domingo, janeiro 30, 2005

Em papel branco sujo
Invento-te
Como noite que me assombra
A nudez detalhada aos centimetros

Pensei te querer
Quando por diversas vezes
As mãos fugiram-me
Para a nudez em detalhe
Dos teus ombros

E quis com a língua
Chegar até eles
Na ilusão de serem
Como um rio
Até ao rego dos teus seios
E pensar neles mergulhar
A minha boca

Colar-me em ti
Pensando nunca mais sair
Desse corpo
Que me prende os olhos
Quando se esvai em sons
De me possuires

Faço da noite
Esse teu fogo
Que só faz sentido
Quando se liga ao meu
E não há forma de os apagar

Fiz de ti mais do que a noite
E vejo-te como o meu desejo
De tão solto que é
E mais não te posso dar
Nas manhãs submersas

Porque quando me fecho em mim
E deixo os olhos tombarem
Mais não penso em te ver.

10 comentários:

disse...

Olá! Sou brasileira e achei teu blog por um acaso. Adorei teus poemas. Entra no meu www.jomaluka.weblogger.com.br

soldeinverno disse...

adorei o teu blog... adoro a forma como escreves. Obrigado pela visita ao meu canto...Volto sempre!Jinhuz

nobody disse...

(...)"Fiz de ti mais do que a noite
E vejo-te como o meu desejo"(...)
Excelente!

Vera Cymbron disse...

«Faço da noite
Esse teu fogo
Que só faz sentido
Quando se liga ao meu(...)»
Mas e se o fogo não se liga ao teu?
As tuas palavras são belissimas.
Jinhos

Cacau disse...

Obrigada pelo vosso apoio :)
Beijinho

sotavento disse...

Gosto-te sempre, embora preferisse ver-te menos triste!... :)

Anónimo disse...

Poema Lindo... Gostei do teu blog e vou voltar certamente! Parabéns.

dá uma olhadela no meu novo mundo: http://cem-ideias.blogspot.com

Lau disse...

teus poemas deixam-me sem palavras, são belíssimos!

Å®t_Øf_£övë disse...

Muito bonito e sensual.
Bjs.

rfarinha disse...

A verdade é que já não precisas dos olhos para ver... se os fechares a ideia da outra pessoa está lá... nem que seja para a inventares em "papel branco sujo" ;) Bjs