domingo, abril 19, 2009

"Oh god, make me good, but not yeat"

Dormes ao meu lado. Penso que é a terceira vez nesta semana. A primeira aconteceu e nenhuma de nós disse nada. Na segunda vez eu olhei para ti e tu olhaste para mim. E chegamos ao dia de hoje. Acho que também ninguém disse nada. Há coisas sobre as quais não vale a pena falar. Há temas em que as mulheres transbordam dramatismo. Confesso, que acontece em quase todos. E o drama traz sempre consequências. No nosso caso. Ou melhor, no meu caso, podia não ter tido a fabulosa foda de hoje. E sim, seria uma grande perda. Hoje é cada vez mais raro sexo com qualidade e quantidade. Gosto desta conjugação. Qualidade + quantidade = satisfação razoável. Sempre é melhor que nada. Não nos enganemos a plena satisfação é inalcançável.

Dormes ao meu lado. Confesso que já me cheguei a esquecer do teu nome. Mas tu nunca reparaste. Ou fingiste que não reparaste. Tudo bem. Não há problema. Evitou-se uma situação embaraçosa. Não penso muito em ti. Gosto da tua companhia. Aprecio-te. Sim, é isso apreciar alguém. És bonita. Gosto dos traços do teu rosto. Da tua idade. Do teu rabo. Meu deus… o teu rabo. Gosto que tenhas uma postura arrogante. Sinto-me protegida. Mesmo que depois sejas tu que procures os meus abraços. Gosto da tua lingerie. Principalmente daquele conjunto vermelho. Que usas juntamente com os sapatos de salto alto. Sim, de facto, gosto de muita coisa em ti. Já desgosto um pouco de quando começas a falar de coisas que não me interessam. Ou de quando perguntas se gosto de ti. Se namoramos. E se isto é a sério. E se podemos tomar banho juntas todos os dias. E se isto. E se aquilo. Também existem algumas coisas que não gosto.

Dormes ao meu lado. É a terceira noite seguida. Mas acho que devemos estar perto da última. Eu sou uma menina-mulher com o coração fodido. Voltei aos tempos de antes. Estou contigo porque não encontrei melhor. Basicamente é isso. Sofri uma desilusão. Não me enfrasco em álcool. Drogas. Comida. Prefiro o sexo e a companhia. Antes era apenas sexo. Agora já não basta. Também preciso da companhia. E de vez em quando de mimo. E de festas nos meus caracóis. E preciso de não dormir sozinha. Mas três noites de seguida, é demais. É overdose. Terás que entender. Eu sou sensível. É demais para mim.

- Gosto de dormir contigo.
- Eu gosto de foder. Contigo.
- E de dormir?
- Espaçadamente.
- Achas que estamos a ir muito depressa?
- Talvez um pouco, sabes que saí agora de uma cena…
- Tens toda a razão… Fui egoísta.
- Não há problema… só temos de abrandar um pouco com estas dormidas.
- E abrandar no sexo?
- Não, não podemos abrandar aí. O sexo é algo natural. Ajuda a fortificar a nossa ligação.
- Concordo contigo, Eu sinto de cada vez que fazemos am…
- Querida, não uses essa expressão. Sexo. Fodilhanço. Quecas. O que quiseres. Fazer amor é que está out out.
- Já me tinha esquecido que não usas essa expressão.
- Sim, não usei nem nunca vou usar. Não há qualquer sentido nela.
- Ok. Quando fodemos sinto-me cada vez mais ligada a ti. Próxima.
- Que engraçado. Agora que disseste isso acho que nos devíamos ligar ainda mais..
- Essa tua mente…
- Eu sei. É terrível. Já fiz vários exames e não há cura. Mas vamos ao que interessa.


Dormes ao meu lado e amanhã eu vou-me embora. O coração deixou de estar fodido.
Obrigada pela ajuda.




segunda-feira, abril 13, 2009

Preciso de ti apenas à noite. Não te posso dar mais do que as minhas noites. Começamos pelo final da tarde contigo à porta do meu trabalho, já chateada porque eu nunca entro no teu carro à hora combinada. Fazes aquela fita que se desarma quando te olho nos olhos. E aí começas a sorrir. A sorrir para mim com um olhar de quem compreende que mal me consigo manter de pé. Depois pões o rádio mais alto na minha estação favorita e vamos para casa. Para o lar decorado à minha maneira mas que depois de algum tempo passou a ser também à tua maneira. Como se nos fundíssemos também no gosto pelas coisas.
Chegamos e vamos directas, cada uma para a sua casa de banho. É o nosso momento de solidão. Ao fim de um dia separadas. Tomamos duche e vestimos os nossos robes. O meu cor-de-rosa vivo. O teu azul de mar.
Preparas um chá enquanto eu começo a cortar fruta. Morangos. Tangerinas. Ananás. Kiwi. Depois vamos para o sofá, pousando as coisas na mesa. E falas pela, primeira vez, neste já inicio de noite “Boa noite a ti que em mim habitas”. Sorrio com um beijo nos teus lábios. Passo a minha mão pelos teus caracóis. Lembrando-me que estão mais bonitos que os meus. Fecho a mente. Deixo de pensar e sirvo-te o chá. Quente. Puxas-me para o teu colo. A tua boca pede a minha. Mas eu dou-te o morango que está preso entre os meus lábios. Aceitas, engolindo quase sem o mastigar para a seguir tomares a minha língua. Devagarinho. Quase sem se notar o subir das temperaturas.
Quero falar. Digo-te. Interrompendo o lume brando dos nossos corpos. Quero falar agora.

- Não podes falar agora. Falas depois.
- Não. Tem de ser agora. Depois esqueço-me.
- E os beijos? Temos de dar cinco beijos antes de falares.
- Cinco beijos? Quem inventou essa regra?
- Eu. As regras são sempre as minhas.
- És tão aldrabona…!
- Cinco! Já!
- Ok. Um beijo na bochecha direita. Um no queixo. Um na ponta do nariz. Outro no pescoço. E. e. Outro. Nos três sinais do teu ombro. Esse. Sim. O esquerdo.
- Hmm
- Sim?
- Era eu a escolher. Fizeste batota.
- Vá. Cala-te. Sou eu a falar. Agora calas-te.
- ..
- Sabes o que pensei hoje depois de almoço?
- Não consigo imaginar o que daí vai sair. Até tenho medo.
- Nunca andei com ninguém mais alto do que eu!
- Hmm? Foi isso que pensaste?
- Sim. Achei piada. Nunca achas piada a nada. És chata.
- Ou seja sou mais alta do que as outras mulheres e sou chata.
- Sim. E mandona. E má. E tudo tudo.
- Mais alguma coisa?
- Sim! Há sempre mais alguma coisa!
- Também pensei que gosto de ti mais à noite do que de dia.
- Ah… dizes sempre as coisas certas..
- Não, a sério! Durante o dia eu não preciso de nada. Apenas que me deixem em paz e que não ponham defeitos no meu trabalho.
- Eu deixo-te em paz durante o dia…
- Deixas. E é fabuloso. Não és melga. Eu só gosto quando te colas a mim quando vamos dormir. É quente. E bom.
- Esta conversa está cada vez melhor…
- Mas à noite. Ao final da tarde e até de manhã eu preciso de ti. Preciso do teu colo. Da tua boca a perseguir-me. De te ver no robe mar. Que prepares o chá enquanto eu preparo a fruta. Que me roubes a fruta para chegares até à minha língua. Que leias poesia para mim. Baixinho para mais ninguém ouvir. Que coloques as duas mãos sobre os meus seios e com ar vitorioso e tom alto digas “São minhas! Minhas”. Quem te ouvisse falar, pensariam que eram alguma coisa de jeito. Um tesouro. “E são! O meu tesouro! O teu sexo é a cabeça dos reis espetada na faca. Mas o teu coração, o teu coração é o que mais desejo e não possuo”. E eu sinto-me feliz. Por não possuíres o meu coração. O cofre onde a pureza se aposenta do mundo. Sinto-me livre ainda que presa a ti. Tu tens tudo. Sim, tudo. Mas o meu coração não possuis. E é assim que sinto a minha vitória. É minha. O resto pode ser teu.
- Mas tu gostas de mim? Mesmo que só precises de mim ao final da tarde?
- Gosto. Não haveria como não gostar. Estás quando me entrego. Entendes? Só ao final do dia me entrego. Sinto-me eu. Aproximo-me do que me faz feliz. És tu.
- E pronto, deixei de ter argumento. Fazes sempre isto. Começas a conversa como se a mesma fosse acabar mal. E depois. E depois voltas-te para mim. E calas-me com esse amor tão lua cheia de ti.
- Isso quer dizer que sou fantástica, não é?
- É. E muito mais.
- E mais?
- Tudo. Tudo o que quiseres.

quarta-feira, abril 08, 2009

No dia da partida será tarde demais para impedir a chegada da saudade.

O fim dos rituais como os conhecemos.

Já não saberei explicar a outra pessoa o porque de ser tão importante o dia da semana em que se mudam os lençóis. Porque é que a ginástica de se colocar a nova capa de edredão terminava sempre com as tuas pernas entrelaçadas à minha cintura e a minha boca ancorada ao teu peito.

Os domingos de manhã em que saíamos porta fora para acolhermos o início de um novo dia, em que cumprimentávamos o rio de mãos dadas e em silêncio. E depois fugíamos para algum lugar bonito só para cumprirmos a promessa de que nunca iríamos deixar de passear o nosso amor.

Lembras-te do resto? Dos dias especiais? De eu sair do duche e de tu estares à minha espera na cama com o creme de chocolate? E de começares uma massagem em que as tuas mãos acabavam no meu sexo? Sim, eram as nossas massagens. Nos dias especiais.

O plano das viagens, em que se incluíam as visitas obrigatórias aos starbucks locais onde só íamos para me fazeres a vontade. Porque gostavas de me ver sorrir. Porque eu era a tua miúda fantástica a sorrir.

As tardes passadas na cama, onde o sexo, o mimo eram intervalados com sessões de televisão porque aí fazia-te eu a vontade. Porque gostava de te ver a sorrir. Porque era a minha mulher fantástica a sorrir.

O roteiro gastronómico que nunca chegamos a cumprir. Porque o tempo não chegou para tudo. Porque o tempo nunca chega para nada. Nem para te amar até eu deixar de ser eu. Para tu me amares até deixares de ser tu. Não, o tempo não chega para nada. Apenas para saber encarar os meus dias sem ti. Os meus dias sem ti.

Os dias em que dizias para eu conduzir porque sabias que eu gostava de acelerar e o teu carro era mais potente que o meu. E quando eu te irritava porque só mandava para o caralho os carros que iam à minha frente. Ou os que iam atrás. Ou só porque me apetecia. E tu não gostavas que a tua miúda fantástica praguejasse. E eu tentava controlar quase sempre sem êxito. Mas eu tentava. E tu sabias.

E quando eu planeei o nosso casamento. Em Espanha. E te disse que a nossa prenda de casamento, seria irmos a um bar feminino de strip e eu assistir um privado feito a ti e vice-versa. E tu dizias que sim. Que podia ser como eu quisesse.


E outras tantas coisas que estão no memorial do fracasso que foi o nosso amor.

segunda-feira, abril 06, 2009

Ficas aqui?
Fico. É a minha estação.

Costumas apanhar este comboio?
Depende das horas a que acordo.

Ah gostas de dormir..!
Não. Gosto de simplesmente não acordar.

Pareces-me ser alguém especial.
Eu? Nasci de rabo para o mundo. Só se for por isso.

A sério. Amanhã aparece à mesma hora.
Porquê?

Seria giro. Falávamos mais um pouco.
Porquê?

Queres sempre saber a razão de tudo?
Sim. Sempre.

Amanhã apareces?
Depende?

De quê?
Das horas a que acordar.

E não podes acordar mais cedo, por mim?
Porque haveria? Quem és tu?

Não sejas assim. Acho-te piada.
Mas eu não tenho piada. Tenho desprezo pela vida.

Ahh que exagero!
Exagero? Achas-me exagerada?

Não, não nada disso. Não te chateies.
Pareço-te chateada?

És mesmo complicada.
Achas?

Já viste a confusão que aqui vai?
Parece-te confuso. Eu pareço-te confusa?

Ah não digas isso. A sério. Amanhã aparece.
Não sei. Eu sou complicada. Entendes?

Ok…
Fica bem ou não. Ou como preferires ficar.

Ah… pois. Talvez. bem, toma um café pode fazer-te bem.
Café. Bem. ok. Vai lá à tua vida. Não há cu que aguente.

????

quarta-feira, abril 01, 2009

2 5

Mais um. De tantos, espero.

O que está lá atrás?
Uma viagem que me mudou a vida.
Uma profissão que me fascina e irrita.
Pessoas que ficaram.
Outras que partiram.

Onde estou eu?
Aqui.

Diferente?
Aqui.

E agora para onde vou?
Para onde quiser.

Acredito no que acabei de dizer?
Não.

Um brinde a mim.

segunda-feira, março 30, 2009



As noites já não são as mesmas. A escuridão franzida que está do outro lado da janela. De mão dada com Lisboa. Não é a mesma. Esqueceu-se de tomar banho. De escolher a roupa pelas madrugadas. De abrir os olhos e sorrir. A escuridão não sobreviveu à sua cor. Ao negro lustro. A canção dos amantes pela rua. Acredita quando te digo que as noites já não são as mesmas. Lembras-te das noites? Quando éramos nós as amantes?

Eu esqueci-as. Quando pus a roupa a estender à janela. Era de noite sem o ser.

domingo, março 29, 2009

Oh Jeff...




"And maybe I'm too young to keep good love from going wrong"

terça-feira, março 24, 2009

Inside your eyes,

my skin




Take a look at my body
Look at my hands
There's so much here that I don't understand
Your face say these promises
Whispered like prayers
I don't need them

Because I've been treated so wrong
I've been treated so long
As if I'm becoming untouchable

Well content loves the silence
It thrives in the dark
With fine winding tendrils
That strangle the heart
They say that promises sweeten the blow
But I don't need them, no
I don't need them

I've been treated so wrong
I've been treated so long
As if I'm becoming untouchable
I'm the slow dying flower
In the frost killing hour
Sweet turning sour and untouchable

Oh, I need the darkness
The sweetness
The sadness
The weakness
Oh, I need this
I need a lullaby
A kiss good night
Angel sweet love of my life
Oh, I need this

I'm the slow dying flower
In the frost killing hour
Sweet turning sour and untouchable

Do you remember the way that you touched me before
All the trembling sweetness
I loved and adored
Your face saying promises whispered like prayers
I don't need them

Oh, I need the darkness
The sweetness
The sadness
The weakness
Oh, I need this
I need a lullaby
A kiss good night
Angel sweet love of my life
Oh, I need this
Well is it dark enough
Can you see me
Do you want me
Can you reach me
Oh, I'm leaving
You better shut your mouth
And hold your breath
And kiss me now
And catch your death
Oh, I mean this
Oh, I mean this



quinta-feira, março 19, 2009

Existia uma certa loucura. Que estupidez! Havia efectivamente um elevado grau de loucura. Nos sentimentos. Na turbulência. Na manipulação. Na insistência dos sonhos. Nas decisões. Na forma de fazer amor. De foder. De Amar. De te amar.

A loucura ainda me rega o calor dos dias. Ainda se povoa mistificada por debaixo das minhas almofadas. Onde se deitam comigo todos os meus segredos. A par da loucura, tudo o resto. As fraquezas. As inseguranças. As qualidades levadas ao exagero. Os medos. Em constante batalha com a força que trago em mim. Um quase desejo de heroísmo. Daquele existente nas histórias inventadas que se enterram num final feliz. Foi isso que persegui durante todos estes meses. Uma vitória do heroísmo. Uma vitória do Amor. Do amor que vi nascer sem qualquer autorização. Do amor que descalçou os calos que a vida me presenteou. Do amor falecido nas nossas mãos. E culpo-te. Irei sempre culpar-te. E culpo-me a mim. Por ter voltado aos tempos de menina-ingénua-crédula-hipnotizada-sonhadora. Por ter voltado a acreditar. Num amor. Sem nome ou espaço digno de si. De ter acreditado em ti. E na força ou vontade que te são nulas. Que ficaram estarrecidas na terra fértil. Deixaste-as lá. E sim, nunca te irei perdoar. Guardo-te em rancor. Em fúria. Mas não em ódio. Guardo-te e nomeio-te o meu fantasma. É teu esse papel de me perseguires pela vida inteira. E guardo-te no amor que cravei na minha pele por inteiro. Não há forma de o desintegrar. Não há forma de o devolver à loja. Ou de pedir um reembolso por me ter sido vendido com defeito. Não, inteirei-me desse amor que me soube a vida. A felicidade. Inteirei-me porque o quis meu. Quando na verdade, foi sempre um amor condicionado por ti. Por ti.

Não te digo Adeus. Seria uma parvoíce. Quanto mais dizemos adeus, mais longe ficamos da liberdade.

Digo-te apenas que lamento o desígno final desta nossa caminhada.



terça-feira, março 17, 2009

sábado, março 14, 2009

2 anos e 5 meses

Sabes há quanto tempo me fazes falta?
Há quanto tempo disseste que te deixaste de identificar comigo?

Ambas sabemos que aconteceu há demasiado tempo. Tempo que não regressa. Tempo falido aos nossos passos perdidos. Tempo em que não sabes de mim. E eu não sei de ti. Tempo onde se encontram todas as memórias do antes. Daquele espaço temporal em que eu era a tua afilhada e tu eras a minha madrinha boa. Porque havia e continua a haver a má. Das noites de tarot e de rumo ao bairro alto, pelo meio o caldo verde e depois tu a entrares no primeiro barco da madrugada e eu a apanhar um táxi. Daqueles dias em que sabíamos que um café, jantar, cinema estava para breve. Das horas em que acreditávamos que seríamos sempre parte da vida uma da outra. Dos dias em que tu compreendias quem eu era. Que tu me ouvias. Me aparavas as quedas. Punhas fita-cola no meu coração. E dizias que o melhor ainda estava para ser vivido. Lembras-te? Dos segundos, minutos, horas, dias, meses, anos em que gostaste de mim. Em que te orgulhavas de me ter como tua afilhada.. Em que acreditavas que eu ia ser grande. Daquele tempo ainda tão presente em que eu ficava triste quando tu estavas triste. Porque queria que fosses feliz. Porque ninguém o merecia mais que tu.

Mas talvez não te recordes. Talvez me tenhas expulso das fotografias da tua memória. Talvez.

Não te preocupes. Eu guardo-as a todas. E lembro-me por ti.

quinta-feira, março 12, 2009

Não é fácil. Reencontrar a paz no meio de tantos escombros. Trazer-me intacta à luz dos dias. Não sentir o ressentimento do que perdi a escorrer pelo meu corpo. Não sentir o aperto. O aperto do sonho que morreu. Mas os dias agora são assim. Quase que um engano digno de ser vivido. Convenver-me que ficarei bem. Mesmo que eu já não me sinta a mesma. Sentir que cometi um crime, do qual sei que não sairei impune. Pergunto-me se este presente pode ser interpretado como liberdade. Se me sinto liberta de tudo o que me punha a crosta do coraçao em carne viva. Não. A liberdade não é isto. Porque ainda estou pateticamente presa a um tempo. E assim tardo na melancolia dos momentos em que fui feliz. Ainda que poucos. Existiram. Ainda que poucos. Deixaram uma marca. Instransponível. Como que uma barreira ao que pode ser novamente vivido.

Como é isto de ainda adormecer e acordar a pensar em ti?

I'm trying.

domingo, março 01, 2009

Até.




I peer through windows
Watch life go by
Dream of tomorrow
And wonder why
The past is holding me
Keeping life at bay
I wander lost in yesterday
Wanting to fly
But scared to try

But if someone like you
Found someone like me
Then suddenly
Nothing would ever be the same
My heart would take wing
And I'd feel so alive
If someone like you
Found me

So many secrets
I've longed to share
All I ever needed
Is someone there...
To help me see a world
I've never seen before
A love to open every door
To set me free
So I can soar

If someone like you
Found someone like me
Then suddenly
Nothing would ever be the same
There'd be a new way to live
A new life to love
If someone like you
Found me

Oh, if someone like you
Found someone like me
Then suddenly
Nothing would ever be the same
My heart would take wing
And I'd feel so alive
If someone like you
Loved me

. ..

terça-feira, fevereiro 24, 2009

No presente quase que embatemos na ausência de turbilhão. Sentimos a consciência tranquila é o que importa. Não pensamos nas consequências. Ou melhor, pensamos mas vemos ainda de forma distorcida. Se passamos a vida inteira de olhos vendados, não seria de um dia para o outro, que conseguiríamos ver. Da forma mais acertada.

Tomaste uma decisão, que afecta. Que perturba. Que magoa. Uma decisão que acarreta consequências. É disto que a vida é feita. Na sua mais directa simplicidade. Decisões. Ou a abstenção das mesmas.

Um dia, tudo o que possamos fazer será tarde demais.

E é cada vez mais óbvio, o fim.

Não te consigo dizer que te avisei. É tão mais do que isso. Só te posso dizer, que não fui eu que fechei a porta. A janela. O coração. A mente. O corpo.

Trataste disso tudo sozinha.



segunda-feira, fevereiro 09, 2009

- É por seres assim que me vou embora.
- Quando é que te vais embora?
- Queres que vá, é isso?
- Não.
- Ah pensava...
- Pensas sempre mal. Isto não seria excepção.
- Pronto. Já começas.
- Silêncio. Vamos nos calar. Não vamos estragar mais a vida.
- Silêncio.
- Silêncio.


Não é por eu ser assim que tu te vais embora. Apesar de tudo, tu gostas da minha forma de ser. Mesmo quando ando mais desarranjada. Mesmo quando o meu mau feitio atinge picos de insanidade. Mesmo quando te trato mal. Mesmo quando me esqueço que devemos cuidar da pessoa que está do nosso lado. Não. Não é por ser como sou que tu te vais embora.

Tu vais embora porque esse é o decurso natural das coisas. Toda a gente deixa toda a gente. No entanto, és tu que me vais deixar. Porquê? Eu explico. Porque eu cansei-me de ser a má da fita. Sim porque tu sabes, que a pessoa que deixa será sempre a má da fita. Então agora apetece-me que me deixes tu. Apetece-me chorar. Apetece-me sentir o espaço vazio. Tão vazio que cheira a morte. Sim, a morte tem um cheiro especifico. Quero ser a vítima deste amor tão mal parido que me esqueço que ainda te amo. Acima de tudo ainda te amo. Porque também o amor é um vício. É a intriga daqueles que quiserem descobrir mais. Quase que sentir a imortalidade dos sentimentos. Pois bem, essa imortalidade não existe. O amor eterno, por mais absurdo que possam pensar, não existe. E não, não sou louca. Simplesmente há coisas em que já não acredito. E isso tem acontecido habitualmente. Todos os dias deixo de acreditar em algo. Ontem deixei de acreditar nos bitoques da Portugália. Na sexta deixei de acreditar em fumar à janela. Achei que o frio seria agradável. Sentir o frio a infiltrar-se no meu coração. Na esperança que o mesmo ficasse congelado. E no dia de hoje, deixei de acreditar que um pastel de nata me pusesse mais bem disposta. Não, não aconteceu.

Voltando ao que nos interessa. Dizia-te eu que serás tu a deixar-me. Porque eu já deixei gente a mais. O mais engraçado é que chorava sempre muito depois. É terrível. Talvez seja a frustração de mais um falhanço. De mais uma coisa que não deu certo. Há tanta coisa que pode ajudar nisso. O acordar e não gostar da posição da outra pessoa na cama. A monotonia do sexo. Termos ao lado a figura do palhacinho que terá que ter sempre piada. As expressões. Meu deus. As expressões. Sempre muito importantes. Se não gostarmos delas, está tudo fodido. Os amigos, as companhias, os eternos apaixonados, as melgas que não descolam. A forma de andar da pessoa. A postura menos adequada. Como podem ver, muita coisa.

E agora eu poder-te-ia dizer, que existem em mim defeitos que te irão ajudar. Para que no momento certo consigas livremente deixar-me. Eu até te posso ajudar. Posso piorar a situação. Posso dizer que fui pedir ovos À vizinha, apanhei-a por trás e fodi-a. E que gostei. Mesmo que o cheiro a fritos me deixasse com uma náusea desgraçada. Ela ás sextas faz peixe frito. Um daqueles hábitos fantásticos.

Sim, eu também descobri que gosto de hábitos. E adoro o meu edredon porque na tua ausência ele mantém-me igualmente quente. Se bem que seja diferente. Não tem uma respiração extremamente sensual como a tua. Não se mexe. É demasiado mudo. E permite-me tudo. Mas também sei que mulheres assim. Mudas. E que permitem tudo. Não me agradam. É brandura a mais. Not my kind of thing. Sei que me entendes. Mal seria o teu se não entendesses.

Queria continuar a escrever mas já me perdi o suficiente.

Conclusão e moral da história: Voltei a escrever sem fazer muita força. E sabe muito bem.



quarta-feira, fevereiro 04, 2009

We're just two lost souls





How I wish.

segunda-feira, janeiro 12, 2009

Na casa onde mora a desconfiança não pode morar o amor.


- Francisco de Seabra Cardoso

quinta-feira, dezembro 18, 2008

Não o posso negar. Existem dias que nunca deveriam ter nascido. Ou talvez, dias em que eu nunca devia ter saído de casa. Simplesmente não dar de caras com o mundo. Um dia, dois dias sem ver pessoas. Nem na merda da televisão.

Ou outros, em que os telemóveis não tocassem. Um silêncio. Daquele tipo de silêncio que não é imposto. Simplesmente acontece. Entendes? Agora é aquele momento em que preciso que te concentres. E que leias. Ou oiças. Ou uma porra qualquer.

Não nego e confesso. Há dias em que me perco do meu rumo. Em que assassino os sonhos. Em que risco palavras. E se estiveres concentrada irás te aperceber que há muito tempo que eu risco palavras. As palavras escritas são ilusões com prazo de validade. Não sobrevivem em tempo algum. Passado. Presente. Futuro. E com o passar dos dias sairão do papel. Porque não resistem. Tu sabes. As palavras escritas não resistem. E um dia as que nos dizem ao ouvido também não terão qualquer significado. Porque um dia seremos todos surdos. E no final, apenas existirão os actos. Que se fodam as palavras.

Aviso-os: não leiam o que eu escrevo.São balelas. Balelas de quem não tem paciência para fazer mais nada e então escreve. Escreve porque é preciso sentir. E eu sou viciada em sentires desvairados de realidade. É como sou. Ou um pouco do que sou.

Talvez num outro dia eu confesse que tenho saudades.

Saudades de quando agia e pensava como uma cabra insensível e desumana. Uma caçadora que atacava as suas presas de forma infalível. No momento certo. Tudo no momento certo.

Saudades de quando achava que conseguia tudo e o ego quase que explodia.

Hoje não explode. É o suficiente.

Mas sim é tempo de sair da toca. Da morte. Da solidão e de me fazer à puta da vida.

Ámen.


domingo, dezembro 14, 2008

Carta em tempos idos

Nada sei das estações do ano, são meros contratempos temporais que me decoram os dias. Mas sei dos voos solitários de que falas. Sei quando os faço sem nunca sair desta cidade apaixonante mas terrivelmente decadente. As minhas viagens são unicamente minhas, sem localidades, sem novas paisagens para alcançar. Não as preciso. Não as reconheço como condições destas minhas viragens que apenas se instalam como bagagem no meu pensamento. Bagagem com excesso de peso. Sempre.

Na tentativa eficiente de me adivinhares os desejos, fechas-te sobre os teus, apenas clamando a sua existência e o feito que têm sobre ti. Sei deste vagar que nos impuseste, mas preciso de saber mais, preciso de te descobrir mesmo que me sinta a errar nos caminhos. Como se só por ti unicamente pudesse alcançar-te. Falta-me o génio da tua perspicácia e os 10 anos que nos distanciam. Falta-me a visão que dizes ter. Falta-me o calculismo que sinto que me abandonou.

E se eu te disser, que não os tento calar mas sim que ainda não os reconheci? Que são passos desalinhados que me sobrevoam o pensamento mas que nunca ficam tempo suficiente para eu os saber? Acreditarias?
(E por momentos tento ouvir “minha querida” a sair da tua voz embriagante e a sumir-se no meu ouvido das verdades.)

Mover-me. Mas não viver-me. E na confusão que as tuas palavras me provocam apetece-me dizer-te que nada sabes. Os meus sonhos não existem. Apenas os meus desejos sobrevivem mesmo os que rejeito. Dúvida...não é essa a circunstância que nos separa, ou melhor, aproxima? Se já soubéssemos tudo e estivéssemos inscritas em certezas, ainda cá estaríamos? Ainda estas palavras nos saberiam bem? O futuro é isto. E mesmo assim não me basta.


De que te vale seres vampira de almas nessa busca de alimento que só te vai provar que não chegarás ao fim último que desejas? Ou será essa tua busca o desafio daquilo que reservas para ti? A nossa espécie. Não seremos nós parte de uma seita que se intitula “seita daqueles que já não acreditam”? De uma seita que acredita mormente que dar de si é desperdício de tempo? Desafogo da própria alma? Acreditar em algo que vai resultar em perda de nós. Porque nada mais do que o fim e do que o nosso sofrimento conseguimos ver no final. Para além de tudo, de todas as outras pessoas, existimos nós que acreditámos, que não queríamos acreditar mas tentamos. E acreditámos. E demo-nos. E partilhámo-nos. E iniciámos um ritual diário de felicidade nem que seja inventada ou prejuízo nosso feito em prol daqueles que nos rodeiam.

E confessas-te mais do que o desejas? Ou não percebes os momentos em que na tentativa de te controlares, te descontrolas e mostras-me mais de ti?

Não sei encarnar o papel de vítima, revogo todas as minhas fragilidades mas sei que de vítima nada tenho. Riscos. Apenas estou a corrê-los porque assim sinto, sobrevivo, regenero. E sabes que não te minto.

Repela-me o que sinto a ferver em mim, o que sinto a mover a minha mente, o que sinto quando nos enquadro neste tempo nosso, neste espaço que me marca os dias. E quero, e não fugirei porque preciso de saber o que está para além disto, que sei que é mais. Estou enganada? Não me mintas tu.


É a curva que temo que me irá fazer mudar o caminho. No máximo isso. Não acredito que me faça despistar. Porque não acredito que seja possível cair mais fundo do que já um dia caí. Uma só vez. Tudo o resto serão erros. Armadilhas. Fraquezas que me levam a agir a contrario do que sei que devo agir. Erros, nada mais do que isso. E voltarei a cometê-los porque embora os reconheça, na prática não os consigo renegar. E sinto que demorarão a sair do meu caminho.
Sim, acredito que existirão dias em que me conseguirei levantar de uma forma nunca antes sentida ou presenciada por mim. Não ainda. Não contigo.

(Desconcentras-me)


Por vezes não te acontece que uma necessidade de dares invade-te o corpo? Como se um abraço te puxasse e com isso te convencesse que as coisas seriam diferentes. Que tudo o que te dessem tu irias conseguir dar. Já me aconteceu acreditar mas depressa essa sensação se desvanece e eu volto a ser o que sou, mesmo com os medos presos ao meu casaco favorito mesmo sabendo que pessoas saírão magoadas e por ventura eu também. Não sei ver mais além...mas por vezes gostava de ter uma capacidade maior de entrega, de confiança, de cedência, de ternura. A tua ambiguidade também é a minha.

Falas de uma complementaridade. Numa renovação constante da nossa própria natureza. Se deixares de falar nessa tão apetecível natureza que em nós existe, que somos nós? O que resta? Ainda te apeteceria se não fosse esta identificação?

Não sei o que tu me reservas. Nada sei disto. Porque do princípio ao fim tu confundes-me. Tu testas-me. Tu provocas-me. Tu observas. Tu aproximas-te perto demais do meu abismo. O teu egoísmo tem um espelho próprio, rotas quase que infalíveis. E mesmo os detalhes que te falham tu não os sabes admitir. Sei que demoram outras rotas até esse passo.
Não te sei desistir ainda. Abdicar do que (ainda) me corre pelas veias. Ainda não é tempo.

Não me considero visita nessa tua divisão desarrumada onde me recebeste e continuas a receber. A intensidade ainda nem iniciou o seu trajecto. Nada iniciou o seu trajecto. Nem mesmo nós. Continuamos a vasculhar lentamente tudo o que agora nos rodeia, nos chama, nos atrai. A intensidade chegará ao seu auge quando a loucura se reformar. O prazo ainda nem começou...



Algures em 2006