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Pode acontecer que eu pare. Pare a meio caminho. Espreite para os lados e leve o meu tempo a dar o passo. Promete-me que não desesperas. Que não levas a mal. Existem em mim também fraquezas. Fragilidades ainda sem nome. Tais como os medos que já sabes de cor. Dessa forma que me aprendeste a conhecer sem eu o perceber. E gosto de ouvir quando falas do caderno onde anotas as minhas singularidades. As coisas que fazem de mim a miúda especial. Não porque o seja na verdade. Mas porque tu o dizes. E quando o fazes, a pele não arrepia mas sinto-me como se já não houvesse espaço entre nós. Nem abismo. Nem queda de água. Tal como, quando vens para cima de mim e os nossos corações ocupam o nosso lado direito. E aí, quando uma pele consome uma outra, tudo renasce em novas cores. E eu vou soltando as palavras proibidas. As palavras que cosiam a minha boca. A minha alma. Tudo o que pudesse expressar o que sinto. Mas sinto. E aos poucos, vou soltando. E o medo? Existe. Continua em mim. Mas deixou de me sufocar a garganta. E ainda me lembro, quando dissemos que não nos podíamos apaixonar. Mas aconteceu. Por isso, não vamos dizer que não podemos isto ou aquilo. Ambas sabemos os riscos que corremos.
Anda. Passa a ferro os receios e pendura-os no armário da vida.
Talvez seja possível o limite entre nós. Talvez sejamos apenas uma marca na vida uma da outra. Talvez tanta coisa. Talvez eu e tu.
A porta da viagem foi aberta.
Vamos?
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