sexta-feira, janeiro 27, 2006

O tempo não urge...

Aeroporto. Partidas. 6h da manhã. Longe, imensamente distante. Os nossos corpos acordaram e não se souberam despedir. Terror. Terror de te deixar partir. Temor de acordar amanhã sem ti. Chegar a casa sem ti. Deitar-me, mover-me pela cama, e não te encontrar. Não te encontrar. Não suporto a ideia. Foges-me pelo corpo e as minhas mãos deixam. Deixam-te partires. Calo a minha voz, calo o meu coração que se abre com o passar das horas. Que se abre com a tua ausência. Ausência de nós perdida no tempo. O tempo que não urge, o tempo que parece que se congelou no nosso último olhar. Último olhar. Último beijo. O adeus que me rasga a garganta e não encontra as palavras certas para te dizer. Adeus amor. Não consigo, não consigo – és demasiado para haver esse intruso, esse romper de nós. Esse adeus que me atropela os sentidos. Amo-te. E é isso que haverá entre nós. É isso o que existe depois de entrares naquele avião. É isso que existe quando entrar dentro do carro e não te poder estender a mão. Estender os sorrisos até ao teu coração. Amor. Daquele que chega um dia e não se repete. E não quero que se repita. Amor = Margarida. Só assim faz sentido. O tempo não urge. No abraço que trocamos, damos tudo de nós. Trago o teu cheiro nas minhas roupas. Trago-te em mim. Não me consigo devolver a esta cidade fria, não me consigo atirar aos dias sem ti. Tens-me tua. Não sei ser de outra forma. Vais-te embora. Já não te vejo. Já não te consigo beijar as lágrimas que te sugam a face. Já não posso correr até ti. Não, não é um sonho. Perdemo-nos dentro de um amor. Nosso. Não quero voltar a me encontrar. Faltas-me tu. Tu.

Volto a casa. Volto aos meus dias contigo. Procuro-te pelas paredes pintadas. Procuro-te pelas fotografias. Vejo-te em cada cor. Vejo-te em mim. Vejo-me em ti.
Fecho-me e tudo se quebra.

Soltam-se lágrimas como palavras.
Soltam-se as cartas que te quero escrever.
Soltam-se as saudades que me agridem o coração.
Soltam-se as amarras que me prendem a ti. E não quero.

O tempo não urge
E tu demoras-te.

O tempo esqueceu-se do nosso amor...

(Este texto é dedicado a duas grandes amigas minhas e inspirado na sua bonita história de amor. Ana e Margarida obrigada pela vossa amizade e por me inspirarem!)

4 comentários:

GNM disse...

Li-te e senti-te...

Passa um bom fds...

Sorri!

Menina_marota disse...

Um lindo e profundo texto. Gostei desta intensidade com que escreves.

Um abraço e tem uma óptima semana :)

Vera Cymbron disse...

Muito bom. Parabéns a elas.

Anónimo disse...

muito bonitas as palavras...de alguém que as sentiu e as escreveu...futuras palavras maduras se avizinham... o amor da tua "mãe" da madeira