domingo, novembro 05, 2006

"There's only one love. It's only one love, and it's only your love."

Meu amor, chegaram os dias de tempestade ao meu corpo. Gotas grossas de desespero se ancoraram por dentro de tudo o que construímos e reconheço a corda que te puxa para longe de mim. Reconheço a sua amplitude e a maneira como nos corrói por dentro. Reconheço-me aí nesse espaço que agora é só teu. Nessa angústia de sabermos que raramente conseguimos fugir desse aperto. Dessa esfera pintada a vermelho que nos fecha por dentro. Nos faz transpor para dentro de paredes espessas e quase que intransponíveis. E os dias corromperam-se e os planos começam a flutuar. Nada é hoje como era ontem. E o amor agarra-se à pele bolorenta das almas para sobreviver. Para não se deixar ir no rio dos medos, das inseguranças, das perguntas agora tão mais presentes. O nosso amor. O amor que nenhuma de nós desejou. O amor que nos fez nascer de novo. O amor que agora se vê emalhado em nós cheios de obstáculos, de testes à nossa força, a esta nova forma de fé que criámos. Renascemos naquela madrugada numa nova religião. A nossa. E realizámos agora que não nos bastam as rezas. É preciso mais. Um querer. Um desejar. Uma força maior do que tudo o que está à nossa volta. Algo feroz mas profundo que não nos dê outra saída que não seja vivermos isto. Entregarmo-nos ao que nos borbulha no coração. Ao que nos agride a pele quando não estamos juntas.

Acredito-nos como nos vivo. Com uma intensidade inesgotável. Com uma vivacidade que não me deixa atingir o corpo com o cansaço e confesso-me mais tua agora, mais tua na dor que existe, mais tua nesta guerra que está lançada entre a sobrevivência e um viver para além disto tudo.

Assumo-nos crentes deste novo - para sempre - que se prende nos meus lábios sempre que os teus os bebem. Provam-nos como se não houvesse amanhã. Mas existe um amanhã e outros mais. Existe porque no dia em que fugir seja a única solução credível aos nossos olhos, não o conseguiremos fazer porque só saberemos reconhecer o nosso caminho. O meu até ti e o teu até mim.

Não existe nada que me mova disto. Nem mesmo quando te vejo perdida e achando que não nos conseguirás escolher.

8 comentários:

nameless as a desire disse...

Amor...
Por vezes um deserto,
Por vezes um frenético rio que palpita veloz por entre as margens das nossas mãos.
Outras, uma lágrima que me ficou no canto da boca.

Agarra as rédeas deste cavalo que cavalga selvagem e se debate livre dento de mim, e procura conduzi-lo por um momento que se prolongue para além de nós.

nameless as a desire disse...

gAmor...
Por vezes um deserto,
Por vezes um frenético rio que palpita veloz por entre as margens das nossas mãos.
Outras, uma lágrima que me ficou no canto da boca.

Agarra as rédeas deste cavalo que cavalga selvagem e se debate livre dentro de mim, e procura conduzi-lo por um momento que se prolongue para além de nós.

nameless as a desire disse...

Amor...
Por vezes um deserto,
Por vezes um frenético rio que palpita veloz por entre as margens das nossas mãos.
Outras, uma lágrima que me ficou no canto da boca.

Agarra as rédeas deste cavalo que cavalga selvagem e se debate livre dentro de mim, e procura conduzi-lo por um momento que se prolongue para além de nós.

lua ( disse...

as escolhas do amor são sempre as mais dificeis de fazer. Num piscar de olhos fazemos uma escolha desadquada ao nosso sentir... mas é tudo isso que nos faz evoluir enquato seres humanos! :)
beijo*

AlmaAzul disse...

Muito canfusão de sentimentos para mim. Talvez uma linha recta ajude.

A escrita como sempre fantástica ;)

Cris disse...

Deixei-te um desafio no meu blog :)
Um beijo

chavela disse...

experimenta com a leviandade. Com antepor um sorriso de credulidade, com a absurda confiança da menenice que nos faz saltar de olhos fechados...e sobre tudo desfruta, porque qualquer principio é o paraiso.
(e parabens pelo blog. Sempre paso assim caladinha, assim que olá, chamo me chavela, e acostumo passar por esta rua)

Mar da Lua disse...

Que boas surpresas nos reserva a blogoesfera, que magias encerra e que reencontros n os proporciona.Cacau, esta é a minha primeira visita a "tua casa" mas não é a última garanto tanto mais que além do prazer da escrita ainda me proporcionas o grato gosto de "rever" e reler velhos amigos.

Um Sorriso