Dois. Lados (3)
(Alice tennis giros)
E pediste-me tu um dia – Conta-me os teus sonhos. Os detalhes que te fazem ficar de olhos abertos quando o mundo se apresenta polido de escuridão – Disseste tu um dia. Como se tivesses esse fim nobre de me quereres conhecer. Todos os fins nobres são impuros. Toda essa transparência de carácter a mim não me diz nada. E depois os sonhos, os meus sonhos. As imagens que povoam pelo território fértil. Não tenho sonhos. Tenho objectivos concretos. E digo-te hoje que é na escuridão que melhor acompanho o compasso dos dias. Numa relação de sentido único. E tu? Tu não fazes parte. Existe uma porta fechada. Poderias querer tentar encontrar a chave. Poderias querer tanta coisa. Dizer-te no meu silêncio. Ocupar todos os lugares em que me situo. E sim, podias tentar adivinhar-me. Saber em que lado da cama durmo. Como coloco as mãos num abraço. O que penso quando olho para ti. O trajecto que faço para os meus lugares. Todos os incidentes que me levaram a andar de olhos fechados até à chegada ao ponto negro do universo. Quantas mais perguntas, mais tempo leva o caminho de me centrar em ti. Diz-me tu agora: qual a quantidade de conhecimento que queres ter de mim antes de fugires? Onde deverás parar tu? Em que incógnita. Em que presente. Ou passado. Sentirás o medo, esse arranhão que não sangra? Saberás tu o que é ser na minha realidade? Quanto tempo? O tempo de antena é teu.

