quarta-feira, abril 05, 2006

Devaneios

Prejuízos. Prejuízos de alma. Sabes hoje que dia é? É dia de nos despedirmos. A vida estagnou. A nossa vida estagnou. O que existe agora são prejuízos. Os prejuízos de termos deixado de viver. De lutar. De acharmos que seríamos uma da outra para sempre. Mas o para sempre deixou de existir. Deixou de ter sabor. Deixou de nos querer. E porque nos quereria? Nós esquecemo-nos. Enterramo-nos no trabalho. A única coisa que fazíamos juntas era jantar, era ir às compras. Seria isto o que nos estava destinado? Deixamos de querer…deixamo-nos de desejar. De ouvir o que tínhamos para dizer.

Deitamo-nos na mesma cama há 10anos. O sexo não existe na nossa pele há 3anos. Como te disse: estagnamos. E a pergunta será: como voltar atrás? Ao que fomos. Ao amor que dizíamos sentir. Sim somos amigas. O amor precisa de mais. Precisa de mais madeira para pegar fogo. Precisa de pele. De suor. De se deixar falar. De se deixar ouvir. E sim, o sexo também é algo que se recomenda. Penso que deixamos o tesão ardente nas discotecas. Nas casas de banho dos restaurantes. Nos quartos dos hotéis que percorríamos nos primeiros anos. No banco de trás do carro. Nas tuas mãos. Nas minhas mãos. Nas nossas bocas. Deixei de saber como receber o teu corpo. Como amá-lo. Como desejá-lo. Como incendiá-lo. E tu continuas a saber como chegar ao meu corpo? Como o provocar? Como o possuir? Ou será que também te esqueceste?

Sabes que dia é hoje? É dia de escolhermos um rumo nas nossas vidas. É dia de abrirmos os olhos e reconhecer que algo mudou. Que algo se esqueceu. Que algo acabou. E vejo lágrimas nos teus olhos. Porquê? Será tão difícil dizer adeus à rotina? Será tão difícil dizer adeus a algo que já há tanto que deixou de fazer sentido. 10 anos minha querida! Há quanto tempo eu e tu não nos amamos? Perdemo-nos na certeza que estaríamos sempre juntas. Que seria tudo perfeito. Que não seria necessário lutar. Que tínhamos todas as respostas para os eventuais problemas que aparecessem. Pois estavámos erradas. E a vida parou-nos à porta. Como será recomeçar a viver? Como será sairmos da vida uma da outra. Como será reconhecer que estamos mortas há tanto tempo. Limpa essas lágrimas. São escusáveis. Porque a partir de agora poderemos recomeçar. Não ao lado uma da outra. Nem sequer na mesma estrada. Mas recomeçaremos. Será preciso mais? Penso que não.

Sabes que dia é hoje?

6 comentários:

Anónimo disse...

Mais uma vez... muito bem!

Maria dos Açores disse...

O amor... o amor tem destas coisas... julgamos-lo certo e eterno e depois... depois vem a rotina, a distância, o desinteresse, a falta de tempo ou de paciência...
O caminho outrora um separa-se e tranforma-se em dois e depois... depois o amor continua lá, apesar da separação, apesar da distância, apesar da falta de notícias porque... um amor... um grande amor... não morre jamais...

Eulália Fricassê disse...

Avistei o mundo nas palavras,gostei,e resolvi convida-la para "palavrearmos" um pouco...que tal?!
Abraços

Eulália Fricassê disse...

olá, podes entrar que a casa é tua, embora eu viva no meio da rua ...
:)

Vera Cymbron disse...

Sei... é quinta, amanhã não trabalho e só queria ter o meu menino perto para um namoro prolongado. Mas gostei deste teu devaneio... eu também andei neles.
Jinhos, Boa Páscoa!

fairy_morgaine disse...

esse dia foi dia de encarar a verdade.
as pessoas acham sempre que tudo está garantido...
mas não está, cakau. nunca está.