terça-feira, setembro 12, 2006

Encontrámo-nos em mais um dos meus desencontros. Retorno às tuas mãos quando a vida me pára. Quando a vida deixa de fazer sentido. Deixas-me entrar, sempre o deixaste, nesse pormenor de amor perfeito que não existe mas que não deixas de o fazer crer.
Acolhes-me quando o silêncio se impõe como destino último e lês-me palavras antigas que descobriste, por um acaso, na tua livraria favorita. Fazes listas do que ainda não fizemos juntas e no meu peito desfolhas beijos com sabores tardios de madrugadas neste verão já quase findo. Depois sorris quando me enfureço e me desenho bruscamente contra as paredes, sorris da minha insatisfação entorpecida. E quando me deixo cair no chão com o rosto de menina a brotar nos meus olhos, lanças gargalhadas que me sossegam a histeria.
Quando a noite está quase a desaparecer estendes uma manta cinzento velho pelo chão da tua sala e estendes-me a mão, abraças-me e dizes-me que daqui a horas eu estarei bem, de volta com as palavras presas à alma e no meu mais alto auge. E eu deixo-me ficar nos braços da tua serenidade, bebendo os sorrisos que me dás a conhecer.

A manhã chega e eu estarei bem. Deixarei a tua casa sem uma única palavra, sem um único sinal de agradecimento e sem demonstrar a ternura que sinto por ti. Tu não estranharás mas não me sorrirás e sei que o meu renascimento será resultado da mágoa que te irá acompanhar o resto do dia.

Embora me custe, não sei abandonar esta minha estranha forma de ser.

3 comentários:

Gerentes disse...

Hum... temos estado a ler alguns dos posts e estamos de água na boca (sobretudo com o da massagem sem ética...).
beijos

Natalie Afonseca disse...

Nós somos como somos!! :))
Mesmo tendo uma forma estranha de ser!!

Olha a atrevida!! Que photo!! Hehehe!!!

Bjs

o alquimista disse...

Esta forma extranha de ser, és tu...e tu ésuma coisa muito bonita...

Mágico beijo