sexta-feira, fevereiro 29, 2008

Em que estação estamos nós? Não consigo ver mais do que um espaço. Aquele que te falei, um espaço com paredes. Poderia ser a coisa mais simples do mundo. Não o é. Sei que tem muitas almofadas pelo chão e teria de ter as minhas cores favoritas. Preto. Vermelho. Cinza. E não, acredita que não me esqueço de ti. Não me esqueço do teu chá e não me esqueço dos teus chocolates. E sei que sabes que não me esqueço de nós. Teremos sempre as músicas que serão os passos das nossas mãos. E os filmes para assim nos sentirmos dentro de algo que não seja e não se baste a esta existência pedante. Poderia sempre esquecer-me do que se encontra para além disto. Seria um erro. Penso que já te disse que assassinar o mundo não nos traria qualquer tipo de salvação. Pelo contrário. Seriam mais visíveis as entranhas do que ainda não conseguimos curar dentro de nós. E existe sempre esta necessidade de conseguirmos ultrapassar os erros. Mesmo os que de alguma forma nos trouxeram um pouco de paz interior.

Hoje seriam as palavras que chegariam mais perto de ti. Seriam as palavras que te diriam assim: É por vezes, ao final da tarde, que me encosto mais a ti. Que o meu corpo mais adormecido do que antes precisava do tactear dos teus dedos em busca de um conhecimento mais próprio. O conhecimento tão peculiar que se apreende quando no toque se sente o começo de algo. Hoje seria o meu corpo a precisar de ser descoberto. E digo-te que visualizei os dedos, não outros que não os teus, abrindo caminho pelos meus seios. E pergunto-te de novo: em que estação estamos nós? Poderão ser os teus dedos, na conjuntura das tuas mãos a alcançarem a resposta. O conhecimento hoje poderia começar por aí. Pelo arrebatamento de um corpo nas mãos de outro corpo.

Mas sei que se nos fosse possível a aproximação não te saberia dizer mais do que isto:

Trabalha-me o coração.


(Heart engine. Start me up.)



3 comentários:

alien aboard disse...

we´re always in need of someone else to find more about ourselves

fairy_morgaine disse...

fico presa na tua pergunta "em que estação estamos nós?".
sinto-me tentada a responder que estamos no fim de uma estação que será necessariamente entrada noutra. o começo do fim... e do novo início.

Narcisa disse...

Alien: I'm always in need :P

Morgaine baby: Outono que seja. :)