segunda-feira, julho 28, 2008

"Assim, quando pensas que tudo acabou, que finalmente fechaste o coração, apercebes-te que algo em ti espreitava, pacientemente, o momento certo em que acreditavas ser livre.
Iludida, calma e despreocupada, entranha-se vagarosamente, em ti a semente do amor incondicional. Uma manhã, abres os olhos a mais um dia de rotinas e algo subitamente te inquieta – um desconforto ligeiro e estranho, uma sensação de falta que inicialmente não consegues determinar e que não é fome.
E é essa despreocupação o ponto fraco, o momento certo que o amor esperava para te assaltar, para quebrar as comportas do teu coração e inundar a tua vida.
Depois disso, estremeces. E só então compreendes que esse sentimento está tão profundamente enraizado em ti, que está lá no momento de silêncio em que tomas o café da manhã, que quando adormeces te assaltam pensamentos díspares que não são teus, palavras e instantes aos quais julgavas não ter dado importância. E toda a tua vida se reveste de um peso de antecipação e, ao mesmo tempo, de uma leveza de memórias recortadas quase ao acaso. Nada a fazer. O coração bate.
Assim, quando menos esperas, és triste.
O vazio instala-se nos teus olhos e o instante de felicidade do teu dia está dependente de uma presença externa que não consegues controlar. Deixas o teu sorriso pendente na mensagem que não recebes ou, se ela chegar, no seu conteúdo quase inócuo.
Trocámos números de telefone, trocámos mensagens. O hábito da presença um do outro instalou-se até que marcámos um café.

Por isso, todo o meu ser ficou dependurado na primeira vez que saímos juntos. Um primeiro encontro, como dois estranhos que se mostram ao mundo pela primeira vez.
Conversámos horas a fio, noite dentro, e o sorriso, ainda pendente, entre mais um café e o teres-me emprestado o teu casaco porque eu tremia de frio, antes de, respeitosamente, me deixares à porta de casa.
Extenuada, vencida pelo sono, deitei-me com a roupa que trazia no corpo e o teu casaco, cujo odor se me vedava pela febre que começava a desenhar-se. Nessa noite voltei a sonhar."


Ana Brilha
Diário de uma Paixão Monologada - Lado A

domingo, julho 20, 2008

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Olhas à tua volta. Percebes que a vida não é mais do que um círculo que os teus olhos alcançam. Dentro deste círculo tens o teu dia-a-dia, as pessoas que te são familiares, o teu próprio ser e a forma como ele se liberta ou se fecha na comunhão com o restante. Com os outros. Tens as tuas obrigações. Os teus direitos. Os teus sentimentos. Tudo o que poderás achar indispensável.

Agora preciso que olhes para cima. Com os olhos bem abertos. Existe outro círculo. É a nossa vida pendurada. Ainda em embrião é certo. Ainda vazia do que preenche o primeiro círculo. Sim, somos nós. Ainda a caminho do segundo mês de gestação. Compreende-se logo à partida que é um círculo vivo. O bater do coração é demasiado forte. Será um rebento com boa saúde. É desejado. Ainda não tem uma estrutura física para o acolher. Ainda falta alguma roupa, mas temos vários meses. Alimento existe. E muito calor humano para o receber. Não sabemos onde irá nascer. Talvez em Lisboa ou mais pela marginal. As mães ainda não encontraram consenso. É normal, nestas situações. Já me perguntaram para quando o nascimento. Eu própria já sonhei várias vezes com esse acontecimento. Será um grande acontecimento. Mas eu respondo sempre a mesma coisa: logo logo nasce, está cheio de vontade de conhecer o mundo de que tantas vezes ouve falar. E vai correr tudo bem. Será um parto natural, dizem os entendidos. Sem data ainda prevista. Não faz mal. Tomamos vitaminas e o que for necessário para lidar com a ansiedade. Será o nosso primeiro filho em comum.


(Vai acontecer. Eu sei que tu sabes isso. Dá-me a mão)

segunda-feira, julho 14, 2008

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Nunca antes tinha sentido este peso. O peso bruto do amor. E todas as suas mais directas consequências. Nunca antes tinha oferecido o meu corpo a alguém. Não como o ofereço a ti. E a pele, a forma como a tomas. A forma como a vicias. Não o sabes já? Então eu digo. Baixinho. Sem ser ao ouvido. Não. Estas coisas dizem-se olhos nos olhos. E digo. Que foste tu. Quem me levou para o lado de fora do labirinto. E não foi preciso força. Não. Os passos tinham o tamanho certo. E os beijos, essa energia que humedece os meus lábios nos teus. Que mordisca. Que lambe. Que mima. Que faz com que as nossas línguas se exorcizem. Se atropelem sem danos.

E falo-te a ti pela primeira vez. Exponho por ordem os meus sonhos. Exponho-me. E o melhor? Gosto que após teres aberto a cela que não tinha chaves, te mantenhas. De perto. e ao longe também. E vejo-te a ti, deitada num sofá que não conheço. Aninhas-te ao meu corpo ausente. E sonhas. Também tu, sonhas enquanto lutas contra a rebelião dos teus fantasmas. É uma luta incessante. Os fantasmas alimentam-se dos nossos medos. E fingem que nos protegem. E nós acreditamos porque temos sempre que acreditar em alguma coisa. Será sempre uma questão de alimento e de fé. E quando dás por ti, são tantos. São eles que estão à porta da cela. Vigiam-te. E se aparecer alguém, escrevem uma lista de contras. E agora de novo baixinho, já ao ouvido, porque ainda nos anos tenros que me descrevem eu consigo corar. Mais no que digo do que no que oiço. e digo - nada em ti me faz querer fugir, eles não te farejaram, não contavam que serias tu a expulsá-los. que serias tu a criar uma chave. a chave - agora escondo a minha face no teu peito. e abro os olhos ao mundo.

(sei mais do que escrevo. do que ambiciono. do que danço. sei que, É Mais. .. tu sabes)

quarta-feira, julho 02, 2008

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Não arranjes desculpas. Não inventes palavras para fugires do meu coração. Não cubras o teu corpo com as minhas mãos para que a razão te impeça de sentir. Não coloques a almofada sobre a tua boca. Não, antes dá-me a tua mão. Antes dá-me a tua boca, segreda-me o que não consegues dizer em voz alta. Vem, no desfiar dos sonhos que criámos juntas. Vem, e recebe-me no lugar onde te feri. Onde pressionei a ferida até sangrar. Não baixes a cabeça. Tira os óculos de sol da cara. E agora olha-me. Não te deixes confundir pelo negro dos meus olhos. E não te deixes perfurar pelo que o fogo do meu sexo sequiosamente procura. Preciso que observes. Preciso que vejas para além da minha pele. Lê. Sílaba por Sílaba. Sente. Não toques. O que é que está escrito? .. … … E agora repete ao meu ouvido.

Depois sim avança. Abraça a minha noite ao teu dia. Entrelaça a minha convulsão de palavras ao teu silêncio. Marca-me o pescoço. Prende-me o cabelo com força. Não abrandes. Não me faças abrandar. Desço pelo teu peito como se caminhasse na areia com destino ao mar. Deixa-me descer. Eu continuo a estar em ti. A minha mão esquerda na tua. A minha boca a irromper as ondas. A minha língua dentro de ti. Agarra a minha mão com força. Pressente o desejo que se incendeia nos meus lábios. E o sal agora nos meus dedos que alcançariam este oceano estendido entre nós. Todos os dias invento novas palavras para nós. E renova-se. Isto. Este ciclo. Este tapete de arraiolos feito por nós recupera-nos. Em cada perda. Mesmo no calor esquecido deste vazio.


Mentiria se dissesse que agora não te vejo mais ao longe.
Mentiria se dissesse que já não te quero.
Mentiria se dissesse que não existe em mim a fé de um dia nos encontrarmos a sós.
Mentiria se dissesse que as nossas raízes não aguentam a falta de água.


Mentiria se dissesse que ia embora.

segunda-feira, junho 30, 2008

Quase Perfeito . ..







Kika, repara:

Comecemos pelo título da música. Quase perfeito. Somos nós. É o nosso amor. Falta-nos o quase para sermos em pleno. Porque de resto é perfeito. E não te podes esquecer que nós as duas roçamos a perfeição, só o mau feitio leva-nos ao expoente máximo da pontuação. Percebeu? :P

Continuando...

Sabe bem ter-te por perto
Sabe bem tudo tão certo
Sabe bem quando te espero
Sabe bem beber quem quero

Desde a primeira vez. O beijo que aconteceu. A mão que aterrou na tua perna. Foi a partir daí. O rio como pano de fundo. A tua água das pedras. O meu chá frio de ananás e coco. E sabe bem ter-te a meu lado, e não há nada mais certo que isto. E quando te espero, quando sei que vens, que durante o tempo que for não existe mais nada. A não ser o beber dos instantes que se colam nas nossas peles.


Quase que não chegava
A tempo de me deliciar
Quase que não chegava
A horas de te abraçar
Quase que não recebia
A prenda prometida
Quase que não devia
Existir tal companhia

Se pensares bem, isto não era suposto acontecer. Nada era suposto. Mesmo que no fundo, precisássemos disto nas nossas vidas. Porque o abraço precisava de outro sentir. As horas tendiam a vagar mais e mais. E como não me pediste como prenda de natal, apareci-te no cair do Verão, sem embrulhos. Apenas cheia de defeitos e snob até dizer mais não. Querias realidade. Apareci-te eu convencida de tal forma que até faz confusão.
E és tu a prenda que neguei desejar estes anos todos. (24 anos cheios de velhice).


Não me lembras o céu
Nem nada que se pareça
Não me lembras a lua
Nem nada que se escureça
Se um dia me sinto nua
Tomara que a terra estremeça
Que a minha boca na tua
Eu confesso não sai da cabeça

Não, de facto não. Lembras-me que as coisas boas acontecem, que por vezes, merecemos estas rasteiras. E se sangrar não faz mal. Ao menos aconteceste-me.
A nudez do que flui em mim. A nudez que descobriste como se nas tuas mãos estivessem tatuados os mapas do meu território.
E confesso, que a minha boca não é mais do que um prolongar da tua.


Se um beijo é quase perfeito
Perdidos num rio sem leito
Que dirá se o tempo nos der
O tempo a que temos direito

Aqui discordo. É que tenho mesmo que discordar. Um ultraje. Os nossos beijos são perfeitos. Aqui não há meio termo. Se houvesse um campeonato ficariam em primeiro lugar. Confessa que é um vício e não há penso de nicotina, agulha de acupuntura que nos safe.
E o tempo, esse grandíssimo filho da mãe que se resolveu meter no nosso caminho. Mas esta luta acabará com a nossa vitória. A vitória de tudo o que faz sentido. Nós.


Se um dia um anjo fizer
A seta bater-te no peito
Se um dia o diabo quiser
Faremos o crime perfeito

O diabo quis. O amor nasceu. Não há dúvidas de que é o crime perfeito.



(Se um dia eu te disser que desisto – não acredites)

quarta-feira, junho 25, 2008

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Gostaria de muita coisa. Gostaria de viver num duplex com terraço no coração de Lisboa. De ter um cão que não precisasse de ir à rua passear. De comer sushi todos os dias. De ter um smart vermelho e preto. De ter uma cama enorme. De não ter de acordar cedo. De ganhar o quintuplo do que ganho. De comer ao pequeno almoço panquecas com mel e canela. De foder horas a fio e não ficar dorida. De ir passar fins-de-semana a hóteis. De viver uma temporada de meses em Londres. De me perder em Itália. De gostar mais de homens e menos de mulheres. De ir ao instituto de beleza três vezes por semana. De não ter pesadelos. De deixar de atrair malucas. De ir passar a noite a Nova Iorque. De esquecer todas as vezes em que me queimei. De apagar da memória todos os erros que insisto em repetir. De deixar de fumar. De beber mais vezes. De saber fazer caipiroskas. De saber fazer arroz comestível. De saber recuar o passo antes de cair. De não ter tantos fantasmas. De não ser tão imperceptível quando estou mais dentro de mim. De chorar mais vezes. De saber ouvir a teimosia dos outros, em vez de me centrar apenas na minha. De acordar contigo a meu lado. De adormecer colada a ti. De ouvir-te a responder à quinta pergunta. De fugir contigo. Que o tempo voasse até 4 de Julho de 2009. De assumir-te. De ser assumida por ti. De fechar os olhos e não ter outra realidade que não os teus lábios colados aos meus. De não ser tão assustadoramente lamechas apesar de saber que a culpa é tua. De conseguir ultrapassar contigo todos os pedregulhos que se acumulam no nosso caminho. De ser tua de forma completa.

quarta-feira, junho 18, 2008

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Resposta à primeira pergunta:

O fogo do teu sexo colado à minha mão. O desejo agora solto que respirava à medida que eu me aproximava e afastava de ti. A escravidão que é sentir-te mais perto sem te poder puxar para fora desta realidade. O inicio da minha marca em ti. Não na superfície mas sim na profundidade de tudo o que nos chama. De tudo o que transparece quando os meus olhos estão postos nos teus. Quando o meu rosto se abriga nos teus seios. Para poder ouvir-te melhor. E sentir a pressão das tuas mãos nas minhas costas enquanto eu entro mais fundo. Mais fundo do que alguma vez entrei. E depois, a paragem na estação que me faz ficar em ti, com a pele esfomeada agora a descansar. A recapitular tudo o que foi vivido e a ansiar por mais. Pela lapidação do que nos aconteceu. E no abraço que te espera no meu peito, eu tomo-te. No caminhar da ponta dos meus dedos, eu partilho os meus sonhos contigo. Na impulsividade que me assalta os sentidos, eu permaneço mais um pouco. Sempre mais um pouco para te ocupar o dentro como te ocupo a pele. Para que não precises de mapas no regresso a mim.


Resposta à segunda pergunta:

Não haveria outro sítio. Outro arquipélago. Outra pirâmide. Outro tesouro a alcançar pelo certeza dos teus dedos. Não haveria, certamente, outro espaço pronto a ser devastado pelo movimento do teu corpo no redor do meu. Não aceitaria, outra mão a colher os frutos do meu tesão. Não. És tu. Foste tu. E prometi esperar, prometi guardar o rompante que se instalou na trovoada do meu sexo. Mas não aguentei. Não quis aguentar. Não saberia conter todo o desejo na proximidade das tuas mãos. No silêncio que seria som, com a minha boca colada ao teu ouvido “Quero-te dentro de mim. Agora. Fode-me”. Não poderia atrasar mais um dia. Mais uma hora. Mais um segundo. Não existe em mim, a racionalidade certeira que me faria dizer não. Porque quando tu chegas, eu estremeço. Quando sorris com ar de quem controla, eu inquieto. Quando as tuas mãos aterram na minha cintura eu cedo. Quando o teu corpo derruba o meu, eu anseio. Quando tu dizes que eu tenho de pedir, eu peço. E depois? Se for na cedência do meu corpo a ti, que me nasço mais inteira?

domingo, junho 15, 2008

Dois. Lados (3)

Escreve-te com a morte laminada na circuncisão do teu silêncio, escreve-to porque o amor rasga-se quando o branco perfaz o corte calado dos teus lábios. Escrevo-te com o corpo trilhado na nascente das palavras, escrevo-te com a promessa enraizada no vazio do meu corpo. Encontro-te onde as vielas se infestam de solidão, no cheiro infundo da tua memória, a nu num leito encrespado de amor. Que a noite escoa da tua tirania como uma ferida ferrada no calor mutante da tua ausência, que a noite segrega do tempo enquanto te espero com a esperança túmida na fagulha da folha. Não me escrevas, não me escrevas porque o amor te relembra a precisão do teu choro sobre o meu colo. Não escrevas quando esse negror te castiga o lugar que deixas vago entre o sono e o remorso. Não escrevas já esquecida que a terra engole quando o amor se dissemina de avidez. Se eu escrever, escrevo-te seca de negligências, escrevo-te como um brote tardio despertado no descuido das tuas mãos, escrevo-te de jejum antecipado. Se eu me devolver ao retrato das tuas investidas, relembra-nos a ferocidade árdua do teu desconsolo. Se eu me devolver ao desuso do teu coração, castiga-nos a punição serôdia do meu despontar.


(Alice tennis giros)


E pediste-me tu um dia – Conta-me os teus sonhos. Os detalhes que te fazem ficar de olhos abertos quando o mundo se apresenta polido de escuridão – Disseste tu um dia. Como se tivesses esse fim nobre de me quereres conhecer. Todos os fins nobres são impuros. Toda essa transparência de carácter a mim não me diz nada. E depois os sonhos, os meus sonhos. As imagens que povoam pelo território fértil. Não tenho sonhos. Tenho objectivos concretos. E digo-te hoje que é na escuridão que melhor acompanho o compasso dos dias. Numa relação de sentido único. E tu? Tu não fazes parte. Existe uma porta fechada. Poderias querer tentar encontrar a chave. Poderias querer tanta coisa. Dizer-te no meu silêncio. Ocupar todos os lugares em que me situo. E sim, podias tentar adivinhar-me. Saber em que lado da cama durmo. Como coloco as mãos num abraço. O que penso quando olho para ti. O trajecto que faço para os meus lugares. Todos os incidentes que me levaram a andar de olhos fechados até à chegada ao ponto negro do universo. Quantas mais perguntas, mais tempo leva o caminho de me centrar em ti. Diz-me tu agora: qual a quantidade de conhecimento que queres ter de mim antes de fugires? Onde deverás parar tu? Em que incógnita. Em que presente. Ou passado. Sentirás o medo, esse arranhão que não sangra? Saberás tu o que é ser na minha realidade? Quanto tempo? O tempo de antena é teu.


(Narcisa)

quarta-feira, junho 11, 2008

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Se no caminho tracejado por onde seguimos, eu me perder, encontra-me. Dá-me a mão até chegarmos ao destino. E se eu estiver muito assustada, abraça-me e fala ao meu ouvido. Se nada disso resultar, puxa-me para ti, olha-me nos olhos e beija-me. E aí, poderemos seguir no ponto onde ficamos. Eu e tu.


Pode acontecer que eu pare. Pare a meio caminho. Espreite para os lados e leve o meu tempo a dar o passo. Promete-me que não desesperas. Que não levas a mal. Existem em mim também fraquezas. Fragilidades ainda sem nome. Tais como os medos que já sabes de cor. Dessa forma que me aprendeste a conhecer sem eu o perceber. E gosto de ouvir quando falas do caderno onde anotas as minhas singularidades. As coisas que fazem de mim a miúda especial. Não porque o seja na verdade. Mas porque tu o dizes. E quando o fazes, a pele não arrepia mas sinto-me como se já não houvesse espaço entre nós. Nem abismo. Nem queda de água. Tal como, quando vens para cima de mim e os nossos corações ocupam o nosso lado direito. E aí, quando uma pele consome uma outra, tudo renasce em novas cores. E eu vou soltando as palavras proibidas. As palavras que cosiam a minha boca. A minha alma. Tudo o que pudesse expressar o que sinto. Mas sinto. E aos poucos, vou soltando. E o medo? Existe. Continua em mim. Mas deixou de me sufocar a garganta. E ainda me lembro, quando dissemos que não nos podíamos apaixonar. Mas aconteceu. Por isso, não vamos dizer que não podemos isto ou aquilo. Ambas sabemos os riscos que corremos.

Anda. Passa a ferro os receios e pendura-os no armário da vida.
Talvez seja possível o limite entre nós. Talvez sejamos apenas uma marca na vida uma da outra. Talvez tanta coisa. Talvez eu e tu.

A porta da viagem foi aberta.
Vamos?


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sexta-feira, junho 06, 2008

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Pede. Não implores. Não rezes o que não podes. Não fricciones em demasia as peles alheias. Vem devagar. Como se na lentidão tudo parecesse melhor. Corres por dentro.
Juntamo-nos em sítios opostos. Temos um ponto de equilíbrio entre todas as palavras que dizemos. Não ousamos. Apenas libertamos. Não existe um fecho entre os nossos corpos. Nunca houve a distância segura que nos protege. Não estamos protegidas. E a entrega esconde-se por entre noites na escuridão. Continuamos com um fecho. E à nossa volta as armadilhas. Pé ante pé. Encobrimo-nos no segredo dos beijos. Existe um segredo. Por cada palavra. Por cada travão. Por cada segundo em que nos queremos. Um segredo que engolimos todos os dias. Há quanto tempo foi? E tudo se solta mais um pouco. Mão ante mão. No calor das sombras quando os dedos entrelaçam o cabelo. Na tensão. Que se remexe em tesão. Que podia ser exorcizada em desejo. Desejo contigo. Desejo pecaminoso. Desejo no desejo de outros. E se pudéssemos fugir, não o faríamos. Dizes-me ao ouvido: não podemos. E o tempo infiltra-se quando a tua língua se interrompe na minha boca. E tudo procura o caminho. O perdurar que sabemos ter fim num dia de um qualquer mês. E se pudéssemos? . ..

quinta-feira, junho 05, 2008

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Kiss me, oh kiss me,


Try me, find me.


domingo, junho 01, 2008

"O encontrar é uma ilusão que se desmancha, quando revemos o mesmo rosto todos os dias, não mesmo todos, mas alguns, dentro da nossa vida. O encontrar é um período, uma estrada de transição, que pode bifurcar, ou não. Quando ficamos por mais de um período, significa que encontrámos a nossa estrada e o nosso encontro torna-se um reencontro, um inabalável ponto de chegada, um destino quase cumprido, uma respiração profunda, que regressa finalmente a casa."



In Íntimo de Rita Maia e Silva

sábado, maio 31, 2008

Boca do Mundo





Onde eu estou, nada mais pode crescer
Eu sou assim, uma fénix a arder
São só os meus erros, é toda a minha culpa
E é tudo o que faço
E é todo o meu cansaço

quinta-feira, maio 29, 2008





É no após, que se cruzam as feridas e se expõem de rosto
carregado, de frente para quem as faz mais profundas.

segunda-feira, maio 26, 2008

Pergunto-me por ti. São raras as vezes em que não o faço. Não espero respostas. Na verdade, basta-me o simples perguntar. O simples saber que a tua existência ainda está neste mundo. Que não morreste. Não suporto o cheiro a morte ao meu redor. Não suporto esse fim. Essa questão mais que resolvida. Sim, é uma questão assente. Penso que houve alturas em que achei não ter medo do medo de morrer. Ou o medo do medo de perder os que me são queridos. Lembro-me que são poucos. Com a idade a chegar-nos ao rosto, sentimos com maior clareza as amizades que poderão permanecer por mais tempo. E facilmente o grupo vai ficando mais pequeno. De entre aqueles que supões serem teus amigos, com quem é que podes contar? Se estiveres doente quem é que te leva uma sopa? Quem te liga a perguntar se precisas de alguma coisa? Por vezes, são as pessoas de quem menos estás à espera. São aquelas que ainda não consideras amiga. E essa surpresa soa-te bem no coração mesmo que o corpo arda de febre. E hoje pergunto por ti. Sempre em silêncio. Sem saber se continuas em Portugal e em Lisboa. Se continuas com o cabelo curto? Como é a vida na tua casa? Será que te encontro um dia destes na feira do livro? Lembro-me que ninguém pode responder a estas minhas questões. Talvez ninguém imagina como sinto a tua falta. E este espaço sem a tua presença sabe-me a morte. Tem o seu cheiro. As suas cores. A diferença é que tu na verdade estás viva e eu não te posso visitar no cemitério. Não te posso visitar nem na vida nem na morte.




Lembro-me que é assim.

terça-feira, maio 20, 2008

Dois. Lados (2)

Tu foste o que o tempo não domesticou, tu foste o livro entornado onde o silêncio não inflama, tu foste a pedra rija que se desgasta no álveo distante das brumas. Eu fui a sobra do teu lamento, os corredores da tua insatisfação, a palavra guardada no nó do punho, a morte dura na travessia da tua língua. Eu fiquei. Tu partiste. Tudo o que disseres não recaí sobre o papel, tudo o que possas dizer não intenta o reencontro da boca onde a palavra fica sempre por dizer. Porque tudo o que tu possas dizer não me chega à pele nem ao osso. Esmorece onde o segredo da carne espelha a tua fome nefanda, corrói onde o segredo da noite decaí sobre as preces dos teus joelhos. Porque tu nunca ficas onde a pressa da cama te relembra que o amor é mais venoso que a solidão dos teus ímpetos. Eu permaneci. Tu esqueceste. No meio de um tempo qualquer, nós somos o que o olvido instigou na gangrena da espera, nós somos todo o ardor por deglutir no negro findo dos teus costumes.


(Alice Tennis Giros)




Em que dia do antes paraste tu? Esclarece-me. Preciso de toda a informação que me possas dar. Preciso desse fio de lã que disfarças de pele para te trazer para perto. E aí, na ranhura do que nos separa dir-te-ei o porquê disto. O porquê de não te conseguir soletrar o adeus. Mais. O porquê de fugir sempre que dos teus dedos nascem as respostas a todos os meus medos. E oiço-te pelos labirintos desta casa, enquanto a manhã não se vislumbra, de alma encostada à janela na espera de algo. Algo que te transmita que eu estou. Eu estou.
Na maior parte das vezes, canso-me disto. Da incoerência dos meus passos. Da incoerência disto que se rasga, dia após dia, entre nós. Entre nós e o que está lá fora. Entre nós e todas as outras pessoas que algum dia significaram mais do que o resto do prazer que fica esquecido pelos corpos. E nem eu nem tu conseguimos desculpar. Desculpar que antes deste todo, fomos de outras pessoas. Mesmo que acolhamos nos anos a sabedoria de que só à morte pertencemos. E quando te sinto, por essa noite adentro, apetece-me. É mais do que apetecer. É sentir a voluntariedade do que respiro. E puxar-te. E agarrar-te. E quando a tua pele se confundir com a minha. Partilhar contigo que me quero oferecer a ti. Apenas a ti, antes de voltar a pertencer à terra.

(Narcisa)

domingo, maio 18, 2008





I love to watch you honey

terça-feira, maio 13, 2008

Penso-te ainda de cabelo curto, contigo sempre a dizer que te fica muito mal e eu com vontade de te beijar. Penso-te com esse riso impossível de renegar. E as tuas expressões matreiras, de menina que sabe muito bem como provocar e obter o seu doce. O teu bloco onde gostas de filosofar e a tua mala cheia de coisas. Penso-te quando ainda te consigo visualizar em silêncio, com um cigarro entre dois dedos e um golo de martini em gelo picado. "O martini não se serve neste gelo". Penso-te ao entrar no compartimento da casa de banho, a tua face ligeiramente corada, o teu corpo pousado contra a parede e as tuas mãos a puxarem-me. E eu ia, e voltaria a repetir. Porque, por alguma razão, os meus lábios nos teus fazem sentido.
Penso-te quando os minutos começaram a avançar e voltarias a ter de ir embora.
Já te disse que me custa quando vais? E que o tempo entre nós sempre foi curto demais? Curto demais para mim?
Penso-te quando te vi em Coimbra. Estavas bonita tu.

E recordo quando te disse:

- Preciso de ir à casa de banho mal chegue ao clube
- Queres que vá contigo?
- Se quiseres.
- É melhor não.

Tinhas razão, era melhor não. Poderia querer que ficasses em vez de teres de ir para a festa. Definitivamente, era melhor não.

Penso-te no abraço que te dei quando te despediste. Penso como me ficaste na cabeça desde então.

Mas não podemos. Não há dúvidas disso.

Mas e se pudéssemos? Deixar-te-ia de pensar mais facilmente?



(somehow, after so long, I'm still waiting for you)

segunda-feira, maio 12, 2008







I'll use a lock that has no key
Aren't you in chains
That no one else can see

quarta-feira, maio 07, 2008




Cursed with a love that you can’t express

It’s not for a fuck or a kiss

Rather give the world away than wake up lonely

Everywhere in every way I see you with me


If you find me, hide me, I don’t know where I’ve been

When you phone me tell me everything I did

If I’m sorry you lost me you’d better make it quick

‘Cause this call costs a fortune and it’s late where you live




Emily haines – Crowd surf off a cliff

quinta-feira, maio 01, 2008

Dois. Lados.

Tu tinhas a marca do corpo nos gestos descuidados das mãos, tu tinhas as mãos onde o amor não fende, tu és a pele murcha da carne, tu estás onde o osso estica o rasgão da dor. Tu tinhas o tronco no lugar íngreme da solidão, o leito desfeito no calo do peito, a precisão do medo na foz dos meus dedos. O teu olhar era fero como a água que regressa ao manancial bravo dos rios, a tua voz escarpava o silêncio no freio pontiagudo da palavra. Tu tens a mácula do papel onde a tinta não verte, tu tens o sangue onde a ferida não desagua. É o caminho do teu olhar que resvala onde a poesia não trucida o encontro da boca, é o caminho dos teus lábios que pende onde o beijo segrega o começo do teu fim. Tu tens a promessa no desfecho das tuas pernas, tu és a água que corre onde a terra nunca seca, porque tu estás onde o corpo se derrama.


(Alice Tennis Giros)



Lembro-me de uma frase. Uma frase antiga que colei na minha mesa-de-cabeceira. Dizia: No meio de um tempo qualquer, o nada pode vir a ser o tudo. Era a minha frase. O meu lema escondido dos outros. Desse tempo qualquer em que eu achava que passos alguns me levariam a ti. Mas depois aconteceu. Sem percebemos o como e o porquê chegamos lá. E entramos. Corremos as portas todas. E se houvesse o ímpeto, teríamos experimentado todas as camas. Não aconteceu. Porquê? Percebi que ser o tudo de alguém, era mais falível que a morte. Nem eu nem tu fomos ao funeral do nosso amor. (Sinto-te na saudade que é a âncora do meu coração). E continuo, já sem a frase na mesa-de-cabeceira. Sem achar que este nada que cultivo diariamente será novamente. Um dia. Um tudo. Segredo-te, nesse ouvido distante, que se pudesse voltar ao antes, faria exactamente a mesma coisa. Segredo-te porque não ouves. Não me ouves. E eu nunca aprendi a gritar.
Segredo-te que no amor que te tive fui menos eu. Menos nós. Menos vida.


(Narcisa)

domingo, abril 27, 2008






Anytime.

quinta-feira, abril 24, 2008

Dan in real life






Love is not a feeling. It's an ability

domingo, abril 20, 2008






Bette: I’m afraid that I’m… destructive. That if I have something good, I feel compelled to destroy it.
Tina: Look, I’m not so pure and innocent, ok? I was awful when I was with Henry. I was flailing. Look how I treated you. I used Angelica against you. I was...
Bette: Tina, I love you. I love you. I have no doubt about that. I’m just afraid that...
Tina: That everything you’re feeling right now is because... we’re not really together, It’s an affair.
Bette: No.
Tina: But it is.
Bette: For me, when I really search myself, it doesn’t feel like an affair. For me, it feels like I’m coming gome.

quinta-feira, abril 17, 2008

Sair de casa. Parar na passadeira. Entrar no metro. Sair do outro lado. Olhar para as horas. Caminhar mais cinco minutos. Olhar para o trânsito. Continuar a andar. Parar no café. Tomar um garoto. Acender um cigarro. Caminhar mais cinco minutos. Parar à porta da sociedade. Cumprimentar o porteiro. Ver as horas. Apagar o cigarro. Respirar fundo. Entrar dentro do elevador. Sair no sétimo andar. Tocar à companhia. Dizer bom dia. Entrar na minha sala. Ligar a luz. Pousar a mala. Despir o casaco. Ligar o computador. Ir buscar processos ao arquivo. Atender um telefonema. Ir buscar um nespresso. Aviso no computador de um novo e-mail. Abrir o e-mail. Ler.


“Agora sim, vejo-te como Sra. Dra. Se quiseres vir à rua de cima, tenho umas diligências urgentes em que precisava da tua ajuda. Escusas de trazer o que quer que seja. Podes consultar tudo o que quiseres. Repito, tudo o que quiseres.”

quinta-feira, abril 10, 2008

Trata-se de uma escolha. Reconduzida a todos os passos que já conseguiste dar. Ninguém se interessa como os deste. Se te custou. Se te doeu. Se por momentos, te fez ser menos do que és. Ou julgaste ser. Ninguém se interessa. É isto que te quero dizer esta noite. No ângulo misterioso de onde se observa a madrugada. Por dentro do fumo de um cigarro. Ou por fora, do que os teus olhos te concedem.
Quedas-te ao meu lado, no redor dos meus dedos. És tu. Mas diz-me, quem és tu?

E deitas-te com as pernas arqueadas e os pés colados um ao outro. Tens os braços esquecidos na cama dispersa de lençóis. E eu vejo. Eu consigo ver. O teu corpo composto por fotografias. As fotografias que captaram o que tu foste um dia.

E vejo:

O verde da viagem que fizeste no verão passado à Irlanda. O verde que te ficou nos pés. Os passeios que não nos podemos esquecer. E eu consigo imaginar-te de mochila nas costas, garrafa de água no bolso e a máquina deitada na palma da tua mão direita. E o teu respirar de furos ao meu ouvido.

O teu corpo conta-me histórias. Conta-me histórias do passado. Do passado que me mostras e que eu não conheci. Como seria conhecer-te nesse tempo distante? Como serias tu, de comboio em comboio, a descobrires o que a tua cidade não te permitia ser?

Não lamento a minha ausência nas tuas viagens. Não há nada para lamentar. Nesse passado remoto eu ainda não existia. Eu ainda não tinha esta face e as minhas mãos encontravam-se fechadas de tudo o que poderia nascer. Renascer. Viver. Não te diria nada, seria o mais certo, se no antes nos tivéssemos encontrado.

Falas e desdenhas as palavras. As palavras não valem nada. Foste tu que me ensinaste. As palavras trazem com elas a repetição do que não pode ser repetido. E eu recordo-me, que as palavras matam o amor que ainda não saiu da casca do ovo. Sim, é isso. Se um dia o sentires, não o ponhas em palavras. Se o disseres, se o falares, se o escreveres. Eu deixarei de acreditar em ti. É importante que respeites o que te peço. Se um dia no alto de tudo o que pode ser sentido. Se um dia na ponta da língua te surgir a palavra amor. Cala-te. Submerge-te dentro da água. Submerge-te no meu peito. Mas cala-te.

E de volta a ti. Aos teus passos verdes por entre os recantos desta casa. Mostras-me as paredes. Sabes que tenho uma fixação por paredes. Então explicas-me a tua vida como se tudo pudesse ser mostrado no gasto das ruínas que aguentam este espaço. Preciso de fechar os olhos. Para que nada possa ser maior do que me mostras. Sinto a superioridade da tua voz nos regaços que me levas a descobrir. E agora és menina, de mão dada com a tua mãe a caminho da escola nos teus 10 anos. Decerto, que a gargalhada seria a mesma. Decerto, que se te olhasse nos teus pequenos anos, saber-te-ia a mulher que hoje está à minha frente. E se me enganasse, estarias perto para me reconduzires na verdade do que foste.

Encadeio-me de volta de ti. Porque a sede há muito que deixou de ter destino e então é este abraço que escolho. Sim, uma escolha. Porque mesmo o mais insignificante do desejo é resultado de uma escolha. Quantas escolhas nos levaram à habitação deste mesmo caminho? Não digo sonho. Não o posso fazer. Seria iludir-te de os saber existentes. Ou pelo menos a galopar no meu sangue vadio. Sempre mais o poder de decisão ainda que inconsciente. Do que o adormecer e acordar presa em algo que não sinto nem poderia sentir como meu.

Sigo-te pelas sombras que deixas nos meus dias. Quando a dança é mais fervorosa do que o andar lado a lado. Quando o beijo se irrompe pelos escombros que se foram acumulando pelos nossos corpos. Mas fica. O beijo fica na pele quando poderia sempre fugir. A pele na elasticidade dos desejos. O ardor moribundo que se distingue da rotina do que se quer um dia e no outro se satisfaz. E as sombras algures pelos miradouros da cidade, e das sombras as mãos e das mãos tudo o que queremos guardar deste momento.

quarta-feira, abril 09, 2008







Michael: Ellen broke up with me.
Christine: What? Why?
Michael: She thinks she's gonna die this week.
Christine: No. Out of everyone at Saint Tod, she is the least likely person to die.
Michael: Well, she's usually right. She's been right about everyone else. I lived a whole life with a woman I didn't even really like. We traveled all over the world together. And Ellen and I never even left the grounds.
Christine: Well, actually I took you to the IMAX that one time.
Michael: Yeah, but I wanted to take her to the Mayan ruins in Guatemala. She really wanted to see those.
Christine: Yeah, that just seems weird that she wouldn't want to be with you, you know, if her time was coming.
Michael: I've long since stopped trying to make people - do things they don't want to do.
Christine: But she's the love of your life. You're just gonna let her go?
Michael: No. She's just… going.

segunda-feira, abril 07, 2008

sábado, março 29, 2008




Ainda sei a tua morada, quando a releio no soletro de números e sonetos, confundo-a de encontro aos atalhos do meu coração. Quanto mais te escrevo, de lugares e quereres divergentes, de saberes e deveres indiferentes, mais o gasto da memória se disfarça devagarinho na sola dos teus sapatos. Ainda sei o nome da tua rua, quando me imagino de pés assentes na ladeia do passeio, aperto-me de encontro aos carreiros do meu coração. Quanto mais me atrevo, nestes vultos e tumultos, nestes fantasmas e marasmos, mais o gosto da memória se aventura sorrateiramente no desgaste do teu esqueleto. Ainda sei o pouco que ficou: este nada que me importunaste como uma navalhada quente e funda, prepotente e de natureza hirta, como quando o teu corpo pede sem suplício e esgana - a demanda do homem. E quanto mais nos relembro, em tortura e formosura, de funeral ou epidural, mais a mácula desta cicatriz me molesta o tétano do corpo.
Ainda sei a todo custo, a dispensa do teu amor.



In Férreos Tranversais de Alice Turvo

terça-feira, março 25, 2008

Quando a manhã vier sairás comigo
para o espaço que nos falta
para o amor que nos falta





Mário Cesariny

segunda-feira, março 24, 2008

sexta-feira, março 21, 2008

Eu pedi. E tu escreveste para mim. Porque sabias que eu iria sorrir. E eu acho que tu gostas quando eu sorrio. Obrigada. Pelo tudo no tudo. Pela confiança neste percurso. E esse teu nome, para sempre.


“Nada do que é indizível é inefável. Nem a escrita nem a sua presença assídua. Hoje, redobro as esquinas que gastam cada arruela versal das minhas palavras, hoje, mastigo a prece do dito para que haja vislumbre onde o sofrer não seja mais sapiente que o inarrável. Que sem a persuasão do negro não há poesia que se redima ao caos da escrita, que sem amor nunca há pele suficiente para escamar mais empórios na bainha do dorso. Nada do que é inefável é infalível. Nem o inventário das letras nem a sobra dos seus honorários. Hoje, recortas os quarteirões esbraseados de cada alameda ateada por crença, hoje, instiga o desdito antes do impulso para que haja mais querer onde esse sofrer não se senta à mesa de garfo na boca, de faca no cuteleiro do teu peito. Que sem a colisão do negro não há prosa que se infiltre na sova da escrita, que sem derrame nunca há amor suficiente para incenerar o marfim fracturado das ossadas. Não, nada do que te escrevo é
indiscernível. Que os teus dedos são mais boca que a descompustora da palavra, que a tua boca é mais táctil que a maquinaria das mãos. Que és inteira, indomável na volubilidade dos teus cabelos, irrevogável onde a nudez da cama te pressente a fomentação. Que não importa se o dormir-te é menos presto ou se a quietação dos olhos te insiste a desavença do corpo. Porque és inteira, trajada de pele ou desfeita de ardor. Nada do que te digam é irremissível. Que nada do que te diga é transmissível, que onde a linfa te escoa a frase, o sangue desbrava a pontuação das árvores fáceis de engomar. Nada do que te diga chega, que o fim não me suprime a vontade escabrosa do pergaminho. Nada do que possa dizer atinge, porque não há beleza no tributo noduloso desta desproporção escrita pelo negro dos versos. Que se a tribuna é incasta, há sempre o odor terroso das uvas para te recompor os lábios, que se a vida te é fervente, há sempre a serventia ferrosa da esperança para te devolver o baque do coração. Nada do que possa dizer chega, porque não há redenção no desfecho frágil do carpo, que nada do que possa transcrever e insistir te obriga à causa ao invés da fome. E ainda assim te digo, um dia te encontras, e a pele se desfolha como um livro lunário, para que possas reescrever sobre a epiderme outro vagido sem rebentação, para que te possas estrear no galope do peito, onde a palavra não se cansa, onde a palavra não murcha a quadra e o pomo. Porque és inteira, e essa beleza é mais dizível que qualquer outra entoação dada no nó negro da minha farsa - nesta escrita de súplica.

Para que possas sorrir. Não te desacredites. “



Escrito por Alice tennis giros




quarta-feira, março 19, 2008

My Blueberry Nights








"How do you say goodbye to someone you can't imagine living without?

I didn’t say goodbye.

I didn’t say anything.

I just walked away."

sexta-feira, março 14, 2008

fake can be just as good. diz:
Sabes que as vezes, a melhor maneira de suscitar interesse nos outros. é sermos simples. sem grandes artimanhas. é ser. sem grandes linhas ou deixas.

Narcisa diz:
Mas eu sou simples.

fake can be just as good. diz:
Não. Tu és complicada. Eu também sou.
Mas percebo o que queres dizer por simples.

Narcisa diz:

Mas ser complicada não é ter artimanhas.
Eu ao ser complicada sou. Não sei ser de outro modo.

fake can be just as good. diz:
Sim, mas tens defesas.
Eu acho que as hipóteses de teres sido feliz com alguém, por medo. Acabaste por desvalorizar e fugir.
E isso é ser complicada, é ter protecções.

Narcisa diz:
Claro que tenho defesas. Eu perdi a fé nas pessoas. Duvido que alguém me possa surpreender.
Digo-te muito sinceramente
de todas as pessoas com quem eu estive
nenhuma poderia fazer-me feliz.
nenhuma.
E nenhuma me tocou fundo como eu gostaria de ter sido tocada.
Nenhuma me marcou no bom sentido.

fake can be just as good. diz:
Achas-te exigente?

Narcisa diz:
Muito.
Sei o que valo.
E não admito que me tentem mudar.
Tornar-me mais humana, como um dia me disseram.
Eu sou tudo, e as pessoas não sabem lidar com isso.

fake can be just as good. diz:
As pessoas não tentam. Não tentam. E acaba por ser isso.
Tentam aqui e acolá uma vez. E desistem.

Narcisa diz:
Sim. As pessoas desistem e eu sinto que desisto com elas.

quinta-feira, março 13, 2008


Um dia, sentado na cama, as costas procurando a frescura da parede caiada, dissera-lha que a respiração apaziguada do corpo adormecido a seu lado era a respiração de todos os outros corpos ainda por vir. Mas de quem seria aquele corpo? Nunca o saberia.
Tinha-o seduzido, levado consigo, acariciado, mas ignorava se possuía um nome. E nada daquilo lhe parecia ser o amor, porque o amor necessita de um rosto, exige um nome. A nudez, pelo contrário, não precisa de nada. Serve para dar e receber, esquece-se rapidamente na velocidade do dia que se levanta. E quase não dói.






Mas o tempo de partilhar seja o que for terminou, o que possuía para partilhar já partilhei. Agora sou espectador daqueles que são incapazes de partilhar comigo o que possuem. No fundo, estou-me nas tintas para tudo isto. Tornei-me um ladrão. Roubo-lhes um beijo, uma erecção, um gemido de esperma, uma carícia… roubo-lhes tudo o que posso e estou-me nas tintas… é isso mesmo, estou-me nas tintas para o que pensam. Nada tenho a perder, a sedução é uma das artes do ladrão, raramente me deixou roubar. Mas que te importa tudo isto, Beno? Sossega, sossega porque o mundo está tão sujo de indiferença…



In Lunário, Al Berto.

domingo, março 09, 2008

"Em que outras angras terás desfrutado a rebentação do Atlântico, devassada sobre um manto de armérias e malmequeres, terás amado antes de recolheres o baque nas ancas? Terás preterido outros portos de sal grosso crestados sobre o teu dorso? Terás amado previamente por cada veleiro em cor de fogo? De que lenha arde a brisa no teu vestido torrão-lima? De que cântaros a seiva enrija da minha sede para o contorno dos teus seios?
O teu esqueleto é um amor de amor encorpado noutro amor de amores nefastos. Massa turva de fronteiras quebradiças.
Sonho o dia em que me abandonarás.
Para que o teu abandono me seja indolor, para que no estibordo das tuas emoções, a minha placitude te seja tranquila como o violeta aberto aos meses de polén. Quando me cederes ao desconsolo do transposto, não te lamentes a despedida. Eu serei por ti, serei das memórias que te desconhecem o desconforto de cada fim, tu serás por mim, serás fiel à ingratidão que ao amor se lhe incumbe.
O amor será por nós silenciado nas angras perdidas da tua virgindade."



In Férreos Transversais de Alice Turvo

quinta-feira, março 06, 2008






I like you
But I shouldn’t
And I could fall in love
But that’s not quite an option for me.

segunda-feira, março 03, 2008

Debrucei-me sobre as memórias. Há muito tempo que não pensava em ti. Aconteceu lembrar-me porque ouvi uma gargalhada que parecia a tua. Olhei mas não eras tu. Não resisti a sorrir. É difícil resistir o que quer que seja quando me lembro de ti. Por vezes, são as lágrimas que se mostram. Hoje foi um sorriso.

Existem dois tipos de perdas. Aquelas sobre as quais não temos qualquer controlo e as que são a consequência de uma acção provocada por nós. É a diferença entre as perdas e a perda. É a diferença entre a morte e a estupidez. E podia ser também a diferença entre os acidentes e o egoísmo.
Não morreste, não foste nenhum acidente nem és uma das perdas. És a perda.
Não poderei expulsar de mim este sentido das coisas. Nem poderei algum dia esquecer que te perdi. Por um acto meu. Um acto de puro egoísmo. E agora sei que te posso dizer que já não procuro o perdão, e já não procuro um encontro contigo. O que fiz é imperdoável. E foi ao aceitar isso que percebi que os nossos caminhos já não se voltarão a encontrar. É este o resultado de quando falhamos perante os outros. Não há lugar para um segundo acto de egoísmo. E aqui a fé não pode entrar. Durante muito tempo tive essa fé. A fé do perdão. A fé de que tudo um dia iria voltar ao antes. Que te teria novamente ao meu lado e que a nossa amizade jamais se esbateria. Não é possível. Tenho que te deixar ir mesmo que na verdade estejas sempre presente. Mesmo quando não me lembro de ti.

A tua perda padece da contagem do tempo. Sobrevive-lhe e sobrevive-me a mim. Levo-te para todo o lado. A tua perda é inquestionável e irreparável.

Lembro-me quando ias assistir às minhas orais, de dizeres para ficar calma quando eu era um turbilhão de nervos. Não parava quieta. Cigarro atrás de cigarro. Dizias que tinha de ter calma e ir descontraída. Que tudo ia correr bem. E na maior parte das vezes corria, e eu sentia-me a pessoa mais feliz do mundo. E tu estavas orgulhosa de mim, da tua afilhada. Sabias, ao menos, o quanto era importante sentir-te orgulhosa de mim? Saberias ao menos isso? E ás vezes corria mal. E tu apoiavas-me e dizias que para a próxima ia correr tudo bem. E eu acreditava e na verdade corria bem. Durante cinco anos foi sempre assim.

Ensinaste-me muita coisa, acho que hoje ainda terias muito que me ensinar. E eu aprendia, devagarinho mas aprendia. E hoje em dia, quando estou triste, recordo-me das tuas palavras e aos poucos e poucos volto a mim. Deste-me bases. Acho que foste a base. Tu e a minha mãe. Devo-te muito. Devo-te a confiança que tenho em mim mesmo nos meus piores dias. Ela está sempre lá. Sei que posso fazer sempre melhor. E agora que começa uma nova fase da minha vida, por vezes, caio e tenho medo, muito medo de falhar. Cheguei à vida de adulto e tudo me parece complicado. Mas eu não te posso falhar mais nenhuma vez, portanto, eu vou conseguir, vou ser competente em todos os desafios que encontrar pela frente. E vou continuar a acreditar em mim da mesma forma como tu acreditavas.

Quero agradecer-te por sempre me teres dado o melhor de ti e teres cuidado de mim. Nunca ninguém cuidou de mim como tu cuidavas. Achei que seria impossível perder-te. Nunca pensei que houvesse sequer alguma probabilidade disso acontecer. Mas nada é garantido, não é? Agora sei-o.

Onde quer que estejas espero que estejas feliz. Eu quero que tu estejas feliz. E mesmo que não estejas pelo menos que te encontres no caminho certo.

sexta-feira, fevereiro 29, 2008

Em que estação estamos nós? Não consigo ver mais do que um espaço. Aquele que te falei, um espaço com paredes. Poderia ser a coisa mais simples do mundo. Não o é. Sei que tem muitas almofadas pelo chão e teria de ter as minhas cores favoritas. Preto. Vermelho. Cinza. E não, acredita que não me esqueço de ti. Não me esqueço do teu chá e não me esqueço dos teus chocolates. E sei que sabes que não me esqueço de nós. Teremos sempre as músicas que serão os passos das nossas mãos. E os filmes para assim nos sentirmos dentro de algo que não seja e não se baste a esta existência pedante. Poderia sempre esquecer-me do que se encontra para além disto. Seria um erro. Penso que já te disse que assassinar o mundo não nos traria qualquer tipo de salvação. Pelo contrário. Seriam mais visíveis as entranhas do que ainda não conseguimos curar dentro de nós. E existe sempre esta necessidade de conseguirmos ultrapassar os erros. Mesmo os que de alguma forma nos trouxeram um pouco de paz interior.

Hoje seriam as palavras que chegariam mais perto de ti. Seriam as palavras que te diriam assim: É por vezes, ao final da tarde, que me encosto mais a ti. Que o meu corpo mais adormecido do que antes precisava do tactear dos teus dedos em busca de um conhecimento mais próprio. O conhecimento tão peculiar que se apreende quando no toque se sente o começo de algo. Hoje seria o meu corpo a precisar de ser descoberto. E digo-te que visualizei os dedos, não outros que não os teus, abrindo caminho pelos meus seios. E pergunto-te de novo: em que estação estamos nós? Poderão ser os teus dedos, na conjuntura das tuas mãos a alcançarem a resposta. O conhecimento hoje poderia começar por aí. Pelo arrebatamento de um corpo nas mãos de outro corpo.

Mas sei que se nos fosse possível a aproximação não te saberia dizer mais do que isto:

Trabalha-me o coração.


(Heart engine. Start me up.)



terça-feira, fevereiro 26, 2008

If you want me








what the fuck are you waiting for?

sexta-feira, fevereiro 22, 2008

P.S. I Love You






Patricia: I bet you've had a hard time walking into a room full of people on your own, right? Yeah. I know that. I know what it is not to feel like your in the room until he looks at you or touches your hand or even makes a joke at your expense, just to let everyone know... you're with him. You're his.

domingo, fevereiro 17, 2008






I wish that we could see if we could be something

domingo, fevereiro 10, 2008

Não sei ser coração na distância. Não sei do mais sem ser pelo menos. O desafio perdura mais do que a certeza. E no ambivalente é como me deito no dia. Não sei ser caminho de alguém. Podem apedrejar-me e a respiração será a mesma. Mesmo que sulcos de sangue me sejam mais do que a satisfação. Não sei ser mais do que isto que me sei. E é no amor que me sei menos de alguém. Podia ser um dia o tudo mas o tempo é o desencontro que melhor assimilei em mim. Não sei ser aquela que todos desejam. Não sei mudar-me por dentro como se apenas fosse vazio. Não o sou. É o que sei.
Arrastam-me pelas teias do desejo como se essa fosse a única forma de me terem. E não me assusto se o compreender. Talvez seja a única forma. Talvez seja a única maneira de me soltar das arestas que se prenderam ao dentro. Não sei ser coração na distância. Porque é na distância que se encontram as fragilidades que renego.

Só sei ser pele na pele. Desejo no desejo. Sexo no sexo. Mãos geometricamente colocadas no meu corpo. E tudo o que quero está nos contornos do outro corpo. Da boca aos pés. É a continuidade do que me surpreende que me tira as raízes do chão. Não é o domínio. Não é a dificuldade de seduzir. Nada disso me agarra. É o salto que se dá depois de nos deixarmos ir que me capta a atenção. A verdadeira.
Palavras que substituem actos. E actos que não me chegam. Nos dias em que me senti preenchida estava nua de medos. Quantos dias o medo foi nulo? Perdi-lhes a conta por não existirem.

Não sei ser mais do que isto. E se isto for o medo do rastilho então é isso que sou.

sexta-feira, fevereiro 08, 2008

Subo os degraus que me ofereces. Como as folhas que se acumulam nos meus livros. Oiço a voz ao longe. A caminho da pele que submerge no corpo. Pedes-me textura ao que sinto. E só te sei entregar num cesto as palavras que não esqueci.

Queres que escolha um espaço. O espaço do reencontro. O retardar de um reconhecimento que já começou a ser feito. Cresces em altura no que sou. E tenho medo que num determinado instante deixe de te conseguir observar. Se o caminho for demasiado. Se eu for vaga no que te dou de mim. Será ainda possível chegarmos lado a lado?

Castigo, tantas vezes, a vida que me chegou às mãos. Maltrato-a para a conseguir sentir. Digo-te ao ouvido: são por demais as vezes que me esqueço do que sou. Que me esqueço de que ainda consigo sentir. Sentir o dedilhar dos dedos sobre a crosta do meu coração. Digo-te ainda mais perto, do sítio onde a voz se confunde com a respiração: Se me tocares não saberei ao certo que toque é esse. Não saberei ao certo onde me tocas tu. Não sei onde está o epicentro do meu sentir. E mesmo assim te digo que estou aqui. Aqui. Do lado em que tu me puxas.

Dizes-me: a minha fé por ti é inabalável.
E se eu fechar os olhos do mundo quase que posso acreditar. Não em ti. Mas nessa fé que me transborda em harmonia. Nessa fé que não seria possível existir se não fosse tua. Se não pertencesse ao melhor de ti. Essa fé.

Reconstruo as janelas do passado que se encobre de presente. Misturam-se. Não. Eu é que as misturo. Na oportunidade remota de me saber construída. Não de cimento mas de madeira porque assim facilmente poderei arder de frente para ti. E das águas que se bradem dos teus olhos poderei ser salva. E viver. Poderei reaprender a viver com tudo o que sou. Toda a matéria-prima que te esqueceste de alienar. Sou eu. Poderia gritá-lo se a voz se aguentasse. Se tu ainda te encontrasses aqui.


Cais-me de novo no corpo, na facilidade com que se ouve o ruído do todo que está lá fora. Cais-me de novo no corpo como abutre desfiando a carne já solta da pele. Sou de pouco alimento para ti. Para a fome que te provoca espasmos de angústia. Sou-te pouco porque foi de ti que me libertei em vez de partir.

E ainda te consigo ouvir quando dizes:
No engano do acto fruto do amor fica quem se nega a fugir da dor.

Partimos.







“There was a child who was born to be the one who comforts me
Who was born strong and brave and holy, loves me rough and tenderly
Can it be understood the reaons why do you belong to me?

I need the steady of you and I’d give you everything
That i could cut this sweet precision from beneath my tender skin
There is a way, there is a way that you could save me from this

Would you promise to be king?
Promise to be kind.”


Mirah – Promise to me

quinta-feira, fevereiro 07, 2008






"I'm coming home back to your bedroom eyes"

quarta-feira, fevereiro 06, 2008

Às vezes no meio dos outros não sou nada. Mas e tu? Tu. O teu nome que é uma palavra. É um segredo. Um segredo no meio de tantas bandas sonoras.

Precipita-te. A caminho de mim.

Uma pedra no meio das minhas mãos.

O verniz vermelho de coração. Dedos que tatuam. A pele do corpo. Do corpo que não se entrega.

Do orgasmo omisso. Esquecido. Predefinido. O orgasmo que se fechou dentro de mim.
Há quanto tempo?
Não sei.

Mais um segredo. Relembra-me o que fazemos aqui.
Colamos duas cidades numa só. Ciclo de colagens.


E que somos nós?
Não te precipites.
Eu deixo de ser impulsiva.

E assim não nos perdemos.

Imagino o sofá já com a forma do teu corpo. Imagino. E.
Apenas imagino. E isso já é permitir muito.

Diz-me qual a nossa banda sonora de hoje?

Outro segredo: ontem adormeci e acordei contigo.

terça-feira, fevereiro 05, 2008

Closer

Alice: I'm not a whore.
Larry: I wouldn't pay.


Anna: I'm sorry you're...
Larry: Don't say it! Don't you fucking say you're too good for me. I am, but don't say it.




Anna: Love bores you.
Dan: No, it disappoints me.




Dan: I fell in love.
Alice: Oh, as if you had no choice? There's a moment, there's always a moment, "I can do this, I can give into this, or I can resist it", and I don't know when your moment was, but I bet you there was one.



sábado, fevereiro 02, 2008

Memories.


Jack Twist: I wish I knew how to quit you.


Ennis Del Mar: Well, why don’t you? Why don’t you just let me be? It’s because of you Jack, that I’m like this! I’m nothing ... I’m nowhere... Get the fuck off me! I can’t stand being like this no more, Jack.

quarta-feira, janeiro 30, 2008

Repito-me, sabes? Sinto que preciso de o fazer. Para me convencer de alguma coisa. De um algo mais. E talvez repetindo-me sinto-me mais perto de mim. Das minhas verdadeiras necessidades. Volto à infância e sinto que não fui feliz. Já nessa altura vivia uma farsa. Ria muito porque lembro-me que o riso atraía pessoas há minha volta. Inventava histórias como aquela em que disse quase chorando que tinha sido adoptada. Disse à freira porteira lá do colégio. Tinha uns 6 anos. Dizia que tinha sido abandonada pela minha mãe chinesa à porta da igreja e que os meus pais me tinham adoptado e por isso é que tinha olhos rasgados e a começaram a chamar-me chinesinha. E eu gostei. E a partir daí comecei a viciar-me em ser quem não sou. Um ano antes, ainda andava no infantário levei uma faca para a escola. Lembro-me perfeitamente dessa manhã, a mãe deixou-me no balcão da cozinha a tomar o pequeno-almoço, abri a gaveta dos talheres, tirei a faca e guardei-a nas minhas calças de ganga. Depois no infantário disse ao rufia da nossa turma que tinha a faca e assim ele podia matar a sua inimiga que se chamava Joana. E lembro-me de estar a descer o escorrega e ter as educadoras espantadas a olhar para mim. Nessa altura já tinham ligado aos meus pais. Fiquei de castigo mas disso não me recordo.
Depois lembro-me de outras coisas, como os beijos que arrancava aos rapazes. Tinha 5 anos e tinha 5 namorados. E atrevida agarrava-os pelo colarinho e beijava-os. A minha mãe disse-me anos mais tarde que eles fugiam. E eu gosto dessa ideia.
Lembro-me das minhas festas de anos. A última que tive tinha 9 anos e a partir daí nunca mais gostei de comemorar o aniversário. Lembro-me que depois uns dos aniversários que gostei mais foi quando fiz penso que 20 anos, dormi até às 18h e depois fui ao meu jantar, bebi imenso, ri-me muito e estava bem. Dancei até de manhã e acho que estava feliz. Acho que foi o último que apreciei. Acho.
Avanço uns anos e lembro-me da primeira vez que senti o sexo de um homem a dirigir-se a mim curioso. Devia ter uns 13 anos, ele era mais velho e estava a estudar para ser padre. Eu gostava de o provocar e ele não se fazia de acanhado. Corria atrás de mim, puxava-me para o seu colo e beijava-me e depois eu sentia algo a crescer. Não me assustava. Não, isso não. Deixava-me sequiosa e portanto eu continuava a provocar. Até que um dia ele agarrou-me com muita força e levou com um pontapé nos ditos. E eu fui embora airosa sem olhar para trás. Anos mais tarde fiquei a saber que não foi para padre e pelos vistos continuava feio e parolo. Depois tive mais umas quantas aventuras sem nunca esquecer o efeito que as mulheres tinham em mim. Fui adiando, adiando até que resolvi assumir. A experiência começou pessimamente. Não faz mal. Agora sei reconhecer uma puta a milhas de distância. Serviu de aprendizagem.

Entretanto passaram-se 7 anos e aqui estou eu. Tenho dúvidas se algum dia amei e dúvidas se alguma vez me apaixonei, fora isso, penso que vivi tudo de forma muito intensa. Acho que nunca parti um coração, ou melhor, posso ter aberto mais uma fenda ou outra mas partir nunca. Iludi muitas vezes, é verdade. Manipulei. Vendi muitas palavras e menosprezei os sentimentos dos outros. Fui algumas vezes calculista, fria e distante. Mas o pouco que dei podia ter sido melhor valorizado.

Tenho dúvidas se fui alguma vez amada. Portanto, penso que eu e o amor estamos quites. E assim, a vida pode continuar.



E penso que só tenho mais uma coisa a dizer:

Fuck you all.

domingo, janeiro 27, 2008

Abres a janela do meu quarto devagarinho como se achasses possível que eu não acordasse. E mesmo que me mexa não venhas, não te deites na cama de onde acabaste de sair. É essa a quebra. A quebra dos corpos que em poucas horas se prenderam no calor um do outro. Levanta-te e vai à janela fumar um cigarro, é também assim que deixamos de estar sozinhos. Com a cidade a acordar pela madrugada e eu deitada a fingir que durmo. Que não noto imediatamente o frio. O vazio agora de novo lado a lado comigo.

Prefiro manter-me de olhos fechados. Voltar ao silêncio das horas que já não se repetem. E aí sinto, sinto-me de novo viva. O corpo que sente o toque preciso. A invasão territorial que acontece quando afastas as minhas pernas com a segurança de quem sabe o que faz. E tu sabes o que fazes. Soubeste até que ponto podias ir e sabias também o momento em que me renderia e com voz de fúria te diria: Fode-me. E talvez tenha sido esse o momento em que percebi que já não podia voltar atrás. Eras tu que estavas dentro de mim e eras tu que controlavas tudo. A tua mão a tapar-me a boca e a outra apoiada na minha anca. Eras tu. E eu já não queria outro que não tu dentro de mim. Não posso voltar atrás. Aconteceu. E mais fundo não seria possível. E depois eu e o cheiro a orgasmo na cama e no ar. E a tua voz de satisfação ao meu ouvido: Quem diria que um dia estarias nesta situação. Ninguém diria. Só eu própria. Mas mais ninguém diria. Nem tu, nem mesmo quando um dia com o álcool em demasia liguei-te a dizer que te queria. Não sabia quando e de que forma. Mas queria-te. E agora já percebi o como. Tu dentro de mim. E eu a expulsar-te já com o prazer consumado.

Fumas o cigarro até ao fim. Não deixas espaço para mais uma passa. Já olhaste para trás e procuraste-me com os olhos. E é de olhos fechados que te vejo. E é com os movimentos do teu corpo na minha varanda que percebo que isto não vai ficar por aqui. Queres mais. E eu quero que tu queiras mais. Quero que voltes para a cama e sintas como o meu sexo está molhado, como seria fácil um barco navegar nas minhas águas. Quero que voltes e comeces tudo de novo. Sem preparação. Sem qualquer permissão. Sem sequer tentares perceber se os meus nãos querem dizer sim. E facilmente eu entendo que és igual a mim. E talvez por isso a minha rendição a ti.

Olho para ti agora de olhos abertos e a boca entreabre-se para falar, para te dizer – vem, povoa-me de novo, acrescenta palavras aos meus ouvidos, faz-me acelerar, marca-me os seios e prende-me o cabelo até eu me sentir preparada para que saias. Que saias de dentro deste espaço que quer ser novamente teu.


Olho para ti agora de olhos abertos e de lábios cerrados. Levanto-me da cama ainda de corpo nu e acendo um cigarro. Olhas para mim. Sorris e aí noto uma ternura. Algo enjoativo que salta dos teus olhos. E nesse segundo mal parido lembro-me de quem sou e do que tu não podes vir a ser.

- Vou tomar um banho. Vemo-nos amanhã como habitual?
- Posso ficar mais um pouco se quiseres. Podemos fazer qualquer coisa, está um dia tão bonito.
- Não me apetece. Mas adorei estar contigo. Um dia repetimos.
- Mas…
- Vá, até amanhã.

E depois o som de mais uma porta que se fecha.

sexta-feira, janeiro 25, 2008

Is someone out there?

quinta-feira, janeiro 24, 2008

In Everwood

Ephram: The more things change, the more they stay the same. I'm not sure who the first person was who said that. Probably Shakespeare. Or maybe Sting. But at the moment, it's the sentence that best explains my tragic flaw, my inability to change. I don't think I'm alone in this. The more I get to know other people, the more I realize it's kind of everyone's flaw. Staying exactly the same for as long as possible, standing perfectly still... It feels safer somehow. And if you are suffering, at least the pain is familiar. Because if you took that leap of faith, went outside the box, did something unexpected... Who knows what other pain might be out there, waiting for you. Chances are it could be even worse. So you maintain the status quo. Choose the road already traveled and it doesn't seem that bad. Not as far as flaws go. You're not a drug addict. You're not killing anyone... Except maybe yourself a little. When we finally do change, I don't think it happens like an earthquake or an explosion, where all of a sudden we're like this different person. I think it's smaller than that. The kind of thing most people wouldn't even notice unless they looked at us really close. Which, thank God, they never do. But you notice it. Inside you that change feels like a world of difference. And you hope this is it. This is the person you get to be forever... that you'll never have to change again.

quarta-feira, janeiro 23, 2008

Don’t fool yourself
She was heartache from the moment that you met her
My heart is frozen still as I try to find the will to forget her, somehow
She’s somewhere out there now








Jeff Buckley – Forget her

segunda-feira, janeiro 21, 2008

Atonement - Expiação



Robbie Turner: We can resume. The story can resume. I can resume.

Cecilia Tallis: I love you. I’ll wait for you. Come back. Come back to me.

Robbie Turner: Dearest Cecilia, the story can resume. The one I had been planning on that evening walk. I can become again the man who onde crossed the surrey park at dusk, in my best suit, swaggering on the promise of life. The man who, with the clarity of passion, made love to you in the libray. The story can resume. I will return. Find you, love you, marry you and live without shame.








Briony Tallis: So, my sister and Robbie were never able to have the time together they both so longed for... and deserved. Which ever since I’ve... ever since I’ve always felt I prevented. But what sense of hope or satisfaction could a reader derive from and ending like that? So in the book, I wanted to give Robbie and Cecilia what they lost out in life. I’d like to think this isn’t weakness or evasion but a final act of kindnesse. I gave them their happiness.


sábado, janeiro 19, 2008

Poderia contar os dias em que fui realmente eu própria. E esses dias não chegariam para aqueles em que a solidão me invade. E a angústia. E a insegurança. E tudo aquilo que nem chego a ser. E poderia chegar o dia em que sentisse que estaria preparada para arriscar. Deixar-me ir mesmo que os passos que desse fossem falsos e eu caísse. Mais uma vez. Menos uma vez. Talvez seja isso. Ainda não caí as vezes suficientes. É preciso mais. O caminho é longo. Nunca esteve muito perto. É o que sei e no entanto sei tão pouco.

Uma farsa. No fundo todos temos um lado que se esmera em falsidade. E também existem aqueles que queremos esconder e fazemos o oposto do que sentimos.

Não posso contar os dias em que fui verdadeiramente feliz. Não existem. Sou por natureza insatisfeita. O tudo parece-me o nada. o nada colorido. Mas continua a ser um nada. e eu quero o tudo. Tudo mais o tudo. Mas não o mereço.


E tu dizes: és tanto. Sabes disso não sabes?
E eu respondo que sei. Mas não sei. Não sei nada. e precisava que então me explicasses porque sou tanto.

E então dizias: a ideia que tens de ti é errada. Imagina as cortinas que mais gostavas de ter na sala da tua casa. Tu não és as cortinas. Não. Tu és o material de que as cortinas são feitas. E aí és um tanto. Mas não podes ser tudo. Não existe um tudo nas pessoas.

E então repito: sou nada.

És mais do que isso. Tens sempre de ser mais do que isso. Nem que seja pelo teu sorriso. Sim penso que o teu sorriso vale uns quantos pontos.

O sorriso. E depois a boca. E mais tarde os olhos. E ainda mais longe as tuas mãos e o que fazes com elas. Sim de facto as tuas mãos dão-te mais algum avanço. De que são feitas as tuas mãos?

Não sei. Continuo a não saber nada. mas isso tu sabes porque parece que já sabes tudo.

E o beijo. o quente que ultrapassa os teus lábios e o orgasmo que pode nascer da tua língua.

Mas que percebo eu de orgasmos?

Provocas-los. Portanto deves perceber alguma coisa.

E depois a voz. Sim falam da voz. E lembro-me que é voz de cama. Voz que se arrasta. Voz que queima. Voz que excita.

Percebo. Tenho uma voz que tem algum efeito. Quanto? Quanto é que dás pela minha voz?

Tudo. E novamente não existe um tudo. Então existe um quê?

Repito: nada. nada que nasce do nada.

Contas-me uma história?

Se mentir continua a ser uma história? Então conto-te a minha história.

Era uma vez uma miúda que achava que poderia ser tudo e depois apercebeu-se que era muita idealista e fez-se nada. e continuou a ser nada. nada.

Mas quem és tu?
Nada. sempre o nada. é a única coisa que tens de saber sobre mim.


Acho que me posso apaixonar por ti. Tens qualquer coisa em ti que me enfeitiça. Achas que me poderia apaixonar por ti?

Não. Não acho.

Porquê?

Porque eu nunca serei a pessoa certa.

És sim! Eu sinto que és.

Sou a pessoa certa para mim. Entendes? Sei pouco de mim mas ainda sei alguma coisa.

E fugias comigo?

Fugir? Não. Estou farta de fugir.

Mas ficavas comigo esta noite?

Sim. Esta e a seguir. Depois já seria repetição a mais.

Vou-te buscar daqui a meia hora.

Anda.

sexta-feira, janeiro 18, 2008

Vota: 760 787 803

Ouvir-te é ir de encontro aos meus 15 anos altura em que te conheci. Ainda me lembro como começamos a falar. Eu, tu, a Su, o Cris, a Mara e a Binas. Formamos grupo desde o primeiro dia e só nos separamos quando vim estudar para Lisboa. Demoramos a encontrarmo-nos mas quando aconteceu parecia que estávamos de novo nos intervalos das aulas em que te pedia para cantares e tu cantavas baixinho ao meu ouvido para ninguém ouvir. E que voz a tua, que presença, que alma.
Partilhámos tanta coisa. Escrevíamos poemas em que assinavas como “Voz do vento”, ríamo-nos até não podermos mais e até me recordo do dia em que discutimos e que me escreveste aquela carta. Estupidez de miúdas. Agora és uma mulher fantástica e eu em breve serei a tua advogada :P Pronto eu, a Mara e a Su. Uma equipa sem igual.

Estás onde devias estar, na final. Estiveres ímpar em todo o programa e ímpar é como também sairás. O que tu fazes ninguém faz melhor. E ainda me lembro do ano passado em que fomos todos ver-te ao hotel e cantaste a “How could an angel break my heart” – a música dos nossos intervalos. É emocionante ouvir-te. É…

Ainda bem que nos reencontramos.


Estamos todos a apoiar-te. Desejamos-te toda a força para sábado.

:)

quinta-feira, janeiro 17, 2008

“Então peço-te que me contes tudo, Sebastião.
- Tudo? Mas o que é tudo? Tudo o que vejo? – perguntas, num sussurro. Como se, de súbito, te sentisses esmagado pela intraduzível vastidão do teu olhar. O que se vê nunca se pode narrar com rigor. As palavras são caleidoscópios onde as coisas se transformam noutras coisas. As palavras não têm cor – por isso permanecem quando as cores desmaiam. Percebo o teu aturdimento: como se traduz a visão? Como se emprestam os olhos? Impossível. Ainda por cima num aeroporto, onde tudo é movimento; o movimento entorpece o acontecer das coisas.
Conta-me só a verdade, Sebastião. O que sobra daquilo que vês. Dizes-me que vês uma criança chorando agarrada aos joelhos de um homem que parte. Uma mulher tenta soltar-lhe os dedos das calças do homem, que se esforça por conter as lágrimas. Peço-te que não me contes histórias de despedidas. Vejo-as à transparência das vozes, no recorte bruto das frases interrompidas, entrecortadas de tristeza. Peço-te que olhes para o que fazem as pessoas felizes – são essas que preciso de ver. Dizes-me que te peço demasiado, que a felicidade não se vê.”




Excerto da “Eternidade e o desejo” de Inês Pedrosa

segunda-feira, janeiro 14, 2008

1º dia

Estive a pensar horas e horas e horas e decidi que quero:



Tudo contigo.




E sendo assim gostaria de saber se aceitas namorar comigo.

sábado, janeiro 12, 2008

Um brinde a nós.

We're just ordinary people
We don't know which way to go
cause we're ordinary people
maybe we should take it slow
This time we'll take it slow



Take it slow
maybe we'll live and learn
maybe we'll crash and burn
maybe you'll stay maybe you'll leave
maybe you'll return
maybe you'll never fight
maybe we won't survive
but maybe we'll grow
we never know
baby you and I.

segunda-feira, janeiro 07, 2008

“Meti-me nesta história com ela, com esta mulher que escreve, esta mulher impossível, esta mulher transbordada por si própria, transbordada pelo mundo inteiro, pela injustiça, pela beleza, pelo sofrimento, pelo amor, por toda esta mixórdia que é tão dela como minha e desta história que se desenrola algures entre ela e eu e não somente entre ela e eu, ela sabe-o, e eu também, e contudo não convém sabê-lo demais, fazer como toda a gente, fazer cenas, fazer estrilho, fazer-se de má, fazer cozinhados, fazer amor também, toda a bagunça do mundo visto estarmos no mundo, visto participarmos do mundo, visto não estarmos separados do resto da humanidade, visto que, enquanto ela escreve, o faz também para o mundo inteiro como para mim, visto ser eu que estou ali.”





In “Aquele amor” de Yann Andréa