quarta-feira, outubro 29, 2008

terça-feira, outubro 28, 2008

Foda-se.

quinta-feira, outubro 23, 2008

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Mais tarde ou mais cedo, o facto de teres confiado em alguém vai resumir-se a um estalo bem forte na face. E vai deixar marca. Durante uma imensidão de tempo.

Se não confiares podes até viver menos mas dificilmente alguém terá a capacidade para te retirar o tapete dos pés. Sim, foi isso que aconteceu. Não previ a queda. Previ o amparo e esse nunca existiu.

Arranjei uma nova forma de decorar as paredes do meu quarto. Lá podia colocar os textos, as mensagens, os telefonemas, os beijos, as palavras inventadas, os olhares falsos, os sonhos rasgados, os momentos que de verdade pouco tiveram. Pelo menos da tua parte.

Estou fodida. Detesto perder o meu tempo com quem não o merece. Detesto que me iludam. Detesto cair nas ilusões. Detesto não prever as coisas. Não as controlar. Detesto que me deturpem a puta da mente. E que me viciem a puta do corpo. Foda-se.

Mas se há coisa que eu não sou é dramática. Se me enterro ergo-me. A vida renova-se. As pessoas renovam-se. Eu renovo-me. E mesmo que fique a mágoa, a desilusão, a angústia, a frustração,eu continuo cá. Agora de olhos mais abertos. Menos crente nos outros. E talvez mais humana. Talvez.

Tu foste um erro. E acredita que a questão nunca foi se seria possível perdoar-te ou não. A questão foi sempre o efeito que terias em mim. A marca. Em poucos dias alteraste tudo. Transformaste-te no fantasma que receavas ser. Ousaste perder-me e a melhor parte é que nem sentes essa perda. Sentes tudo o resto mas não te levou dois segundos a apagares o que foi por nós vivido.


Fizemos a nossa cama. Ponto final.



segunda-feira, setembro 29, 2008

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Fim.



Vou levar o meu coração a uma casa de putas.



Volto daqui a dias. Ou não.

quinta-feira, setembro 25, 2008

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22 de Setembro de 2008-09-25


Hoje não me apetece falar do amor. Hoje não gosto do amor. Não o quero perto de mim. Quero todos os meus sentidos fechados. Não quero sentir nada. Quero esquecer que hoje é segunda-feira. Quero esquecer que estamos em Setembro. Quero esquecer que hoje foi o último dia de Verão. Mais, quero esquecer o Verão. A primavera. O Outono. E o Inverno. Quero esquecer tudo.

Hoje é um daqueles dias em que não gosto de nada. Não tolero vozes. Fico impaciente com o ruído dos carros. Olho para a cama e apetece-me ir. Hoje não me sinto. Hoje poderia chorar. Sim é um bom dia para chorar. Mas só o facto de ficar com a cara molhada chateia-me e, portanto, não choro. Hoje poderia ficar horas a fio sem comer. Sim, ficaria bem. E depois as gargalhadas. Não quero que ninguém sorria. Ria. Quero que todos se encham de tristeza. Hoje sim podem-me chamar de desumana. Porquê? Porque estou-me a foder para os outros. É assim que estou. Fora de mim. Fora do mundo. Fora dos outros. Com a frieza de volta do corpo. Num abraço de reconhecimento. A abstinência dos sentimentos. Na ilusão que os podemos mandar dar uma volta. Não vão. Mas continuemos nesta ilusão. E poderia ligar a um serviço de acompanhantes e encomendar uma morena, trintona, portuguesa que fizesse muito e falasse pouco. Dar uma por dar. Uma serva silenciosa. Hoje também iria achar piada em dar estalos. Dos que deixam marcam. Distribuir violência pelos corpos alheios. Hoje estar-me-ia a cagar se houvesse sangue pelo chão.

Hoje apetece-me ir. Para qualquer lado. Desaparecer por momentos. Não é que a vida me seja insuportável. Não. A vida vive-se. Continuo a sobreviver. É já um hábito. Uma medida na minha medíocre existência.

Espera. Afinal, hoje talvez seja insuportável não te ter.






25 de Setembro de 2008.



Existe uma dor por dentro. Está a contaminar tudo. Existe uma dor que provém do amor. Da desilusão. Da cobardia. Da fé mal parida. Da esperança. Do acreditar. Existe uma crença que não tem espaço por onde se possa espreguiçar. Este amor nasceu fodido. Sem tempo. Ou espaço. Ou liberdade.

Não. Concordo contigo. Não há ponto final para este amor. Existe um ponto espaço dois pontos. E existe um caminho sem qualquer cruzamento. Por mais que inventemos histórias felizes. Por mais que por momentos haja a sensação que ninguém nos irá derrotar. Mentira. Nós estamos desde sempre derrotadas. E as amarras estão a desfiar. Não existe a palavra. O beijo. O mimo. O abraço. E novamente o tempo o espaço. Apenas uma fila de sentimentos que não segura a casa. Se tenho dúvidas do que sentes por mim? Nem sempre. Mas hoje tenho. Ontem tive. Certamente amanhã terei. Falta-nos a casa que se aguenta em pé sozinha. Falta-nos a estabilidade. Falta-te a vontade de ires além e de te sacrificares. E mais uma vez, o amor não é suficiente. Nem as palavras. Apenas a acção. Mas a acção que se foda.


Onde estás?

Escolhes-me?

Amas-me? …………………………………………………..

Queres fazer-me feliz? ……………………………………

Sou mais do que uma foda cheia de qualidade? ………………………………….

Não. Neste momento eu não sei nada. E tu estás demasiado longe para dizeres o que quer que seja.

terça-feira, setembro 16, 2008

4 anos.

Faz hoje quatro anos.

Ainda me recordo da dor no peito. Ainda tenho na minha cabeça tudo o que nunca te cheguei a dizer.

Não existe forma de te substituir. Porque o amor não se substitui. Nem a presença. Porque quando se ama não existe fim escrito em parte alguma. Não existe um penso que se cole na ferida alojada no coração. É uma ferida para sempre aberta.


(Lembro-me agora que já não sei como é que se toleram as saudades)

segunda-feira, setembro 15, 2008

"Neste momento, sou toda carne aberta, desfeita num talho no meio da cidade. Sou tesão em bruto à espera de ser lapidado."

sábado, setembro 06, 2008

quarta-feira, setembro 03, 2008

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Uma Declaração de Amor Atípica


Não posso prometer:

- que daria a vida por ti.
- que me meteria à tua frente se um carro viesse na nossa direcção.
- que cederei sempre à tua vontade e ao teu mau feitio.
- que não te dê uns berros quando me tentas levar ao limite.
- que vou deixar de te dar sermões.
- que não te vou virar as costas quando me foderes o juízo.
- que vou deixar de olhar para outras mulheres,
- que vou deixar de ter este mau génio.
- que nunca te vou magoar.
- que como prenda de casamento dar-te-ei a lua.
- que te vou sustentar.
- que não vou ser chata.
- que não vou exigir de ti.
- um futuro cor-de-rosa.


Prometo:

- Estar ao teu lado quando precisares e não precisares.
- Dizer-te sempre a verdade. Doa o que doer.
- Não fazer fretes contigo.
- Deixar-te ver tv quando chegares a casa.
- Insistir quando me disseres não.
- Mimar-te emocional e materialmente.
- Não fugir do teu abraço.
- Dizer-te não quando achar que o devo fazer.
- Não te proibir de estares com quem quer que seja.
- Ser-te leal.
- Puxar-te para mim quando te sentir a cair.
- Partilhar contigo as minhas certezas quando tiveres dúvidas.
- Aturar o teu pânico cerebral.
- Ser a tua mulher em todos os aspectos.

segunda-feira, setembro 01, 2008

Percebes?

"… e sabes o que mais te faria? Sim, ainda mais, muito mais, porque as minhas torturas não ficariam por aqui. Arrancava o teu coração e prendia-o ao meu, com as artérias e as veias atava os dois com tamanha força, dava-lhes tantos nós, que nunca mais se poderiam deslindar um do outro e nunca mais poderiam existir como dois corações separados, se o meu falhasse, falhava o teu também. Ah, haveria de te fazer tantas maldades, meu amor, tantas, tantas que nem consegues imaginar (…) Espanta-te o que digo? Pois fica a saber que era o que eu faria. Era, sim. Se não me quisesses mais, converteria os nossos corpos e as nossas almas humanas em fulgurante matéria estelar. Nunca queiras saber como. Nunca queiras. Mas podes, isso sim, tentar esconder o meu corpo todo dentro do teu, e andar a passear comigo invisível por aí…"


Uma história quase banal - Alexandra Fontes

segunda-feira, agosto 25, 2008

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Alguém disse um dia: A felicidade é composta pelas migalhas que vais deixando no caminho à medida que andas de baloiço e de escorrega na tua vida. Existirão sempre os passos atrás, os para a frente e a decisão que tomas quando sais do baloiço e te diriges sem medo para o escorrega.

Não posso deixar de compreender. Tu e eu já conseguimos construir castelos de migalhas na areia. Completamo-nos mesmo que já sejamos seres completos. Não tenho aquela necessidade de preenchimento. Eu sou preenchida. Eu sou eu. Mas não existe amor maior do que a forma como que tu me contemplas. Existe um encontro sempre que nos observamos. Não foi preciso seguir os teus passos nestes dias. Também todos os caminhos do meu corpo vão dar a ti. E fui verdadeiramente feliz contigo a meu lado. Até quando não consegui controlar o ímpeto das lágrimas e ao querer fugir de ti, agarraste-me nos teus braços. Nunca entendi que no amor pudesse haver um berço. Uma capa de protecção que te faz não temer. A forma como tu me acolhes faz com que mais do que um refúgio sejas o meu berço.

O amor não nos será furtado.


(Não podes saltar a quinta pergunta. Não te é permitido. A quinta pergunta é minha. Era o combinado. Para viajarmos até à sexta, nenhuma pergunta pode ficar sem resposta. São as regras. )

quinta-feira, agosto 21, 2008

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Todos os caminhos do teu corpo vão dar a mim. Inevitavelmente nem sempre me encontrarão. Existirá a fome. E a sede. E a angústia. E o atormentar incoerente das saudades. No fundo plástico do tempo seremos memória. Eu do que a tua vida poderia ter sido se me tivesses escolhido. E tu a prova de que num certo espaço de intemporalidade eu me entreguei exaustivamente a alguém. A ti.

Mas não existe maior verdade senão aquela de que realmente valeu a pena. Por tudo o que fomos juntas.

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terça-feira, agosto 12, 2008

Lost

terça-feira, agosto 05, 2008

Sinto a tristeza a amassar o cansaço como se o objectivo em vista fosse produzir o melhor pão do mundo. O corpo caminha ao largo do extremo. E a mente sufoca-se a ela própria numa viagem pelos aquedutos da loucura.

Sinto-me crua. Envelhecida. E tudo menos transparente.

Se um dia eu deixar de saber quem sou.
Se um dia eu deixar de conseguir controlar todos os meus ímpetos.
Estarás tu ao meu lado?

Ou esquecerás o que eu fui para ti?

Se um dia o amor que me sossega a pele fraquejar, ainda me reconhecerás?

Não feches os olhos. Não permitas que a cegueira se apodere sobre ti. Não te dês ao abandono do meu corpo. Não deslargues a mão que cai sobre o teu coração.




quarta-feira, julho 30, 2008

Seria nesta altura que eu gostaria de nunca ter deixado de acreditar em fairy tales. E talvez não acharia muito sádico passar uma madrugada a ver os filmes e desenhos animados que tentam ensinar os mais pequenos a acreditar que o amor vence tudo.

Se eu fosse no agora uma criança e alguém me dissesse que o amor, por vezes, não tem o que é preciso para vencer as batalhas, o mais certo seria eu responder muito revoltada:

- Ah pois claro que vence tudo! O amor é tão bom como é que pode ser derrotado? Não pode não! Vence e acabou!

Nestes dias de hoje, eu já não sou uma criança e, de facto, o amor não vence coisa nenhuma.

Tenho dito.

terça-feira, julho 29, 2008

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Por vezes, passamos a nossa vida toda à procura de um rumo. Numa tarde de ínicio de Verão, a nossa vida recebe um estrondo no seu centro. E aí, tudo se altera. Não é exagero: tudo se altera.
Encontrei em ti o meu rumo. Ou melhor, parte dele. O início, digamos assim. O resto advinhar-se-ia com o passar dos dias. Em quase dois meses advinhou-se tanta coisa. Implodiu em mim o Amor.

Mas o caminho nunca foi certo. Embora o sentido estivesse todo ali. Continua a estar, mesmo agora que temos à nossa frente uma parede de betão. E de repente, os sonhos. A falésia por onde deambulavam todos os nossos desejos é invadida por um mar imenso. Tudo se vai. Menos isto que pesa no peito. O peso do tamanho do meu amor. O peso do tamanho da minha revolta. O peso do tamanho do pior de mim. Pesam os sonhos rasgados pelo meio. Pesa tudo o que eu e tu não podemos ser. Pesa-me este Nós cortado como se fosse um cordão umbilical.

Tu queres que eu te acene o Adeus.
Porque tu não me mereces - dizes tu.
Porque seria uma felicidade fragmentada - e não são assim todas?
Porque a partir daqui apenas complicaria mais.
Porque eu não sou o teu oxigénio.


Tu queres que eu te acene o Adeus.



Um dia, talvez eu te acene o recomeço disto.


(E mais)

segunda-feira, julho 28, 2008

"Assim, quando pensas que tudo acabou, que finalmente fechaste o coração, apercebes-te que algo em ti espreitava, pacientemente, o momento certo em que acreditavas ser livre.
Iludida, calma e despreocupada, entranha-se vagarosamente, em ti a semente do amor incondicional. Uma manhã, abres os olhos a mais um dia de rotinas e algo subitamente te inquieta – um desconforto ligeiro e estranho, uma sensação de falta que inicialmente não consegues determinar e que não é fome.
E é essa despreocupação o ponto fraco, o momento certo que o amor esperava para te assaltar, para quebrar as comportas do teu coração e inundar a tua vida.
Depois disso, estremeces. E só então compreendes que esse sentimento está tão profundamente enraizado em ti, que está lá no momento de silêncio em que tomas o café da manhã, que quando adormeces te assaltam pensamentos díspares que não são teus, palavras e instantes aos quais julgavas não ter dado importância. E toda a tua vida se reveste de um peso de antecipação e, ao mesmo tempo, de uma leveza de memórias recortadas quase ao acaso. Nada a fazer. O coração bate.
Assim, quando menos esperas, és triste.
O vazio instala-se nos teus olhos e o instante de felicidade do teu dia está dependente de uma presença externa que não consegues controlar. Deixas o teu sorriso pendente na mensagem que não recebes ou, se ela chegar, no seu conteúdo quase inócuo.
Trocámos números de telefone, trocámos mensagens. O hábito da presença um do outro instalou-se até que marcámos um café.

Por isso, todo o meu ser ficou dependurado na primeira vez que saímos juntos. Um primeiro encontro, como dois estranhos que se mostram ao mundo pela primeira vez.
Conversámos horas a fio, noite dentro, e o sorriso, ainda pendente, entre mais um café e o teres-me emprestado o teu casaco porque eu tremia de frio, antes de, respeitosamente, me deixares à porta de casa.
Extenuada, vencida pelo sono, deitei-me com a roupa que trazia no corpo e o teu casaco, cujo odor se me vedava pela febre que começava a desenhar-se. Nessa noite voltei a sonhar."


Ana Brilha
Diário de uma Paixão Monologada - Lado A

domingo, julho 20, 2008

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Olhas à tua volta. Percebes que a vida não é mais do que um círculo que os teus olhos alcançam. Dentro deste círculo tens o teu dia-a-dia, as pessoas que te são familiares, o teu próprio ser e a forma como ele se liberta ou se fecha na comunhão com o restante. Com os outros. Tens as tuas obrigações. Os teus direitos. Os teus sentimentos. Tudo o que poderás achar indispensável.

Agora preciso que olhes para cima. Com os olhos bem abertos. Existe outro círculo. É a nossa vida pendurada. Ainda em embrião é certo. Ainda vazia do que preenche o primeiro círculo. Sim, somos nós. Ainda a caminho do segundo mês de gestação. Compreende-se logo à partida que é um círculo vivo. O bater do coração é demasiado forte. Será um rebento com boa saúde. É desejado. Ainda não tem uma estrutura física para o acolher. Ainda falta alguma roupa, mas temos vários meses. Alimento existe. E muito calor humano para o receber. Não sabemos onde irá nascer. Talvez em Lisboa ou mais pela marginal. As mães ainda não encontraram consenso. É normal, nestas situações. Já me perguntaram para quando o nascimento. Eu própria já sonhei várias vezes com esse acontecimento. Será um grande acontecimento. Mas eu respondo sempre a mesma coisa: logo logo nasce, está cheio de vontade de conhecer o mundo de que tantas vezes ouve falar. E vai correr tudo bem. Será um parto natural, dizem os entendidos. Sem data ainda prevista. Não faz mal. Tomamos vitaminas e o que for necessário para lidar com a ansiedade. Será o nosso primeiro filho em comum.


(Vai acontecer. Eu sei que tu sabes isso. Dá-me a mão)

segunda-feira, julho 14, 2008

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Nunca antes tinha sentido este peso. O peso bruto do amor. E todas as suas mais directas consequências. Nunca antes tinha oferecido o meu corpo a alguém. Não como o ofereço a ti. E a pele, a forma como a tomas. A forma como a vicias. Não o sabes já? Então eu digo. Baixinho. Sem ser ao ouvido. Não. Estas coisas dizem-se olhos nos olhos. E digo. Que foste tu. Quem me levou para o lado de fora do labirinto. E não foi preciso força. Não. Os passos tinham o tamanho certo. E os beijos, essa energia que humedece os meus lábios nos teus. Que mordisca. Que lambe. Que mima. Que faz com que as nossas línguas se exorcizem. Se atropelem sem danos.

E falo-te a ti pela primeira vez. Exponho por ordem os meus sonhos. Exponho-me. E o melhor? Gosto que após teres aberto a cela que não tinha chaves, te mantenhas. De perto. e ao longe também. E vejo-te a ti, deitada num sofá que não conheço. Aninhas-te ao meu corpo ausente. E sonhas. Também tu, sonhas enquanto lutas contra a rebelião dos teus fantasmas. É uma luta incessante. Os fantasmas alimentam-se dos nossos medos. E fingem que nos protegem. E nós acreditamos porque temos sempre que acreditar em alguma coisa. Será sempre uma questão de alimento e de fé. E quando dás por ti, são tantos. São eles que estão à porta da cela. Vigiam-te. E se aparecer alguém, escrevem uma lista de contras. E agora de novo baixinho, já ao ouvido, porque ainda nos anos tenros que me descrevem eu consigo corar. Mais no que digo do que no que oiço. e digo - nada em ti me faz querer fugir, eles não te farejaram, não contavam que serias tu a expulsá-los. que serias tu a criar uma chave. a chave - agora escondo a minha face no teu peito. e abro os olhos ao mundo.

(sei mais do que escrevo. do que ambiciono. do que danço. sei que, É Mais. .. tu sabes)

quarta-feira, julho 02, 2008

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Não arranjes desculpas. Não inventes palavras para fugires do meu coração. Não cubras o teu corpo com as minhas mãos para que a razão te impeça de sentir. Não coloques a almofada sobre a tua boca. Não, antes dá-me a tua mão. Antes dá-me a tua boca, segreda-me o que não consegues dizer em voz alta. Vem, no desfiar dos sonhos que criámos juntas. Vem, e recebe-me no lugar onde te feri. Onde pressionei a ferida até sangrar. Não baixes a cabeça. Tira os óculos de sol da cara. E agora olha-me. Não te deixes confundir pelo negro dos meus olhos. E não te deixes perfurar pelo que o fogo do meu sexo sequiosamente procura. Preciso que observes. Preciso que vejas para além da minha pele. Lê. Sílaba por Sílaba. Sente. Não toques. O que é que está escrito? .. … … E agora repete ao meu ouvido.

Depois sim avança. Abraça a minha noite ao teu dia. Entrelaça a minha convulsão de palavras ao teu silêncio. Marca-me o pescoço. Prende-me o cabelo com força. Não abrandes. Não me faças abrandar. Desço pelo teu peito como se caminhasse na areia com destino ao mar. Deixa-me descer. Eu continuo a estar em ti. A minha mão esquerda na tua. A minha boca a irromper as ondas. A minha língua dentro de ti. Agarra a minha mão com força. Pressente o desejo que se incendeia nos meus lábios. E o sal agora nos meus dedos que alcançariam este oceano estendido entre nós. Todos os dias invento novas palavras para nós. E renova-se. Isto. Este ciclo. Este tapete de arraiolos feito por nós recupera-nos. Em cada perda. Mesmo no calor esquecido deste vazio.


Mentiria se dissesse que agora não te vejo mais ao longe.
Mentiria se dissesse que já não te quero.
Mentiria se dissesse que não existe em mim a fé de um dia nos encontrarmos a sós.
Mentiria se dissesse que as nossas raízes não aguentam a falta de água.


Mentiria se dissesse que ia embora.