terça-feira, setembro 19, 2006

Nasceste submersa nas verdades que tento esconder. Nas mentiras que invento para as conseguir acreditar. E no fundo eu já não sei quem sou. Sei que sou má pessoa. Sei que nada em mim me impede de magoar os outros. Sei que quero, quero muito mas a meio caminho já me fartei do que me espera, do que sei que vou ter. Não consigo deixar de querer, e isso tens de saber que é verdade, é esta a minha natureza. E tudo o que quero vou conseguir. Porque para além de o querer, sou forte o suficiente para o concretizar. Com muitos entraves, com muitas dúvidas. Nem sempre à minha maneira mas consigo. E isso é que me faz dormir descansada (ou não). Já to disse uma vez, visto todos os dias a pele de um camaleão e sou todas as pessoas que queres que seja. E poderei fugir dos outros à vontade. Ninguém me irá conseguir apanhar. Conhecer. Arrancar de mim o meu coração. O amor que duvido que exista em mim.

Preenches-me a carne dos desejos sem nunca me alimentares. Não me queres alimentar. Não me queres deixar provar o prazer da insaciedade. E eu gosto desta guerra. Deste destino que nos sai das mãos, que deixou de pertencer às nossas vontades racionais. Gosto como se abortasse um orgasmo. Ou dois. Ou todos os que fazes crescer por dentro. No interior do meu ventre.

Um dia. Apenas um só dia, eu permitirei que me tomes. Que te escrevas na minha pele. Que me alimentes sem me viciares. Que me sorrias sem te dares. Que me beijes sem me atormentares. Que comas o meu coração inteiro. Um só dia. Só assim conseguirei acordar no outro dia e sentir que posso estar sem ti. Sem amarras. Sem as memórias a invadirem-me o corpo com o teu cheiro. Com as tuas mãos a concretizarem-me.

Um dia, nada mais do que isso.

7 comentários:

sotavento disse...

:)))

nameless as a desire disse...

Um dia, um único dia, por vezes, dura o tempo de um cigarro. No entanto, outras, tem uma longevidade eterna... É quando se nos cravam na carne, invisivelmente, a ferro e fogo. São dias que nos transformam, momentaneamente, em cabeças de gado...

Cris disse...

Um dia cansamo-nos de fugir e de magoar... e viramos cachorrinhos sedentos de colo... believe me :)
Um beijo

Natalie Afonseca disse...

Um dia...só um dia!!
É o que por vezes apetece ao nosso egoísmo!!
E é assim mesmo!!
É o querer, o querer tanto e o não querer!!!

Beijinhos
:)

DE PROPOSITO disse...

Andei por aqui.
Que tudo vá bem.
Manuel

Anónimo disse...

Um dia não chega,
mil ainda é pouco.
Acho eu, não sei!

Se bem percebi, falas da experiência/ sentimento de só quereres o que não tens e de teres o que não queres.
Confuso?
Desejas não querer, foges ao que tens?

Abre-te ao Mundo. Digo eu, não sei!

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