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Agora preciso que olhes para cima. Com os olhos bem abertos. Existe outro círculo. É a nossa vida pendurada. Ainda em embrião é certo. Ainda vazia do que preenche o primeiro círculo. Sim, somos nós. Ainda a caminho do segundo mês de gestação. Compreende-se logo à partida que é um círculo vivo. O bater do coração é demasiado forte. Será um rebento com boa saúde. É desejado. Ainda não tem uma estrutura física para o acolher. Ainda falta alguma roupa, mas temos vários meses. Alimento existe. E muito calor humano para o receber. Não sabemos onde irá nascer. Talvez em Lisboa ou mais pela marginal. As mães ainda não encontraram consenso. É normal, nestas situações. Já me perguntaram para quando o nascimento. Eu própria já sonhei várias vezes com esse acontecimento. Será um grande acontecimento. Mas eu respondo sempre a mesma coisa: logo logo nasce, está cheio de vontade de conhecer o mundo de que tantas vezes ouve falar. E vai correr tudo bem. Será um parto natural, dizem os entendidos. Sem data ainda prevista. Não faz mal. Tomamos vitaminas e o que for necessário para lidar com a ansiedade. Será o nosso primeiro filho em comum.
(Vai acontecer. Eu sei que tu sabes isso. Dá-me a mão)
