segunda-feira, abril 18, 2005

Ressoam os passos da noite escondida que dança sobre ti como sombra acelerada.
E chegas com o silêncio nos olhos, amargura no peito, queres que te agarre como se o dia fosse todo luz, que te abrace e resguarde de tudo o que se passa comigo, da doença de viver, da doença da morte que não existe.

Queres compreender, não te deixo: porque o meu mais escuro lado lunar, nem eu o percebo, mas preciso-o talvez como às vezes não preciso de mim, de ti, dos outros, do mundo.
Dás-me a mão, dás-me um tempo, tentas que apenas exista eu e tu, querias que assim fosse sempre que estamos juntas...não acontece, talvez apenas por minutos eu sou só tua, outros desapareço, porque as asas nasceram-me cedo demais e o céu não é o limite de nada.

“Tenho medo de te perder” – não tenhas, porque se este for o caminho a percorrer, eu voltarei, quer passem horas, dias, infernos. Não tenhas medo do que o tempo pode trazer, meu amor, porque ele sabe coisas que nós não sabemos e as escolhas fogem de quem pensa saber demais – tudo o que é certo torna-se incerto, tudo o que é ódio um dia será amor mesmo que nunca o consigamos perceber.

Aceita-me quando te sorrio, quando te agarro, quando te beijo, quando te olho como se tu fosses o que preciso neste exacto momento, nestes instantes terás a certeza do que sou, do que és para mim, e isso terá que ser tudo o que precisas de saber mesmo que saiba a mentira, incerteza, inconstância – serei sempre eu...

Um dia tudo o que te digo fará sentido.

11 comentários:

Tiago disse...

está tão lindo, madrinha! :)

Anónimo disse...

Cacau:
depois de tanta poesia que se nos entranha no corpo e na alma, este texto em prosa foi (mais) uma surpresa agradável. Gostei bastante: reúne os ingredientes necessários para nos fazer vir até si, ficar, voltar e desejar mais. Continua!

Beijinho,

Sandra
(http://www.void.weblog.com.pt)

folhasdemim disse...

Gostei do teu blog :) Beijos, Betty

Vera Cymbron disse...

Adorei...gostei da forma diferente de expores as tuas palavras...
Jinhos

AlmaAzul disse...

... magnífico... (pensamento: "eu deveria ter lido isto à uns messes atrás...")
*

Carlitos disse...

Como já te tinha dito á uns dias, penso que este está de facto excelente..as palavras, os sentidos...não podia deixar de passar ao lado sem dizer nada..;)
Um beijo grande gaija boa, e que as palavras sejam uma constante..até que um dia aconteça aquilo que falámos ( eu seria o primeiro)o.k? beijo

whitesatin disse...

Minha querida jovem, notei algo nas tuas palavras que me deixou muito contente. Terá sido um crescimento emocional muito grande? Há imenso tempo que não te vejo, que não converso contigo, mas estas tuas palavras deixaram-me feliz. Um beijo enorme, cheio de saudade :)

whitesatin disse...

Outra coisa, estás linkada lá no meu cantinho ;)

Litostive disse...

Ai cláudia... tanta conversa que precisa de ser posta em dia...

Um beijo enorme amiga,
Miriam

andreia disse...

este texto falou-me um pouco de mim. obrigada.

http://www.icicom.up.pt/blog/muitaletra/

Gaivota disse...

Odiei... Alguem me disse algo tao parecido. É tao cruel. As incertezas sao as armas mais crueis, a maneira mais insensivel de matar um amor...

Amei... Por saber que assim somos todos... Esse mar incerto que so sabe que esta na praia quando bate com força na areia, mas que a areia nunca lhe pergunte pra onde ele vai, com certeza, se assim tiver de ser, ele voltara. Não sabe quando nem por que...