quarta-feira, maio 13, 2009

Falo de pessoas. Perguntam-me que pessoas. Um nome. Como se fosse o nome que define o que quer que seja. Nos melhores dias eu não tenho nome. Talvez porque o nome. O que consta no B.I. sempre me arranhou os ouvidos da pele. O Som na discordância dos lábios. Hoje é um bom dia e eu não tenho nome. Sou eu. No silêncio em que me permito ser anónima.

Esperem. Um dia disseram-me. Se não tens nome, não podes ser alguém. Como te irão recordar na morte. Na morte. No medo do medo da morte que vem. Não ser recordada quando for resumida a alimento dos animais e aos seus excrementos. Penso. Que a minha morte não me afecta. Não me dói a ideia. A perspectiva. Aborrece-me as burocracias daqueles que tratarão da minha morte. Então deixem-me não ter nome e assim não ser alguém.

Depois as pessoas. Dizem-me: quantas. Quantas se perderam no labirinto de ti. Quantas. Voltaram para trás. Quantas se perderam. Quantas chegaram a ti. A mim. Quantas. Não sei responder. O quantas lembra-me o falhanço. Não foram vários. Não. Só podemos contar como um. Um grande falhanço. Dói-te? Dói-me? Sim, dói-te o falhanço? Não. Não é uma dor. Só consigo sentir a dor física. Ou talvez, seja outra ilusão. Mas não. Não dói. Mói. Corrói. E dá comichão. É como sinto. O tal do falhanço.

Novamente as pessoas.

Só me recordo daquelas que planearam plantar sementes na minha vida. No meu útero. Na minha boca. Nos meus seios.

E eu. Eu sempre quis ser terra infértil.

Porquê?

Quanto menos me recordam. Mais livre sou.



4 comentários:

clic disse...

Nomes... Números... Memórias e a falta delas...
Liberdade de não existir? Talvez...

ninguém disse...

*

ninguém disse...

*

Anonyma disse...

"...eu não tenho nome. Sou eu. No silêncio em que me permito ser anónima."
Acho que hoje percebeu quem sou...
sim.
;)