sexta-feira, novembro 04, 2005

"After all we've been through
I know we're cool..."

Gwen Stefani


Lembro-me de ti às vezes na altura em que os dias só faziam sentido quando andavamos pelas ruas, me puxavas a mão e a agarravas com a força de um vulcão. Dizias: não consigo andar lado a lado contigo sem te dar a mão, sinto que se não o fizer perco-te” – nunca percebi quando o dizias, mas dava-te a mão só pelo sorriso que te reaparecia nas mãos.

Lembro-me de ti às vezes, nas nossas tão precipitadas escapelas aos W.C públicos, nos esconderismos que tínhamos quando fumavamos erva, nos beijos violentos, possessivos só nossos –“Somos o mesmo bater do coração”; Esse teu ar de rebelde, de quem controlava tudo, de quem me tinha na mão, essa tua loucura que te fazia chorar convulsivamente quando me esquecias e fodias com outras e depois regressavas sempre, pedias desculpa, pregavas o amor que sentias por mim – e eu que engolia o orgulho e soltava uma vez mais o que sentia por ti...

Lembro-me de ti, quando dei o murro na mesa e disse basta, as lágrimas que soltaste, as palavras que gastaste e o alívio quando tudo isso deixou de ter efeito em mim; criei dentro de mim um ódio silencioso pelo tempo perdido, pela dor aberta sem fim , por tudo o que um dia pensei ser verdade ser meu e no fim ver escrito no meu coração o erro que foi.

Lembro-me de ti quando passado pouco tempo eu tornei-me em ti, fodia por diversão, chorava por fingimento, falava na tentativa de um dia ter a tua lábia, mentia porque me apetecia, era a puta, a infiel, a mais que tudo de alguém. Eu é que controlava, eu é que as tinhas na mão, tudo eu. Interpretei o papel muito bem, tiveste em mim uma boa aluna, até que vi que na verdade, em vez de ficar contente com os “troféus” conseguidos, tive pena de mim, tornei-me no ódio que tinha por ti, a vingança serve-se fria é verdade, tu sentiste-a na pele mas eu senti-a por todo o lado, todos os dias. Transferi para ti a dor que me causaste e soube muito bem mas tinha de acabar. E acabou, perdoei-te, esqueci-te e mais que tudo, perdoei-me a mim própria de tudo.

Lembro-me de ti tantas vezes, do que nos aconteceu, dos anos que passaram, das conversas que de vez em quando temos, já não tocamos no assunto passado, mas sabemos que nunca o iremos esquecer e ainda bem, foi uma boa lição de vida, mas agora a vida recomeçou e sabemos que por mais que os caminhos nos afastem uma da outra, veremos sempre uma parte de nós nas caras que andam de mão dada connosco.

7 comentários:

da. disse...

..para sempre.

fairy_morgaine disse...

o amor quando existe é para sempre.

Anónimo disse...

Pena que a letra não consiga ser aplicada à realidade...

S.S.

Maria disse...

Depois de ter sido tão bem cocmentado este blog pela scorpio, não podia deixar que vir espreitar.
Gosto, irei voltar ;)

Poesia Portuguesa disse...

Bonito texto!
Um abraço ;)

Vera Cymbron disse...

Brutal...das melhores coisas que já te li.
Jinhos

Anónimo disse...

sem palavras...