segunda-feira, março 13, 2006

Puseste grades no meu coração. Grades de saliva. Grades de seios. Grades de orgasmos.
Entraste-me como se entra por uma janela fechada. Colando a respiração à sua transparência suja. E viciaste-me com a tua incoerência em querer o que não nos é permitido. Arrastas-me pelo chão. Frialdade que me roça a pele. Demorada nas tuas mãos. Beijas-me no único lugar onde ninguém me beijou. E empenhas-te em que sejas a única. Já te disse que não tenho preferidas. Como se isso te bastasse. Menina sedenta de mim.

Quantas vezes te disse que o amor não se sente no sexo, no orgasmo que se rebenta em nós?
Quantas vezes te disse para não te apaixonares por mim?
Quantas vezes te roubei o corpo para me satisfazer a mim e disse que era para isso que te queria?
Quantas vezes te disse que o amor não era algo que te poderia oferecer?
Quantas vezes te pedi desculpa por nunca te ter dito nada disto?

Perdoa-me a crueldade do silêncio.

3 comentários:

Morpheu disse...

o sofrimento das palavras que guardamos para nós é de longe a crueldade mais atroz que se pode infligir...

wendel disse...

muito bom seus poemas passa no meu abraço

Anónimo disse...

Muito bom mesmo. Toca bem cá dentro.

Humilde Sugestão: http://mapainvertido.blogspot.com/

MAPA