um dia.
E vejo:
O verde da viagem que fizeste no verão passado à Irlanda. O verde que te ficou nos pés. Os passeios que não nos podemos esquecer. E eu consigo imaginar-te de mochila nas costas, garrafa de água no bolso e a máquina deitada na palma da tua mão direita. E o teu respirar de furos ao meu ouvido.
O teu corpo conta-me histórias. Conta-me histórias do passado. Do passado que me mostras e que eu não conheci. Como seria conhecer-te nesse tempo distante? Como serias tu, de comboio em comboio, a descobrires o que a tua cidade não te permitia ser?
Não lamento a minha ausência nas tuas viagens. Não há nada para lamentar. Nesse passado remoto eu ainda não existia. Eu ainda não tinha esta face e as minhas mãos encontravam-se fechadas de tudo o que poderia nascer. Renascer. Viver. Não te diria nada, seria o mais certo, se no antes nos tivéssemos encontrado.
Falas e desdenhas as palavras. As palavras não valem nada. Foste tu que me ensinaste. As palavras trazem com elas a repetição do que não pode ser repetido. E eu recordo-me, que as palavras matam o amor que ainda não saiu da casca do ovo. Sim, é isso. Se um dia o sentires, não o ponhas em palavras. Se o disseres, se o falares, se o escreveres. Eu deixarei de acreditar em ti. É importante que respeites o que te peço. Se um dia no alto de tudo o que pode ser sentido. Se um dia na ponta da língua te surgir a palavra amor. Cala-te. Submerge-te dentro da água. Submerge-te no meu peito. Mas cala-te.
E de volta a ti. Aos teus passos verdes por entre os recantos desta casa. Mostras-me as paredes. Sabes que tenho uma fixação por paredes. Então explicas-me a tua vida como se tudo pudesse ser mostrado no gasto das ruínas que aguentam este espaço. Preciso de fechar os olhos. Para que nada possa ser maior do que me mostras. Sinto a superioridade da tua voz nos regaços que me levas a descobrir. E agora és menina, de mão dada com a tua mãe a caminho da escola nos teus 10 anos. Decerto, que a gargalhada seria a mesma. Decerto, que se te olhasse nos teus pequenos anos, saber-te-ia a mulher que hoje está à minha frente. E se me enganasse, estarias perto para me reconduzires na verdade do que foste.
Encadeio-me de volta de ti. Porque a sede há muito que deixou de ter destino e então é este abraço que escolho. Sim, uma escolha. Porque mesmo o mais insignificante do desejo é resultado de uma escolha. Quantas escolhas nos levaram à habitação deste mesmo caminho? Não digo sonho. Não o posso fazer. Seria iludir-te de os saber existentes. Ou pelo menos a galopar no meu sangue vadio. Sempre mais o poder de decisão ainda que inconsciente. Do que o adormecer e acordar presa em algo que não sinto nem poderia sentir como meu.
Sigo-te pelas sombras que deixas nos meus dias. Quando a dança é mais fervorosa do que o andar lado a lado. Quando o beijo se irrompe pelos escombros que se foram acumulando pelos nossos corpos. Mas fica. O beijo fica na pele quando poderia sempre fugir. A pele na elasticidade dos desejos. O ardor moribundo que se distingue da rotina do que se quer um dia e no outro se satisfaz. E as sombras algures pelos miradouros da cidade, e das sombras as mãos e das mãos tudo o que queremos guardar deste momento.
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03:15
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quarta-feira, abril 09, 2008
Michael: Ellen broke up with me.
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00:08
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segunda-feira, abril 07, 2008
sábado, março 29, 2008
Ainda sei a todo custo, a dispensa do teu amor.
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01:10
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terça-feira, março 25, 2008
para o espaço que nos falta
para o amor que nos falta
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11:57
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segunda-feira, março 24, 2008
sexta-feira, março 21, 2008
“Nada do que é indizível é inefável. Nem a escrita nem a sua presença assídua. Hoje, redobro as esquinas que gastam cada arruela versal das minhas palavras, hoje, mastigo a prece do dito para que haja vislumbre onde o sofrer não seja mais sapiente que o inarrável. Que sem a persuasão do negro não há poesia que se redima ao caos da escrita, que sem amor nunca há pele suficiente para escamar mais empórios na bainha do dorso. Nada do que é inefável é infalível. Nem o inventário das letras nem a sobra dos seus honorários. Hoje, recortas os quarteirões esbraseados de cada alameda ateada por crença, hoje, instiga o desdito antes do impulso para que haja mais querer onde esse sofrer não se senta à mesa de garfo na boca, de faca no cuteleiro do teu peito. Que sem a colisão do negro não há prosa que se infiltre na sova da escrita, que sem derrame nunca há amor suficiente para incenerar o marfim fracturado das ossadas. Não, nada do que te escrevo é indiscernível. Que os teus dedos são mais boca que a descompustora da palavra, que a tua boca é mais táctil que a maquinaria das mãos. Que és inteira, indomável na volubilidade dos teus cabelos, irrevogável onde a nudez da cama te pressente a fomentação. Que não importa se o dormir-te é menos presto ou se a quietação dos olhos te insiste a desavença do corpo. Porque és inteira, trajada de pele ou desfeita de ardor. Nada do que te digam é irremissível. Que nada do que te diga é transmissível, que onde a linfa te escoa a frase, o sangue desbrava a pontuação das árvores fáceis de engomar. Nada do que te diga chega, que o fim não me suprime a vontade escabrosa do pergaminho. Nada do que possa dizer atinge, porque não há beleza no tributo noduloso desta desproporção escrita pelo negro dos versos. Que se a tribuna é incasta, há sempre o odor terroso das uvas para te recompor os lábios, que se a vida te é fervente, há sempre a serventia ferrosa da esperança para te devolver o baque do coração. Nada do que possa dizer chega, porque não há redenção no desfecho frágil do carpo, que nada do que possa transcrever e insistir te obriga à causa ao invés da fome. E ainda assim te digo, um dia te encontras, e a pele se desfolha como um livro lunário, para que possas reescrever sobre a epiderme outro vagido sem rebentação, para que te possas estrear no galope do peito, onde a palavra não se cansa, onde a palavra não murcha a quadra e o pomo. Porque és inteira, e essa beleza é mais dizível que qualquer outra entoação dada no nó negro da minha farsa - nesta escrita de súplica.
Para que possas sorrir. Não te desacredites. “
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17:52
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quarta-feira, março 19, 2008
My Blueberry Nights
"How do you say goodbye to someone you can't imagine living without?
I didn’t say goodbye.
I didn’t say anything.
I just walked away."
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00:02
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sexta-feira, março 14, 2008
Sabes que as vezes, a melhor maneira de suscitar interesse nos outros. é sermos simples. sem grandes artimanhas. é ser. sem grandes linhas ou deixas.
Narcisa diz:
Mas eu sou simples.
fake can be just as good. diz:
Não. Tu és complicada. Eu também sou.
Mas percebo o que queres dizer por simples.
Narcisa diz:
Mas ser complicada não é ter artimanhas.
Eu ao ser complicada sou. Não sei ser de outro modo.
fake can be just as good. diz:
Sim, mas tens defesas.
Eu acho que as hipóteses de teres sido feliz com alguém, por medo. Acabaste por desvalorizar e fugir.
E isso é ser complicada, é ter protecções.
Narcisa diz:
Claro que tenho defesas. Eu perdi a fé nas pessoas. Duvido que alguém me possa surpreender.
Digo-te muito sinceramente
de todas as pessoas com quem eu estive
nenhuma poderia fazer-me feliz.
nenhuma.
E nenhuma me tocou fundo como eu gostaria de ter sido tocada.
Nenhuma me marcou no bom sentido.
fake can be just as good. diz:
Achas-te exigente?
Narcisa diz:
Muito.
Sei o que valo.
E não admito que me tentem mudar.
Tornar-me mais humana, como um dia me disseram.
Eu sou tudo, e as pessoas não sabem lidar com isso.
fake can be just as good. diz:
As pessoas não tentam. Não tentam. E acaba por ser isso.
Tentam aqui e acolá uma vez. E desistem.
Narcisa diz:
Sim. As pessoas desistem e eu sinto que desisto com elas.
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23:10
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