sexta-feira, maio 20, 2005

Cerra-se a noite no céu que nos observa. Olhas para mim, e nos teus olhos outrora verdes, está o negro do fim, do fim de tudo, de um amor que teve pouco tempo para durar. Sei que qualquer coisa que faça, te fará mudar de ideias, bastaria um toque no teu cabelo, uma palavra para te voltar a fazer sorrir, para voltares a acreditar que o destino nos uniu para ficarmos mesmo que o tempo fosse curto demais. Mas o que tu precisas eu não posso fazer, seria anular o que sou, como faço as coisas e como quero que elas sejam.

As palavras não te souberam explicar o que sou, como sou para ti, para os outros, sou uma ave negra de precisa de espaço, que se se sentir presa foge, cobardia dizem alguns, eu prefiro a palavra liberdade. O que sou hoje, distante, fria, eu e mais eu, não o era antes e por não ser o que sou hoje sofri e padeci, acabou e não vai voltar a acontecer, sim eu sei miúda, que tu não tens culpa do meu passado, mas o meu passado tornou-me nisto que tens à tua frente, neste ser que te ama mas que tem uma forma de amar estranha a muita gente. Talvez nunca me entendas, nem eu o consigo, já te escrevi que são poucos os momentos em que me terás por completo, se conseguires aceitar esta condição tudo se poderá acertar.

Somos tão diferentes na forma de amar, tu que tens o amor à flor da pele, queres amar a toda a hora, que precisas de mim sempre, da minha presença, da minha voz, toda eu, que te questionas de todas as minhas atitudes pensando sempre que a culpa é tua, que a resposta está em ti... e essa persistência de quem quer ser amada como ama...e na certeza que tens que isso não acontece, porque eu não amo assim, eu amo pela distância, pelas palavras escritas, pelos olhares curtos que te lanço, pela proximidade que por vezes é proibida entre nós e por aqueles momentos em que só existe nós, mesmo quando não te quero abraçar, quando não permito que me beijes, que me tenhas, o amor nunca se esvai e morre, existe sempre. Na diferença que entre nos existe, há amor, amizade, paixão, confiança mas também há ruas que não se cruzam, sóis e luas escuras em dias de céu azul.

O fim é uma constância nos meus dias
O amor é certo quando penso em ti
As certezas do amanhã só se revelam na hora
E tudo um dia fará sentido
Mesmo que tenhamos
Que caminhar por diferentes vidas.

4 comentários:

sotavento disse...

Ai, o amor, essa "coisa" que nos liberta e, ao mesmo tempo, nos prende!... :)

soldeinverno disse...

muito lindo... adorei! Volto sempre...

AlmaAzul disse...

... às vezes ler-te assuta-me! Pareces estar dentro da minha cabeça.É estranho.

***azuis

Arnaert disse...

Ser passiva-agressiva, amar á distância, é prolongar o que poderia durar eternamente até...ao cansaço.

Pessoalmente: não há nada mais eterno que uma cicatriz.

Gostei