segunda-feira, outubro 17, 2005

"When you try your best but you don't suceed
when you get what you want but not what you need
when you feel so tired that you can't sleep
stuck in reverse
and the tears come stream down in your face
when you lose something and you can't replace
when you love someone and it goes to waste
could it be worst

(,,,)"

- ColdPlay - Fix you



Tantas vezes fui acusada de não compreender o amor, de não o sentir nem o permitir chegar perto de mim. Confesso que sim, que do amor apenas sei o que penso escrever, o que penso ver mas não em mim, nunca em mim. Só deixei o amor entrar uma vez, tinha eu 16anos, e o amor que havia ficou marcado pelas traições, pela dor gasta e pelo adeus. Do amor só me lembro disso e prefiro não saber mais. Se o escrevo é unicamente porque para mim ele existe apenas nos outros, nas palavras, nos gestos que rejeito. Sou o oposto do amor e das pessoas que o vivem. E assim irá continuar a ser até deixar de conseguir escrevê-lo.

Tantas vezes fui acusada de ser tanta coisa que no fundo não sou, tantas vezes tentaram falar pensando me conhecerem...e no final todos se esquecem de quem realmente
eu sou, de que matéria sou feita, do que me põe furiosa e do que me emociona. Tantas vezes implorei em silêncio que alguém chegasse e me abraçasse que perdi a conta
das noites em que me abraçei até às lágrimas passarem e esperar que outro dia chegasse para poder fingir novos sorrisos, novos risos, novos eus. Quantas vezes fingi amar na esperança que se tornasse real o fingimento, o toque, o beijo, o orgasmo. Quantas vezes acreditei ser o fingimento do que dizia no desespero de já não conseguir voltar atrás...e tantas vezes me perdi ao regressar à verdade, a mim.

Tantas vezes fui acusada de ser disponível, atrevida, irrequieta quando na verdade eram tudo desculpas, capas de aço que construí à minha volta para fugir às palavras, aos olhares, aos trocadilhos e jogos que me passam ao lado. Fui tantas vezes acusada de ter tantas características que adoptei-as à minha pessoa, abandonei as outras e agora não sei voltar a ser eu, a eu que respira, que se arrepia com um olhar mais profundo e um toque com nome.
Abandonei-me vezes demais e agora é tarde para voltar.

6 comentários:

Morpheu disse...

Cacau, até pode nem te parecer mas acho que esta limpeza da alma que te vejo a fazer assemelha-se precisamente ao voltares a ti mesma, ao âmago do teu ser. Esta desconstrução de cada pedaço do teu ser e do teu viver é um processo por vezes necessário para nos reedificarmos, para nos erguermos de novo. O passado, pleno de boas e más recordações, tem sempre a utilidade de servir para corrigir erros e reforçar o que nos faz felizes. Do amor sabes muito mais do que dizes, mesmo que te recuses a dizê-lo a ti mesma. Basta ler o que escreves. Do amor, por muito que doa tudo o que passaste, e o amor quando dói é mesmo muito cruel, vale sempre a pena dar uma outra oportunidade. O fechar-se totalmente só nos torna frios e insensíveis e isso sim afasta-nos do mundo e dos outros, mesmo dos que nos querem bem.

Morpheu disse...

Ah! Já me esquecia: Bjs

sotavento disse...

Hum... não acredito!... ;)

Maria do Céu Costa disse...

Com base na letra da música dos Coldplay, conseguiu desenvolver bem o texto. Beijinhos.

Lara K. disse...

Querida Cacau,
Tantas vezes fui acusada também do mesmo "pecado" que tu. Tantas vezes relembrei e relembro ainda, tal como tu, no que escrevo o amor que passei. Passei porque, como sabes, e apesar de ele teimar em me queimar o peito, eu luto contra todo o sofrimento que me trouxe e é também essa força que me faz escrever. Até hoje. Até quando, não sei, não sabemos.
Mais uma vez parabéns pelo belíssimo texto/poema. Compreendo em tudo a tua alma.
Beijinhos grandes,
Lara

Eduarda Santos disse...

Nunca é tarde para sermos o que somos, o que sempre fomos e, provavelmente, o que sempre seremos. Sentir emoções, dor, prazer, etc., é o que nos faz ter a certeza de que ainda existimos como seres, como pessoas.
Força kida, não tenhas medo de sofrer, pois é assim que poderás também amar. Jinhos