quarta-feira, setembro 14, 2005

IV

São 8h da manhã. Saiu de casa com um silêncio exagerado. Não dormi nada esta noite.
Preciso de me ir embora. Deito-me nesta cama que deveria ser amor e já não o sinto.
Não me sinto bem nesta cama feita nossa durante 3anos. Não sei o que aconteceu. Quero matar os dias. Quero matar esta agonia que passeia pela minha pele clara.
Preciso de lhe dizer que o fim chegou. Que já não a amo. Cheiro a minha pele, fecho os olhos e beijo-me a pele. Não quero que este cheiro saia. Preciso de outra boca. De outros seios onde me aconchegar. Preciso de outro ventre para explorar.
Dói-me a traição. Dói-me ver-lhe os olhos inchados, a pele estragada, o ter deixado de se cuidar. Amei-a tanto. Fomos tanto. Acabou. Vou fazer as malas e vou-me embora. Deixo-lhe um bilhete. Adoro-a. Chega. Vou levar apenas o mais importante.
Quero levar estas paredes comigo. Quero levar os dois primeiros anos comigo.
Quero levá-la quando a conheci e fiquei rendida. Não sei resolver isto. Quero fugir. Vou fugir.
Ela entenderá. Não me posso despedir. As lágrimas prendem-me ao chão desta casa.
Desculpa. Não me odeies. Deixa de me amar. Vou e não volto.
Vou escrever o bilhete, sim o adeus. Perdi-me.

9 comentários:

Me, Myself and I disse...

Fui trazida até este recanto... Gostei e muito do que li apesar da tristeza existente... Penso que me irei demorar um pouco mais por aqui e voltar variadissimas vezes...;o)

Anónimo disse...

É muito complicado deixar de amar e ter de dize-lo.
Mais complicado será deixar de ser amado e não saber porquê.
Por vezes perdemos tudo, num momento...
Mas o amor e o (des)amor têm de ser vividos olhos nos olhos. Só assim faz sentido. Só assim se poderá falar de amor. Mesmo que passado.
Fugir... pode ser covardia... pode ser injusto...

Morpheu disse...

Como eu consigo perceber todo este sentimento de dôr que te vai na alma. Sei-o porque, embora de modo diferente, o conheço também. É curioso como o amor e a dor da separação não têm qualquer diferença seja-se mulher ou homem, ame-se mulher ou homem. É simplesmente amor, é simplesmente dôr.

Anónimo disse...

Curioso???
AMOR é simplesmente AMOR! É sentimento. AMAR o outro pela pessoa que ela é...
No AMOR não existem preconceitos. Existem SENTIMENTOS e PESSOAS.

Morpheu disse...

Posso ter sido mal interpretado mas é precisamente isto mesmo que eu queria dizer: o Amor é mesmo isso, Amor, só e simplesmente, sem lugar a preconceitos de qualquer tipo. Ama-se porque faz parte do que somos e sem isso só poderemos ser seres incompletos.

Cacau disse...

Obrigada pels vossos comentários, contudo preferia que começassem a assinar os vossos comentários; Morpheu não foste de modo algum mal interpretado pelo menos eu consegui compreender a ideia que querias passar :) ehehe Volta sempre, voltem sempre.

Beijo,

Kacau

Morpheu disse...

Claro que volto, todos os dias, porque não te conhecendo conheço--te bem (de certeza me compreenderás) e isso faz-me voltar.

Beijos

sotavento disse...

Pois, ó miúda, como é que nos encontravamos, se não nos perdessemos?!...
Quanto aos finais, não há receitas para lidar com eles, doem sempre!... Não se pode é fingir que não aconteceram!... :)

Vera Cymbron disse...

Não vou comentar este texto, acho que ele já foi bastante dissecado.
Está lindo CAKAU.