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E falo-te a ti pela primeira vez. Exponho por ordem os meus sonhos. Exponho-me. E o melhor? Gosto que após teres aberto a cela que não tinha chaves, te mantenhas. De perto. e ao longe também. E vejo-te a ti, deitada num sofá que não conheço. Aninhas-te ao meu corpo ausente. E sonhas. Também tu, sonhas enquanto lutas contra a rebelião dos teus fantasmas. É uma luta incessante. Os fantasmas alimentam-se dos nossos medos. E fingem que nos protegem. E nós acreditamos porque temos sempre que acreditar em alguma coisa. Será sempre uma questão de alimento e de fé. E quando dás por ti, são tantos. São eles que estão à porta da cela. Vigiam-te. E se aparecer alguém, escrevem uma lista de contras. E agora de novo baixinho, já ao ouvido, porque ainda nos anos tenros que me descrevem eu consigo corar. Mais no que digo do que no que oiço. e digo - nada em ti me faz querer fugir, eles não te farejaram, não contavam que serias tu a expulsá-los. que serias tu a criar uma chave. a chave - agora escondo a minha face no teu peito. e abro os olhos ao mundo.
(sei mais do que escrevo. do que ambiciono. do que danço. sei que, É Mais. .. tu sabes)






