sexta-feira, dezembro 23, 2005

Aviso: texto com baixíssima qualidade - Parte II

Chegou o dia. Chegou a hora de me despedir de ti. Dizem que a esperança acabou e que é hora de dizer adeus. Chego-me perto de ti, com os olhos gastos de tentar imaginar como será os dias sem os teus telefonemas chatos, sempre com muitas perguntas, tão habituais em demonstrar como erámos dependentes uma da outra.
Chego-me perto de ti, desejando ir contigo nessa morte tão já explorada, rezada, desmentida. Passámos os dias a fugir uma da outra, tentado esconder o que sentíamos, a recorrermos aos abraços sempre que queríamos mais, sempre que procurávamos nesses abraços...uma busca de amor, uma busca de palavras que recusamos sempre a dizer. Dizer do amor, só aconteceu uma vez. Convidaste-te a ir a minha casa, levaste jantar e o meu gelado predilecto - sentaste-te à minha frente e disseste que estavas doente, que as notícias não eram fáceis...que talvez morresses...roubaste-me as palavras, roubaste-me a vida, atiraste-me ao chão e deixaste-me sozinha...saíste da minha casa com uma palavra nos lábios - Amo-te. Deixaste-me sozinha com um amor enorme, transparente, quente...puseste sobre o meu coração, a tua morte, deixei de saber andar coordenada na vida.

Chamaram-me ao hospital, não me disseram mais nada. Como ir de encontro à morte da mulher que amamos? Como é que se reaprende o amor assim? Que gosto terá a vida depois de nos sentirmos como se debaixo da terra, sem respirarmos, sem sentirmos nada a não ser o medo, o pavor, a esperança de salvação? Como te dizer adeus se nem te consegui dizer olá...como te pedir perdão pela demora, pela espera que te quis ver a passar?

Cheguei perto de ti...tentei falar mas não me deixaste, agarraste-me a mão com a pouca força que te restava...e puseste-a no teu coração, disseste "para sempre" e fechaste os olhos. Fechaste os olhos. Fechaste o teu corpo. Fechaste-te no tempo que deixou de existir para nós.

Porra. Foda-se! Filha da puta.

Como é que partes assim? Como é que deixas a morte chegar e tirar-te de mim, arrancar-te do meu coração, dos meus dias sem deixar tempo para te dizer o que calei dentro de mim durante dois anos? Vejo à minha volta a tua família, vejo as lágrimas de todos, vejo-te a sorrir nas fotos espalhadas pela casa...vejo-te longe, com o teu vestido preto sentada na varanda do meu quarto a beber leite de madrugada, vejo-te depois de teres estado dentro de mim, de todos os lugares que pensava que não conseguias sentir-me. Vejo-te à minha frente com o teu riso cativante.
Não me sei despedir de ti.
Não sei calar o amor que tropeçou na tua morte.
Não te consigo perdoar.
Não te consigo deixar de amar.

8 comentários:

Anónimo disse...

CACAU.. fui eu que Te dei esse nome =D Olha.. é so pah dizer q embora nunca faça muitos comentários, sou leitora assídua aqui do.. "Mundo da Palavras"! Escreves da maneira q eu gosto.. muito sentida! Beijinho e nunca mudes MIGA !!! =D * Sophia *

Morpheu disse...

Que dizer...

(continuo sem palavras, nas tuas palavras, pleno nos sentidos que leio na tua alma)

Beijos

MONALISA disse...

Mil beijos de boas festas para ti.

Mendes Ferreira disse...

um texto vale tb pelo que esconde.
beijo.

Vera Cymbron disse...

Muito escondes tu por trás deste texto...há passagens fantásticas.
Jinhos

indigo des urtigues disse...

Bonito texto!Fico sem saber o que dizer...

Tem um excelente 2006! O ano vai ser nosso! ;) ehehe

Beijinhos

Morpheu disse...

Os meus desejos das maiores felicidades para ti em 2006.

Beijos ;-)

palavrinhas disse...

A morte... Essa geada estranhamente fresca e mortal.
Voltarei a tua casa...

Um abraço apalavrado