segunda-feira, fevereiro 09, 2009

- É por seres assim que me vou embora.
- Quando é que te vais embora?
- Queres que vá, é isso?
- Não.
- Ah pensava...
- Pensas sempre mal. Isto não seria excepção.
- Pronto. Já começas.
- Silêncio. Vamos nos calar. Não vamos estragar mais a vida.
- Silêncio.
- Silêncio.


Não é por eu ser assim que tu te vais embora. Apesar de tudo, tu gostas da minha forma de ser. Mesmo quando ando mais desarranjada. Mesmo quando o meu mau feitio atinge picos de insanidade. Mesmo quando te trato mal. Mesmo quando me esqueço que devemos cuidar da pessoa que está do nosso lado. Não. Não é por ser como sou que tu te vais embora.

Tu vais embora porque esse é o decurso natural das coisas. Toda a gente deixa toda a gente. No entanto, és tu que me vais deixar. Porquê? Eu explico. Porque eu cansei-me de ser a má da fita. Sim porque tu sabes, que a pessoa que deixa será sempre a má da fita. Então agora apetece-me que me deixes tu. Apetece-me chorar. Apetece-me sentir o espaço vazio. Tão vazio que cheira a morte. Sim, a morte tem um cheiro especifico. Quero ser a vítima deste amor tão mal parido que me esqueço que ainda te amo. Acima de tudo ainda te amo. Porque também o amor é um vício. É a intriga daqueles que quiserem descobrir mais. Quase que sentir a imortalidade dos sentimentos. Pois bem, essa imortalidade não existe. O amor eterno, por mais absurdo que possam pensar, não existe. E não, não sou louca. Simplesmente há coisas em que já não acredito. E isso tem acontecido habitualmente. Todos os dias deixo de acreditar em algo. Ontem deixei de acreditar nos bitoques da Portugália. Na sexta deixei de acreditar em fumar à janela. Achei que o frio seria agradável. Sentir o frio a infiltrar-se no meu coração. Na esperança que o mesmo ficasse congelado. E no dia de hoje, deixei de acreditar que um pastel de nata me pusesse mais bem disposta. Não, não aconteceu.

Voltando ao que nos interessa. Dizia-te eu que serás tu a deixar-me. Porque eu já deixei gente a mais. O mais engraçado é que chorava sempre muito depois. É terrível. Talvez seja a frustração de mais um falhanço. De mais uma coisa que não deu certo. Há tanta coisa que pode ajudar nisso. O acordar e não gostar da posição da outra pessoa na cama. A monotonia do sexo. Termos ao lado a figura do palhacinho que terá que ter sempre piada. As expressões. Meu deus. As expressões. Sempre muito importantes. Se não gostarmos delas, está tudo fodido. Os amigos, as companhias, os eternos apaixonados, as melgas que não descolam. A forma de andar da pessoa. A postura menos adequada. Como podem ver, muita coisa.

E agora eu poder-te-ia dizer, que existem em mim defeitos que te irão ajudar. Para que no momento certo consigas livremente deixar-me. Eu até te posso ajudar. Posso piorar a situação. Posso dizer que fui pedir ovos À vizinha, apanhei-a por trás e fodi-a. E que gostei. Mesmo que o cheiro a fritos me deixasse com uma náusea desgraçada. Ela ás sextas faz peixe frito. Um daqueles hábitos fantásticos.

Sim, eu também descobri que gosto de hábitos. E adoro o meu edredon porque na tua ausência ele mantém-me igualmente quente. Se bem que seja diferente. Não tem uma respiração extremamente sensual como a tua. Não se mexe. É demasiado mudo. E permite-me tudo. Mas também sei que mulheres assim. Mudas. E que permitem tudo. Não me agradam. É brandura a mais. Not my kind of thing. Sei que me entendes. Mal seria o teu se não entendesses.

Queria continuar a escrever mas já me perdi o suficiente.

Conclusão e moral da história: Voltei a escrever sem fazer muita força. E sabe muito bem.



2 comentários:

Eli disse...

Vomitar umas tantas letras e parir umas tantas palavras?!

lol

Enfim... sabes, o fazio é muito acolhedor, porque te entendes perfeitamente.

No entanto, a vida tem outro sabor com alguém a torná-la desconfortável e apetecível. Há sal que só quem sabe nos faz petecer!...

:)

bluebutterfly disse...

Gostei da maneira que escreve ...

Mas senti muito rancor nas palavras que li , não vale a pena !!

A vida é curta, muito curta !!

Mas toca a escrever para deitar cá para fora tudo e sentir-se melhor...

Blue Butterfly