quinta-feira, agosto 21, 2008

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Todos os caminhos do teu corpo vão dar a mim. Inevitavelmente nem sempre me encontrarão. Existirá a fome. E a sede. E a angústia. E o atormentar incoerente das saudades. No fundo plástico do tempo seremos memória. Eu do que a tua vida poderia ter sido se me tivesses escolhido. E tu a prova de que num certo espaço de intemporalidade eu me entreguei exaustivamente a alguém. A ti.

Mas não existe maior verdade senão aquela de que realmente valeu a pena. Por tudo o que fomos juntas.

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terça-feira, agosto 12, 2008

Lost

terça-feira, agosto 05, 2008

Sinto a tristeza a amassar o cansaço como se o objectivo em vista fosse produzir o melhor pão do mundo. O corpo caminha ao largo do extremo. E a mente sufoca-se a ela própria numa viagem pelos aquedutos da loucura.

Sinto-me crua. Envelhecida. E tudo menos transparente.

Se um dia eu deixar de saber quem sou.
Se um dia eu deixar de conseguir controlar todos os meus ímpetos.
Estarás tu ao meu lado?

Ou esquecerás o que eu fui para ti?

Se um dia o amor que me sossega a pele fraquejar, ainda me reconhecerás?

Não feches os olhos. Não permitas que a cegueira se apodere sobre ti. Não te dês ao abandono do meu corpo. Não deslargues a mão que cai sobre o teu coração.




quarta-feira, julho 30, 2008

Seria nesta altura que eu gostaria de nunca ter deixado de acreditar em fairy tales. E talvez não acharia muito sádico passar uma madrugada a ver os filmes e desenhos animados que tentam ensinar os mais pequenos a acreditar que o amor vence tudo.

Se eu fosse no agora uma criança e alguém me dissesse que o amor, por vezes, não tem o que é preciso para vencer as batalhas, o mais certo seria eu responder muito revoltada:

- Ah pois claro que vence tudo! O amor é tão bom como é que pode ser derrotado? Não pode não! Vence e acabou!

Nestes dias de hoje, eu já não sou uma criança e, de facto, o amor não vence coisa nenhuma.

Tenho dito.

terça-feira, julho 29, 2008

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Por vezes, passamos a nossa vida toda à procura de um rumo. Numa tarde de ínicio de Verão, a nossa vida recebe um estrondo no seu centro. E aí, tudo se altera. Não é exagero: tudo se altera.
Encontrei em ti o meu rumo. Ou melhor, parte dele. O início, digamos assim. O resto advinhar-se-ia com o passar dos dias. Em quase dois meses advinhou-se tanta coisa. Implodiu em mim o Amor.

Mas o caminho nunca foi certo. Embora o sentido estivesse todo ali. Continua a estar, mesmo agora que temos à nossa frente uma parede de betão. E de repente, os sonhos. A falésia por onde deambulavam todos os nossos desejos é invadida por um mar imenso. Tudo se vai. Menos isto que pesa no peito. O peso do tamanho do meu amor. O peso do tamanho da minha revolta. O peso do tamanho do pior de mim. Pesam os sonhos rasgados pelo meio. Pesa tudo o que eu e tu não podemos ser. Pesa-me este Nós cortado como se fosse um cordão umbilical.

Tu queres que eu te acene o Adeus.
Porque tu não me mereces - dizes tu.
Porque seria uma felicidade fragmentada - e não são assim todas?
Porque a partir daqui apenas complicaria mais.
Porque eu não sou o teu oxigénio.


Tu queres que eu te acene o Adeus.



Um dia, talvez eu te acene o recomeço disto.


(E mais)

segunda-feira, julho 28, 2008

"Assim, quando pensas que tudo acabou, que finalmente fechaste o coração, apercebes-te que algo em ti espreitava, pacientemente, o momento certo em que acreditavas ser livre.
Iludida, calma e despreocupada, entranha-se vagarosamente, em ti a semente do amor incondicional. Uma manhã, abres os olhos a mais um dia de rotinas e algo subitamente te inquieta – um desconforto ligeiro e estranho, uma sensação de falta que inicialmente não consegues determinar e que não é fome.
E é essa despreocupação o ponto fraco, o momento certo que o amor esperava para te assaltar, para quebrar as comportas do teu coração e inundar a tua vida.
Depois disso, estremeces. E só então compreendes que esse sentimento está tão profundamente enraizado em ti, que está lá no momento de silêncio em que tomas o café da manhã, que quando adormeces te assaltam pensamentos díspares que não são teus, palavras e instantes aos quais julgavas não ter dado importância. E toda a tua vida se reveste de um peso de antecipação e, ao mesmo tempo, de uma leveza de memórias recortadas quase ao acaso. Nada a fazer. O coração bate.
Assim, quando menos esperas, és triste.
O vazio instala-se nos teus olhos e o instante de felicidade do teu dia está dependente de uma presença externa que não consegues controlar. Deixas o teu sorriso pendente na mensagem que não recebes ou, se ela chegar, no seu conteúdo quase inócuo.
Trocámos números de telefone, trocámos mensagens. O hábito da presença um do outro instalou-se até que marcámos um café.

Por isso, todo o meu ser ficou dependurado na primeira vez que saímos juntos. Um primeiro encontro, como dois estranhos que se mostram ao mundo pela primeira vez.
Conversámos horas a fio, noite dentro, e o sorriso, ainda pendente, entre mais um café e o teres-me emprestado o teu casaco porque eu tremia de frio, antes de, respeitosamente, me deixares à porta de casa.
Extenuada, vencida pelo sono, deitei-me com a roupa que trazia no corpo e o teu casaco, cujo odor se me vedava pela febre que começava a desenhar-se. Nessa noite voltei a sonhar."


Ana Brilha
Diário de uma Paixão Monologada - Lado A

domingo, julho 20, 2008

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Olhas à tua volta. Percebes que a vida não é mais do que um círculo que os teus olhos alcançam. Dentro deste círculo tens o teu dia-a-dia, as pessoas que te são familiares, o teu próprio ser e a forma como ele se liberta ou se fecha na comunhão com o restante. Com os outros. Tens as tuas obrigações. Os teus direitos. Os teus sentimentos. Tudo o que poderás achar indispensável.

Agora preciso que olhes para cima. Com os olhos bem abertos. Existe outro círculo. É a nossa vida pendurada. Ainda em embrião é certo. Ainda vazia do que preenche o primeiro círculo. Sim, somos nós. Ainda a caminho do segundo mês de gestação. Compreende-se logo à partida que é um círculo vivo. O bater do coração é demasiado forte. Será um rebento com boa saúde. É desejado. Ainda não tem uma estrutura física para o acolher. Ainda falta alguma roupa, mas temos vários meses. Alimento existe. E muito calor humano para o receber. Não sabemos onde irá nascer. Talvez em Lisboa ou mais pela marginal. As mães ainda não encontraram consenso. É normal, nestas situações. Já me perguntaram para quando o nascimento. Eu própria já sonhei várias vezes com esse acontecimento. Será um grande acontecimento. Mas eu respondo sempre a mesma coisa: logo logo nasce, está cheio de vontade de conhecer o mundo de que tantas vezes ouve falar. E vai correr tudo bem. Será um parto natural, dizem os entendidos. Sem data ainda prevista. Não faz mal. Tomamos vitaminas e o que for necessário para lidar com a ansiedade. Será o nosso primeiro filho em comum.


(Vai acontecer. Eu sei que tu sabes isso. Dá-me a mão)

segunda-feira, julho 14, 2008

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Nunca antes tinha sentido este peso. O peso bruto do amor. E todas as suas mais directas consequências. Nunca antes tinha oferecido o meu corpo a alguém. Não como o ofereço a ti. E a pele, a forma como a tomas. A forma como a vicias. Não o sabes já? Então eu digo. Baixinho. Sem ser ao ouvido. Não. Estas coisas dizem-se olhos nos olhos. E digo. Que foste tu. Quem me levou para o lado de fora do labirinto. E não foi preciso força. Não. Os passos tinham o tamanho certo. E os beijos, essa energia que humedece os meus lábios nos teus. Que mordisca. Que lambe. Que mima. Que faz com que as nossas línguas se exorcizem. Se atropelem sem danos.

E falo-te a ti pela primeira vez. Exponho por ordem os meus sonhos. Exponho-me. E o melhor? Gosto que após teres aberto a cela que não tinha chaves, te mantenhas. De perto. e ao longe também. E vejo-te a ti, deitada num sofá que não conheço. Aninhas-te ao meu corpo ausente. E sonhas. Também tu, sonhas enquanto lutas contra a rebelião dos teus fantasmas. É uma luta incessante. Os fantasmas alimentam-se dos nossos medos. E fingem que nos protegem. E nós acreditamos porque temos sempre que acreditar em alguma coisa. Será sempre uma questão de alimento e de fé. E quando dás por ti, são tantos. São eles que estão à porta da cela. Vigiam-te. E se aparecer alguém, escrevem uma lista de contras. E agora de novo baixinho, já ao ouvido, porque ainda nos anos tenros que me descrevem eu consigo corar. Mais no que digo do que no que oiço. e digo - nada em ti me faz querer fugir, eles não te farejaram, não contavam que serias tu a expulsá-los. que serias tu a criar uma chave. a chave - agora escondo a minha face no teu peito. e abro os olhos ao mundo.

(sei mais do que escrevo. do que ambiciono. do que danço. sei que, É Mais. .. tu sabes)

quarta-feira, julho 02, 2008

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Não arranjes desculpas. Não inventes palavras para fugires do meu coração. Não cubras o teu corpo com as minhas mãos para que a razão te impeça de sentir. Não coloques a almofada sobre a tua boca. Não, antes dá-me a tua mão. Antes dá-me a tua boca, segreda-me o que não consegues dizer em voz alta. Vem, no desfiar dos sonhos que criámos juntas. Vem, e recebe-me no lugar onde te feri. Onde pressionei a ferida até sangrar. Não baixes a cabeça. Tira os óculos de sol da cara. E agora olha-me. Não te deixes confundir pelo negro dos meus olhos. E não te deixes perfurar pelo que o fogo do meu sexo sequiosamente procura. Preciso que observes. Preciso que vejas para além da minha pele. Lê. Sílaba por Sílaba. Sente. Não toques. O que é que está escrito? .. … … E agora repete ao meu ouvido.

Depois sim avança. Abraça a minha noite ao teu dia. Entrelaça a minha convulsão de palavras ao teu silêncio. Marca-me o pescoço. Prende-me o cabelo com força. Não abrandes. Não me faças abrandar. Desço pelo teu peito como se caminhasse na areia com destino ao mar. Deixa-me descer. Eu continuo a estar em ti. A minha mão esquerda na tua. A minha boca a irromper as ondas. A minha língua dentro de ti. Agarra a minha mão com força. Pressente o desejo que se incendeia nos meus lábios. E o sal agora nos meus dedos que alcançariam este oceano estendido entre nós. Todos os dias invento novas palavras para nós. E renova-se. Isto. Este ciclo. Este tapete de arraiolos feito por nós recupera-nos. Em cada perda. Mesmo no calor esquecido deste vazio.


Mentiria se dissesse que agora não te vejo mais ao longe.
Mentiria se dissesse que já não te quero.
Mentiria se dissesse que não existe em mim a fé de um dia nos encontrarmos a sós.
Mentiria se dissesse que as nossas raízes não aguentam a falta de água.


Mentiria se dissesse que ia embora.

segunda-feira, junho 30, 2008

Quase Perfeito . ..







Kika, repara:

Comecemos pelo título da música. Quase perfeito. Somos nós. É o nosso amor. Falta-nos o quase para sermos em pleno. Porque de resto é perfeito. E não te podes esquecer que nós as duas roçamos a perfeição, só o mau feitio leva-nos ao expoente máximo da pontuação. Percebeu? :P

Continuando...

Sabe bem ter-te por perto
Sabe bem tudo tão certo
Sabe bem quando te espero
Sabe bem beber quem quero

Desde a primeira vez. O beijo que aconteceu. A mão que aterrou na tua perna. Foi a partir daí. O rio como pano de fundo. A tua água das pedras. O meu chá frio de ananás e coco. E sabe bem ter-te a meu lado, e não há nada mais certo que isto. E quando te espero, quando sei que vens, que durante o tempo que for não existe mais nada. A não ser o beber dos instantes que se colam nas nossas peles.


Quase que não chegava
A tempo de me deliciar
Quase que não chegava
A horas de te abraçar
Quase que não recebia
A prenda prometida
Quase que não devia
Existir tal companhia

Se pensares bem, isto não era suposto acontecer. Nada era suposto. Mesmo que no fundo, precisássemos disto nas nossas vidas. Porque o abraço precisava de outro sentir. As horas tendiam a vagar mais e mais. E como não me pediste como prenda de natal, apareci-te no cair do Verão, sem embrulhos. Apenas cheia de defeitos e snob até dizer mais não. Querias realidade. Apareci-te eu convencida de tal forma que até faz confusão.
E és tu a prenda que neguei desejar estes anos todos. (24 anos cheios de velhice).


Não me lembras o céu
Nem nada que se pareça
Não me lembras a lua
Nem nada que se escureça
Se um dia me sinto nua
Tomara que a terra estremeça
Que a minha boca na tua
Eu confesso não sai da cabeça

Não, de facto não. Lembras-me que as coisas boas acontecem, que por vezes, merecemos estas rasteiras. E se sangrar não faz mal. Ao menos aconteceste-me.
A nudez do que flui em mim. A nudez que descobriste como se nas tuas mãos estivessem tatuados os mapas do meu território.
E confesso, que a minha boca não é mais do que um prolongar da tua.


Se um beijo é quase perfeito
Perdidos num rio sem leito
Que dirá se o tempo nos der
O tempo a que temos direito

Aqui discordo. É que tenho mesmo que discordar. Um ultraje. Os nossos beijos são perfeitos. Aqui não há meio termo. Se houvesse um campeonato ficariam em primeiro lugar. Confessa que é um vício e não há penso de nicotina, agulha de acupuntura que nos safe.
E o tempo, esse grandíssimo filho da mãe que se resolveu meter no nosso caminho. Mas esta luta acabará com a nossa vitória. A vitória de tudo o que faz sentido. Nós.


Se um dia um anjo fizer
A seta bater-te no peito
Se um dia o diabo quiser
Faremos o crime perfeito

O diabo quis. O amor nasceu. Não há dúvidas de que é o crime perfeito.



(Se um dia eu te disser que desisto – não acredites)

quarta-feira, junho 25, 2008

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Gostaria de muita coisa. Gostaria de viver num duplex com terraço no coração de Lisboa. De ter um cão que não precisasse de ir à rua passear. De comer sushi todos os dias. De ter um smart vermelho e preto. De ter uma cama enorme. De não ter de acordar cedo. De ganhar o quintuplo do que ganho. De comer ao pequeno almoço panquecas com mel e canela. De foder horas a fio e não ficar dorida. De ir passar fins-de-semana a hóteis. De viver uma temporada de meses em Londres. De me perder em Itália. De gostar mais de homens e menos de mulheres. De ir ao instituto de beleza três vezes por semana. De não ter pesadelos. De deixar de atrair malucas. De ir passar a noite a Nova Iorque. De esquecer todas as vezes em que me queimei. De apagar da memória todos os erros que insisto em repetir. De deixar de fumar. De beber mais vezes. De saber fazer caipiroskas. De saber fazer arroz comestível. De saber recuar o passo antes de cair. De não ter tantos fantasmas. De não ser tão imperceptível quando estou mais dentro de mim. De chorar mais vezes. De saber ouvir a teimosia dos outros, em vez de me centrar apenas na minha. De acordar contigo a meu lado. De adormecer colada a ti. De ouvir-te a responder à quinta pergunta. De fugir contigo. Que o tempo voasse até 4 de Julho de 2009. De assumir-te. De ser assumida por ti. De fechar os olhos e não ter outra realidade que não os teus lábios colados aos meus. De não ser tão assustadoramente lamechas apesar de saber que a culpa é tua. De conseguir ultrapassar contigo todos os pedregulhos que se acumulam no nosso caminho. De ser tua de forma completa.

quarta-feira, junho 18, 2008

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Resposta à primeira pergunta:

O fogo do teu sexo colado à minha mão. O desejo agora solto que respirava à medida que eu me aproximava e afastava de ti. A escravidão que é sentir-te mais perto sem te poder puxar para fora desta realidade. O inicio da minha marca em ti. Não na superfície mas sim na profundidade de tudo o que nos chama. De tudo o que transparece quando os meus olhos estão postos nos teus. Quando o meu rosto se abriga nos teus seios. Para poder ouvir-te melhor. E sentir a pressão das tuas mãos nas minhas costas enquanto eu entro mais fundo. Mais fundo do que alguma vez entrei. E depois, a paragem na estação que me faz ficar em ti, com a pele esfomeada agora a descansar. A recapitular tudo o que foi vivido e a ansiar por mais. Pela lapidação do que nos aconteceu. E no abraço que te espera no meu peito, eu tomo-te. No caminhar da ponta dos meus dedos, eu partilho os meus sonhos contigo. Na impulsividade que me assalta os sentidos, eu permaneço mais um pouco. Sempre mais um pouco para te ocupar o dentro como te ocupo a pele. Para que não precises de mapas no regresso a mim.


Resposta à segunda pergunta:

Não haveria outro sítio. Outro arquipélago. Outra pirâmide. Outro tesouro a alcançar pelo certeza dos teus dedos. Não haveria, certamente, outro espaço pronto a ser devastado pelo movimento do teu corpo no redor do meu. Não aceitaria, outra mão a colher os frutos do meu tesão. Não. És tu. Foste tu. E prometi esperar, prometi guardar o rompante que se instalou na trovoada do meu sexo. Mas não aguentei. Não quis aguentar. Não saberia conter todo o desejo na proximidade das tuas mãos. No silêncio que seria som, com a minha boca colada ao teu ouvido “Quero-te dentro de mim. Agora. Fode-me”. Não poderia atrasar mais um dia. Mais uma hora. Mais um segundo. Não existe em mim, a racionalidade certeira que me faria dizer não. Porque quando tu chegas, eu estremeço. Quando sorris com ar de quem controla, eu inquieto. Quando as tuas mãos aterram na minha cintura eu cedo. Quando o teu corpo derruba o meu, eu anseio. Quando tu dizes que eu tenho de pedir, eu peço. E depois? Se for na cedência do meu corpo a ti, que me nasço mais inteira?

domingo, junho 15, 2008

Dois. Lados (3)

Escreve-te com a morte laminada na circuncisão do teu silêncio, escreve-to porque o amor rasga-se quando o branco perfaz o corte calado dos teus lábios. Escrevo-te com o corpo trilhado na nascente das palavras, escrevo-te com a promessa enraizada no vazio do meu corpo. Encontro-te onde as vielas se infestam de solidão, no cheiro infundo da tua memória, a nu num leito encrespado de amor. Que a noite escoa da tua tirania como uma ferida ferrada no calor mutante da tua ausência, que a noite segrega do tempo enquanto te espero com a esperança túmida na fagulha da folha. Não me escrevas, não me escrevas porque o amor te relembra a precisão do teu choro sobre o meu colo. Não escrevas quando esse negror te castiga o lugar que deixas vago entre o sono e o remorso. Não escrevas já esquecida que a terra engole quando o amor se dissemina de avidez. Se eu escrever, escrevo-te seca de negligências, escrevo-te como um brote tardio despertado no descuido das tuas mãos, escrevo-te de jejum antecipado. Se eu me devolver ao retrato das tuas investidas, relembra-nos a ferocidade árdua do teu desconsolo. Se eu me devolver ao desuso do teu coração, castiga-nos a punição serôdia do meu despontar.


(Alice tennis giros)


E pediste-me tu um dia – Conta-me os teus sonhos. Os detalhes que te fazem ficar de olhos abertos quando o mundo se apresenta polido de escuridão – Disseste tu um dia. Como se tivesses esse fim nobre de me quereres conhecer. Todos os fins nobres são impuros. Toda essa transparência de carácter a mim não me diz nada. E depois os sonhos, os meus sonhos. As imagens que povoam pelo território fértil. Não tenho sonhos. Tenho objectivos concretos. E digo-te hoje que é na escuridão que melhor acompanho o compasso dos dias. Numa relação de sentido único. E tu? Tu não fazes parte. Existe uma porta fechada. Poderias querer tentar encontrar a chave. Poderias querer tanta coisa. Dizer-te no meu silêncio. Ocupar todos os lugares em que me situo. E sim, podias tentar adivinhar-me. Saber em que lado da cama durmo. Como coloco as mãos num abraço. O que penso quando olho para ti. O trajecto que faço para os meus lugares. Todos os incidentes que me levaram a andar de olhos fechados até à chegada ao ponto negro do universo. Quantas mais perguntas, mais tempo leva o caminho de me centrar em ti. Diz-me tu agora: qual a quantidade de conhecimento que queres ter de mim antes de fugires? Onde deverás parar tu? Em que incógnita. Em que presente. Ou passado. Sentirás o medo, esse arranhão que não sangra? Saberás tu o que é ser na minha realidade? Quanto tempo? O tempo de antena é teu.


(Narcisa)

quarta-feira, junho 11, 2008

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Se no caminho tracejado por onde seguimos, eu me perder, encontra-me. Dá-me a mão até chegarmos ao destino. E se eu estiver muito assustada, abraça-me e fala ao meu ouvido. Se nada disso resultar, puxa-me para ti, olha-me nos olhos e beija-me. E aí, poderemos seguir no ponto onde ficamos. Eu e tu.


Pode acontecer que eu pare. Pare a meio caminho. Espreite para os lados e leve o meu tempo a dar o passo. Promete-me que não desesperas. Que não levas a mal. Existem em mim também fraquezas. Fragilidades ainda sem nome. Tais como os medos que já sabes de cor. Dessa forma que me aprendeste a conhecer sem eu o perceber. E gosto de ouvir quando falas do caderno onde anotas as minhas singularidades. As coisas que fazem de mim a miúda especial. Não porque o seja na verdade. Mas porque tu o dizes. E quando o fazes, a pele não arrepia mas sinto-me como se já não houvesse espaço entre nós. Nem abismo. Nem queda de água. Tal como, quando vens para cima de mim e os nossos corações ocupam o nosso lado direito. E aí, quando uma pele consome uma outra, tudo renasce em novas cores. E eu vou soltando as palavras proibidas. As palavras que cosiam a minha boca. A minha alma. Tudo o que pudesse expressar o que sinto. Mas sinto. E aos poucos, vou soltando. E o medo? Existe. Continua em mim. Mas deixou de me sufocar a garganta. E ainda me lembro, quando dissemos que não nos podíamos apaixonar. Mas aconteceu. Por isso, não vamos dizer que não podemos isto ou aquilo. Ambas sabemos os riscos que corremos.

Anda. Passa a ferro os receios e pendura-os no armário da vida.
Talvez seja possível o limite entre nós. Talvez sejamos apenas uma marca na vida uma da outra. Talvez tanta coisa. Talvez eu e tu.

A porta da viagem foi aberta.
Vamos?


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sexta-feira, junho 06, 2008

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Pede. Não implores. Não rezes o que não podes. Não fricciones em demasia as peles alheias. Vem devagar. Como se na lentidão tudo parecesse melhor. Corres por dentro.
Juntamo-nos em sítios opostos. Temos um ponto de equilíbrio entre todas as palavras que dizemos. Não ousamos. Apenas libertamos. Não existe um fecho entre os nossos corpos. Nunca houve a distância segura que nos protege. Não estamos protegidas. E a entrega esconde-se por entre noites na escuridão. Continuamos com um fecho. E à nossa volta as armadilhas. Pé ante pé. Encobrimo-nos no segredo dos beijos. Existe um segredo. Por cada palavra. Por cada travão. Por cada segundo em que nos queremos. Um segredo que engolimos todos os dias. Há quanto tempo foi? E tudo se solta mais um pouco. Mão ante mão. No calor das sombras quando os dedos entrelaçam o cabelo. Na tensão. Que se remexe em tesão. Que podia ser exorcizada em desejo. Desejo contigo. Desejo pecaminoso. Desejo no desejo de outros. E se pudéssemos fugir, não o faríamos. Dizes-me ao ouvido: não podemos. E o tempo infiltra-se quando a tua língua se interrompe na minha boca. E tudo procura o caminho. O perdurar que sabemos ter fim num dia de um qualquer mês. E se pudéssemos? . ..

quinta-feira, junho 05, 2008

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Kiss me, oh kiss me,


Try me, find me.


domingo, junho 01, 2008

"O encontrar é uma ilusão que se desmancha, quando revemos o mesmo rosto todos os dias, não mesmo todos, mas alguns, dentro da nossa vida. O encontrar é um período, uma estrada de transição, que pode bifurcar, ou não. Quando ficamos por mais de um período, significa que encontrámos a nossa estrada e o nosso encontro torna-se um reencontro, um inabalável ponto de chegada, um destino quase cumprido, uma respiração profunda, que regressa finalmente a casa."



In Íntimo de Rita Maia e Silva

sábado, maio 31, 2008

Boca do Mundo





Onde eu estou, nada mais pode crescer
Eu sou assim, uma fénix a arder
São só os meus erros, é toda a minha culpa
E é tudo o que faço
E é todo o meu cansaço

quinta-feira, maio 29, 2008





É no após, que se cruzam as feridas e se expõem de rosto
carregado, de frente para quem as faz mais profundas.

segunda-feira, maio 26, 2008

Pergunto-me por ti. São raras as vezes em que não o faço. Não espero respostas. Na verdade, basta-me o simples perguntar. O simples saber que a tua existência ainda está neste mundo. Que não morreste. Não suporto o cheiro a morte ao meu redor. Não suporto esse fim. Essa questão mais que resolvida. Sim, é uma questão assente. Penso que houve alturas em que achei não ter medo do medo de morrer. Ou o medo do medo de perder os que me são queridos. Lembro-me que são poucos. Com a idade a chegar-nos ao rosto, sentimos com maior clareza as amizades que poderão permanecer por mais tempo. E facilmente o grupo vai ficando mais pequeno. De entre aqueles que supões serem teus amigos, com quem é que podes contar? Se estiveres doente quem é que te leva uma sopa? Quem te liga a perguntar se precisas de alguma coisa? Por vezes, são as pessoas de quem menos estás à espera. São aquelas que ainda não consideras amiga. E essa surpresa soa-te bem no coração mesmo que o corpo arda de febre. E hoje pergunto por ti. Sempre em silêncio. Sem saber se continuas em Portugal e em Lisboa. Se continuas com o cabelo curto? Como é a vida na tua casa? Será que te encontro um dia destes na feira do livro? Lembro-me que ninguém pode responder a estas minhas questões. Talvez ninguém imagina como sinto a tua falta. E este espaço sem a tua presença sabe-me a morte. Tem o seu cheiro. As suas cores. A diferença é que tu na verdade estás viva e eu não te posso visitar no cemitério. Não te posso visitar nem na vida nem na morte.




Lembro-me que é assim.