quinta-feira, maio 26, 2005

Dou-me cansada às marés que trazem os dias na tentativa de me ver renascer das pedras de areia, na memória de todos os corações e todos os nomes escritos nela. Dou-me às palavras que me superam na forma de serem lidas, na maneira que por tantos olhos são amadas ou detestadas. Amor. Ódio.

Prosto-me sobre este papel molhado de lágrimas, de dor, de felicidade momentânea, aquela que aparece um dia e se desvanece quando mais precisamos dela.
Aquela que tu me deste por vários dias, quando sorrias nos meus olhos e em mim nasciam novas ruas que caminham até ti, sempre até ti.

Em miúda sonhava em ser resgatada por um cavalo branco, que chegava e me levava para bem longe. Hoje em dia ainda miúda fujo para os meus pensamentos quando a tristeza chega, quando tudo parece se quebrar, é assim que sou, meu amor, um cavalo branco que ao mínimo ruído foge para bem longe, mesmo que a felicidade e o amor estejam a um passo, posso perder tudo mas para mim não importa, há sempre novas vidas à espera de serem construídas, e nunca se perde mais do que se ganha.
Um dia tive-te a ti, ganhei muita coisa, e mesmo que te perdesse, a memória do que tive contigo seria sempre mais forte do que o que deixei para trás.
Acho que tu o sentes, que bem dentro de ti, tu o sabes, que nunca me poderei deixar prender pelo amor de alguém, porque tenho em mim as amarras da liberdade, do meu egoísmo, do meu amor por mim.
Quem sabe um dia poderei dizer que quero estar com alguém para todo o sempre...mas o meu tempo esquece-se do que pode acontecer amanhã e no hoje não sou de ninguém.

8 comentários:

Vera Cymbron disse...

Eu nem sei até que ponto é bom serde ninguém... tenho medo destas conclusões tiradas a sangue quente, nem falo do teu sangue, mas do meu que às vezes ferve...
Jinhos

Gaivota disse...

O mal estara entao na palavra sempre. Para sempre só cabe onde tu quiseres, só terá significado enquanto for sempre para ti, mas o teu sempre tem sempre um fim...

E há com certeza quem não perceba que amanha pode ser o fim de um qualquer sempre, para dar lugar a tantos outros, há quem não perceba... E há quem não saiba ainda que a liberdade é o unico sempre seguro que temos.

"Para sempre é tão distante, eu acho que eu prefiro ser feliz como sempre"

Pequenas diferenças, grandes mudanças...

Anónimo disse...

Escondo-me no meu silêncio... respeitando o teu pedido de espaço e tempo.

"Um dia tive-te a ti, ganhei muita coisa, e mesmo que te perdesse, a memória do que tive contigo seria sempre mais forte do que o que deixei para trás." - acredita que ainda me tens...
de maneira bastante diferente, é certo, pois o amor tranformou-se em amizade, mas espero que te recordes de tudo o que te disse... e aqui me encontrarás, sempre que necessitares ou assim o pretenderes...

Aprendemos e crescemos em conjunto e apenas boas recordações ficaram... espero que encontres o alguém que te faça voltar à luz "minha" ave negra e com quem compreendas que amar não é prender, mas sim ser livre...

S.S.

sotavento disse...

Nada mais certo do que as marés!... :)

Anónimo disse...

Agora eu sei que quero estar com alguém para todo o sempre. Sei-o porque sinto que uma busca que eu fazia desde há muito (muito mesmo), acabou. E agora estou feliz.

Um grande beijinho,

Sandra
(http://www.void.weblog.com.pt)

Margem... disse...

Cacau,

Obrigada pela visita. Adorei este teu espaço. Voltar é uma certeza.
Muitos beijos

AlmaAzul disse...

Ser de ninguém... um carma... e uma vontade maior. Ou se aceita ou não... contudo poucos são os que aceitam para sempre... isso é muito tempo.***azuis

Roberto Iza Valdes disse...
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