quarta-feira, julho 02, 2008

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Não arranjes desculpas. Não inventes palavras para fugires do meu coração. Não cubras o teu corpo com as minhas mãos para que a razão te impeça de sentir. Não coloques a almofada sobre a tua boca. Não, antes dá-me a tua mão. Antes dá-me a tua boca, segreda-me o que não consegues dizer em voz alta. Vem, no desfiar dos sonhos que criámos juntas. Vem, e recebe-me no lugar onde te feri. Onde pressionei a ferida até sangrar. Não baixes a cabeça. Tira os óculos de sol da cara. E agora olha-me. Não te deixes confundir pelo negro dos meus olhos. E não te deixes perfurar pelo que o fogo do meu sexo sequiosamente procura. Preciso que observes. Preciso que vejas para além da minha pele. Lê. Sílaba por Sílaba. Sente. Não toques. O que é que está escrito? .. … … E agora repete ao meu ouvido.

Depois sim avança. Abraça a minha noite ao teu dia. Entrelaça a minha convulsão de palavras ao teu silêncio. Marca-me o pescoço. Prende-me o cabelo com força. Não abrandes. Não me faças abrandar. Desço pelo teu peito como se caminhasse na areia com destino ao mar. Deixa-me descer. Eu continuo a estar em ti. A minha mão esquerda na tua. A minha boca a irromper as ondas. A minha língua dentro de ti. Agarra a minha mão com força. Pressente o desejo que se incendeia nos meus lábios. E o sal agora nos meus dedos que alcançariam este oceano estendido entre nós. Todos os dias invento novas palavras para nós. E renova-se. Isto. Este ciclo. Este tapete de arraiolos feito por nós recupera-nos. Em cada perda. Mesmo no calor esquecido deste vazio.


Mentiria se dissesse que agora não te vejo mais ao longe.
Mentiria se dissesse que já não te quero.
Mentiria se dissesse que não existe em mim a fé de um dia nos encontrarmos a sós.
Mentiria se dissesse que as nossas raízes não aguentam a falta de água.


Mentiria se dissesse que ia embora.

8 comentários:

Anónimo disse...

".Sem MÁSCARAS..............."
Esta é a hora de saudade imensa.As luzes,e as cores de todos os presentes, este estado de Amar,existe um pedacinho meu que chora de saudades...uma vez que tu não vens,encontramo-nos em uma estrela muito brinlhante.Eu vou estar lá novamente,no mesmo dia,na mesma hora.Sei que tu não vais aparecer,mas eu vou.Quero sentir-te presente mesmo na ausência,quero te ouvir,mesmo no silêncio,quero por alguns minutos sonhar que te estou beijando e dizendo:"AMO-TE"
......vou vestida de verde,nos braços da esperança de um dia poder chegar perto de ti.Vai ser um
encontro sem posse,sem promessa,sem cobrança ou proposta de amanhã...pensei em despedir-me de ti,mas decidi que não;vou guardar-te no meu coração.
Dizem que o verde é a cor da esperança,e eu acredito.E sabes qual é a minha esperança?É que o sol a lua (e suas fases) nos vejam passar sempre juntas;
Eu sei que o futuro nos encontrará de maõs dadas,olhando juntas para o sol no horizonte e em comunhão de sentires.Talvez seja este ponto que mais me acaricia o coração,quando penso em nós vejo como nossos espíritos estão juntos,unidos,comungados,a despeito de tanto que eu complico o que não é complicado e nem precisa de ser.
Saudades...

nÃO VOU INVENTAR mais um nome...penso que nem seja preciso me identificar....não faria qualquer sentido voltar aqui ao mundo virtual...o amor verdadeiro não precisa de simulacres.

*

Narcisa disse...

Anónimo,

Deve ser engano. Eu não faço a mínima ideia de quem sejas.

Chojja disse...

Tive a ler alguns textos no teu blog e gostei bastante do que li. Parabéns pelo blog e pelos teus textos.

:*

Mar da Lua disse...

Passem lá no meu cantinho! Tenho um convite para vos fazer!

Frambú disse...

quem vai embora sempre volta.
queres vir a paris comigo em stembro?
:D

Anónimo disse...

A vulnerabilidade continua presente...

Outro beijo, igualmente "vulneravel"

relatosdeumruivo disse...

É tão bom voltar aqui, depois de tanto tempo... :)

Maria dos Açores® disse...

Simplesmente adoro o teu blog... Beijocas fofas