- Francisco de Seabra Cardoso
segunda-feira, janeiro 12, 2009
quinta-feira, dezembro 18, 2008
Ou outros, em que os telemóveis não tocassem. Um silêncio. Daquele tipo de silêncio que não é imposto. Simplesmente acontece. Entendes? Agora é aquele momento em que preciso que te concentres. E que leias. Ou oiças. Ou uma porra qualquer.
Não nego e confesso. Há dias em que me perco do meu rumo. Em que assassino os sonhos. Em que risco palavras. E se estiveres concentrada irás te aperceber que há muito tempo que eu risco palavras. As palavras escritas são ilusões com prazo de validade. Não sobrevivem em tempo algum. Passado. Presente. Futuro. E com o passar dos dias sairão do papel. Porque não resistem. Tu sabes. As palavras escritas não resistem. E um dia as que nos dizem ao ouvido também não terão qualquer significado. Porque um dia seremos todos surdos. E no final, apenas existirão os actos. Que se fodam as palavras.
Aviso-os: não leiam o que eu escrevo.São balelas. Balelas de quem não tem paciência para fazer mais nada e então escreve. Escreve porque é preciso sentir. E eu sou viciada em sentires desvairados de realidade. É como sou. Ou um pouco do que sou.
Talvez num outro dia eu confesse que tenho saudades.
Saudades de quando agia e pensava como uma cabra insensível e desumana. Uma caçadora que atacava as suas presas de forma infalível. No momento certo. Tudo no momento certo.
Saudades de quando achava que conseguia tudo e o ego quase que explodia.
Hoje não explode. É o suficiente.
Mas sim é tempo de sair da toca. Da morte. Da solidão e de me fazer à puta da vida.
Ámen.
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domingo, dezembro 14, 2008
Carta em tempos idos
Na tentativa eficiente de me adivinhares os desejos, fechas-te sobre os teus, apenas clamando a sua existência e o feito que têm sobre ti. Sei deste vagar que nos impuseste, mas preciso de saber mais, preciso de te descobrir mesmo que me sinta a errar nos caminhos. Como se só por ti unicamente pudesse alcançar-te. Falta-me o génio da tua perspicácia e os 10 anos que nos distanciam. Falta-me a visão que dizes ter. Falta-me o calculismo que sinto que me abandonou.
E se eu te disser, que não os tento calar mas sim que ainda não os reconheci? Que são passos desalinhados que me sobrevoam o pensamento mas que nunca ficam tempo suficiente para eu os saber? Acreditarias?
(E por momentos tento ouvir “minha querida” a sair da tua voz embriagante e a sumir-se no meu ouvido das verdades.)
Mover-me. Mas não viver-me. E na confusão que as tuas palavras me provocam apetece-me dizer-te que nada sabes. Os meus sonhos não existem. Apenas os meus desejos sobrevivem mesmo os que rejeito. Dúvida...não é essa a circunstância que nos separa, ou melhor, aproxima? Se já soubéssemos tudo e estivéssemos inscritas em certezas, ainda cá estaríamos? Ainda estas palavras nos saberiam bem? O futuro é isto. E mesmo assim não me basta.
De que te vale seres vampira de almas nessa busca de alimento que só te vai provar que não chegarás ao fim último que desejas? Ou será essa tua busca o desafio daquilo que reservas para ti? A nossa espécie. Não seremos nós parte de uma seita que se intitula “seita daqueles que já não acreditam”? De uma seita que acredita mormente que dar de si é desperdício de tempo? Desafogo da própria alma? Acreditar em algo que vai resultar em perda de nós. Porque nada mais do que o fim e do que o nosso sofrimento conseguimos ver no final. Para além de tudo, de todas as outras pessoas, existimos nós que acreditámos, que não queríamos acreditar mas tentamos. E acreditámos. E demo-nos. E partilhámo-nos. E iniciámos um ritual diário de felicidade nem que seja inventada ou prejuízo nosso feito em prol daqueles que nos rodeiam.
E confessas-te mais do que o desejas? Ou não percebes os momentos em que na tentativa de te controlares, te descontrolas e mostras-me mais de ti?
Não sei encarnar o papel de vítima, revogo todas as minhas fragilidades mas sei que de vítima nada tenho. Riscos. Apenas estou a corrê-los porque assim sinto, sobrevivo, regenero. E sabes que não te minto.
Repela-me o que sinto a ferver em mim, o que sinto a mover a minha mente, o que sinto quando nos enquadro neste tempo nosso, neste espaço que me marca os dias. E quero, e não fugirei porque preciso de saber o que está para além disto, que sei que é mais. Estou enganada? Não me mintas tu.
É a curva que temo que me irá fazer mudar o caminho. No máximo isso. Não acredito que me faça despistar. Porque não acredito que seja possível cair mais fundo do que já um dia caí. Uma só vez. Tudo o resto serão erros. Armadilhas. Fraquezas que me levam a agir a contrario do que sei que devo agir. Erros, nada mais do que isso. E voltarei a cometê-los porque embora os reconheça, na prática não os consigo renegar. E sinto que demorarão a sair do meu caminho.
Sim, acredito que existirão dias em que me conseguirei levantar de uma forma nunca antes sentida ou presenciada por mim. Não ainda. Não contigo.
(Desconcentras-me)
Por vezes não te acontece que uma necessidade de dares invade-te o corpo? Como se um abraço te puxasse e com isso te convencesse que as coisas seriam diferentes. Que tudo o que te dessem tu irias conseguir dar. Já me aconteceu acreditar mas depressa essa sensação se desvanece e eu volto a ser o que sou, mesmo com os medos presos ao meu casaco favorito mesmo sabendo que pessoas saírão magoadas e por ventura eu também. Não sei ver mais além...mas por vezes gostava de ter uma capacidade maior de entrega, de confiança, de cedência, de ternura. A tua ambiguidade também é a minha.
Falas de uma complementaridade. Numa renovação constante da nossa própria natureza. Se deixares de falar nessa tão apetecível natureza que em nós existe, que somos nós? O que resta? Ainda te apeteceria se não fosse esta identificação?
Não sei o que tu me reservas. Nada sei disto. Porque do princípio ao fim tu confundes-me. Tu testas-me. Tu provocas-me. Tu observas. Tu aproximas-te perto demais do meu abismo. O teu egoísmo tem um espelho próprio, rotas quase que infalíveis. E mesmo os detalhes que te falham tu não os sabes admitir. Sei que demoram outras rotas até esse passo.
Não te sei desistir ainda. Abdicar do que (ainda) me corre pelas veias. Ainda não é tempo.
Não me considero visita nessa tua divisão desarrumada onde me recebeste e continuas a receber. A intensidade ainda nem iniciou o seu trajecto. Nada iniciou o seu trajecto. Nem mesmo nós. Continuamos a vasculhar lentamente tudo o que agora nos rodeia, nos chama, nos atrai. A intensidade chegará ao seu auge quando a loucura se reformar. O prazo ainda nem começou...
Algures em 2006
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sexta-feira, novembro 28, 2008
a minha mente
e o meu coração
de uma só vez.
Como é que será voltar a não sentir nada?
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quarta-feira, novembro 19, 2008
Fade into you
You go in shadows
You'll come apart and you'll go black
Some kind of night into your darkness
Colors your eyes with what's not there.
Fade into you
Strange you never knew
Fade into you
I think it's strange you never knew
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sábado, novembro 15, 2008
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I'm not...broke I'm just a broken hearted woman,
I know it makes no sense, but what else can I do,
How can I move on when I'm still in love with you...
Cos if one day you wake up and find that you're missing me,
And your heart starts to wonder where on this earth I can be,
Thinking maybe you'll come back here to the place that we'd meet,
And you'd see me waiting for you on the corner of the street.
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sexta-feira, novembro 14, 2008
A large part of me is always tied to the lamplight of your eyes
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terça-feira, novembro 11, 2008
Contrato unilateral
1 - Estar atenta a qualquer tentativa de aproximação vinda de E.T's.
2 - Ler os 10 mandamentos todos os dias.
3 - Não ter vontade de atropelar quem atravessa com altivez no meio da rua.
4 - Não dizer palavrões quando me enervo.
5 - Respeitar todos os que me rodeiam.
6 - Voltar a ser pura.
7 - Pensar antes de falar.
8 - Perdoar a minha estupidez natural.
9 - Ser a cada dia que passa uma melhor pessoa.
10 - Contrariar a tendência natural que tenho para não cumprir regras.
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quinta-feira, novembro 06, 2008
sexta-feira, outubro 31, 2008
Pedro Paixão - A noiva Judia
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quarta-feira, outubro 29, 2008
terça-feira, outubro 28, 2008
quinta-feira, outubro 23, 2008
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Mais tarde ou mais cedo, o facto de teres confiado em alguém vai resumir-se a um estalo bem forte na face. E vai deixar marca. Durante uma imensidão de tempo.
Se não confiares podes até viver menos mas dificilmente alguém terá a capacidade para te retirar o tapete dos pés. Sim, foi isso que aconteceu. Não previ a queda. Previ o amparo e esse nunca existiu.
Arranjei uma nova forma de decorar as paredes do meu quarto. Lá podia colocar os textos, as mensagens, os telefonemas, os beijos, as palavras inventadas, os olhares falsos, os sonhos rasgados, os momentos que de verdade pouco tiveram. Pelo menos da tua parte.
Estou fodida. Detesto perder o meu tempo com quem não o merece. Detesto que me iludam. Detesto cair nas ilusões. Detesto não prever as coisas. Não as controlar. Detesto que me deturpem a puta da mente. E que me viciem a puta do corpo. Foda-se.
Mas se há coisa que eu não sou é dramática. Se me enterro ergo-me. A vida renova-se. As pessoas renovam-se. Eu renovo-me. E mesmo que fique a mágoa, a desilusão, a angústia, a frustração,eu continuo cá. Agora de olhos mais abertos. Menos crente nos outros. E talvez mais humana. Talvez.
Tu foste um erro. E acredita que a questão nunca foi se seria possível perdoar-te ou não. A questão foi sempre o efeito que terias em mim. A marca. Em poucos dias alteraste tudo. Transformaste-te no fantasma que receavas ser. Ousaste perder-me e a melhor parte é que nem sentes essa perda. Sentes tudo o resto mas não te levou dois segundos a apagares o que foi por nós vivido.
Fizemos a nossa cama. Ponto final.
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segunda-feira, setembro 29, 2008
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Vou levar o meu coração a uma casa de putas.
Volto daqui a dias. Ou não.
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quinta-feira, setembro 25, 2008
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Hoje não me apetece falar do amor. Hoje não gosto do amor. Não o quero perto de mim. Quero todos os meus sentidos fechados. Não quero sentir nada. Quero esquecer que hoje é segunda-feira. Quero esquecer que estamos em Setembro. Quero esquecer que hoje foi o último dia de Verão. Mais, quero esquecer o Verão. A primavera. O Outono. E o Inverno. Quero esquecer tudo.
Hoje é um daqueles dias em que não gosto de nada. Não tolero vozes. Fico impaciente com o ruído dos carros. Olho para a cama e apetece-me ir. Hoje não me sinto. Hoje poderia chorar. Sim é um bom dia para chorar. Mas só o facto de ficar com a cara molhada chateia-me e, portanto, não choro. Hoje poderia ficar horas a fio sem comer. Sim, ficaria bem. E depois as gargalhadas. Não quero que ninguém sorria. Ria. Quero que todos se encham de tristeza. Hoje sim podem-me chamar de desumana. Porquê? Porque estou-me a foder para os outros. É assim que estou. Fora de mim. Fora do mundo. Fora dos outros. Com a frieza de volta do corpo. Num abraço de reconhecimento. A abstinência dos sentimentos. Na ilusão que os podemos mandar dar uma volta. Não vão. Mas continuemos nesta ilusão. E poderia ligar a um serviço de acompanhantes e encomendar uma morena, trintona, portuguesa que fizesse muito e falasse pouco. Dar uma por dar. Uma serva silenciosa. Hoje também iria achar piada em dar estalos. Dos que deixam marcam. Distribuir violência pelos corpos alheios. Hoje estar-me-ia a cagar se houvesse sangue pelo chão.
Hoje apetece-me ir. Para qualquer lado. Desaparecer por momentos. Não é que a vida me seja insuportável. Não. A vida vive-se. Continuo a sobreviver. É já um hábito. Uma medida na minha medíocre existência.
Espera. Afinal, hoje talvez seja insuportável não te ter.
25 de Setembro de 2008.
Existe uma dor por dentro. Está a contaminar tudo. Existe uma dor que provém do amor. Da desilusão. Da cobardia. Da fé mal parida. Da esperança. Do acreditar. Existe uma crença que não tem espaço por onde se possa espreguiçar. Este amor nasceu fodido. Sem tempo. Ou espaço. Ou liberdade.
Não. Concordo contigo. Não há ponto final para este amor. Existe um ponto espaço dois pontos. E existe um caminho sem qualquer cruzamento. Por mais que inventemos histórias felizes. Por mais que por momentos haja a sensação que ninguém nos irá derrotar. Mentira. Nós estamos desde sempre derrotadas. E as amarras estão a desfiar. Não existe a palavra. O beijo. O mimo. O abraço. E novamente o tempo o espaço. Apenas uma fila de sentimentos que não segura a casa. Se tenho dúvidas do que sentes por mim? Nem sempre. Mas hoje tenho. Ontem tive. Certamente amanhã terei. Falta-nos a casa que se aguenta em pé sozinha. Falta-nos a estabilidade. Falta-te a vontade de ires além e de te sacrificares. E mais uma vez, o amor não é suficiente. Nem as palavras. Apenas a acção. Mas a acção que se foda.
Onde estás?
Escolhes-me?
Amas-me? …………………………………………………..
Queres fazer-me feliz? ……………………………………
Sou mais do que uma foda cheia de qualidade? ………………………………….
Não. Neste momento eu não sei nada. E tu estás demasiado longe para dizeres o que quer que seja.
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21:01
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terça-feira, setembro 16, 2008
4 anos.
Ainda me recordo da dor no peito. Ainda tenho na minha cabeça tudo o que nunca te cheguei a dizer.
Não existe forma de te substituir. Porque o amor não se substitui. Nem a presença. Porque quando se ama não existe fim escrito em parte alguma. Não existe um penso que se cole na ferida alojada no coração. É uma ferida para sempre aberta.
(Lembro-me agora que já não sei como é que se toleram as saudades)
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segunda-feira, setembro 15, 2008
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sábado, setembro 06, 2008
quarta-feira, setembro 03, 2008
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Não posso prometer:
- que daria a vida por ti.
- que me meteria à tua frente se um carro viesse na nossa direcção.
- que cederei sempre à tua vontade e ao teu mau feitio.
- que não te dê uns berros quando me tentas levar ao limite.
- que vou deixar de te dar sermões.
- que não te vou virar as costas quando me foderes o juízo.
- que vou deixar de olhar para outras mulheres,
- que vou deixar de ter este mau génio.
- que nunca te vou magoar.
- que como prenda de casamento dar-te-ei a lua.
- que te vou sustentar.
- que não vou ser chata.
- que não vou exigir de ti.
- um futuro cor-de-rosa.
Prometo:
- Estar ao teu lado quando precisares e não precisares.
- Dizer-te sempre a verdade. Doa o que doer.
- Não fazer fretes contigo.
- Deixar-te ver tv quando chegares a casa.
- Insistir quando me disseres não.
- Mimar-te emocional e materialmente.
- Não fugir do teu abraço.
- Dizer-te não quando achar que o devo fazer.
- Não te proibir de estares com quem quer que seja.
- Ser-te leal.
- Puxar-te para mim quando te sentir a cair.
- Partilhar contigo as minhas certezas quando tiveres dúvidas.
- Aturar o teu pânico cerebral.
- Ser a tua mulher em todos os aspectos.
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21:25
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segunda-feira, setembro 01, 2008
Percebes?
Uma história quase banal - Alexandra Fontes
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